29 setembro 2014

Pessoas Problemáticas x Pessoas Solucionáticas

© Alessandro Loiola




Pessoas problemáticas teimam em atormentar os amigos se queixando da vida dizendo coisas como “Não sei o que está acontecendo com ela/ele/meu trabalho/minha vida/tudo”.

Além de inútil, esse tipo de questionamento causa grande sofrimento, porque as pessoas estão sempre se perguntando “o que está acontecendo” ao invés de se preocuparem com “o que estão causando”.

Quando você atua como uma CAUSA ao invés de um EFEITO, você estabelece um exemplo fácil de ser seguido: você não é mais um crítico, mas um produtor. É extraordinário como somos capazes de crescer a partir do milésimo de segundo em que decidimos viver para além das histórias sobre nós mesmos (fraquezas) e dos outros (ameaças).

Cada decisão que você toma, cada pequena decisão, não é uma decisão sobre o que fazer. É uma decisão sobre QUEM VOCÊ É. Perceber isso muda tudo. Todos os eventos, situações e experiências de sua vida se transformam em oportunidades para fazer aquilo que você nasceu para fazer: ser você mesmo/mesma. Decidir torna-se um fator permanente de mudança.

Procurar fazer as coisas como todo mundo faz é desperdiçar a chance de descobrir quem você realmente é – como disse Arthur Schopenhauer, “investimos três quartos de nossas vidas para sermos como as outras pessoas”. Não caia nessa armadilha. Supere-se e tome a frente para causar a mudança que você deseja. Nada é mais inspirador que isso. Todo mundo prefere ser inspirado, estimulado, motivado, ao invés de punido ou corrigido. O impacto do exemplo é mais profundo e dura mais tempo que qualquer outra tática. Por isso: SEJA o que você DESEJA ver.

Se você quer uma vida mais positiva ou pessoas mais atenciosas ao seu redor, tome a dianteira e seja VOCÊ a causa da positividade e da atenção. Mostre como fazer, transforme-se em uma pessoa solucionática. E então surpreenda-se com os resultados.

28 setembro 2014

Qual a Pressão Arterial Ideal?

© Dr. Alessandro Loiola


Pacientes hipertensos que mantém sua pressão arterial (PA) acima ou abaixo dos níveis considerados ideais apresentam um risco maior de morte precoce ou de desenvolver insuficiência renal.

O estudo, envolvendo mais de 390 mil pacientes acompanhados por 4 anos e publicado em agosto de 2014 no Journal of the American College of Cardiology, foi importante por ter enfatizado o risco do tratamento excessivo em pessoas hipertensas.

Os pesquisadores observaram uma curva mostrando prognósticos piores para pessoas com PA sistólica acima de 139 e abaixo de 130 mmHg e diastólica acima de 79 e abaixo de 60. Uma PA de 137/71 mmHg foi a que apresentou o menor risco de morte precoce ou insuficiência renal.

Para pacientes diabéticos, a PA com o menor risco foi de 131/69 mmHg; e para pacientes com idade igual ou acima de 70 anos, a PA de menor risco foi de 140/70 mmHg.

E você, já verificou sua pressão arterial essa semana?

27 setembro 2014

Deficiência de Vitamina D está associada a Esquizofrenia

© Dr. Alessandro Loiola


Uma pesquisa publicada online em julho de 2014 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism mostrou que a deficiência de vitamina D está ligada ao aumento do risco para esquizofrenia.

A revisão de 19 estudos científicos, totalizando mais de 2800 participantes, mostrou que aqueles com deficiência de vitamina D apresentavam uma chance duas vezes maior de serem diagnosticados com esquizofrenia em comparação às pessoas sem deficiência. Além disso, 65% dos pacientes sabidamente portadores de esquizofrenia também apresentavam baixos níveis de vitamina D no organismo.

A deficiência de vitamina D é um problema relativamente prevalente no mundo todo, e está associada a várias consequências deletérias. Por exemplo: pesquisas mostram que esta hipovitaminose está intimamente associada à depressão e outros transtornos psiquiátricos. E é assustador quando pensamos nesse dado associado às estatísticas que apontam que 30% das pessoas (adultos e crianças) apresentam deficiência – e outros 30% apresentam níveis insuficientes da vitamina no organismo.

A Sociedade Americana de Endocrinologia recomenda a suplementação de vitamina D nas seguintes doses:
- crianças com mais de 1 ano de idade: 600 a 1000 unidades por dia.
- adultos dentro do peso ideal: 800 a 2000 unidades por dia.
- obesos e pessoas com sobrepeso: 2 a 3 vezes a dose recomendada para adultos dentro do peso.

Ainda não existem especificações desse tipo para gestantes e crianças com idade inferior a 1 ano. Contudo, muitos especialistas concordam que, no caso das gestantes, seria prudente recomendar a suplementação com 2000 a 4000 unidades de vitamina D diariamente, além de estimular o consumo de outras fontes dietéticas ricas em vitamina D, como leite, e o uso das vitaminas habituais do pré-natal.

