30 novembro 2017

AINDA SOBRE EDUCAÇÃO NO BRASIL

No primeiro dia de 2015, a presidente recém empossada Dilma Rousseff definiu o novo lema de governo: Brasil, Pátria Educadora. Curiosamente, em novembro do mesmo ano, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lançou seu relatório Education at a Glance.

O Education at a Glance é uma fonte validada de informações acuradas sobre o estado da educação em todo o mundo. Ele fornece dados sobre o desempenho das instituições de ensino; o impacto do aprendizado nos países; os recursos financeiros e humanos investidos em educação; o acesso, a participação e a progressão na educação; e a organização e o ambiente de ensino dentro das escolas.

No painel de 2015, a OCDE apontou alguns indicadores preocupantes no ensino brasileiro. Por exemplo: o nível de aprendizado médio dos estudantes em Ciência foi péssimo. Entre os avaliados, 82% ficaram entre o nível mais baixo de conhecimento e o nível 2 – o nível básico. A média da OCDE para esses grupos é de 46% no total.

Importante salientar que o nível 2 de aprendizagem em ciências é o mínimo necessário para se tornar um cidadão “crítico e informado”. Nesse nível, os estudantes começam a demonstrar as competências que vão permitir que participem efetivamente e produtivamente nas situações cotidianas relacionadas a ciência e tecnologia. Com 82% dos estudantes com nível baixo de conhecimento científico, não é preciso uma dedução complexa para calcular o naipe de raciocínio crítico que nossa população possui...

Em leitura, o Brasil ficou entre os 12 piores países, com uma média de 407 pontos - bem abaixo da média de 493 da OCDE.

Mas nosso pior desempenho geral foi em Matemática, disciplina em que ficamos entre os cinco piores países avaliados, com uma média de 377 ante uma média de 490 entre os países da OCDE. Basicamente, 70% de nossos estudantes estão abaixo do nível 2 em Matemática – que seria o mínimo necessário para que um aluno possa exercer plenamente sua cidadania. Em países desenvolvidos, como a Finlândia, a taxa de incapazes é de 13%.

“Países como a Colômbia e o México, que tinham resultados similares aos nossos, nos deixaram para trás. Portugal e Polônia, que também estavam próximos, deram um salto de qualidade e superaram a média da OCDE” – e estas não são palavras minhas. São da Secretaria Executiva do MEC.

NÃO É UM PROBLEMA DE QUANTIDADE...

Talvez o problema da qualidade da educação esteja nos investimentos, não? Talvez nós estejamos gastando pouco com isso...

Não, não estamos gastando pouco. O Brasil destina 17% dos seus gastos públicos à educação, do nível de educação básica à educação superior. Somente o México e a Nova Zelândia – ambos com 18% - destinam uma proporção maior dos gastos públicos às instituições de ensino.

Além disso, o gasto público em instituições de educação superior como percentual do gasto público total aumentou 49% entre 2005 e 2012, o que é bem acima do aumento médio da OCDE de 33%. O aumento foi ainda mais acentuado em instituições de ensino fundamental e médio. A proporção de gasto público nesses níveis aumentou 82% no mesmo período, o maior aumento entre todos os países e parceiros da OCDE com dados disponíveis.

Em 2012, o gasto público brasileiro em instituições da educação básica a superior representou 5,6% do PIB. Essa proporção é consideravelmente maior que a média OCDE de 4,7%, e é a quinta mais alta entre todos os países e parceiros da OCDE com dados disponíveis.

Neste ponto, vamos fazer um parêntese e supor o seguinte: eu lhe dei 30 mil reais e pedi que você comprasse um carro para mim. Trinta mil mangos não é uma fortuna, mas também não é de se jogar fora. Contudo, antes que você saísse, eu lhe passei algumas instruções específicas sobre a compra: com esse dinheiro, você deveria retornar trazendo um carro zero quilômetro, com direção hidráulica, automático, trio elétrico, teto solar, 6 air-bags e tração nas quatro rodas - com ABS.

Trinta mil não compram isso. Ainda que seja um dinheiro legal, é pouco para a qualidade definida para o produto. E aqui entra um dos problemas do nosso ensino. Ele não é tanto de quantidade dinheiro, mas de destino do investimento: os salários iniciais dos professores no Brasil são menores do que em outros países latino-americanos como Chile, Colômbia e México para todos os níveis educacionais, desde a pré-escola até o ensino médio.

No Brasil, um professor da rede pública ganha em média R$ 3,3 mil e nós, os hipócritas esquizofrênicos, alucinamos com a suposição de que uma mão de obra desse valor é capaz de ter o mesmo rendimento de um professor da Finlândia. É uma piada. O salário médio de um professor primário finlandês é de  3.132 euros mensais (cerca de R$ 12 mil). Professores do ensino médio recebem 3.832 euros e docentes de universidades ganham em média 4.169 euros por mês (R$ 16 mil).

Se você quer pagar R$ 3,3 mil por um carro, não se surpreenda quando ele não tiver o rendimento de um veículo 5 vezes mais caro. Por R$ 3,3 mil mensais você não compra o direito de possuir uma Ferrari, ainda que os delírios anotados na Constituição Federal e as crenças socialistas-comunistas de banânia tentem lhe convencer do contrário.

Como diz a expressão americana da década de 1930: Não existe essa coisa de almoço grátis. Se você quer qualidade, pague por ela. Ou faça alguém pagar.

... É UM PROBLEMA DE VALORES

Além da montanha de dinheiro investido em educação não ir para o bolso de quem faz a diferença – professores -, há ainda o problema do desinteresse comatoso da população brasileira, que não vê no estudo e no aprendizado um valor intrínseco, mas apenas uma forma para ganhar dinheiro.

Nós não estudamos para aprender. Dizemos o oposto disso apenas como uma maneira dissimulada para ocultar o real motivo pelo qual estudamos: o brasileiro estuda para ganhar mais dinheiro. Transformando o dinheiro - e não a aquisição de cultura e saber – na finalidade do processo escolar, nosso povo deixou de enxergar a educação como algo nobre. Estudar e aprender viraram ferramentas que podem ser indesejadas sem penalidade.

Está tudo bem não estudar caso você esteja satisfeito em levar uma mais simples, certo?

Não, não está.

Em 2013, 54% dos adultos com idade entre 25 e 64 anos não tinham completado o ensino médio no Brasil - o que é consideravelmente maior que a média OCDE de 24% -, e quase dois terços dos jovens de 15 a 29 anos não estavam estudando.

No meio dessa massa de analfabetos funcionais, existe uma multidão absurda que compõe um grupo conhecido como “NEM-NEM”: gentes que nem estudam nem trabalham. Essa multidão - mais de 20% dos indivíduos de 15 a 29 anos - equivale a uma manada de 10,2 milhões de inúteis que a população economicamente ativa deve literalmente carregar nas costas.

A saída para a Educação no Brasil é como a saída para a Saúde, para a Segurança Pública, para o sistema Previdenciário, para a Burocracia e tudo mais que entrava esse país: a saída passa por uma discussão dura, franca, grosseira e com todos os nomes aos bois e palavrões a que se tem direito sobre o que está ocorrendo aqui. Sem espaço para comportamentos de vítima, mecanismos de projeção de culpa, corporativismos cor-de-rosa ou cunhadismos indecentes.

Ou levamos essa joça a sério, ou nos tornamos perpetuamente aquilo que já somos: um bando de sonâmbulos sem competência sequer para limpar o próprio traseiro sem uma ajudinha do Estado.


SOBRE NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL

O academicismo preciosista brasileiro matou a Academia. Leia a biografia de Einstein, Leeuwenhoek, Newton, Darwin e Ignaz Philipp Semmelweiss, por exemplo, e veja que títulos eles possuíam quando produziram conhecimentos que mudaram o status quo.

Da mesma forma como o governo é o problema do país, os professores (e sua busca por titulações apenas para aumentar salários e não a eficiência do ensino) são o problema do sistema educacional: 50% dos profissionais da área sofrem de algum transtorno mental comum (aí inclusos síndrome de burnout, transtorno da ansiedade, depressão, bipolaridade e síndrome do pânico). Na população geral, a prevalência é de 20%.

