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09 setembro 2014

SOJA PARA SUA SAÚDE

© Dr. Alessandro Loiola


Quando a primeira filha nasceu, minha esposa não teve leite suficiente para alimentá-la e fui encaminhado pelo pediatra à farmácia mais próxima para comprar uma lata de leite de vaca em pó. Voltei praguejando aos sete ventos pelo preço da lata – que, depois de aberta, mostrou ser ainda mais cara, pois metade era cheia de vento. Apenas a outra metade continha o famigerado pó.

Para provar que nada está tão ruim que não possa piorar um pouquinho, a pequena cria que colocamos no mundo teve alergia também ao leite de vaca em pó. Mais uma vez, o pediatra me encaminhou à farmácia mais próxima, mas dessa vez pelo menos ele foi camarada e avisou:
- Você vai comprar esse aqui, de soja. É muito bom, praticamente não dá alergia, mas é um pouco mais caro que o leite que você estava comprando antes.

Um pouco mais caro? Pura modéstia dele. Cada lata do leite de soja para bebês valia umas 5 latas do leite em pó comum. Naqueles tempos de inflação galopante, investir em latas de leite de soja quase superava a especulação com dólares, aproximando-se com vantagens do overnight.

Apesar de todo meu investimento nas latas terminar se transformando em fraldas e mais fraldas contendo subprodutos do metabolismo do bebê, o gasto valeu à pena. A soja mostrou-se uma excelente opção de suplemento alimentar e a pequena criança indefesa cresceu para se tornar uma típica adolescente inteligente, emburrada e com crises de TPM assustadoras.

O contato mais aprofundado com a soja naqueles anos despertou em mim um sincero respeito por este alimento excepcional. Leguminosa pertencente à mesma família do feijão, da lentilha e da ervilha, a soja é altamente nutritiva e riquíssima em proteínas.

Originário da China, o grão adaptou-se bem ao clima brasileiro. Atualmente, sua área de plantio no país é quase duas vezes maior que o tamanho da Inglaterra. Para você ter uma idéia melhor do que é isso: uma fila de caminhões, contendo a produção brasileira de soja de todo um ano, seria suficiente para dar mais de uma volta e meia em torno do planeta.

Nas últimas décadas, as pesquisas vêm mostrando que a soja pode fazer pequenas maravilhas à sua saúde. Quer exemplos?

Uma pesquisa publicada em 1995 na prestigiada revista cientifica New England Journal of Medicine mostrou que o consumo de produtos derivados da soja é capaz de reduzir os níveis sangüíneos de gorduras. Estudos subseqüentes realizados na Itália e no Canadá comprovaram este efeito protetor da soja: pessoas com concentrações muito elevadas de colesterol LDL (o colesterol “ruim”) podem reduzir estes níveis em até 24% apenas diminuindo o consumo de carnes vermelhas e consumindo pelo menos 50 gramas proteínas de soja por dia.

Os cientistas descobriram ainda que fitoquímicos presentes na soja, especialmente um chamado Genisteína, parecem ser capazes de reduzir o risco para osteoporose e doenças cardiovasculares.
Um modo bem simples de incorporar a soja à sua dieta habitual consiste em tomar um ou mais copos de leite de soja por dia: cada copo contém cerca de 4-10 gramas de proteína de soja. Cem gramas de Tofu, um queijo elaborado a partir do leite de soja, possuem cerca de 12 gramas de proteína de soja, e representa outro modo saboroso de consumir o grão.

A soja pode ser consumida ainda na forma de farinhas, pasta (Missô), molho (Shoyu), torrada (como amendoim) ou em cápsulas contendo extratos padronizados.

Mas lembre-se: o equilíbrio é fundamental. O consumo excessivo de soja (p.ex.: mais de 500 mL de leite de soja, ou 200 gramas de Tofu ou 50 gramas do grão torrado) pode resultar em problemas na glândula tireóide (Hipotireoidismo) e dificuldade de absorção de alguns sais minerais importantes para sua saúde. Ao introduzir a soja na sua dieta, faça-o de modo sensato e balanceado, de preferência após aconselhamento de um médico ou nutricionista.

08 setembro 2014

Estatinas: o que fazer?

© Dr. Alessandro Loiola
dralessandroloiola.blogspot.com/
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos



Sempre fui meio pirracento com novas drogas vendidas como panaceia para certas doenças. Isso foi algo bem típico no caso das Estatinas, medicamentos utilizados para corrigir os níveis de colesterol no organismo.

Existe um consenso de que a redução do colesterol reduz também o risco de doenças cardiovasculares – é a chamada “prevenção primária”.

O problema começa com o fato de que as estatinas ainda não foram bem estudadas em todos os grupos etários. A maior parte dos estudos envolvendo essas drogas foi patrocinada por indústrias farmacêuticas (oh, não...!) e realizada em adultos jovens e do sexo masculino. E esta é uma pegadinha maldosa, pois BAIXOS níveis de colesterol em idosos TAMBÉM estão associados a um aumento no número de mortes.

E então: vamos tratar pessoas ou continuar tratando doenças?

A verdade dos fatos (leia-se: evidência científica) é que dar estatinas a pacientes de baixo risco, sem doença cardíaca prévia, não produz qualquer efeito sobre os índices de mortalidade. Suas chances de morrer SEM a droga são as mesmas que COM a droga, a despeito do quanto a estatina reduza seu colesterol.

Como se isso não bastasse, as estatinas aumentam o risco de desenvolver diabetes, principalmente em mulheres. A incidência de outros potenciais efeitos colaterais das estatinas – tais como: dores musculares, problemas de raciocínio, sensação de baixa energia, problemas sexuais, lesões nos rins e no fígado, entre outros – também vem sendo bastante discutida.

Se pensarmos um pouco e considerarmos qualquer medicamento como uma substância química capaz de modificar processos celulares em sistemas biológicos tão complexos como um corpo humano, fica fácil compreender que a saúde jamais será alcançada com pílulas. Mesmo que essas pílulas sejam de estatinas.