26 setembro 2014

Frutas e vegetais aumentam a vida útil do coração

© Dr. Alessandro Loiola


Uma meta-análise realizada por pesquisadores chineses esclareceu a quantidade de frutas e vegetais que uma pessoa deve ingerir diariamente para diminuir seu risco de morte precoce por doenças cardiovasculares: o número mágico é 5.

O consumo diário de pelo menos uma porção de frutas ou legumes por dia (em comparação ao não-consumo) associou-se a uma redução de 8% no número de mortes precoces. O consumo de 5 ou mais porções associou-se a uma redução de 26%. Para além de 5 porções, não foi observada diminuição adicional no risco.

Leve esta ideia na cesta quando for fazer a próxima feira.

25 setembro 2014

Peixe na cabeça

© Dr. Alessandro Loiola


Confirmado: o consumo regular de peixe cozido ou assado ajuda a evitar o envelhecimento cerebral. Frito não vale.

Mais de 250 adultos idosos e cognitivamente saudáveis foram acompanhados por 2 anos, e o consumo semanal de peixe associou-se a um aumento no volume de massa cinzenta no hipocampo e no córtex frontal, entre outras regiões do cérebro.

No estudo, publicado online em julho no American Journal of Preventive Medicine, os cientistas observaram que pessoas que comiam peixe cozido ou assado pelo menos uma vez por semana apresentavam um volume de massa cinzenta respectivamente 4% e 14% maior em áreas do cérebro associadas à memória e cognição.

A alimentação rica em peixe aumenta os níveis sanguíneos dos ácidos docosahexaenoico (DHA) e eicosapentaenoico (EPA), duas substâncias que atuam aumentando a fluidez da membrana plasmática no nível sináptico, otimizando sua permeabilidade, potencializando a ação de fatores neurotróficos e promovendo o metabolismo e o crescimento neuronal. Em resumo: fazem um bem danado para sua cabeça.

Então que tal aproveitar e pesquisar agora mesmo uma receita de peixe para sua próxima refeição ?

O cérebro - SEU cérebro - agradece.

Andropausa e Reposição de Testosterona: é seguro?

© Dr. Alessandro Loiola


Os níveis de testosterona reduzem progressivamente com o tempo, e uma porcentagem significativa de homens com mais de 60 anos de idade apresentam níveis sanguíneos de testosterona bem abaixo dos limites inferiores recomendados para homens entre 20-30 anos.

A Síndrome de Hipogonadismo Tardio – popularmente chamada de Andropausa - é uma síndrome clínica e bioquímica associada ao processo de envelhecimento e caracterizada por uma diminuição importante nos níveis de testosterona, além de muitas outras manifestações – incluindo uma grande perda de qualidade de vida.

Ao longo da última década, vários especialistas avaliaram os benefícios da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) em homens na Andropausa, incluindo seus efeitos sobre a libido, a performance sexual, o humor, a massa e a força muscular, a concentração de gordura corporal e a densidade mineral óssea. Permeando todos esses anos de estudos, houve sempre a preocupação de que a TRT pudesse aumentar o risco de crescimento exagerado ou mesmo câncer na próstata.

Pensando nisso, alguns pesquisadores realizaram uma extensa revisão da literatura identificando todos os estudos controlados e randomizados (ECR) envolvendo testosterona no tratamento do hipogonadismo. Foram encontrados 22 ECR, totalizando 2.351 pacientes que utilizaram TRT por meio de injeções, comprimidos ou adesivos transdérmicos. O resultado: menos da metade dos ECR relatou aumento da incidência de câncer prostático.

A despeito do método de administração, no curto prazo (menos de 12 meses), a TRT parece ser segura e não aumenta o risco de hipertrofia prostática ou desenvolvimento ou progressão de tumores na próstata, desde que o paciente seja cuidadosamente monitorizado para manter os níveis de testosterona dentro dos limites fisiológicos recomendados e faça dosagens periódicas dos níveis de PSA.

24 setembro 2014

Vacina contra Parkinson

© Dr. Alessandro Loiola

A primeira vacina para evitar a Doença de Parkinson parece estar a caminho.

Um estudo clínico de fase 1 avaliando uma vacina subcutânea deste tipo – chamada PD01A – foi concluído este ano na Áustria e mostrou que (1) a vacina foi bem tolerada e segura, (2) produziu uma resposta imune e (3) esta resposta imune resultou em melhora dos sintomas da doença.

A vacina é direcionada contra a alfa-sinucleína, uma proteína que tende a se acumular de modo anormal no cérebro de pacientes com Parkinson. A PD01A estimula o corpo a formar anticorpos que se ligam e eliminam o excesso de alfa-sinucleína.

Os cientistas calculam que ainda serão necessários cerca de 6 anos de estudos, em uma previsão bastante otimista, para que a vacina passe por todos os testes clínicos necessários para avaliar sua segurança e eficácia.