Muito mais que a remuneração, precisamos melhorar a seleção de quem vai para as salas de aula. Depois de 30 anos, é perceptível que filtrar a admissão por credenciais acadêmicas e ideologias socialistas não produziu bons resultados: ostentamos a nada honrosa 60.ª posição no ranking mundial de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No estudo da OCDE, foram avaliados 76 países - um terço das nações do mundo - por meio do desempenho de alunos de 15 anos em testes de Ciências e Matemática.

A mudança de filosofia deveria começar pela desconstrução da ideia por trás da valorização do ego academicista. Precisamos trocar os silogismos sofistas vitimizantes de nossas escolas por conteúdos técnicos focados em objetivismo, cidadania e responsabilidade resiliente. Apenas assim será possível observar alguma mudança efetiva daqui algumas décadas.

28 novembro 2017

VAMOS FALAR DE ARMAS

Toda vez que ocorre algum tiroteio nos EUA, os acéfalos da elite intelectual brasileira correm em debandada para atacar a personalidade belicista daquele país, contrapondo-a a culturas mais “pacifistas” no mundo: em menos dez minutos, alguém saca um levantamento sobre mortes por armas de fogo no Japão para exemplificar de que maneira o controle de revólveres, pistolas, espingardas e afins é capaz de derrubar os homicídios causados pelo mau uso destas ferramentas.

Contudo, basta apresentar os dados brasileiros para qualquer acadêmico ficar sem argumento. Por aqui, o controle de armas LEGAIS é tão rigoroso quanto o japonês, mas temos quase o dobro de homicídios que os EUA - onde você compra uma 9 mm no Wal Mart.

Se quiséssemos mesmo falar de armas com a intenção de poupar vidas, não estaríamos falando de armas. Mas vamos fingir que este seja o caso:

É FÁCIL TER UMA ARMA NO BRASIL?

Para adquirir uma arma de fogo de uso permitido (são armas de fogo de uso permitido aquelas que se enquadram no disposto no art. 17 do Decreto nº 3.665/2000 – R-105. Ex: Revólver calibre.38 SPL, pistola calibre.380 Auto, espingarda calibre 12.) para defesa pessoal, o cidadão brasileiro deve demonstrar à Polícia Federal que preenche os seguintes requisitos e apresentar os seguintes documentos:

a) idade mínima de 25 anos;

b) cópias autenticadas do RG, CPF e comprovante de residência;

c) elaborar uma declaração por escrito expondo os fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido de aquisição de arma de fogo, demonstrando a efetiva necessidade;

d) comprovar idoneidade, apresentando certidões negativas criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e comprovar, também, não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal;

e) ocupação lícita;

f) aptidão psicológica, que deverá ser atestada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal;

g) capacidade técnica, que deverá ser atestada por instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal;

h) fotografia 3x4 recente;

i) entregar o requerimento de autorização para aquisição de arma de fogo preenchido (disponível no site do DPF);

j) pagar a taxa de emissão de certificado de registro de arma de fogo (R$ 60,00 – nos termos do art. 11, I e Anexo da Lei 10.826/2003), caso seja deferido o pedido.

Já em posse da autorização devidamente emitida pelo Departamento de Polícia Federal o cidadão poderá adquirir a arma de fogo em qualquer estabelecimento comercial  autorizado, no prazo de 30 dias.

Após adquirir a arma de fogo, deverá apresentar a nota fiscal emitida pelo estabelecimento comercial e o comprovante de pagamento da taxa de R$ 60,00 para, finalmente, requerer o registro da arma junto ao SINARM e a guia de trânsito para transportá-la até a sua residência ou local de trabalho.

O lojista somente entregará a arma ao novo proprietário se ele já estiver com o registro e com a guia de trânsito em mãos, ambos emitidos pela Polícia Federal.

Importante salientar que o registro de arma de fogo de uso permitido autoriza apenas a posse da arma, que deverá permanecer sempre no local registrado junto ao SINARM (residência ou local de trabalho quando titular ou responsável legal do estabelecimento ou empresa), com validade máxima de 3 anos podendo ser renovado sucessivas vezes desde que demonstre preencher novamente os requisitos supramencionados.

Em alguns debates, ao apresentar essas informações, o sujeito tenta esquivar-se dizendo que nos EUA as mortes por arma de fogo são "principalmente acidentais" ao passo que, no Brasil, são causadas por "guerra contra o tráfico e tals". Sim, eu tenho que ficar ouvindo esse tipo de bobagem...

A cada ano, armas de fogo respondem por 19 homicídios por 100 mil habitantes no Brasil (EUA = 3,5). Entretanto, diferentemente dos norteamericanos, não temos dados confiáveis sobre os agentes executores ou o contexto real do crime uma vez que apenas 5-8% dos nossos homicídios são elucidados.

O buraco sobre as mortes por arma de fogo é simples e raso: estes homicídios estão ligados ao baixíssimo nível de desenvolvimento humano de uma nação. É a pobreza que mata, não a arma.

CURVAS E PONTOS FORA DA CURVA

Como em toda regra, esta possui exceções que podem ser explicados por fatores culturais locais, como, por exemplo, Porto Rico (IDH alto e mesmo assim na lista dos 15 países mais violentos do mundo) e Butão (IDH baixo e mesmo assim na lista dos 15 países mais pacíficos do mundo).



Porto Rico enfrenta uma grave recessão econômica desde 2009, além de contar com uma população aparentemente preguiçosa - apenas 40% das pessoas na faixa economicamente ativa encontram-se economicamente ativas no mercado de trabalho. Junte-se a isso uma dívida pública federal correspondente a 93% do PIB e uma política de segurança pública negligente - protagonizada por uma queda de braço imbecil entre o Departamento de Justiça e a Polícia desde 2011, com o primeiro acusando o segundo de abuso de força em suas ações -, e voilà! temos a concretização de uma tragédia anunciada. O bom é que, como brasileiros, entendemos os anúncios dessa pantomima, pois vivemos o mesmo cenário aqui há décadas.

No caso do Butão, talvez a religião e a geografia guardem a resposta. Butão e Tailândia são os últimos reinos budistas do mundo, e ambos partilham taxas de homicídios por 100 mil habitantes similares às taxas europeias (Butão = 2,75; Tailândia = 3,51; Europa = 3,0) e equivalentes à metade das taxas de homicídio por 100 mil habitantes observadas no restante do sul da Ásia (6,0).

O Butão é um país bem miúdo (pouco mais de 790 mil habitantes), de relevo acidentado, cravejado de montanhas enormes e picos que atingem mais de 7.000 metros de altitude. Grandes aglomerados urbanos não fazem parte da demografia dessa nação que vem apresentando taxas de crescimento impressionantes: em 2007, o Butão teve a segunda economia com maior crescimento no mundo (22,4%). Apesar do índice de desenvolvimento baixo, o Butão se tornou uma micro-potência econômica nos últimos 10 anos.

Descartados estes e outros possíveis pontos fora da curva, terminamos com um rol representativo do argumento da pobreza como fator associado e causador da violência: o conjunto dos países mais violentos possui um IDH 20% menor que o conjunto dos países mais pacíficos.

MISÉRIA, MISÉRIA EM TODA PARTE

Para reduzir os homicídios no Brasil, não adianta falar de armas.

Tire as armas e a miséria coletiva irá trucidar-se com facas, fogo, machados, enxadas, porretes, automóveis, unhas, dentes, pedras, paus, chaves de fenda, palitos de dente, colherezinhas de café e o que mais estiver ao alcance.

Adicione as armas, e a miséria coletiva apenas ganhará um apetrecho adicional para o auto-genocídio em andamento.

Para reduzir os homicídios no Brasil, não adianta falar de armas. Devemos falar em melhorar a valorização da vida, quem sabe fomentando uma religiosidade nacional unificadora e um sentimento patriótico mais construtivo ao invés dessa dicotomização vingativa infantil do “nós contra eles”.

Devemos copiar a ideia de Gramsci e invertê-la, utilizando as mídias de massa como veículos para transmissão de uma moralidade positiva, agregadora, focada em prosperidade pessoal e compromisso coletivo, ao invés dessa relativização indulgente criminosa da ética que estamos vendo.

Devemos melhorar as escolas, adaptando o conteúdo do ensino fundamental para que ele de fato ensine algo de fundamental às crianças, ao invés de ideologias de gênero e técnicas improdutivas de vitimização ricamente ilustradas nas cartilhas do Estado.

