© Dr. Alessandro Loiola
Os níveis de testosterona reduzem progressivamente com o tempo, e uma porcentagem significativa de homens com mais de 60 anos de idade apresentam níveis sanguíneos de testosterona bem abaixo dos limites inferiores recomendados para homens entre 20-30 anos.
A Síndrome de Hipogonadismo Tardio – popularmente chamada de Andropausa - é uma síndrome clínica e bioquímica associada ao processo de envelhecimento e caracterizada por uma diminuição importante nos níveis de testosterona, além de muitas outras manifestações – incluindo uma grande perda de qualidade de vida.
Ao longo da última década, vários especialistas avaliaram os benefícios da Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) em homens na Andropausa, incluindo seus efeitos sobre a libido, a performance sexual, o humor, a massa e a força muscular, a concentração de gordura corporal e a densidade mineral óssea. Permeando todos esses anos de estudos, houve sempre a preocupação de que a TRT pudesse aumentar o risco de crescimento exagerado ou mesmo câncer na próstata.
Pensando nisso, alguns pesquisadores realizaram uma extensa revisão da literatura identificando todos os estudos controlados e randomizados (ECR) envolvendo testosterona no tratamento do hipogonadismo. Foram encontrados 22 ECR, totalizando 2.351 pacientes que utilizaram TRT por meio de injeções, comprimidos ou adesivos transdérmicos. O resultado: menos da metade dos ECR relatou aumento da incidência de câncer prostático.
A despeito do método de administração, no curto prazo (menos de 12 meses), a TRT parece ser segura e não aumenta o risco de hipertrofia prostática ou desenvolvimento ou progressão de tumores na próstata, desde que o paciente seja cuidadosamente monitorizado para manter os níveis de testosterona dentro dos limites fisiológicos recomendados e faça dosagens periódicas dos níveis de PSA.
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25 setembro 2014
25 agosto 2014
Obesidade e câncer: cara ou coroa?
© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos
Um trabalho publicado dia desses na Lancet (Agosto/2014) jogou mais lenha na fogueira da obesidade.
Há muito se sabe, a partir de pequenos levantamentos estatísticos, que o peso corporal está relacionado ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres. Mas os ingleses levaram isso um (graaande) passo adiante: utilizando registros clínicos do Clinical Practice Research Datalink, eles identificaram mais de 5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 16 anos e que não apresentavam diagnóstico de câncer no momento da avaliação. O IMC médio calculado para o grupo foi 25,5 kg/m².
Durante 7 anos e meio, esse coorte foi acompanhado e aproximadamente 170 mil indivíduos desenvolveram pelo menos uma das 22 neoplasias de interesse do estudo. Os 22 tipos escolhidos respondiam por 90% de todos os tipos de tumores malignos diagnosticados na Grã-Bretanha, e o aumento no IMC mostrou estar associado a nada menos que 17 deles.
O aumento no peso foi determinante para aumentar o risco de câncer na mama (em mulheres na pós-menopausa), na vesicular biliar, nos rins, no fígado, no intestino grosso, na tireóide, nos ovários, na região cervical e para leucemia. Por outro lado, algumas evidências sugeriram que o IMC aumentado exercia um certo efeito protetor para câncer de mama na pré-menopausa e para câncer na próstata.
Cada aumento de 5 kg/m² no IMC (equivalente a 15,5 kg) associou-se a um aumento de 62% no risco de câncer no útero, 25% para câncer renal e 10% para câncer no intestino grosso.
A temporada de caça à obesidade está aberta há muito tempo, graças à sua associação com hipertensão arterial e diabetes – e todas as consequências e custos daí decorrentes. Mas agora este estudo confirma, sem a menor sombra de dúvida, que o papel desempenhado pela obesidade representa um fator de risco de verdade, sólido, progressivo e definitivo.
O excesso de peso é certamente uma causa evitável de câncer. Ponto.
Agora resta saber se a moeda vai cair.
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos
Um trabalho publicado dia desses na Lancet (Agosto/2014) jogou mais lenha na fogueira da obesidade.
Há muito se sabe, a partir de pequenos levantamentos estatísticos, que o peso corporal está relacionado ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres. Mas os ingleses levaram isso um (graaande) passo adiante: utilizando registros clínicos do Clinical Practice Research Datalink, eles identificaram mais de 5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 16 anos e que não apresentavam diagnóstico de câncer no momento da avaliação. O IMC médio calculado para o grupo foi 25,5 kg/m².
Durante 7 anos e meio, esse coorte foi acompanhado e aproximadamente 170 mil indivíduos desenvolveram pelo menos uma das 22 neoplasias de interesse do estudo. Os 22 tipos escolhidos respondiam por 90% de todos os tipos de tumores malignos diagnosticados na Grã-Bretanha, e o aumento no IMC mostrou estar associado a nada menos que 17 deles.
O aumento no peso foi determinante para aumentar o risco de câncer na mama (em mulheres na pós-menopausa), na vesicular biliar, nos rins, no fígado, no intestino grosso, na tireóide, nos ovários, na região cervical e para leucemia. Por outro lado, algumas evidências sugeriram que o IMC aumentado exercia um certo efeito protetor para câncer de mama na pré-menopausa e para câncer na próstata.
Cada aumento de 5 kg/m² no IMC (equivalente a 15,5 kg) associou-se a um aumento de 62% no risco de câncer no útero, 25% para câncer renal e 10% para câncer no intestino grosso.
A temporada de caça à obesidade está aberta há muito tempo, graças à sua associação com hipertensão arterial e diabetes – e todas as consequências e custos daí decorrentes. Mas agora este estudo confirma, sem a menor sombra de dúvida, que o papel desempenhado pela obesidade representa um fator de risco de verdade, sólido, progressivo e definitivo.
O excesso de peso é certamente uma causa evitável de câncer. Ponto.
Agora resta saber se a moeda vai cair.
18 agosto 2014
PÍLULA SEM MISTÉRIOS
Toda a revolução sexual dos anos 60 e 70 baseou-se na tríade “emancipação feminina + carros mais confortáveis + pílulas anticoncepcionais”. Para extrair o melhor da modernidade, nunca é demais entender exatamente o funcionamento de cada um desses fatores. Como acredito que você encontrará boas informações sobre os 2 primeiros assuntos em alguma outra parte, vou me resignar com o terceiro fator.