Vamos aguardar. Essa é uma espera que pode valer muito a pena.

23 setembro 2014

Adolescentes, Maconha e Psicose

© Dr. Alessandro Loiola

A disponibilidade da maconha vem crescendo a cada dia: apenas nos EUA, mais de 24 estados permitem seu uso medicinal e 2 (Colorado e Washington) já descriminalizaram o uso pessoal - e esta tendência vem aumentando no mundo todo. Com estas mudanças, algumas preocupações de saúde pública também surgiram, especialmente aquelas relacionadas aos efeitos neurocognitivos e neuropsiquiátricos da maconha sobre os jovens.

Um estudo publicado em agosto de 2010 na revista Drug and Alcohol Dependence avaliou o impacto da maconha no desempenho escolar de 6000 adolescentes na Austrália e na Ásia. Os pesquisadores descobriram que os usuários de maconha apresentavam um risco até 5 vezes maior de largar a escola até os 15 anos de idade quando comparados aos não-usuários.

Além de uma geração com péssimo rendimento escolar, o uso em larga escala da maconha pode levar a uma outra epidemia. Podemos estar observando o nascimento de uma geração de psicóticos.

O uso pesado de maconha entre os 15 e 17 anos, um período crítico para o desenvolvimento cerebral, pode resultar em crises precoces de psicose em pessoas com fatores de risco para transtornos mentais.

Dados preliminares do projeto ACES II (Allied Cohort on the Early course of Schizophrenia) mostrou que jovens nesta faixa etária que utilizaram maconha apresentaram seu primeiro surto de psicose em média 4 anos antes em relação às contrapartes sem história de uso do entorpecente. Quanto mais cedo ocorre a primeira crise, piores o prognóstico, a severidade dos sintomas e a intensidade da incapacitação funcional.

Aproximadamente 4% da população mundial usa maconha. O uso é mais prevalente entre homens adultos jovens, solteiros ou divorciados, e brancos. De 1990 a 2006, houve um incremento de 10% no consumo mundial de cannabis.

Terceira Idade e Sexo

© Dr. Alessandro Loiola


Um estudo da revista médica New England Journal of Medicine revelou que 73% das pessoas entre 57-64 anos, 53% entre 65-74, e 26% daqueles entre 75-84 de idade encontram-se sexualmente ativos.

Até aí, nada demais. O problema surgiu em outro trabalho, publicado no Annals of Internal Medicine, mostrando aumento na incidência de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) na população acima dos 65 anos de idade. Mais especificamente, um aumento de 31% nos diagnósticos de clamídia e de 52% de casos documentados de sífilis.

Homens com mais de 50 anos de idade em uso de medicamentos para disfunção erétil apresentam uma probabilidade 6 vezes menor de usar camisinhas quando comparados a homens de 20 e poucos anos.

O lance é que a Terceira Idade está fazendo mais sexo, mas de um modo inseguro. 

Compreensão e dedicação não são as únicas coisas que nossos pacientes na Melhor Idade precisam. Educação sexual, incluindo um papo bastante franco sobre DSTs, é um tópico que também merece ser colocado na ordem do dia.

22 setembro 2014

Ansiedade & Tímpanos

© Alessandro Loiola




Depois de atender como médico praticamente 7 dias na semana nos últimos 20 anos, aceitei o fato de que você não pode alcançar uma pessoa que não lhe dá atenção. Se o que você está dizendo causa desconforto demais, não adianta ser gentil ou falar de mansinho. Você não será ouvido/ouvida. O outro tem que lhe escutar para entender.

Agora, o pulo do gato: para que alguém lhe escute, primeiro a pessoa tem que ser ouvida. Não funciona ao contrário. Nunca funciona quando você toma a frente: a outra parte tem que perceber primeiro que você está na mesma sintonia e que você a compreende completamente.

Um paciente – vamos chamá-lo de Flávio – veio fazer um check up e conversa vai, conversa vem, reclamou de ansiedade aguda. A causa? Estava tendo problemas no noivado, justamente agora que estava a poucas semanas do casamento. Discutiam o tempo todo e ele não sabia mais o que fazer.

- Eu simplesmente não sei onde está o problema. O que você sugere?
- Comece preparando um jantar em casa.
- Tá, e daí? O que eu digo pra ela?
- Nada. Apenas ouça.
- Ouvir o quê?
- A pessoa do outro lado da mesa.
- E sobre o que deve ser a conversa?
- Sobre nada específico. Apenas pergunte como anda a vida dela. Se está tudo bem, o que ela acha que está acontecendo e o que poderia ser mudado para melhorar as coisas, por exemplo.
- Hum, entendi. E daí?
- Daí nada. Apenas ouça.
- Olha, não sei se eu vou conseguir fazer isso...
- Ótimo. Então você acabou de encontrar a fonte do problema. A partir daí é com você, campeão.

19 setembro 2014

Como mudar o outro?