E, finalmente, devemos melhorar o respeito à propriedade, com fiscalização eficaz do cumprimento das Leis vigentes e punição exemplar dos criminosos, reclassificando os crimes contra a propriedade como crimes hediondos, posto que a consideração com o espaço do outro vem na exata medida em que o desrespeito a este espaço passa a ser repreendido com veemência paradigmática. Sem a prerrogativa da propriedade, nenhuma sociedade é capaz de estabelecer qualquer bonança baseada em mérito e virtuosidade.

Abolidos o respeito e o direito à propriedade, somos reduzidos - respectivamente - ao comunismo (cujo odor de suas dezenas de milhões de vítimas oferece um discurso bem vigoroso quanto às suas mazelas intrínsecas) ou ao Paleolítico (onde os seres humanos viviam em paz com a natureza e morriam por volta dos 30 anos de idade).

Se quiserem falar de armas com a intenção de poupar vidas, não falem de armas no Brasil. Falem de Inteligência. Esta é a substância que sempre nos faltou.

18 novembro 2017

SOBRE UM DELÍRIO CHAMADO NOVEMBRO AZUL

Após receber toneladas de propaganda sobre as campanhas Novembro Azul, fiquei me perguntando: será que o screening para neoplasia prostática utilizando faixas etárias como linhas de corte produz alguma redução significativa na morbiletalidade da doença?

Não, não produz. E isso é o que dizem as evidências acumuladas a partir de metanálises e revisões sistemáticas da literatura.

Apenas para citar um exemplo de peso: segundo o NIH (Instituto Nacional de Saúde, entidade dos EUA equivalente ao nosso Ministério da Saúde), a dosagem periódica de PSA ou o exame de Toque Retal (TR) não é capaz de reduzir a mortalidade associada ao câncer prostático.

O que o conjunto dos dados embasados DE FATO mostra - e existem dezenas e dezenas de estudos sérios concluindo exatamente esta mesma coisa -  é que o screening populacional com PSA e/ou TR resulta em um exagero nos diagnósticos de câncer na próstata, além da detecção de lesões que, se não diagnosticadas, jamais causariam mal algum.

O excesso de diagnósticos e resultados falso-positivos leva à realização de exames adicionais (p.ex.: biópsia prostática) e tratamentos invasivos em homens que sofrerão, agora, as consequências desses danos desnecessários.

Mas as políticas públicas tupiniquins não são feitas com base em Ciência. Nunca foram. Elas são orquestradas com discursos paternalistas em nome de motivações essencialmente populistas. E, incrivelmente, aqueles que deveriam erguer suas vozes anunciando este descalabro, inacreditavelmente embarcam no delírio para - quem sabe - retirar dele algum brio e prestígio para seus egos.

Não temos um outubro rosa. Tampouco temos um novembro azul. O que temos são meses, anos, décadas do mais puro colorido psicodélico esquizofrênico que o mundo já viu do lado debaixo do Equador. E o surto de Gargamel sob efeito de cogumelos alucinógenos perseguindo Smurfs fantasiosos no bosque segue - com aval do Estado e sua corte de especialistas cegos, surdos e mudos.

SOBRE O MITO DA DOENÇA MENTAL

A partir da Segunda Guera Mundial, a medicina passou a definir a simulação de doença como uma doença em si. Isso equivale a dizer que uma boa imitação de uma obra-prima deveria, segundo aqueles novos conceitos, ser considerada uma obra-prima.

No caso da doença mental, essa redefinição arbitrária significou aceitar compulsoriamente que uma nota de dinheiro falsificada deva valer o mesmo que uma nota verdadeira - e as manifestações diversas de Fraqueza Moral finalmente receberam sua validação como Doença, sem a necessidade de sustentar sequer um substrato anatomo-fisiológico qualquer que lhe justificasse o título.

Nos últimos 60 anos, tudo que fizemos para resolver este problema foi afrouxar nossos conceitos de doença e de obra-prima, forçando a medicina a aceitar e tratar toda histeria - até as falsificadas - como se fosse uma moléstia crônica "ipso facto".

Travestida de "ciência", a condescendência mercantilista patrocinada por laboratórios farmacêuticos, prontamente abraçada por agremiações de "especialistas" e gratamente recebida por manadas de indivíduos masoquistas em busca de aconchego para suas carências e inépcias, rapidamente alastrou-se pelo mundo e produziu, até aqui, duas gerações inteiras de pessoas confortavelmente assentadas em discursos de autovitimização privilegiada.

E esta farsa sem fim segue firme e forte.

10 novembro 2017

A FUGA COTIDIANA DAS RESPONSABILIDADES


Uma adolescente entra no consultório acompanhada da mãe e o que se desenrola é o mesmo de sempre:

- Quero que o senhor peça um check-up dela.

- Algum motivo especial? Ela faz tratamento para alguma doença? Tireoide, asma, diabetes...

- Não, nada. Só quero fazer os exames de rotina.

Segue-se uma conversa sucinta e objetiva sobre antecedentes médicos da paciente, uma consulta ao prontuário e, enquanto preencho os dados dos exames, a mãe continua:

- E daria também para o senhor encaminhá-la para o psicólogo? Ela anda tendo uns problemas...

- Exatamente por que eu deveria encaminhá-la ao psicólogo?

- Porque ela anda difícil, rebelde, desobediente, às vezes chorosa...

- Não acredita que, antes do acompanhamento com um psicólogo, resolver essas situações de comportamento deveria ser um papel do pai e da mãe?

- Sou sozinha com ela, doutor. E já fiz de tudo para ajudar, mas não tá adiantando.

- Entendo. Mas não acha que levar sua filha ao psicólogo para resolver problemas de conduta é uma forma de transferir para o psicólogo a responsabilidade de criá-la, que deveria ser sua?

- Não.

- A senhora tem carta de motorista?

- Tenho, sim.

- Esse documento se materializou na sua carteira como um passe de mágica ou a senhora teve que estudar para consegui-lo?

- Estudei, fiz auto-escola, foi um sufoco!

- E diploma do ensino médio? A senhora tem?

- Tenho. Não fiz faculdade, mas terminei os estudos.

- Hum. Sou formado há 22 anos e ainda não terminei os meus... Mesmo assim: esse diploma também se materializou na sua gaveta de documentos ou a senhora teve que estudar para consegui-lo?

- Estudei, lógico! Não tem como aparecer um diploma de conclusão de curso sem fazer o curso.

- Certo. No último ano, quantos livros a senhora leu sobre como criar filhos?

- Hãn? – ela se surpreendeu, colocando a bolsa a tiracolo na frente do corpo.

- No último ano, quantos livros a senhora leu sobre como criar filhos?

- Nenhum.

- A senhora por acaso já se interessou em ler algum?

- Ah, há alguns anos até comecei um que não lembro o nome agora, mas larguei antes da metade.

- E a senhora acha mesmo que já fez “de tudo” para tentar entender o comportamento de sua filha e ser um exemplo para o desenvolvimento dela?

- Sinceramente, acho que sim. E não sei mais o que fazer.

- Que tal começar a ler sobre o assunto?

- Não sei... não vejo como isso iria ajudar muita coisa. – ela respondeu, cruzando os braços.

- E a senhora acredita que o espírito santo vai baixar na sua mente e por um milagre lhe iluminar sobre como agir para conduzir a formação da personalidade de sua filha?

- Ah, eu vou tentando do jeito que eu sei.

- Entendo. É o velho método de “tentativa e erro”. Mas, se a senhora está se queixando do comportamento dela, isso diz um bocado sobre o que está acontecendo com mais freqüência nas suas tentativas. E o que está acontecendo são erros.

- Não penso que estou errada.

- Então por que se queixa que as coisas não estão dando certo como gostaria?

- É essa geração...

- A senhora tem lido ou estudado alguma coisa sobre como lidar com essa geração?

- Não tenho tempo pra isso, doutor. Trabalho muito, sou sozinha e ainda mais com uma filha...

- Algumas dessas coisas lhe foram impostas? Ou são frutos de escolhas que a senhora fez até aqui?

- Só quero que o senhor encaminhe minha filha para o psicólogo e pronto. É pedir muito? – ela respondeu, visivelmente irritada e contrariada.