A pílula convencional é composta por uma dose pequena de Estrógeno e uma dose moderada de Progestógeno, dois hormônios femininos. O estrógeno mais utilizado é o Etinil-estradiol. O risco de efeitos colaterais está relacionado diretamente ao conteúdo de estrógenos da sua pílula, e não à duração do uso. A maioria das mulheres pode utilizar a pílula até os 50 anos de idade, tranqüilamente.
Todos os progestógenos são derivados da testosterona e, por isso, possuem alguns efeitos masculinizantes. Os progestógenos mais novos, como levonorgestrel (o mais utilizado), gestodeno e acetato de ciproterona, apresentam menos efeitos colaterais neste sentido.
Estudos mostram que a combinação de hormônios na pílula reduz a incidência de vários distúrbios, incluindo problemas menstruais, câncer e cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, tumores no endométrio, doenças benignas da mama e alterações na glândula tireóide. Em contrapartida, a pílula pode aumentar seu risco de trombose venosa, embolia pulmonar e ataque do coração. Mulheres que fumam e tomam pílula são consideradas um grupo de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, especialmente a partir dos 35 anos.
Toda mulher anseia pelo controle de sua vida, mas muitas andam por aí tomando pílula sem saber que estes hormônios adicionais podem dar um nó nas rédeas do seu destino. Por isso, anote aí algumas pegadinhas que podem ser úteis na sua próxima visita ao médico:
- Se você nunca tomou pílula, uma boa primeira escolha são os anticoncepcionais monofásicos, aqueles em que você toma um mesmo comprimido ao longo de toda a cartela. Inicie com uma dose diária de 20 a 30 microgramas de etinilestradiol.
- Prefira pílulas com altas doses de estrógeno (p.ex.: 50 microgramas) se você sofre de epilepsia ou apresenta problemas menstruais perturbadores. Se já lhe recomendaram exorcismo durante alguma menstruação, você pode estar neste grupo.
- O seu problema tem a ver com acne, ganho persistente de peso, dores nas mamas, depressão ou crescimento de pelos indesejáveis? Em alguns casos, basta escolher pílulas com baixas doses de progestógenos ou aumentar a dose de etinilestradiol para facilitar o controle destes problemas.
- Muita atenção com remédios que podem diminuir a eficácia da sua pílula, tais como suplementos de vitamina C, antibióticos, antifúngicos (p.ex.: griseofulvina), rifampicina e anticonvulsivantes (com exceção do ácido valpróico).
- Diminuição do desejo sexual e sangramentos no começo ou no meio do ciclo também podem ser contornados com aumentos na dose de estrógeno. Mas cuidado: náuseas, vômitos, ganho periódico de peso, manchas no rosto (chamadas cloasma), e sensação de “engurgitamento” ou “hipersensibilidade” nos seios podem ser sinais de excesso de estrógenos. Daí a importância de garantir o emprego do seu gincolecologista.
- Se você sofre de enxaqueca, procure imediatamente seu médico de confiança para interromper a pílula.
- As pílulas anticoncepcionais contendo apenas progestógenos são uma boa alternativa para mulheres com mais de 45 anos de idade, fumantes, diabéticas, hipertensas, com enxaqueca ou em fase de aleitamento. Apesar de não serem tão eficazes quanto as pílulas combinadas contendo progestógenos + estrógenos, elas podem ser melhor que praticar abstinência sexual ou encher a casa de bocas famintas.
A pílula convencional é composta por uma dose pequena de Estrógeno e uma dose moderada de Progestógeno, dois hormônios femininos. O estrógeno mais utilizado é o Etinil-estradiol. O risco de efeitos colaterais está relacionado diretamente ao conteúdo de estrógenos da sua pílula, e não à duração do uso. A maioria das mulheres pode utilizar a pílula até os 50 anos de idade, tranqüilamente.
Todos os progestógenos são derivados da testosterona e, por isso, possuem alguns efeitos masculinizantes. Os progestógenos mais novos, como levonorgestrel (o mais utilizado), gestodeno e acetato de ciproterona, apresentam menos efeitos colaterais neste sentido.
Estudos mostram que a combinação de hormônios na pílula reduz a incidência de vários distúrbios, incluindo problemas menstruais, câncer e cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, tumores no endométrio, doenças benignas da mama e alterações na glândula tireóide. Em contrapartida, a pílula pode aumentar seu risco de trombose venosa, embolia pulmonar e ataque do coração. Mulheres que fumam e tomam pílula são consideradas um grupo de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, especialmente a partir dos 35 anos.
Toda mulher anseia pelo controle de sua vida, mas muitas andam por aí tomando pílula sem saber que estes hormônios adicionais podem dar um nó nas rédeas do seu destino. Por isso, anote aí algumas pegadinhas que podem ser úteis na sua próxima visita ao médico:
- Se você nunca tomou pílula, uma boa primeira escolha são os anticoncepcionais monofásicos, aqueles em que você toma um mesmo comprimido ao longo de toda a cartela. Inicie com uma dose diária de 20 a 30 microgramas de etinilestradiol.
- Prefira pílulas com altas doses de estrógeno (p.ex.: 50 microgramas) se você sofre de epilepsia ou apresenta problemas menstruais perturbadores. Se já lhe recomendaram exorcismo durante alguma menstruação, você pode estar neste grupo.
- O seu problema tem a ver com acne, ganho persistente de peso, dores nas mamas, depressão ou crescimento de pelos indesejáveis? Em alguns casos, basta escolher pílulas com baixas doses de progestógenos ou aumentar a dose de etinilestradiol para facilitar o controle destes problemas.
- Muita atenção com remédios que podem diminuir a eficácia da sua pílula, tais como suplementos de vitamina C, antibióticos, antifúngicos (p.ex.: griseofulvina), rifampicina e anticonvulsivantes (com exceção do ácido valpróico).
- Diminuição do desejo sexual e sangramentos no começo ou no meio do ciclo também podem ser contornados com aumentos na dose de estrógeno. Mas cuidado: náuseas, vômitos, ganho periódico de peso, manchas no rosto (chamadas cloasma), e sensação de “engurgitamento” ou “hipersensibilidade” nos seios podem ser sinais de excesso de estrógenos. Daí a importância de garantir o emprego do seu gincolecologista.