© Alessandro Loiola




Uma ocasião, batendo papo na varanda de casa com um casal de amigos que estava atravessando um período de turbulência, caí na asneira de comentar no meio da conversa que eles poderiam mudar em um estalo de volta ao mar de rosas. E que isso era absurdamente fácil.

   - Fácil é dizer, você que está de fora... – ele disse.
   - Além do mais, se é tão fácil assim, então por que você separou e casou de novo e separou e... – ela completou, virando os olhos para cima, já demonstrando impaciência.
   - Fiz escolhas erradas, muitas, e me comportei mal várias vezes. É verdade. Mas tive a sorte de conseguir aprender algumas coisas valiosas no caminho, e hoje vivo em paz comigo mesmo, que é o mais importante.
   - Então tá – ele falou. - Vamos dizer que todo nosso problema está no fato de que um determinado comportamento dela me irrita profundamente e que isto é o motivo de 99% das nossas brigas.
   - Hum.
   - Como eu faço para mudá-la?
   - E isso é tudo que você deseja saber?
   - Sim, saber isso praticamente resolveria a situação.
   - Rapaz, então vou te poupar um bocado de tempo e terapia de casal! Vou lhe dizer em três palavras como você pode mudar o comportamento dela.
Ele colocou o copo sobre a mesa e inclinou-se em minha direção, enquanto ela o olhava apreensiva.
   - Diga! – ele pediu, esperando pelas três palavras mágicas.
   - Digo. É o seguinte: Você Não Pode.
   - Como?
   - É isso aí. Você não pode. Ninguém pode mudar ninguém.
   - Que diabos de resposta é essa, homem? Como assim ninguém muda ninguém?
   - Ao longo da minha carreira de médico, posso dizer com uma boa dose de certeza que devo ter atendido mais de 250 mil pessoas. Uma conclusão a que eu cheguei depois de passar pela vida dessa multidão toda é que ninguém, ninguém!, é capaz de mudar outra pessoa. A mudança tem que vir de dentro. Do contrário, não é mudança: é controle por condicionamento, coerção ou fingimento.

Não sei se eles entenderam, mas a verdade é indiscutível.

Tentar gerenciar o comportamento e as consequências emocionais de outra pessoa, quem quer que seja ela, é uma receita pronta para o desapontamento. Mas você pode criar um ambiente favorável que ESSTIMULE a mudança dentro do outro - e ESSA é a grande aposta que faz o resto do truque dar certo.

16 setembro 2014

Você está na equação?

© Alessandro Loiola




Reflexão para começar a manhã: levar os dias como uma sequência de escolhas e oportunidades ao invés de tentar se passar por vítima de todas as circunstâncias aumenta suas chances de sucesso. Isso parece óbvio, mas esse cenário de dissimulação infantil pode se infiltrar de modo bastante sutil na sua vida.

Quando você vive nesse nível e compreende que as coisas que você faz são escolhas que você tomou (ou consequências dessas escolhas), a vida assume uma nova dimensão. Seja planejar um passeio, ir trabalhar, fechar um contrato, cuidar das crianças, preparar o almoço ou arrumar a casa, tudo se torna mais divertido.

Se deseja que as coisas dêem certo, precisa se incluir na equação das suas escolhas 100% das vezes.

“Pode contar comigo” é uma frase típica do sujeito que encara a vida de modo consciente, adulto e comprometido com suas decisões. 

Pessoas não comprometidas, ansiosas por assumir o papel de vítimas, em geral se saem com “Resolva aí do seu jeito e vamos ver como fica” ou “Faça como você achar melhor”. E na primeira situação de dificuldade, atacam com o velho “Não aguento mais fazer só o que os outros querem!”.

O espírito de colaboração com a sua vida não tem coisa alguma a ver com quem merece o quê. Ele tem, sim, a ver com o seu comprometimento pessoal em ter uma grande experiência de existência. O hábito de personalizar negativamente as consequências, retirando sua parcela de responsabilidade da equação, deveria ser considerado uma forma de doença mental.

Se você tem hábito de fazer isso, mude agora. Ou marque uma consulta.

12 setembro 2014

Você tem força de vontade?

© Dr. Alessandro Loiola


Praticamente todas as pessoas acreditam que “força de vontade” seja algo embutido dentro de nós, um presente genético, e que alguns nascem com uma boa dose de força de vontade enquanto outros, menos favorecidos, simplesmente não foram abençoados com essa faculdade.

A verdade é que todos nós podemos “ter” força de vontade. A pergunta é se você irá aprender a desenvolver e usar essa qualidade, ou não.

Lendo alguns bons livros, entendi que força de vontade é como um idioma. Qualquer criança pode aprender um idioma (a bem da verdade, todas as crianças aprendem um idioma). Uma pessoa de 90 anos de idade também pode aprender um novo idioma. Se você tem 9 ou 90 anos de idade e está perdido em Londres, saber um pouco de inglês ajuda bastante para conseguir comida e abrigo.