Abaixei a cabeça, peguei o formulário de encaminhamento, preenchi, assinei, carimbei e a dupla se foi. Provavelmente, semana que vem vou receber uma carta da Diretoria de Saúde comunicando outra  “sindicância instaurada sobre atendimento a partir de queixa do usuário”. Mais algumas e logo organizo um livro só delas - a coleção vai aumentando forte e saudável.

SOBRE ROSSEAU, O SOCIALISTA-PADRÃO

Em suas andanças, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), o garotão suíço esperto órfão de mãe que fugiu da escola, arrumou como amante uma rica senhora e, sob seus cuidados, desenvolveu o interesse pela música e filosofia. Amou-a durante alguns anos e outros tantos contos de réis e, quando a situação financeira ficou ruim, fugiu para Paris com outra amante cujo saldo bancário era mais compatível com seu apreço pelo ócio.

Instalado na França, Jean teve cinco filhos com sua amada parisiense. Muito diligentemente, tratou de colocá-los todos em um orfanato.

Apesar de seu contra-Iluminismo, Rousseau é tido em grande conta como um pensador de relevância para a modernidade. Mas, analisando seus escritos, é difícil encontrar alguma genialidade que não possa ser classificada como pura maledicência socialista.

Em O Contrato Social, Rousseau prega insistentemente a "liberdade". Entretanto, defende também a presença de um Legislador que possua uma “inteligência superior ”. Tal legislador teria uma das tarefas mais exigentes na sociedade: estipular regras e normas que limitam a liberdade de cada indivíduo em nome do bem desses. Haja incongruência...

Por tudo isso, Voltaire tem no mínimo um mérito incontestável: foi um crítico ferrenho do aproveitador Rousseau - um sujeito esquizofrênico e de atitudes dissociativas que nossa esquerda tupiniquim ama idolatrar.

06 novembro 2017

SOBRE RELIGIÃO E CIÊNCIA

Permita-me apresentar-lhe meu credo. Ele tem milhares de anos de desenvolvimento filosófico, mas só foi oficialmente inaugurado em 1620, por meio de uma obra extraordinária chamada Novo Organum, escrita por Francis Bacon.

Minha religião se chama Ciência. Sua linguagem é o Método. Seu ícone é a Curiosidade; seu único dogma, a Evidência demonstrável e reproduzível; e seu livro é a própria Natureza.

Enquanto a fantasia da fé mística é impulsionada por uma coletânea de elementos sobrenaturais ajuntados em uma procura incessante por conforto e propósitos, a Ciência tem como propulsora a busca pela Realidade, pelo discernimento da Verdade das coisas tal como elas existem - e não como gostaríamos que existissem.

Se você não é capaz de diferenciar entre o Real e o Imaginado, recomendo que experimente olhos científicos por um instante. As ilusões e os engodos fáceis irão se desfazer, e você entrará em contato com um mundo fascinante de transformações e possibilidades.

A Ciência é incrível, fantástica e deslumbrante. E, ao contrário da fé, ela FUNCIONA de fato e é capaz de produzir maravilhas - como o conhecimento honesto do mundo, do universo e do corpo que você habita.

Aceita fazer o teste?

04 novembro 2017

EDUCAR-SE É UM DIREITO OU UMA OBRIGAÇÃO?

Nos tímpanos da geração Mimimi, a palavra “direito” virou um modo eufemístico de designar a obrigação dos outros.

Conforme exposto por Olavo de Carvalho, "há décadas o Estado vem gritando nos ouvidos dos estudantes que a educação é um direito, e isso só os tem impelido a cobrar tudo dos outros — do Estado, da sociedade — e nada de si mesmos".

Cruzadas publicitárias que "enfatizam a educação como um direito a ser cobrado, e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha, têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas: elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma", escreveu o autor de O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota.

O resultado disso é fácil de ser aferido: o Brasil ficou na 60.ª posição no ranking mundial de educação em uma lista elaborada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) envolvendo 76 países - um terço das nações do mundo.

Não é de admirar: segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê em média 2 livros inteiros por ano. É isso que acontece quando o que deveria ser uma obrigação de cada um vira direito de todos - e dever de ninguém.

E se você se acha tão especial, inteligente e acima da média, que tal comentar citando os 3 (ou mais) livros inteiros que leu nos últimos 12 meses?

QUAL A SAÍDA PARA O BRASIL?

Apenas no PRIMEIRO trimestre de 2017, o Facebook registrou um LUCRO LÍQUIDO de R$ 10 bilhões.

Para efeito de comparação, isso é 3 vezes maior que o LUCRO LÍQUIDO SOMADO de 10 das maiores potências industriais brasileiras durante TODO O ANO de 2016:

1- Grupo Weg (R$ 1,117 bilhão)
2 - Votorantim Cimentos (R$ 600 milhões)
3 - Cristália (R$ 469 milhões)
4 - Mineração Paragominas (R$ 393 milhões)
5 - Natura (R$ 296 milhões)
6 - Rede Ipiranga (R$ 280 milhões)
7 - Mahle Metal Leve (R$ 150 milhões)
8 - Magazine Luíza (R$ 104 milhões)
9 - Furukawa (R$ 76 milhões)
10 - Cometc (R$ 25 milhões)

Enquanto nosso sistema educacional continuar sufocando a criatividade; a burocracia esquerdista, massacrando a capacidade de iniciativa; e os impostos, abortando o empreendedorismo liberal, continuaremos na liderança mundial dos índices de homicídios: nosso país, sozinho, responde anualmente por 10% de todos os assassinatos no planeta.

A fórmula não é mágica, tampouco é nova: o crescimento econômito baseado no desempedimento e valorização do mérito pessoal, com justiça efetiva protegendo a vida e a propriedade, é o único caminho para uma reforma social séria. Todo o resto é fanfarronice eleitoreira.

01 novembro 2017

A CLÁSSICA ANTIGUIDADE DO DELÍRIO

Existe um livro de 1841 chamado Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds (Extraordinários engodos populares e a loucura das multidões). Duvido um pouco que você sequer tenha ouvido falar dele... Há alguns anos, baixei o pdf, devorei a leitura das 499 páginas em um fim de semana, e dexei-o salvo na minha “nuvem”. Desde então, o revisito com uma certa periodicidade, como quem passa na varanda de um velho amigo para rir de alguma bobagem à toa.

Escrito pelo jornalista escocês Charles Mackay, a obra explora o lado ridículo de muitas crenças e convenções tais como alquimia, barbas e sua influência na política e na religião, caça às bruxas, cruzadas e duelos.

Entre os engodos populares, Mackay descreve a Mania das Tulipas (febre que acometeu a Holanda e terminou como uma crise em fevereiro de 1637), a quebra da South Sea Company (uma convulsão de imbecilidade do capitalismo que assolou a Europa em 1720) e a Companhia do Mississippi (mais ou menos uma versão Franco-Americano da South Sea).

Impossível não pensar no livro de Mackay quando você lê a história de Satoshi Nakamoto e sua criatura mais famosa, um certo BitCoin.

Os anos passam, algum conhecimento se eleva, alguma sabedoria nos ilumina, mas certas burrices inacreditáveis insistem em persistir. Se estivesse vivo, Mackay estaria agora mesmo tomando notas sobre Satoshi e preparando uma edição atualizada de seu excelente Madness of Crowds. Modestamente, eu sugeriria como título do novo capítulo: BitBubbleCoin, a virtual opera of the same fucking old mental disorder.


ALFABETIZAÇÃO PARA NEOPOLÍTICOS & VELHAS RAPOSAS NÉSCIAS


Para quem empacou no meio do caminho e ainda não conseguiu entender o que é ESQUERDA e DIREITA - e vive de argumentar contra tudo utilizando apenas retórica oca e jargões bobos -, aqui seguem algumas orientações bem básicas sobre ideologias políticas.

Se você concorda com elas, fico feliz. Que tal agregar mais valor a esse debate complementando as idéias expostas com as suas próprias?

Por outro lado, se você não concorda, fico ainda mais feliz! Mas, ao invés de torcer o nariz, que tal agregar mais valor a este debate colando SUAS DEFINIÇÕES? Mas entenda: definições são idéias que se erguem de pé, dignas, claras, límpidas, translúcidas. Definições não são convulsões de revolta vazia, ou xingamentos e ataques ao mensageiro (sério: atirar no mensageiro que traz uma mensagem que você não gosta é comportar-se feito uma criança que se joga gritando no chão do supermercado porque a mãe não quis comprar um doce. Você provavelmente já é um adulto, então seja mais que uma criança pirracenta).