- Se você sofre de enxaqueca, procure imediatamente seu médico de confiança para interromper a pílula.
- As pílulas anticoncepcionais contendo apenas progestógenos são uma boa alternativa para mulheres com mais de 45 anos de idade, fumantes, diabéticas, hipertensas, com enxaqueca ou em fase de aleitamento. Apesar de não serem tão eficazes quanto as pílulas combinadas contendo progestógenos + estrógenos, elas podem ser melhor que praticar abstinência sexual ou encher a casa de bocas famintas.
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15 agosto 2014
OS MANDAMENTOS DA PESSOA
© Alessandro Loiola
Em 2015, a Assembléia Geral da ONU responsável pela famosa Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos.
Sete décadas!, e o país mais rico do mundo não possui um sistema de saúde público. Pode falar mal o quanto quiser do nosso SUS, mas pelo menos nós temos um SUS. Pobre, maltrapilho, míope-quase-cego e trôpego das pernas, mas ele está aí, de portas abertas para sua sorte ou azar.
Nos EUA, a sempre-candidata à presidência Hillary Clinton, esposa daquele outro envolvido no teste do bafômetro com uma estagiária, foi eleita senadora de Nova Iorque prometendo nada mais, nada menos, que um SUS para a Grande Maçã.
Promessas de políticos à parte, o SUS americano nunca aconteceu. Apesar do governo de lá investir muito mais que o daqui - o gasto per capta com saúde nos EUA é 10 vezes maior que o brasileiro -, a população americana recebe do Estado bem menos assistência em saúde.
A cada ano a desnutrição ceifa a vida de mais de 300.000 crianças com menos de 5 anos de idade e o continente considerado berço da humanidade ainda é assolado pelas mesmas tragédias de quando descemos das árvores. Epidemias, fome e violência sufocam a África há milênios, e não existem sinais de que estas mazelas irão diminuir tão cedo.
Por todos estes motivos e inspiradas pela ONU, diversas organizações elaboraram longas listas de direitos que deveriam ser democraticamente agraciados a todo e qualquer ser humano vivo.
Pensei oferecer minha modesta colaboração elaborando uma nova proposta dos deveres primordiais de todos nós. Chega de “direitos” e “liberdades” do ser humano, pensei. Precisamos de “obrigações” saudáveis.
Fiz questão de enumerar apenas 7 mandamentos, pois já existe uma outra excelente lista bíblica com 10 itens que pouca gente presta atenção. Quem sabe, reduzindo um pouco o número, alguém finalmente pare para refletir de verdade.
Então vamos lá: toda pessoa deve...
1.... Enfrentar as mudanças e as incertezas da vida sem medo, e enfrentar o medo com espírito prático e alegre. É preciso manter o senso de humor afiado para aceitar o inevitável maior: sua própria transitoriedade e de tudo que lhe cerca. Ou você acha que seu time do coração irá liderar o campeonato brasileiro para sempre? Tudo passa.
2.... Ser capaz de metabolizar os sentimentos negativos, como raiva, angústia e tristeza, transformado-os em motivação, harmonia, esperança e outros antídotos naturais para o negativismo estúpido.
3.... Ter um contato apenas suficiente com a realidade. Nem pouco demais, nem muito demais. Não estamos preparados para lidar com a realidade como ela é, nua e crua. A fantasia é essencial para garantir sua sobrevivência e a da espécie. Mantenha os pés no chão; a cabeça, nas nuvens - e sonhe bastante!
4.... Conhecer-se ao máximo. Só assim seremos capazes de reparar os danos em nós mesmos e nos nossos semelhantes. E você acha que se conhece? Pois então saiba que seu corpo pesa 40 vezes mais que seu cérebro; temos cerca de 3 sonhos por noite; uma criança faz em média mais de 300 perguntas por dia; as unhas das mãos crescem 4 vezes mais rápido que as dos pés; e seus olhos permanecem mais ou menos do mesmo tamanho desde o nascimento. O nariz e as orelhas, por outro lado, nunca param de crescer. Responda novamente: será que você se conhece mesmo ou anda apenas arranhando a superfície?
5.... Ser capaz e livre para compreender e corresponder às necessidades do grupo em que vive. A esta resposta atenciosa ao sofrimento do próximo chamamos de Bondade. Importante: a bondade que não nasce espontânea e desprendida de outros interesses pessoais não é bondade, é escambo.
6.... Ter a coragem de dizer “eu errei” e aprender com a experiência. Afinal, errar é humano. Colocar a culpa nos outros é sábio.
7.... Ser capaz de amar e ser amada. Sem este dever primordial, nós, reles mamíferos medíocres, jamais teríamos prosperado até aqui. Sem esta obrigação de laços, em um futuro cada vez mais próximo, nos tornaremos menos que uma lembrança na poeira deste planeta. Mas lembre-se: o amor mais verdadeiro nasce a partir do deslumbramento com sua própria vida. Encante-se!
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14 agosto 2014
OS ADOÇANTES E O FINAL DOS TEMPOS
© Dr. Alessandro Loiola
Existe uma fábula onde um menino muito travesso e entediado, colocado para vigiar algumas ovelhas, divertia-se gritando “Lobo ! Lobo !”. Quando os adultos da aldeia acudiam, armados até os dentes, o menino ria do trote. Assim que todos retornavam para suas casas, ele gritava “lobo !” novamente, e a cena se repetia.
Um belo dia, o socorro parou de vir. As pessoas estavam cansadas de cair sempre na mesma pegadinha. Nesse dia, o lobo apareceu de verdade. E o pobre menino gritou, chamou, cuspiu seus pulmões, “Lobo ! Lobo ! Lobo !!”, mas ninguém acudiu.
Vira e mexe, os especialistas gritam “Lobo !”. Anos atrás, o lobo era a guerra atômica que dizimaria a humanidade em frações de segundo, literalmente entregando o planeta às baratas. E então o lobo se transformou na inflação, no FMI e na dívida externa. E então, no desmatamento do pulmão do planeta e na perda da biodiversidade. Pois agora temos o lobo metamorfoseado em aquecimento global. Com promessa de falta d’água, crise na energia elétrica e catástrofes climáticas.