Se você não sabe inglês, você pode aprender a língua, o quanto quiser. E quanto mais você utilizá-la, maior será seu domínio e mais coisas estarão ao seu alcance. Mesmo que você jamais tenha tido contato com inglês antes, é perfeitamente possível reconhecer, aprender e utilizar o idioma como quem usa uma ferramenta qualquer: carregue seu pequeno dicionário inglês-português para cima e para baixo, anote suas dúvidas, pergunte, converse, ouça músicas, leia jornais e revistas, escreva bilhetes, envie e-mails, assista TV, tente se virar do jeito que for. Convenhamos: você não precisa nascer com uma habilidade especial para isso. É só querer.

O mesmo vale para força de vontade, ainda que muitas pessoas não acreditem nisso e considerem a tenacidade no caráter como um aspecto intrínseco da personalidade. Isto é um grande equívoco. Pensar assim é um erro que pode arruinar sua vida e a vida a dois.

Mas a boa notícia é que nunca é tarde demais para corrigir o rumo.

Você nunca ouviu alguém dizer ou disse para si mesmo: “Eu sei que isso está atrapalhando meu relacionamento e até queria mudar, mas não tenho força de vontade suficiente”?

Nada mais distante da verdade: você tem tanta força de vontade quanto qualquer outra pessoa. Pode ter acontecido apenas que você até agora não decidiu utilizá-la plenamente.

Quanto mais você consulta seu dicionário de inglês-português e utiliza as palavras que encontra, mais fácil vai se tornando se comunicar na língua. Se você fizer seu dever de casa direito, treinar e praticar suas frases no espelho, logo falar inglês se tornará algo natural, como se aquilo fizesse parte de você desde o princípio. A força de vontade funciona da mesma maneira.

Se você compreender lá dentro do seu coração que força de vontade é algo que se usa, não algo que se possui, então você pode utilizar essa ferramenta para realizar praticamente qualquer coisa que queira, sempre que quiser.

Lamentavelmente, vejo pessoas preocupadas se elas “tem” força de vontade ou não para empreender uma determinada mudança. Esqueça esse conceito e aceite: força de vontade não é um dom, uma benção ou uma dádiva. É uma ferramenta, como um martelo. Como um dicionário.

Esqueça as desculpas, sabotagens e fatalismos melancólicos que seu subconsciente pode insistir em vender como se fosse a verdade derradeira. Não engula isso. Mude sua história agora. Desenvolva com coragem e utilize sua força de vontade disciplinadamente a seu favor.

11 setembro 2014

A responsabilidade é de quem?

© Dr. Alessandro Loiola


Você pode até reclamar dessa forma de colocar as coisas, mas costumo dizer que “errar é humano e colocar a culpa em alguém é sábio”. Deve ser verdade, ou não seria por outro motivo que também dizem que “ri melhor quem ri por último”. Quem ri por último teve tempo mais que suficiente para descobrir em quem colocar a culpa.

Achar culpados faz parte da nossa natureza. É uma estratégia primária do caráter humano, construída sobre um tipo de curiosidade destrutiva que trazemos desde as primeiras artes na infância. Você apronta - de modo consciente ou não -, e então tenta colocar a culpa em outra pessoa para ver o que acontece. Assumir sua parcela no problema, na maioria das vezes, é constrangedor demais para a autocrítica (leia-se Ego).

Mas, quando falamos do verdadeiro crescimento pessoal, aquela parte mais íntima do que nos é mais íntimo, diagnosticar erros e dividir culpas se torna uma questão de sobrevivência: rir e eximir-se poderá salvar seu orgulho por algum tempo. Entretanto, isso não produzirá progresso ou qualquer outra forma de evolução.

O presente tem esse nome porque ele é um presente em todo significado: é uma porta para o futuro. Não merece ser crucificado e celebrado como uma oportunidade de repetir dolosamente os mesmos problemas e erros do passado.

Ao longo da vida, percebi que muitas pessoas insistem em fazer o não funciona. Pais e mães são mestres em fazer isso, e acabamos por aprender esse padrão de comportamento e o repetimos na vida. Alguma coisa no outro nos frustra, angustia, magoa? Prontamente colocamos esses sentimentos todos em uma sacola e esperamos a primeira oportunidade para virar tudo do modo mais desajeitado do mundo sobre a cabeça da primeira pessoa ao nosso lado. Que ótimo: agora serão DOIS frustrados, angustiados e magoados!

Ao conversar com pessoas em conflito, a história costuma ser uma só: o problema é sempre do outro. Deixe-me lhe dizer uma coisa: o problema é seu. Você tem responsabilidade, é tanto parte como o problema por inteiro.

Assuma isso para resolver situações de impasse, romper a mediocridade de ideias pré-concebidas e inspirar a reconstrução de sua vida em uma espiral de paz e prosperidade.

Vai valer à pena. Experimente.

10 setembro 2014

QUEM TEM MEDO DE INJEÇÃO?