Tudo pronto? Vamos lá:

COMUNISMO é uma doutrina social segundo a qual se pode e deve "restabelecer" o que se chama "estado natural", em que todos teriam o mesmo direito a tudo, mediante a abolição da propriedade privada.

SOCIALISMO refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica que advogam a administração e propriedade pública ou coletiva dos meios de produção e distribuição de bens, propondo-se a construir uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades e meios para todos os indivíduos, com um método isonômico de compensação. Atualmente, teorias socialistas são partes de posições da esquerda política, relacionadas com as atuações do Estado de bem-estar social.

Em resumo: COMUNISMO E SOCIALISMO são basicamente a mesma coisa, é a mesma velha ideologia de Esquerda - apenas com nomes diferentes. Ambos defendem um Estado gigantesco (para ser capaz de restabelecer o que chamam de “nosso estado natural”), paternalista (construção da sociedade através de “métodos isonômicos de compensação”), ideologicamente inimigo da propriedade privada e controlador da liberdade, das oportunidades, dos meios de produção e da distribuição de bens.

Estas seriam as bases conceituais de Esquerda. Então o que seria Direita? Simples: o diametralmente oposto à esquerda. Portanto, uma ideologia de DIREITA é aquela em que temos:

- Um Estado que aceita o fato de que nem todos terão o mesmo “direito” a tudo. Você não tem direito a ser rico ou feliz, ou ter um diploma universitário, um emprego ou um corpo sarado. É SEU dever esforçar-se por meio da sua vontade e do seu empenho disciplinado para atingir os objetivos que aspira. Satisfazer seus desejos e ambições não é – tampouco foi um dia - um dever do Estado.

- Um Estado que protege a propriedade privada.

- Um Estado que NÃO SE METE com a administração dos meios de produção e distribuição de bens. Não cabe ao Estado fabricar automóveis ou geladeiras ou microondas ou vender máquinas de lavar roupa ou celulares, do mesmo modo que não cabe ao Estado ser dono de rodovias, ferrovias, refinarias, portos ou aeroportos.

- Um Estado que não interfere na liberdade de mercado utilizando subterfúgios escusos e objetivos pífios escondidos sob a égide bacana de “método isonômico de compensação”.

- Um Estado que preserva a liberdade de idéias e expressão.

Ficou mais fácil entender agora que NUNCA tivemos um Estado de Direita nesse país?


26 outubro 2017

SOBRE BOLSONARO, A "ÚNICA SOLUÇÃO" PARA O BRASIL


É o que dizem os herdeiros do girondinismo. Muda-se o personagem, mas persiste-se no equívoco.

Ele é tanto a solução do país quanto guilhotinar Luís XVI em 1793 era a solução para a França segundo os líderes da Convenção Nacional Revolucionária

Do mesmo modo que fazer Napoleão Imperador em 1804 era a única solução para a balbúrdia jacobina do Terror instalada por Robespierre, Saint-Just e Couthon - e exilar Bonaparte na ilha de Santa Helena para morrer de câncer gástrico avançado em 1821 era a solução para o seu Governo de Cem Dias.

Bolsonaro é a solução que o golpe de 15 de novembro de 1889 que depôs Dom Pedro II iria trazer; e mais ou menos mesma solução que Getúlio tentou reeditar de 1930 a 1946; ou a solução da República Populista que lhe sucedeu, ou do Regime Militar do "Brasil ame-o ou deixe-o", ou da emenda Dante de Oliveira e sua filha da criação, a Constituição Federal "cidadã" de 1988, que iria finalmente colocar o país no rumo do desenvolvimento - mais ou menos a mesma promessa das outras 6 constituições que a antecederam:

1ª - Constituição de 1824 (Brasil Império)
2ª - Constituição de 1891 (Brasil República)
3ª - Constituição de 1934 (Segunda República)
4ª - Constituição de 1937 (Estado Novo)
5ª - Constituição de 1946
6ª - Constituição de 1967 (Regime Militar)

Capitão Jair Messias é agora para os pseudo-direitistas - ideologica e representativamente órfãos em suas incongruências - o que foi Lula em 2003 para os comunistas degustadores de caviar: a chance da virada, a personificação do "agora vai!".

E a história segue repetindo a si mesma perpetuamente desde há muito tempo demais.

25 outubro 2017

REFLETINDO SOBRE VISITAS E RIQUEZAS

Saindo de uma visita médica domiciliar, a assistente que nos acompanhava puxou assunto:

- Caramba, doutor, o senhor viu a notícia do cara que bateu com uma Lamborghini lá em Caçapava?

- Não...

- O fulano foi ficar se exibindo com o carro... bem feito. Aqui se faz, aqui se paga.

- Não assisto jornal há muito tempo, mas continuo surpreso com a mania do brasileiro em demonizar a riqueza.

- Demo-o-quê?

- Demonizar, achincalhar. Como se riqueza fosse algo ruim quando, no final, não é. A ridicularização da fortuna não é movida pelo senso de um mundo mais justo. É apenas inveja mesmo.

- Eu hein. Não concordo com isso, não. Tenho inveja nenhuma dele, todo queimado depois de bater com aquele brinquedo de menino mimado.

- Então se eu pudesse lhe dar um Lamborghini hoje, você recusaria?

- Lógico! Deus me livre! Não sou motivada por essas coisas materiais.

- Você poderia vender o carro e ajudar outras pessoas. Uma máquina dessas vale uns 3 milhões de reais. Poderia pagar integralmente uma faculdade de medicina para 9 adolescentes em situação de risco social. Ou de engenharia civil para uns 30. Isso mudaria a história deles e, provavelmente, de suas famílias. Ou até de uma comunidade inteira.

- Hum... eu não havia pensado por esse lado...

- Eu sei. Mas não se sinta culpada por isso. Nem sozinha. Como você, temos mais 140 milhões de pessoas que também não pensam. E votam. E acham de verdade que discutir identificação de gênero é o que vai mudar esse país.

Seguimos de carro - um Gol, não um Aventador Roadster - de volta para o posto e fiquei pensando em Churchill: "O melhor argumento contra a democracia é uma conversa de 5 minutos com um eleitor mediano".

O velho Buldogue era rabugento e malvado, mas era igualmente lúcido e sincero.

22 outubro 2017

AS NOVAS SEITAS DOS NOVOS DIAS

Podemos dizer que a atual Seita da Perpétua Felicidade Nacional, que produz memes ansiosos de autocomiseração e legendas de carência em terceira pessoa acompanhando fotos no Facebook, foi inaugurada no Brasil por Paulo Coelho em 1987 com o livro Diário de um Mago.

De lá para cá, técnicos escolásticos e catedráticos desembarcaram com containers recheados de técnicas de PNL e Marketing Multinível para financiar suas catedrais. Hoje, vemos finalmente proliferar em cada esquina os novos profetas com suas palavras de coaching sistêmico.

Do outro lado da rua, canhotos oprimidos, jovens refratários à maturidade e tenras ovelhas cristãs torcem o nariz para o cortejo que acompanha atentamente o bolo de Sucesso com cobertura de Riqueza - menos por nojo que pela água na boca cheia de vontade de mordiscar um pedaço de ambos.

E a Força, a Honra, a Coragem, a Sabedoria e a Disciplina seguem em coma induzido.

SOBRE LÓGICA & RELIGIÃO

A Lógica consiste no exercício aplicado do raciocínio. É fazer afirmações e assumir premissas apenas após o estudo sistemático das formas válidas de inferência.

A Religião, por outro lado, é a negação voluntária da capacidade de raciocínio em troca da aceitação obsequiosa de dogmas consoladores, superstições protetoras e qualquer outro relativismo que possa ser customizado à justificativa de procrastinação e isenção de responsabilidades.

São, portanto, diferentes, imissíveis, incongruentes e essencialmente excludentes uma da outra.

Segundo o dicionário, Ignorar significa (1) não conhecer, não saber; (2) desconhecer por não ter a experiência, a prática de alguma coisa.

Fé (do Latim fide), por sua vez, é a adesão de forma incondicional a uma hipótese que a pessoa passa a considerar como sendo uma verdade sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que se deposita nesta ideia ou fonte de transmissão.