A cada década, as previsões do Apocalipse ganham um novo fôlego, se atualizando segundo o gosto da moda na última estação. Entretanto, para quem já usou kichute e aprendeu a ler em cartilhas, ouvir alguém gritando “lobo!” perdeu a graça. Banalizado, o anúncio do final do mundo está virando arroz de festa.
Por isso me surpreendi quando deparei com uma das manchetes mais comentadas nas últimas semanas, sobre um estudo publicado no jornal Behavioral Neuroscience concluindo que adoçantes a base de sacarina, ao invés de emagrecerem, engordam. Como pouca gente parou para ler exatamente do que se tratava, sobrou apenas o grito de lobo no ar: adoçante engorda!
Os adoçantes vivem ocupando manchetes estapafúrdias. Era de se esperar que ninguém mais prestasse atenção, mas não foi bem o que aconteceu. E haja saliva para explicar isso no consultório.
Para você ficar por dentro: a bendita pesquisa analisou dois grupos de ratos durante um certo período de tempo. Inicialmente, o primeiro grupo recebia uma dieta com adoçante e outro, com açúcar. Mais tarde, os dois grupos recebiam ração comum à vontade. Observou-se que o grupo do adoçante comia a ração em maior quantidade, tentando compensar a restrição de calorias, e terminou engordando mais que o grupo do açúcar.
A conclusão deveria ser que dietas muito restritivas desequilibram os centros reguladores da fome no cérebro. Estas dietas podem funcionar em um primeiro momento, mas não funcionam para sempre, e o peso perdido termina voltando com juros e correção monetária.
Infelizmente, não foi bem esta manchete que desembarcou na mídia. Chegou uma outra, esdrúxula, dizendo “Cientistas comprovam: adoçante engorda!”, ou alguma coisa do tipo. Foi a gota. A opinião pública começou a apontar seus dedos acusadores com a velha legenda “Tá vendo? Eu disse que essa porcaria fazia mal !”. Segurando suas tochas e bradando palavras de ordem - Queime no inferno, ciclamato, queime! -, algumas pessoas ameaçam ir até o centro da cidade linchar um caminhão de aspartame.
Ah, o que seria da vida sem esses camponeses...
Você quer ter medo da extinção em massa? Tenha medo do cigarro, que está envolvido em 18 dos 20 novos casos de câncer de pulmão diagnosticados no Brasil diariamente. E não precisa ser tabagista ativo não, viu? Fumante passivo também serve. Destes 18 felizes sorteados, 17 irão virar fumaça nos próximos 5 anos, a despeito do tratamento. O câncer pulmonar não é considerado um dos mais letais à toa.
Quer mesmo ter medo? Tenha medo do alcoolismo. O consumo de bebidas alcoólicas está envolvido em 20% dos acidentes automobilísticos, 24% dos assassinatos e 11% dos suicídios. Tudo que você precisa fazer é abrir a próxima latinha.
Quer ter medo? Deixe o vidro de adoçante de lado e preste mais atenção no saleiro e no sofá da sala. O consumo excessivo de sal e o sedentarismo podem resultar em pressão alta e doenças cardiovasculares, responsáveis pela morte de 32 pessoas por hora.
Antes que você me acuse de ser um fiel representante dos profetas do final dos tempos, fique sabendo que, mesmo com os tímpanos fadigados de tanto gritarem “lobo !” por aí, eu não desanimo. No próximo levante dos dândis da histeria coletiva, estou programando pegar minha mochila e sair para um passeio. Vou visitar o buraco na camada de ozônio e algumas ogivas nucleares. Os pobrezinhos andam tão esquecidos...
Existe uma fábula onde um menino muito travesso e entediado, colocado para vigiar algumas ovelhas, divertia-se gritando “Lobo ! Lobo !”. Quando os adultos da aldeia acudiam, armados até os dentes, o menino ria do trote. Assim que todos retornavam para suas casas, ele gritava “lobo !” novamente, e a cena se repetia.
Um belo dia, o socorro parou de vir. As pessoas estavam cansadas de cair sempre na mesma pegadinha. Nesse dia, o lobo apareceu de verdade. E o pobre menino gritou, chamou, cuspiu seus pulmões, “Lobo ! Lobo ! Lobo !!”, mas ninguém acudiu.
Vira e mexe, os especialistas gritam “Lobo !”. Anos atrás, o lobo era a guerra atômica que dizimaria a humanidade em frações de segundo, literalmente entregando o planeta às baratas. E então o lobo se transformou na inflação, no FMI e na dívida externa. E então, no desmatamento do pulmão do planeta e na perda da biodiversidade. Pois agora temos o lobo metamorfoseado em aquecimento global. Com promessa de falta d’água, crise na energia elétrica e catástrofes climáticas.
A cada década, as previsões do Apocalipse ganham um novo fôlego, se atualizando segundo o gosto da moda na última estação. Entretanto, para quem já usou kichute e aprendeu a ler em cartilhas, ouvir alguém gritando “lobo!” perdeu a graça. Banalizado, o anúncio do final do mundo está virando arroz de festa.
Por isso me surpreendi quando deparei com uma das manchetes mais comentadas nas últimas semanas, sobre um estudo publicado no jornal Behavioral Neuroscience concluindo que adoçantes a base de sacarina, ao invés de emagrecerem, engordam. Como pouca gente parou para ler exatamente do que se tratava, sobrou apenas o grito de lobo no ar: adoçante engorda!
Os adoçantes vivem ocupando manchetes estapafúrdias. Era de se esperar que ninguém mais prestasse atenção, mas não foi bem o que aconteceu. E haja saliva para explicar isso no consultório.
Para você ficar por dentro: a bendita pesquisa analisou dois grupos de ratos durante um certo período de tempo. Inicialmente, o primeiro grupo recebia uma dieta com adoçante e outro, com açúcar. Mais tarde, os dois grupos recebiam ração comum à vontade. Observou-se que o grupo do adoçante comia a ração em maior quantidade, tentando compensar a restrição de calorias, e terminou engordando mais que o grupo do açúcar.
A conclusão deveria ser que dietas muito restritivas desequilibram os centros reguladores da fome no cérebro. Estas dietas podem funcionar em um primeiro momento, mas não funcionam para sempre, e o peso perdido termina voltando com juros e correção monetária.