© Dr. Alessandro Loiola


As primeiras campanhas de vacinação no Brasil foram uma verdadeira operação de guerra. Nos longínquos idos de 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz quase (quase?) virou o Rio de Janeiro de cabeça para baixo. A varíola matava mais de 3.500 brasileiros por ano. Peste bubônica, febre amarela, sarampo, escarlatina, difteria, coqueluche e tifo assolavam nossas cidades, e o Sr. Oswaldo, altamente sensível, ordenou que o exército invadisse casas e despejasse pessoas em nome das vacinas. É de se imaginar o que uma atitude como essa causaria hoje...

De qualquer forma, muitos bondes virados e janelas quebradas depois, o vírus da varíola ficou restrito a 02 laboratórios do mundo, e quase ninguém mais sabe como é uma epidemia de coqueluche, tifo, escarlatina, sarampo ou difteria.

Tudo bem, trocamos velhas doenças por novas ameaças, mas em alguns casos você está correndo risco à toa. Deixe seu medo de agulhas de lado e fique sabendo que durante a idade adulta existem seis vacinas principais que você deve prestar atenção: (1) contra Influenza (é a famosa vacina contra gripe), (2) anti-pneumocócica, (3) contra Hepatite B, (4) contra Hepatite A, (5) vacina tríplice e (6) dupla tipo adulto.


VACINA CONTRA INFLUENZA

O Vírus Influenza, responsável pela Gripe, é capaz de deixar qualquer candidato a Don Juan de queixo caído: a cada ano, ele leva mais de 10 milhões de pessoas para a cama! Mas, ao contrário do conquistador romântico, cerca de 80% das pessoas vítimas do vírus poderiam ter evitado o problema através da vacinação. Mesmo quando não confere proteção, a vacina é capaz de reduzir a intensidade dos sintomas e a duração da Gripe.

A vacina contra Influenza está indicada para todas as pessoas com 60 anos ou mais de idade ou que apresentem fatores de risco para Gripe, tais como mulheres no segundo ou terceiro trimestre de gravidez e portadores de doenças cardiovasculares, diabetes, asma e outros problemas respiratórios crônicos. Os sintomas colaterais da vacina são leves e ocorrem em apenas 01 a cada 05 pacientes vacinados.


VACINA ANTI-PNEUMOCÓCICA

A bactéria Pneumococo é responsável 15% dos casos graves de Pneumonia. A Vacina Anti-Pneumocócica, em uso desde 1983, oferece uma proteção de até 90% por cerca 05 anos ou mais. Ela está indicada para todas as pessoas com 50 anos de idade ou mais, portadores de insuficiência renal, HIV, alguns tipos de câncer, doenças cardiovasculares ou pulmonares crônicas (p.ex., insuficiência cardíaca, enfisema, asma), diabetes, cirrose, alcoolismo, que receberam órgãos transplantados ou que tiveram o Baço retirado cirurgicamente. Os efeitos colaterais da vacina são leves e incluem principalmente dor no local da injeção.


VACINA CONTRA HEPATITE B

A Hepatite B é uma doença potencialmente grave e pode resultar em Cirrose ou mesmo câncer no fígado. A parte boa da notícia está no fato desta doença também poder ser evitada através da vacinação. O esquema vacinal contra Hepatite B oferece uma proteção superior a 95%. Um esquema de reforço é recomendado aos 60 anos de idade.


VACINA CONTRA HEPATITE A

Mais de 40% dos casos de Hepatite A ocorrem em adultos entre 20 e 40 anos de idade. Uma única dose da vacina confere uma proteção de 90-100%, que pode durar até 20 anos. As reações colaterais da vacina contra Hepatite A incluem febre, dor de cabeça e desânimo, ocorrendo em 1 a cada 3 pessoas imunizadas.


VACINA TRÍPLICE

Protege contra Sarampo, Caxumba e Rubéola. Toda pessoa nascida após a década de 1950 deve receber a vacina tríplice durante a infância, com uma dose única de reforço entre os 20 e 40 anos de idade. Este é o esquema recomendado pelo Ministério da Saúde. A vacina possui uma eficácia superior a 95% e os efeitos colaterais são considerados leves – pesquisas científicas mostraram que a maioria das pessoas que aplicam as vacinas em você não sente coisa alguma.


VACINA CONTRA TÉTANO E DIFTERIA

Você sabia que os adultos com mais de 50 anos de idade respondem pela maioria dos casos de tétano? O tétano ainda é uma doença altamente letal, causando a morte em mais de 20% das pessoas afetadas. Felizmente, a vacina é capaz de oferecer uma proteção excelente, superior a 90%.

A vacina contra tétano e difteria, também chamada de Dupla Tipo Adulto, deve ser aplicada aos 15 anos de idade e daí em diante a cada 10 anos. Se você não lembra mais o que é uma antitetânica, aproveite a dica! Passe no posto de vacinação mais próximo e descubra como deve ser levar um cruzado de direita do Anderson Silva no ombro. E enquanto o Sr. Silva estiver lhe enviando o recado, lembre-se: tudo vale por uma boa causa!