De onde se deduz que a Fé - tijolo e argamassa de qualquer religião - baseia-se em um conjunto de ignorâncias, na aceitação de um desconhecido assumindo de antemão a desnecessidade de verificar, de qualquer ângulo possível, sua veracidade absoluta.

Argumentar sobre a validação lógica de um credo escolástico com um religioso é como discutir com um esquizofrênico que não existem unicórnios de purpurina azul, porque eles na verdade são cor de rosa e se alimentam de arco-íris.

Explorar racionalmente o mérito do delírio da fé utilizando imagens colhidas de dentro de seu próprio terreno jamais solucionará a questão da alucinação voluntária. Enxugar gelo e cavar um buraco na água produziria melhores resultados.

SOBRE A ESPERANÇA POR MERITOCRACIA

Passamos boa parte do século XX permitindo confortavelmente a construção de uma consciência nacional comunista. O resultado dessa mentalidade pode ser vista a partir de alguns índices reveladores: ocupamos a 175a posição no ranking mundial de "facilidade para se abrir uma empresa", somos o número 123 entre os melhores lugares para se fazer negócios, o 81o em competitividade, e nosso PIB ocupa a última posição em uma lista de 39 países. Três décadas de redemocratização pró-socialista nos deixaram na 60a posição de um ranking mundial de educação envolvendo 76 países.

Em pleno 2017, multidões de brasileiros assentados em sua subserviência insistem em conceituar Meritocracia como "começar do zero", descartando imediatamente o mérito de todo progresso surgido a partir das conquistas da geração anterior. O Mérito tornou-se intrinsecamente vinculado à obrigação do Estado-pai em prover igualdades prévias - por consequência, eximindo o indíviduo de qualquer responsabilidade pela missão do esforço pessoal.

Segundo esse raciocinio limitado, na ausência de politicas educacionais eficientes, a validade do Mérito exigiria que fôssemos todos nivelados desde a origem pela miséria purificadora. Fora desse cenário igualitário utópico, qualquer menção à Meritocracia é sumariamente conduzida para a velha guilhotina do discurso da luta de classes, com opressores oligarcas canibais de um lado e desafortunados congênitos oprimidos do outro.

O fato é que a dialética Meritocrática, protestante, liberal e capitalista não encontra eco consistente por aqui: o povo, há décadas mentalmente adoecido pelo eterno sonho da terra prometida engendrado pelo socialismo católico tupiniquim, tornou-se dependende de clonazepam, fluoxetina, analfabetismo funcional e empregabilidade estatal. E o poço apenas fica mais fundo a cada geração.

E você acha mesmo que essa maldição cultural de séculos se resolverá em um passe de mágica quando retornarmos os votos para cédulas de papel?

19 outubro 2017

SUPLEMENTOS DE CROMO AJUDAM A CONTROLAR O DIABETES?


Não, não ajudam.

Em uma das consultas de hoje, fui questionado sobre outra dessas “descobertas incríveis que os médicos não querem que você saiba”. É incrível como na internet pululam achados extraordinariamente simples para problemas médicos complexos e ancestrais, quase como se cada site de medicina alternativa escondesse uma legião de potenciais ganhadores do Nobel. A verdade é que eles não escondem. São apenas o bom e velho charlatanismo com roupas lustrosas de marketing moderno.

Neste caso específico, o paciente se achava no dever de informar que estava utilizando um suplemento de Picolinato de Cromo. Segundo a notícia que havia recebido por e-mail e confirmado após extensas leituras - todas, obviamente, feitas na página do fabricante do referido suplemento -, esta dádiva da medicina alternativa era capaz de operar milagres no excesso de açúcar em seu sangue. Curiosamente, o dextro dele estava em 247 mg/dL.

Imbuído do benefício da dúvida, fui pesquisar o que havia de real nisso. Descobri que o Picolinato de Cromo é comercializado quase como uma panacéia. De acordo com os vendedores de fumaça na internet, o Picolinato “melhora seu nível geral de disposição, facilita a perda de peso, diminui o trabalho do pâncreas, otimiza o metabolismo da glicose e aumenta a queima de gorduras”. Só faltou tirar nome do SPC, encontrar cachorro perdido e trazer o amor bandido de volta...

Uma volta na base de dados Pubmed e foi possível ver que, desde 1998, diversos estudos avaliaram seriamente os efeitos do Picolinato de Cromo.

Em uma pesquisa realizada em ratos, os cientistas concluíram que a suplementação com Picolinato poderia melhorar a sensibilidade periférica à insulina. Uma outra pesquisa, desta vez envolvendo 39 seres humanos com diabetes e idade média de 73 anos, empregou um grupo controle para avaliar o efeito do Picolinato (200 mcg duas vezes ao dia por 3 semanas), e encontrou diferenças significativas positivas na glicemia e nos níveis de colesterol entre os indivíduos tratados e o grupo controle. Tudo parecia estar indo bem para o Picolinato.

De fato, o cromo é um mineral essencial que parece ter um efeito benéfico na regulação da ação da insulina no organismo, afetando o metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios. Estudos também mostraram que pessoas com diabetes tipo 2 possuem níveis sanguíneos de cromo abaixo daqueles de pessoas não-diabéticas. Uma revisão sistemática da literatura realizada em 2006 avaliou 13 estudos clínicos (incluindo 11 estudos randomizados e controlados), envolvendo 1.690 pacientes, e sugeriu que existem efeitos positivos da suplementação com Picolinato de Cromo sobre os níveis de glicose, insulina, colesterol e triglicérides. Além disso, a suplementação com Picolinato de Cromo, especificamente, foi demonstrada como sendo bem segura. Mas seria de fato eficaz acima de qualquer dúvida?

Um estudo realizado em 2011, envolvendo 50 pessoas recebendo doses diárias de 500 mcg ou 1000 mcg de Picolinado de Cromo por 6 meses (idades entre 31 e 88 anos), não foi capaz de encontrar qualquer efeito da suplementação de cromo sobre os níveis de glicohemoglobina, peso, circunferência abdominal, índice de massa corporal, pressão arterial, colesterol total, HDL, LDL, triglicérides ou microalbuminúria. Estes resultados foram congruentes com outros estudos clínicos randomizados realizados com pacientes com síndrome plurimetabólica.

Ao que parece, quando o desenho do ensaio clínico é aprimorado para eliminar vieses de controle - reduzindo assim a variabilidade dos resultados -, os resultados mudam e o cromo perde seu efeito prodigioso.

Em resumo: considerando-se os dados disponíveis até o momento, não existem evidências sólidas que apoiem a recomendação de suplementos de cromo como parte rotineira do tratamento de pessoas com diabetes tipo 2.


16 outubro 2017

SOBRE A FALÊNCIA DA REDEMOCRATIZAÇÃO


Leio e ouço pessoas falando das dificuldades de nosso processo de redemocratização... me surpreendo com elas: e desde quando nosso comunismo tupiniquim foi uma democracia? 

O governo gigantesco cuidando de tudo, normatizando tudo, sufocando o empreendedorismo, vilipendiando a meritocracia, amaldiçoando o capital, desdenhando a prosperidade econômica, violando o princípio de propriedade, superfaturando impostos cumulativos, soterrando a inovação com burocracias infinitas, estimulando a dependência do Estado, louvando terroristas como heróis, apoiando regimes totalitários, menosprezando o valor da vida de seus cidadãos com políticas de segurança pública inexistentes, tornando a educação uma ferramenta de doutrinação idiotizante e medíocre...

Onde essas pessoas delirantes conseguiram ver "redemocratização"? Somos um pais socialista/comunista há séculos! E não adianta virar o rosto e chamar pimenta de pudim: ela não irá arder menos por isso. 

Só quando assumirmos a realidade com todas as letras e dores do ego será possível fazer algo a respeito. Até lá, seguimos em surto esquizofrênico

SOBRE O USO DE PLACEBOS EM PESQUISAS

Há alguns anos, o anacrônico Conselho Federal de Medicina (CFM) vem discutindo o uso de placebos em pesquisa clínica. Como é de praxe, o CFM posicionou-se em sintonia ao fisiologismo corporativista tão em moda nesse século de retrocessos e, em suas oficinas de debates, alinhou-se messiânica e unilateralmente ao proposto na versão de 2008 da Declaração de Helsinque -  que condena veementemente o emprego de placebos.