Infelizmente, não foi bem esta manchete que desembarcou na mídia. Chegou uma outra, esdrúxula, dizendo “Cientistas comprovam: adoçante engorda!”, ou alguma coisa do tipo. Foi a gota. A opinião pública começou a apontar seus dedos acusadores com a velha legenda “Tá vendo? Eu disse que essa porcaria fazia mal !”. Segurando suas tochas e bradando palavras de ordem - Queime no inferno, ciclamato, queime! -, algumas pessoas ameaçam ir até o centro da cidade linchar um caminhão de aspartame.
Ah, o que seria da vida sem esses camponeses...
Você quer ter medo da extinção em massa? Tenha medo do cigarro, que está envolvido em 18 dos 20 novos casos de câncer de pulmão diagnosticados no Brasil diariamente. E não precisa ser tabagista ativo não, viu? Fumante passivo também serve. Destes 18 felizes sorteados, 17 irão virar fumaça nos próximos 5 anos, a despeito do tratamento. O câncer pulmonar não é considerado um dos mais letais à toa.
Quer mesmo ter medo? Tenha medo do alcoolismo. O consumo de bebidas alcoólicas está envolvido em 20% dos acidentes automobilísticos, 24% dos assassinatos e 11% dos suicídios. Tudo que você precisa fazer é abrir a próxima latinha.
Quer ter medo? Deixe o vidro de adoçante de lado e preste mais atenção no saleiro e no sofá da sala. O consumo excessivo de sal e o sedentarismo podem resultar em pressão alta e doenças cardiovasculares, responsáveis pela morte de 32 pessoas por hora.
Antes que você me acuse de ser um fiel representante dos profetas do final dos tempos, fique sabendo que, mesmo com os tímpanos fadigados de tanto gritarem “lobo !” por aí, eu não desanimo. No próximo levante dos dândis da histeria coletiva, estou programando pegar minha mochila e sair para um passeio. Vou visitar o buraco na camada de ozônio e algumas ogivas nucleares. Os pobrezinhos andam tão esquecidos...
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13 agosto 2014
A RAÇÃO DE EINSTEIN
O plantão não estava corrido quando a pediatra do andar de cima veio para uma visita-desabafo. Ofereci a cadeira, um sorriso e dois ouvidos.
- Você não vai acreditar. Olha só.
E desfiou o causo da menina atendida há pouco com uma senhora crise alérgica. Apesar dos 8 cachorros criados dentro de casa, a mãe fez questão de frisar: “já rodamos todos os testes possíveis e ela não tem alergia aos cachorrinhos, não. Inclusive, todos eles são muito bem tratados, vacinados e alimentados sempre com ração de primeira qualidade”.
O quase-atrito teve início quando a colega preencheu a receita, com uma coletânea de remédios nada em conta:
- Doutora, mas isso vai ficar caro! E eu ando tão apertada de dinheiro...
A pediatra não se conteve e soltou a pérola óbvia:
- Mas... e o dinheiro para comprar a ração de primeira qualidade para todos aqueles cachorrinhos? Esse dinheiro não falta, né?
Hum, golpe baixo não vale. Além do quê, sei muito bem onde essa conversa leva: a lugar algum. Justamente porque este tipo de esclarecimento vai contra a famosa frase de Einstein, proferida lá pelos idos de 1940 e qualquer coisa: “existem apenas duas coisas infinitas - o Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo”.
Naquele dia, a frase do velho Albert foi representada por uma ração para cachorros – ou para crianças, melhor dizendo. Triste, muito triste. Há várias décadas, seguimos alimentando o grosso das gerações futuras com este prato, a ração da estupidez de Einstein. O consumo antes do desenvolvimento, o poder no lugar do afeto, a aparência em prol do conteúdo.
Os ingredientes desta ração estão recheando o futuro com problemas de um gosto bem amargo: 1/3 das crianças e 1 em cada 8 adolescentes sofrem de depressão, tornando o suicídio uma das 10 causas mais comuns de mortes na população abaixo dos 15 anos de idade.
Cerca de 5% das crianças entre 7-11 anos de idade apresentam distúrbios da ansiedade e mais de 10% estão acima do peso. Aproximadamente 15% dos adolescentes fazem uso sistemático de alguma droga (lícita ou ilícita), e os sintomas da síndrome do pânico afetam 1 de cada 20 destes projetos de adultos. Bom, pelo menos para os psiquiatras, as próximas décadas prometem ser divertidíssimas.
Fora das estatísticas, as conseqüências da Ração de Einstein podem ser percebidas em outros sintomas. Por exemplo: o sujeito tem um quintal cheio de lama e limo. Os anos se passam e ele nem para enterrar uma semente de mamão, tomate, abacate, goiaba, cebolinha ou qualquer coisa que valha. Vivemos em um país excepcional, com frutas da época brotando aos montes em todas as épocas do ano. Mas quem tem tempo de plantar uma sementinha? Quase ninguém. Afinal, o pouco tempo que sobra é invariavelmente gasto com latinhas de cerveja, programas de auditório e bordões de incentivo para o futebol nas quartas-feiras. E tome um prato cheio da ração de Einstein.
O mesmo amigo, esse da casa sem frutas ou rede de esgoto, tem 5 filhos e 3 cachorros. Por que não 3 galinhas no lugar dos caninos? Primeiro: cachorro não bota ovo. Segundo: tirando alguns coreanos, não creio que alguém mais curta um delicioso ensopado de Rex com Totó aos domingos. Terceiro: se o bendito não tem tempo de acompanhar sequer o dever de casa das crianças, que diabos está fazendo criando 3 vira-latas? Olha aí, outra tigela da ração.
Felizmente, para os bons gourmets, é possível contornar a indigestão e optar por um prato mais saboroso. Podemos tomar outro caminho, um caminho mais de acordo com nossa capacidade de pensar. Um caminho onde a hipocrisia não é um condimento salpicado no arroz com feijão, e nossas crianças não recebem diariamente uma ração insossa de vícios e idéias empoeiradas.
A cada novo dia, a cada novo encontro com um ser humano, somos presenteados com a incrível oportunidade de criar um universo inédito, muito aquém da panela de estupidez profetizada por Einstein. Para preparar a refeição do futuro, repleta de cordialidade, ternura e altruísmo, só precisamos fazer uma única coisa extraordinária: escolher os ingredientes com inteligência.