09 setembro 2014

Sobre relacionamentos: a escolha é sua.

© Alessandro Loiola




Alguns relacionamentos dão tão certo que chegamos a acreditar que amor à primeira vista e almas gêmeas realmente existem. Sinceramente, isso é o tipo de esperança fútil que tira todo o mérito do esforço que casais que deram certo tiveram para que o relacionamento deles vicejasse.

Um relacionamento não é um jogo de dados. Ele é uma construção diária. E conservá-lo é uma habilidade que pode ser adquirida, como andar de bicicleta ou jogar xadrez – desde que o nível adequado de comprometimento, coragem e disciplina estejam presentes dos dois lados.

Se preservar um relacionamento é algo que pode ser ensinado e aprendido em qualquer idade, por que todas as pessoas não trabalham nesse sentido? A resposta é simples: porque as pessoas não sabem o que é um relacionamento ou o que deveriam esperar dele – como poderiam então aprender a conservá-lo?

A maioria não lê artigos, revistas ou livros sobre relacionamento, não participa de seminários e discussões sobre o tema, então não sabe definir o que é uma relação. Essas pessoas confiam em seus instintos e fecham-se para qualquer aprendizado. Quando as coisas dão errado, se escondem sob o edredon confortável do Orgulho e do Ego e consolam-se com a ideia de que um dia, ah um dia hão de finalmente encontrar a outra metade da laranja que merecem e apaixonar-se à primeira vista.

O remédio para esse tipo de cegueira é revisar a imagem que você tem do que seria um relacionamento de verdade e quais as ferramentas comportamentais necessárias para mantê-lo vivo por muitos e muitos anos.

Ou nos tornamos miseráveis, ou nos tornamos fortes. Para qualquer lado, o esforço é o mesmo (Carlos Castaneda).

Comprometa-se com essa ideia e parta em busca do que falta - e importa.

SOJA PARA SUA SAÚDE

© Dr. Alessandro Loiola


Quando a primeira filha nasceu, minha esposa não teve leite suficiente para alimentá-la e fui encaminhado pelo pediatra à farmácia mais próxima para comprar uma lata de leite de vaca em pó. Voltei praguejando aos sete ventos pelo preço da lata – que, depois de aberta, mostrou ser ainda mais cara, pois metade era cheia de vento. Apenas a outra metade continha o famigerado pó.

Para provar que nada está tão ruim que não possa piorar um pouquinho, a pequena cria que colocamos no mundo teve alergia também ao leite de vaca em pó. Mais uma vez, o pediatra me encaminhou à farmácia mais próxima, mas dessa vez pelo menos ele foi camarada e avisou:
- Você vai comprar esse aqui, de soja. É muito bom, praticamente não dá alergia, mas é um pouco mais caro que o leite que você estava comprando antes.

Um pouco mais caro? Pura modéstia dele. Cada lata do leite de soja para bebês valia umas 5 latas do leite em pó comum. Naqueles tempos de inflação galopante, investir em latas de leite de soja quase superava a especulação com dólares, aproximando-se com vantagens do overnight.

Apesar de todo meu investimento nas latas terminar se transformando em fraldas e mais fraldas contendo subprodutos do metabolismo do bebê, o gasto valeu à pena. A soja mostrou-se uma excelente opção de suplemento alimentar e a pequena criança indefesa cresceu para se tornar uma típica adolescente inteligente, emburrada e com crises de TPM assustadoras.

O contato mais aprofundado com a soja naqueles anos despertou em mim um sincero respeito por este alimento excepcional. Leguminosa pertencente à mesma família do feijão, da lentilha e da ervilha, a soja é altamente nutritiva e riquíssima em proteínas.

Originário da China, o grão adaptou-se bem ao clima brasileiro. Atualmente, sua área de plantio no país é quase duas vezes maior que o tamanho da Inglaterra. Para você ter uma idéia melhor do que é isso: uma fila de caminhões, contendo a produção brasileira de soja de todo um ano, seria suficiente para dar mais de uma volta e meia em torno do planeta.

Nas últimas décadas, as pesquisas vêm mostrando que a soja pode fazer pequenas maravilhas à sua saúde. Quer exemplos?

Uma pesquisa publicada em 1995 na prestigiada revista cientifica New England Journal of Medicine mostrou que o consumo de produtos derivados da soja é capaz de reduzir os níveis sangüíneos de gorduras. Estudos subseqüentes realizados na Itália e no Canadá comprovaram este efeito protetor da soja: pessoas com concentrações muito elevadas de colesterol LDL (o colesterol “ruim”) podem reduzir estes níveis em até 24% apenas diminuindo o consumo de carnes vermelhas e consumindo pelo menos 50 gramas proteínas de soja por dia.