Em um excelente artigo, lúcido e realista, pesquisadores do Laboratório de Endocrinologia Molecular e Translacional da USP ergueram uma voz quase solitária em defesa do método científico, propondo uma customização no emprego de placebos. O texto é extremamente recomendada para profissionais de saúde.

Realmente desanimador ver como o CFM, a Associação Médica Brasileira e a Associação Médica Mundial se destacam como os arautos da nova ciência humanista do Século XXI – que mais se assemelha a uma religiosidade romântica e ingênua do Século XVI. Estamos regredindo rapidamente para antes do Iluminismo.


10 outubro 2017

SOBRE FEMINISMO E A LUTA CONTRA O PATRIARCADO


Dia sim, dia também, aparece no timeline do Facebook alguma coisa sobre a "luta" feminina contra o patriarcado... É um discurso cheio de incongruências delirantes e ameaças de indignação a partir de provas testemunhais, mas nunca argumentações efetivamente baseadas em dados estatísticos. Vejamos:

De acordo com dados da pesquisa Estatísticas de Eleitorado, publicada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 76.534.83 mulheres votaram na última eleição, quase 53% do total de 146.470.880 eleitores no País.

Apesar do sufrágio feminino no Brasil datar de 1932, e o direito constitucional ao voto universal após os 16 anos de idade ter quase 30 anos de existência, atualmente apenas 10% das cadeiras legislativas são ocupadas por mulheres.

Nesse meio tempo, os homens continuam sendo maioria absoluta entre os trabalhadores de limpeza pública, construção civil, segurança, transporte de cargas e operação de maquinários pesados, entre outros setores que exigem desgaste físico e riscos. Talvez por isso os representantes do "patriarcado opressor maldito" respondam por 75% dos óbitos em acidentes de trabalho - além de serem 91% das vítimas de homicídio no Brasil (4 de cada 5 mortes por violência doméstica são do sexo masculino).

Grande "luta contra o patriarcado", hã?

Nossa nação, essa coleção de milhões de pessoas mentalmente doentes (dados da OMS), não tem problemas de patriarcado: tem um problema de falta de inteligência e leitura.

Essa gente desconectada da realidade não sabe do que reclama...

MEDICINA ALTERNATIVA NÃO EXISTE


Sou obrigado a confessar: tenho restrições profundas quanto ao termo “medicina alternativa”.

Primeiro, porque Medicina é uma ciência. Pode não ser um primor de exatidão, mas, como toda ciência, busca insistentemente basear-se em evidências comprováveis e reproduzíveis. Em segundo lugar, porque o vocábulo alternativo virou um sinônimo obsequioso para embuste.

A identificação e análise dos fatos reais como padrão de valor definitivo para a construção do conhecimento atende pelo nome de Método Científico - uma abordagem formalizada por Francis Bacon em seu fascinante Novo Organum, publicado há quase 400 anos. Desde então, o Método exposto por Bacon produziu uma revolução no gnosticismo sincrético, empurrando definitivamente o pensamento para além da zona de conforto dos “achismos pessoais”, das “provas testemunhais anedóticas” e do “meu jeito de ver ou fazer as coisas”.

Em 1972, Archie Cochrane, um epidemiologista escocês, elevou o Método proposto por Bacon a uma nova categoria ao publicar um dos grandes marcos na história da medicina. Em seu livro Effectiveness and Efficiency: Random Reflections on Health Services, Archie defendeu o emprego de evidências estatisticamente fundamentadas como ferramenta avaliadora das condutas médicas. Com o tempo, esta prática foi sendo cada vez mais adotada e disseminada, levando à criação de centros de pesquisa de Medicina Baseada em Evidências (MBE) e de uma organização internacional chamada Cochrane Collaboration.

Por tudo isso, é uma afronta afirmar que existe algo como medicina alternativa, do mesmo modo que é enxovalhar a lógica dizer que existe algo como uma Geografia Alternativa ou uma Engenharia Alternativa ou uma Magistratura Alternativa. Medicina requer padrões de aplicabilidade assentados em comprovações sólidas. Adicionar o sobrenome “alternativo” a este descalabro sugere logo de cara: “não temos provas suficientes para isso”.

Sem evidências escrupulosas que lhe dê suporte, a argumentação a favor de um determinado artifício não se justifica apenas porque ele é alternativo. Que o chamem pelo nome devido: picaretagem, trapaça, vigarice, misticismo, religiosidade - ou um procedimento experimental, na melhor das hipóteses. Mas, em nenhum desses casos, um expediente alternativo deveria – ou poderia - ser rotulado de Medicina.

Chamar um tratamento qualquer de “medicina alternativa” lhe confere um significado que traz embutido em si todo um viés de probidade, de aplicação de métodos axiomáticos, de meta-análises e revisões sistemáticas da literatura, e de considerações éticas e morais, além da áurea de um escrutínio pormenorizado dos índices de eficácia, efetividade e segurança daquela abordagem.

Se algo considerado “medicina alternativa” possuísse evidências consistentes e honestas de sua irrefutabilidade, este algo poderia simplesmente abandonar o termo “alternativo” e passar a denominar-se Medicina. Mas, em não sendo este o caso, deveríamos ter a honradez de batizar os tratamentos alternativos pelo que eles de fato são: condutas de validade duvidosa baseadas em efeitos placebos questionáveis.

Eu sei, esperar por este nível de integridade é querer muito do mundo real e suas alucinações alternativas... Mas a ciência é uma dádiva tão maravilhosa para a humanidade! Quem sabe, um dia, nos tornemos decentes o suficiente para não distorcê-la mais com as torturas de nossas inseguranças infantis. Até lá, os bons apreciadores do Novo Organum continuarão assistindo de camarote o relativismo alternativo investindo sua carnificina visceral sobre os notáveis conceitos propostos por Chochrane, Galileu, Newton, Jenner, Fleming... e na mesma fogueira da doutrina pseudocientífica continuarão sendo arremessados qualquer um e qualquer coisa que ouse ameaçar as crenças vigentes preferidas do momento com doses terapêuticas de Razão.


TIBOLONA PARA MENOPAUSA: É EFICAZ DE VERDADE?


Sim, é.

Revisões sistemáticas da literatura mostraram que a Tibolona é mais eficaz que placebos no alívio ondas de calor, suores noturnos e outros sintomas vasomotores.

Quando comparada à Terapia de Reposição Hormonal (TRH) convencional (estrogênios conjugados, p.ex.), a Tibolona  apresentou uma menor ocorrência de sangramentos vaginais como efeito colateral, ainda que tenha sido menos eficaz que a TRH no alívio dos sintomas vasomotores.

Em um excelente estudo randomizado, duplo-cego e placebo-controlado envolvendo 65 mulheres saudáveis entre 40-55 anos de idade, tratadas durante 12 semanas com 2,5 mg de Tibolona por dia, foram observadas melhoras significativas na bioquímica sanguínea e na atrofia endometrial, sem alterações ponderais ou efeitos colaterais importantes.

Apesar da dose diária habitualmente receitada ser de 5,0 mg, vários estudos realizados nos últimos  25 anos documentaram que doses de até mesmo 1,25 mg / dia são eficazes para melhorar a densidade mineral óssea e reduzir o risco de fraturas por osteopenia e osteoporose.

Em termos de segurança, a Tibolona não afeta o risco de câncer endometrial, mas existem preocupações quanto ao aumento do risco para câncer na mama em mulheres que já sofreram do problema no passado.

22 setembro 2017

CONDROITINA E GLUCOSAMINA SÃO EFICAZES PARA TRATAR OSTEOARTRITE?

Não, não são.

A eficácia do uso de Glucosamia + Condroitina (GC) no tratamento de casos de osteoartrite (OA) há muito é motivo de grandes controvérsias.

O American College of Rheumatology não defende o uso de GC para casos de osteoartrite, e o mesmo ocorre com os protocolos clínicos do American Academy of Orthopaedic Surgeons e do Osteoarthritis Research Society International. Contudo, a despeito destes guidelines, os suplementos de GC têm alcançado recordes de vendas – um absoluto desperdício de dinheiro.

Já em 2005, alguns autores apontavam para a falta de efetividade comprovada de GC em pacientes com OA.  Uma metanálise publicada em 2010 concluiu que glucosamina, condroitina ou uma combinação de ambos não era eficaz para aliviar dores articulares, tampouco produziam qualquer impacto na recuperação da cartilagem articular quando comparados a placebos.