Como você anda temperando sua vida?
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12 agosto 2014
Fumar durante a gravidez pode afetar o comportamento da criança mais tarde?
©
Dr. Alessandro Loiola
O fato do cigarro poder causar má-formações no bebê é um dado bastante conhecido, mas será que a exposição gestacional ao tabagismo poderia afetar também o comportamento da criança mais tarde?
Utilizando imagens de Ressonância Nuclear Magnética (RNM), pesquisadores do Central Institute of Mental Health (Universidade de Heidelberg, Alemanha) descobriram que adultos jovens cujas mães fumavam durante a gestação apresentavam baixa atividade em regiões do cérebro envolvidas com o controle da impulsividade. Estas alterações são semelhantes àquelas observadas em indivíduos com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
O estudo envolveu 178 mulheres e seus respectivos bebês, que foram acompanhados desde o nascimento. Catorze mulheres gestantes (7,9% do total) relataram fumar 1 a 5 cigarros por dia; 24 (13,5%) fumaram mais que 5 cigarros por dia, e o restante não era tabagista (78,7%). As crianças cresceram e aos 25 anos foram submetidas a uma série de RNM. Em todas elas, a presença de sintomas de TDAH foi avaliada dos 2 aos 15 anos de idade.
Adultos com história de exposição ao tabaco durante a gestação apresentaram mais sintomas de TDAH entre os 2 e 15 anos de idade em comparação às crianças cujas mães não fumaram.
As alterações cerebrais que o cigarro provoca no bebê comprometem o bom funcionamento neural em regiões estratégicas, dificultando o aprendizado e favorecendo o desenvolvimento de comportamentos impulsivos na idade adulta – como o consumo de drogas, por exemplo.
Vale a reflexão.
O fato do cigarro poder causar má-formações no bebê é um dado bastante conhecido, mas será que a exposição gestacional ao tabagismo poderia afetar também o comportamento da criança mais tarde?
Utilizando imagens de Ressonância Nuclear Magnética (RNM), pesquisadores do Central Institute of Mental Health (Universidade de Heidelberg, Alemanha) descobriram que adultos jovens cujas mães fumavam durante a gestação apresentavam baixa atividade em regiões do cérebro envolvidas com o controle da impulsividade. Estas alterações são semelhantes àquelas observadas em indivíduos com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
O estudo envolveu 178 mulheres e seus respectivos bebês, que foram acompanhados desde o nascimento. Catorze mulheres gestantes (7,9% do total) relataram fumar 1 a 5 cigarros por dia; 24 (13,5%) fumaram mais que 5 cigarros por dia, e o restante não era tabagista (78,7%). As crianças cresceram e aos 25 anos foram submetidas a uma série de RNM. Em todas elas, a presença de sintomas de TDAH foi avaliada dos 2 aos 15 anos de idade.
Adultos com história de exposição ao tabaco durante a gestação apresentaram mais sintomas de TDAH entre os 2 e 15 anos de idade em comparação às crianças cujas mães não fumaram.
As alterações cerebrais que o cigarro provoca no bebê comprometem o bom funcionamento neural em regiões estratégicas, dificultando o aprendizado e favorecendo o desenvolvimento de comportamentos impulsivos na idade adulta – como o consumo de drogas, por exemplo.
Vale a reflexão.
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CEFALEIA TENSIONAL
© Dr. Alessandro Loiola
Se existe uma coisa admirável nos
cientistas médicos é a capacidade que eles têm de contabilizar tudo, quase como
se cultivassem um fetiche por porcentagens e estatísticas. Por exemplo: estudos
recentes calcularam que, dos 6 bilhões de seres humanos neste planeta, 25%
apresentam algum transtorno psiquiátrico, 3% são levemente retardados e 1%
sofre de esquizofrenia franca. Uma conta dessas só pode ser coisa de doido.
Algumas vezes, as estatísticas se
referem a dados que, em última análise, parecem completamente inúteis: uma
pesquisa da American Academy of Emergency Medicine calculou que o cidadão médio
possui um risco de 30% de morte por infarto fulminante. E daí? Segundo minha
modesta matemática, o risco de uma pessoa morrer por qualquer outra causa ao longo
da vida é de 100%. No final, o motivo derradeiro não passará de pura burocracia
para preencher papéis.
O resultado de uma outra pesquisa
que recebi por email revelava que, depois de fazer sexo selvagem, 10% dos
homens se viram para o lado direito, 10% se viram para o lado esquerdo e os 80%
restantes se viram para chegar em casa antes que a patroa perceba. Esse sim, um
dado sociológico chauvinista de extrema relevância.
Mapa da mina
Mas muitas dessas estatísticas
possuem aplicações verdadeiramente úteis, como auxiliar na definição de
políticas de saúde pública, elaborar orientações para facilitar o diagnóstico e
tratamento de certos distúrbios, e – principalmente e acima de tudo – servir de
mapa para que a indústria farmacêutica desenvolva novos medicamentos.
Um bom exemplo deste último
emprego da ciência: sabendo que, anualmente, cerca de 90% dos homens e 95% das
mulheres sofrem de pelo menos um episódio de dor de cabeça (38% dos adultos do
mundo apresentarão uma crise ainda nas próximas duas semanas), os laboratórios
lançam periodicamente campanhas milionárias para apresentação do analgésico
definitivo ou do antiinflamatório mais eficaz de todos os tempos.
Atalhos
Algumas vezes, apertam um pouco o
passo e começam a vender um medicamento cujos testes de segurança não foram
completamente concluídos, mas qual o problema? Algumas centenas de pessoas
cujos rins pararam de funcionar em razão daquela droga mal-sucedida não
comprometerão toda a margem de lucro. E ano que vem a gente apresenta uma nova
droga e tudo se esquece.
O triste é perceber que as
pessoas anseiam por este tipo de atalho para saúde. Não querem compromissos,
apenas um atalho. Esse é bem o caso da própria dor de cabeça – chamada de
cefaléia no jargão médico. Todo mundo parece adorar um remédio para dor de
cabeça, mas o problema pode representar a manifestação de distúrbios graves
como sinusite, crise hipertensiva ou disfunção da coluna vertebral, que devem
ser tratados com uma seriedade maior que uma simples aspirina.
