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19 setembro 2014

Como mudar o outro?

© Alessandro Loiola




Uma ocasião, batendo papo na varanda de casa com um casal de amigos que estava atravessando um período de turbulência, caí na asneira de comentar no meio da conversa que eles poderiam mudar em um estalo de volta ao mar de rosas. E que isso era absurdamente fácil.

   - Fácil é dizer, você que está de fora... – ele disse.
   - Além do mais, se é tão fácil assim, então por que você separou e casou de novo e separou e... – ela completou, virando os olhos para cima, já demonstrando impaciência.
   - Fiz escolhas erradas, muitas, e me comportei mal várias vezes. É verdade. Mas tive a sorte de conseguir aprender algumas coisas valiosas no caminho, e hoje vivo em paz comigo mesmo, que é o mais importante.
   - Então tá – ele falou. - Vamos dizer que todo nosso problema está no fato de que um determinado comportamento dela me irrita profundamente e que isto é o motivo de 99% das nossas brigas.
   - Hum.
   - Como eu faço para mudá-la?
   - E isso é tudo que você deseja saber?
   - Sim, saber isso praticamente resolveria a situação.
   - Rapaz, então vou te poupar um bocado de tempo e terapia de casal! Vou lhe dizer em três palavras como você pode mudar o comportamento dela.
Ele colocou o copo sobre a mesa e inclinou-se em minha direção, enquanto ela o olhava apreensiva.
   - Diga! – ele pediu, esperando pelas três palavras mágicas.
   - Digo. É o seguinte: Você Não Pode.
   - Como?
   - É isso aí. Você não pode. Ninguém pode mudar ninguém.
   - Que diabos de resposta é essa, homem? Como assim ninguém muda ninguém?
   - Ao longo da minha carreira de médico, posso dizer com uma boa dose de certeza que devo ter atendido mais de 250 mil pessoas. Uma conclusão a que eu cheguei depois de passar pela vida dessa multidão toda é que ninguém, ninguém!, é capaz de mudar outra pessoa. A mudança tem que vir de dentro. Do contrário, não é mudança: é controle por condicionamento, coerção ou fingimento.

Não sei se eles entenderam, mas a verdade é indiscutível.

Tentar gerenciar o comportamento e as consequências emocionais de outra pessoa, quem quer que seja ela, é uma receita pronta para o desapontamento. Mas você pode criar um ambiente favorável que ESSTIMULE a mudança dentro do outro - e ESSA é a grande aposta que faz o resto do truque dar certo.

09 setembro 2014

Sobre relacionamentos: a escolha é sua.

© Alessandro Loiola




Alguns relacionamentos dão tão certo que chegamos a acreditar que amor à primeira vista e almas gêmeas realmente existem. Sinceramente, isso é o tipo de esperança fútil que tira todo o mérito do esforço que casais que deram certo tiveram para que o relacionamento deles vicejasse.

Um relacionamento não é um jogo de dados. Ele é uma construção diária. E conservá-lo é uma habilidade que pode ser adquirida, como andar de bicicleta ou jogar xadrez – desde que o nível adequado de comprometimento, coragem e disciplina estejam presentes dos dois lados.

Se preservar um relacionamento é algo que pode ser ensinado e aprendido em qualquer idade, por que todas as pessoas não trabalham nesse sentido? A resposta é simples: porque as pessoas não sabem o que é um relacionamento ou o que deveriam esperar dele – como poderiam então aprender a conservá-lo?

A maioria não lê artigos, revistas ou livros sobre relacionamento, não participa de seminários e discussões sobre o tema, então não sabe definir o que é uma relação. Essas pessoas confiam em seus instintos e fecham-se para qualquer aprendizado. Quando as coisas dão errado, se escondem sob o edredon confortável do Orgulho e do Ego e consolam-se com a ideia de que um dia, ah um dia hão de finalmente encontrar a outra metade da laranja que merecem e apaixonar-se à primeira vista.

O remédio para esse tipo de cegueira é revisar a imagem que você tem do que seria um relacionamento de verdade e quais as ferramentas comportamentais necessárias para mantê-lo vivo por muitos e muitos anos.

Ou nos tornamos miseráveis, ou nos tornamos fortes. Para qualquer lado, o esforço é o mesmo (Carlos Castaneda).

Comprometa-se com essa ideia e parta em busca do que falta - e importa.