Finalmente, em 2017, uma ampla revisão da literatura investigou novamente os dados sobre a eficácia clínica e a segurança da GC em pacientes com OA. Mais uma vez, tanto a glucosamina quanto a condroitina se mostraram seguras, com poucos efeitos colaterais sérios, mas não foram encontradas evidências suficientes que apoiassem cientificamente sua validade em pacientes com osteoartrite.

19 setembro 2017

Doenças Mentais versus Países

Países com a maior incidência de doença mental e transtornos patológicos de comportamento, segundo a OMS:

10 setembro 2017

VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA KISS?

Há alguns anos, em um curso de vela oceânica, tive contato pela primeira vez com uma filosofia de marinhagem que achei absolutamente fantástica. Algum tempo depois, envolvido no aprendizado de técnicas de sobrevivência na selva, esbarrei com exatamente o mesmo acrônimo. Pelo visto, era um princípio universal de eficiência para ambientes inóspitos.

Esse lema, desenvolvido na década de 1960 pela marinha americana, recebeu o apelido de KISS:

Keep
It
Simple,
Stupid

TUDO em um barco - e TODAS as sua ações no meio da mata - devem se basear nisso. Para que você otimize suas chances de sobrevivência, cada peça de equipamento, cada movimento e cada decisão devem ser selecionados a partir desta moldura.

O que não te ajuda, te atrapalha.
O que não te faz melhor, te piora.
O que não serve para o seu progresso, bloqueia inutilmente o seu caminho.

Eu recomendaria expandir o conceito KISS para a vida como um todo.

A simplicidade é a derradeira sofisticação. Mantenha tudo simples.

SOBRE A EPIDEMIA DOS NOVOS TEMPOS

Ao longo do Século XX, a ideia de que a vida indolor é um direito fundamental se impôs como um ideal. O amplo acesso aos analgésicos produziu uma multidão de órfãos da dor como ferramenta de autopurificação e autopromoção.

Mas não demorou muito para que este rebanho adotasse um outro sintoma como forma de se diferenciar das outras manadas: logo eles descobriram o Sofrimento, esta versátil emoção voluntária. Sofrer, lamento informar, NÃO é um fenômeno orgânico compulsório.

Segundo Karnal, "todo sofrimento traz em si um tempero do mais puro narcisismo: ser visto sofrendo dá alimento simbólico a um eu faminto por atenção". E agora, no lugar dos estigmas sangrantes na carne e dos santos anoréticos perambulando pelo deserto, vemos proliferar legiões de ansiosos e depressivos disputando o altar-mor da melancolia redentora, desfilando lúgrubes de um consultório ao outro enquanto arrastam consigo suas lamúrias de comiseração e receitas de uso contínuo.

Ninguém mais quer assumir a responsabilidade pelas consequências de suas próprias escolhas. A Maturidade - aquela dama de sabedoria elegante e serena resiliência - se tornou um conceito tão antigo quanto desconhecido.

30 agosto 2017

CRIANÇAS E ADOLESCENTES PODEM SER ATENDIDOS SEM ACOMPANHANTE NO POSTO DE SAÚDE?

Sim, podem.

E é impressionante ver como muitos médicos, gestores, gerentes, enfermeiros e outros profissionais envolvidos na assistência à saúde têm um completo e absoluto desconhecimento disso, fazendo exigências sobre a presença de um “de maior” ou recusando atender o menor devido à falta de um responsável com mais de 18 anos idade.

Do ponto de vista legal e ético, os seguintes parâmetros justificam o atendimento de qualquer pessoa – independente da idade – em uma unidade de saúde:

Lei Orgânica da Saúde 8.080/90

As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios: 
  • III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;  
  • IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
  • V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;

Constituição Federal - Título VIII - Da Ordem Social - Capítulo VII - Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
  • Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
  • Artigo 3 - A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
  • Art. 11 - É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
  • Art. 15 - A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
  • Art. 16 - O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I – ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; (...) VII – buscar refúgio, auxílio e orientação.
  • Art. 17 - O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais Direitos Fundamentais: a privacidade, a preservação do sigilo e o consentimento informado. O “Poder familiar” (antigo Pátrio poder) dos pais ou responsáveis legais não é um direito absoluto.
  • Art. 243 -  Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Recomendações do Ministério da Saúde:
  • Qualquer exigência, como a obrigatoriedade da presença de um responsável para acompanhamento no serviço de saúde, que possa afastar ou impedir o exercício pleno do adolescente de seu direito fundamental à saúde e à liberdade, constitui lesão ao direito maior de uma vida saudável. Caso a equipe de saúde entenda que o usuário não possui condições de decidir sozinho sobre alguma intervenção em razão de sua complexidade, deve, primeiramente, realizar as intervenções urgentes que se façam necessárias, e, em seguida, abordar o adolescente de forma clara a necessidade de que um responsável o assista e o auxilie no acompanhamento. Havendo resistência fundada e receio que a comunicação ao responsável legal, implique em afastamento do usuário ou dano à sua saúde, se aceite pessoa maior e capaz indicada pelo adolescente para acompanhá-lo e auxiliar a equipe de saúde na condução do caso (MS, 2005:41). 
  • Garantir direitos ao adolescente (menores de 18 anos), nos serviços de saúde, independente da anuência de seus responsáveis, vem se revelando como elemento indispensável para a melhoria da qualidade da prevenção, assistência e promoção de sua saúde (MS, 2005).
  • Situações em que os exames anti-HIV estão indicados para adolescentes: No caso de adolescente, este pode decidir sozinho pela realização do exame, desde que o profissional de saúde avalie que ele é capaz de entender o seu ato e conduzir-se por seus próprios meios (art. 103 do Código de Ética Médica). Ainda assim, nesse caso, o adolescente deverá ser estimulado a compartilhar o que lhe acontece com os seus responsáveis ou com adulto(s) em quem confie e que possa servir-lhe de suporte. Na prática diária dos serviços ambulatoriais, os profissionais de saúde costumam orientar os adolescentes para virem acompanhados de um adulto de sua confiança no dia do resultado do exame. Caso ele deseje, após receber o seu resultado, o profissional de saúde também poderá conversar com esse adulto. Contudo, em face das diversidades de condições de vida às quais estão submetidos muitos jovens, importa destacar que nem sempre os apoios partem de seus responsáveis Legais (MS, 2004:39).
  • Para adolescentes portadores de DST e/ou usuários de drogas injetáveis, ou que tenham práticas de risco para o HIV – com as mesmas recomendações do item anterior. No caso de DST devidas à violência sexual, o registro da violência é obrigatório em alguns estados brasileiros, exigindo uma ação conjunta com o Conselho Tutelar (MS, 2004:39-40). Da mesma forma, o artigo 13 do ECA determina que os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra crianças ou adolescente sejam obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais.
Ofício do Conselho Federal de Medicina (CFM) n° 1.865/96 – Sobre a testagem anti-HIV para menores de 18 anos.
  • .... deverá ser voluntária e consentida pelo menor, sem necessidade de autorização de responsável, desde que aquele tenha capacidade de avaliar seu problema e atuar a respeito. CFM 1665/2003 (adicionalmente). É vedada a realização compulsória de sorologia para HIV.
Código de Ética Médica (CEM):
  • Art. 103 – (É vedado ao médico) Revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-los, salvo quando a não revelação possa acarretar danos ao paciente.  
  • Art. 107 – (É vedado ao médico)Deixar de orientar seus auxiliares e de zelar para que respeitem o segredo profissional a que estão obrigados.
Código de Ética do Profissional de Enfermagem:
  • Art. 27 - Respeitar e reconhecer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem-estar.
  • Art. 28 - Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente.
  • Art. 29 - Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em Lei.
Códigos de Ética do Assistente Social
  • Art. 18 - A quebra do sigilo só é admissível, quando se tratar de situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos interesses do usuário, de terceiros e da coletividade. Parágrafo Único - A revelação será feita dentro do estritamente necessário, quer em relação ao assunto revelado, quer ao grau e número de pessoas que dele devam tomar conhecimento.
Código de Ética do Psicólogo
  • Art. 21 O sigilo protegerá o atendimento em tudo aquilo que o Psicólogo ouve, vê ou de que tem conhecimento como decorrência do exercício da atividade profissional.


Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/mulher/aspectos_legais.pdf