Tensão excessiva
A cefaléia tensional, o tipo mais
comum de dor de cabeça, costuma estar relacionada ao estresse, fadiga,
depressão e personalidade perfeccionista. A causa está na tensão excessiva da
musculatura da região cervical. Tipicamente, a dor é diária e mais intensa na
região frontal ou occipital, podendo durar de algumas horas a vários dias. A
dor se inicia logo pela manhã, ao sair da cama, e vai piorando ao longo do dia.
O diagnóstico é feito por meio do exame médico.
Se você sofre de crises
recorrentes de cefaléia tensional, existem algumas medidas práticas que você
pode empregar antes de rechear seu estômago com pílulas de ultima geração: faça
compressas mornas nos pontos dolorosos localizados no pescoço e na cabeça.
Exercícios físicos de alongamento
para as costas e massagens realizadas por profissionais treinados também ajudam
a resolver o problema, assim como não pular refeições, manter um padrão
satisfatório de sono, aprender a lidar melhor com o estresse e utilizar
antiinflamatórios naturais de eficácia comprovada, como o chá de folhas de
algodão.
Efeito colateral
Atenção para o fato de que alguns
remédios e substâncias podem causar dores de cabeça como efeito colateral. A
lista inclui álcool, codeína, metildopa, beta-bloqueadores (p.ex.: atenolol),
hidralazina, reserpina, bloqueadores de canais de cálcio (p.ex.: nifedipina),
corticóides, ranitidina, indometacina, anticoncepcionais orais e nitratos
sublinguais (muito utilizados para tratamento de crises de angina).
Apesar de mais de 95% dos casos
de cefaléia não possuírem uma causa básica grave, alguns sintomas podem indicar
a necessidade de uma ida mais rápida ao médico, tais como uma dor muito intensa
ou severa (com ou sem rigidez de nuca), dor iniciada após uma pancada forte na
cabeça, ou dor associada à febre, convulsão, confusão mental, perda da
consciência ou desconforto nos olhos ou ouvidos, e dor capaz de interferir nas
atividades do dia a dia.
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06 agosto 2011
OS 9 TIPOS PRINCIPAIS DE RELACIONAMENTOS
© Dr. Alessandro Loiola
Sou um cara nascido e criado no século passado. Então, quando retornei ao mercado de carnes da Selva de Pedra, levei algum tempo para enteder como os relacionamentos estavam funcionando.
Felizmente, depois de alguns meses revendo os parâmetros mais modernos de psicologia comportamental, percebi um certo padrão que tornou possível elaborar uma lista com os 9 Tipos Principais de Affairs - que lhe passo a seguir:
(ATENÇÃO: as categorias são intercambiáveis e, em algumas rodas, mais de um participante pode ser necessário para q vc avance até o nível seguinte)
1 – TAMO AÍ: vc não está só, nem faz questão de estar com uma companhia. Sacomekieh, Claudia? O que acontecer, tá valendo. Vc tá aí. Na selva.
2 – PEGUETE: pois justamente quando vc tava aí, vcs se encontraram numa árvore qualquer e rolou um clima. Vcs deram um pega e cada um seguiu sua trilha.
3 – FICANTE: vc gostou do pega e marcou de novo. “Onde vc vai com sua manada? Então vou passar lá com a minha e a gente tipo se encontra e tals”. Importante: nesta etapa, a emissão de sinais de fumaça que lembrem compromisso pode dar urticária.
4 – ENROLADOS: não bastou a segunda vez e vcs estão marcando sem os amigos em comum por perto. Apesar do risco de urticária, vcs dois acham q de repente uma coçadinha assim de leve não mata ninguém.
5 – ALGUÉM FIXO: tudo bem, os amigos (certamente) e os pais (talvez) do seu enrolo já sabem que você existe. Vá até a clareira mais próxima, respire sem desespero e veja se saiu alguma bolha pruriginosa nas axilas.
6 – NAMORADOS: os pais não só sabem como te mandam recado ("mamãe pediu pra dizer q mandou um abraço pra vc"). Ainda lembra o caminho até a clareira? Òtimo.
7 – NOIVOS: talvez vc esteja se perdendo na mata e isso pode ser bom – ou não. Poucas plantas irão causar alguma reação alérgica a partir de agora.
8 – CONJUGE: vc voluntariamente queimou a bússola e comeu o mapa. Nem as estrelas vão ajudar. Clareira, q clareira? Urticária? Vc precisaria de pele pra ter isso, mas ela já foi arrancada na etapa anterior.
9 – SEPARADO(A): após algum (ou muito tempo) sem se coçar e comendo apenas a farinha da tribo, vc decidiu que era hora de voltar a seguir qualquer caminho no meio da selva. Afinal, quem quer saber de mapas ou clareiras? Mas então, enquanto vc confortavelmente tava por aí depois de ter completado seu script ecológico, alguém apareceu e rolou um pega.
E segue o ciclo.
Sou um cara nascido e criado no século passado. Então, quando retornei ao mercado de carnes da Selva de Pedra, levei algum tempo para enteder como os relacionamentos estavam funcionando.
Felizmente, depois de alguns meses revendo os parâmetros mais modernos de psicologia comportamental, percebi um certo padrão que tornou possível elaborar uma lista com os 9 Tipos Principais de Affairs - que lhe passo a seguir:
(ATENÇÃO: as categorias são intercambiáveis e, em algumas rodas, mais de um participante pode ser necessário para q vc avance até o nível seguinte)
1 – TAMO AÍ: vc não está só, nem faz questão de estar com uma companhia. Sacomekieh, Claudia? O que acontecer, tá valendo. Vc tá aí. Na selva.
2 – PEGUETE: pois justamente quando vc tava aí, vcs se encontraram numa árvore qualquer e rolou um clima. Vcs deram um pega e cada um seguiu sua trilha.
3 – FICANTE: vc gostou do pega e marcou de novo. “Onde vc vai com sua manada? Então vou passar lá com a minha e a gente tipo se encontra e tals”. Importante: nesta etapa, a emissão de sinais de fumaça que lembrem compromisso pode dar urticária.
4 – ENROLADOS: não bastou a segunda vez e vcs estão marcando sem os amigos em comum por perto. Apesar do risco de urticária, vcs dois acham q de repente uma coçadinha assim de leve não mata ninguém.