Os cientistas descobriram ainda que fitoquímicos presentes na soja, especialmente um chamado Genisteína, parecem ser capazes de reduzir o risco para osteoporose e doenças cardiovasculares.
Um modo bem simples de incorporar a soja à sua dieta habitual consiste em tomar um ou mais copos de leite de soja por dia: cada copo contém cerca de 4-10 gramas de proteína de soja. Cem gramas de Tofu, um queijo elaborado a partir do leite de soja, possuem cerca de 12 gramas de proteína de soja, e representa outro modo saboroso de consumir o grão.

A soja pode ser consumida ainda na forma de farinhas, pasta (Missô), molho (Shoyu), torrada (como amendoim) ou em cápsulas contendo extratos padronizados.

Mas lembre-se: o equilíbrio é fundamental. O consumo excessivo de soja (p.ex.: mais de 500 mL de leite de soja, ou 200 gramas de Tofu ou 50 gramas do grão torrado) pode resultar em problemas na glândula tireóide (Hipotireoidismo) e dificuldade de absorção de alguns sais minerais importantes para sua saúde. Ao introduzir a soja na sua dieta, faça-o de modo sensato e balanceado, de preferência após aconselhamento de um médico ou nutricionista.

08 setembro 2014

Estatinas: o que fazer?

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Sempre fui meio pirracento com novas drogas vendidas como panaceia para certas doenças. Isso foi algo bem típico no caso das Estatinas, medicamentos utilizados para corrigir os níveis de colesterol no organismo.

Existe um consenso de que a redução do colesterol reduz também o risco de doenças cardiovasculares – é a chamada “prevenção primária”.

O problema começa com o fato de que as estatinas ainda não foram bem estudadas em todos os grupos etários. A maior parte dos estudos envolvendo essas drogas foi patrocinada por indústrias farmacêuticas (oh, não...!) e realizada em adultos jovens e do sexo masculino. E esta é uma pegadinha maldosa, pois BAIXOS níveis de colesterol em idosos TAMBÉM estão associados a um aumento no número de mortes.

E então: vamos tratar pessoas ou continuar tratando doenças?

A verdade dos fatos (leia-se: evidência científica) é que dar estatinas a pacientes de baixo risco, sem doença cardíaca prévia, não produz qualquer efeito sobre os índices de mortalidade. Suas chances de morrer SEM a droga são as mesmas que COM a droga, a despeito do quanto a estatina reduza seu colesterol.

Como se isso não bastasse, as estatinas aumentam o risco de desenvolver diabetes, principalmente em mulheres. A incidência de outros potenciais efeitos colaterais das estatinas – tais como: dores musculares, problemas de raciocínio, sensação de baixa energia, problemas sexuais, lesões nos rins e no fígado, entre outros – também vem sendo bastante discutida.

Se pensarmos um pouco e considerarmos qualquer medicamento como uma substância química capaz de modificar processos celulares em sistemas biológicos tão complexos como um corpo humano, fica fácil compreender que a saúde jamais será alcançada com pílulas. Mesmo que essas pílulas sejam de estatinas.

07 setembro 2014

Sexualidade na Menopausa: tem remédio para melhorar?

© Dr. Alessandro Loiola
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Em 2013, o FDA aprovou um medicamento que vem sendo chamado de “o novo Viagra feminino”. Trata-se do ospemifeno, uma droga da classe dos moduladores de receptores seletivos de estrogênio (selective estrogen receptor modulators ou SERMs). Apesar de não ter qualquer efeito sobre o apetite sexual em si, o ospemifeno é indicado no tratamento da dispareunia secundária à atrofia vaginal típica da menopausa – o que certamente torna o intercurso sexual beem mais confortável.

A aprovação do FDA baseou-se em 3 estudos clínicos placebo-controlados envolvendo mais de 1800 mulheres na pós-menopausa, que demonstraram a eficácia e segurança do medicamento no uso em longo prazo.

A chegada da menopausa, com seus níveis de estrogênio em queda, causa enfraquecimento do tecido que reveste o canal vaginal, tornando-o mais ressecado, frágil e friável. Apesar dos cremes vaginais com estrogênio serem boas soluções para esse problema, eles devem ser aplicados no local, ao passo que este novo medicamento consiste em uma pílula de 60 mg que deve ser tomada uma vez ao dia (de preferência junto a uma refeição).

O ospemifeno potencializa o efeito do estrogênio sobre os tecido vaginal e vulvar. Como qualquer outro SERM, ele também age sobre o endométrio (revestimento interno do útero), e seu uso deve ser acompanhado de um tratamento simultâneo com progestágenos. Qualquer sangramento vaginal deve ser considerado um sinal de alerta a ser avaliado por um médico.

As partes ruins da notícia: o ospemifeno pode intensificar os sintomas de fogacho e o suor excessivo. Nas mulheres com estas manifestações vasomotoras, ele pode não ser a melhor escolha. E por último: até a data da publicação deste texto (setembro/2014), o remédio ainda não estava à venda no Brasil.