5 – ALGUÉM FIXO: tudo bem, os amigos (certamente) e os pais (talvez) do seu enrolo já sabem que você existe. Vá até a clareira mais próxima, respire sem desespero e veja se saiu alguma bolha pruriginosa nas axilas.
6 – NAMORADOS: os pais não só sabem como te mandam recado ("mamãe pediu pra dizer q mandou um abraço pra vc"). Ainda lembra o caminho até a clareira? Òtimo.
7 – NOIVOS: talvez vc esteja se perdendo na mata e isso pode ser bom – ou não. Poucas plantas irão causar alguma reação alérgica a partir de agora.
8 – CONJUGE: vc voluntariamente queimou a bússola e comeu o mapa. Nem as estrelas vão ajudar. Clareira, q clareira? Urticária? Vc precisaria de pele pra ter isso, mas ela já foi arrancada na etapa anterior.
9 – SEPARADO(A): após algum (ou muito tempo) sem se coçar e comendo apenas a farinha da tribo, vc decidiu que era hora de voltar a seguir qualquer caminho no meio da selva. Afinal, quem quer saber de mapas ou clareiras? Mas então, enquanto vc confortavelmente tava por aí depois de ter completado seu script ecológico, alguém apareceu e rolou um pega.
E segue o ciclo.
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03 agosto 2011
OS HOMENS E OS FANTASMAS DOS MITOS SEXUAIS
© Alessandro Loiola
Nada de Marilyn Monroe, Cléo Pires ou Angelina Jolie. Não é sobre esses mitos sexuais que nós vamos falar. Vamos conversar um pouco sobre aquelas coisas que você sempre quis perguntar mas tinha vergonha de ouvir alguém respondendo: os famosos mitos sobre o sexo.
Como isso aqui hoje é uma crônica de machos, que venha o primeiro mito: afinal, tamanho é documento? Porque se fosse assim, o elefante seria o rei da selva e sua carteira de identidade mediria pelo menos um metro e meio de altura, certo? Nem tanto, e esta pode ser uma verdade dura para alguns de nós.
Os homens costumam fazer uma tabela de equivalência entre sua masculinidade e o tamanho do órgão copulador. Nessa tabela, o macho top de linha é aquele sujeito com uma tromba capaz de fazer qualquer mamute corar de vergonha no meio da manada.
Pura bobagem. Pesquisas revelaram que o tamanho médio do pênis varia de 6-8 cm (em repouso) a 12-16 cm (pronto para o ataque). Além disso, a vasta maioria dos casais envolvidos em relacionamentos maduros, longos e estáveis, concorda que o tamanho do pênis não importa tanto assim. É o tamanho do contra-cheque que faz a diferença.
Outro mito, bastante freqüente, também diz respeito ao pênis. Mais especificamente, à sua performance. É quase como se houvesse uma tirania do órgão sobre seu possuidor: na cama, o sujeito só vale por aquilo que traz entre as pernas. Errado novamente.
Vários livros, incluindo o best-seller “She Comes First”, de Ian Kerner, mostram que menos de 1/3 das mulheres atinge o orgasmo durante o intercurso sexual. Em comparação, mais de 80% delas é capaz de chegar ao clímax através do sexo oral. Vale o alerta: seja mais carinhoso e criativo, e tome cuidado com cafezinhos muito quentes.
Falando em mulheres, devemos um dos mitos sexuais femininos mais famosos ao médico alemão Dr. Ernst Grafenberg. Na década de 1970, os estudos do Dr. Grafenberg levaram a descoberta de um ponto erótico batizado de Ponto G. Reza o mito que este ponto, localizado logo atrás da pube, seria capaz de catalisar orgasmos femininos espetaculares. Imagino que a popularização desta teoria tenha resultado em tardes bem animadas no consultório de Ernst, mas a real existência do ponto G ainda é motivo de controvérsias.
O fato é que o sexo deve ser encarado como o processo dinâmico de encaixe de várias partes em uma unidade e vice-versa, com intenções mútuas de prazer, e não como a busca por um único ponto específico, seja ele G, H, I ou o raio que o parta. Se você tem tara por pontos, poupe o tempo dela, pegue uma folha de papel e uma caneta e vá divertir-se desenhando reticências em um canto da sala. Na manhã seguinte, marque um psicólogo.
A infinidade de zonas erógenas a serem exploradas no corpo de uma mulher poderia dar origem a vários volumes de uma enciclopédia. Ou a um novo período de grandes navegações ao redor do globo. Exatamente por isso, os homens se preocupam sobre a duração do sexo. O rala e rola tem que durar tempo suficiente para pelo menos uma voltinha no Mediterrâneo ou uma rápida incursão na Polinésia. E aí, como um tsunami desgraçando a nau, surge o fantasma da ejaculação precoce.
A ejaculação precoce afeta 20-30% dos homens em todas as faixas etárias. Todavia, é difícil determinar o que é a ejaculação precoce. Pesquisas em laboratório mostram que até mesmo indivíduos capazes de fazer o intercurso durar mais de 20 minutos acham que sofrem do problema. No final das contas, o pulo do gato está na percepção que cada um tem do próprio desempenho.
Segundo dados publicados no Journal of Sexual Medicine, em 2005, o tempo médio de uma relação sexual é de 5-7 minutos, sendo 2 minutos o parâmetro científico para diagnosticar a ejaculação precoce. Ou seja: se após 2 minutos de aquecimento dos motores o sujeito já está acenando com a bandeirada final, então ele pode estar sofrendo do distúrbio.
Felizmente, a ejaculação precoce é um problema tratável e tem uma interpretação darwinista construtiva: se cada homem deste planeta levasse mais de 1 hora para atingir o orgasmo, seríamos uma raça bem, bem menos numerosa.
As dúvidas e os mitos sobre sexo não caberiam todos em uma crônica apenas, você sabe disso. A lição que deve ficar aqui é a seguinte: o sexo não é algo que ocorre suave e naturalmente como um passeio de mãos dadas durante o entardecer em um filme da Disney. Sexo é uma viagem ao desconhecido, um curso vitalício de educação continuada. Vez ou outra você levará bomba em uma matéria. Mas desde que mantenha o interesse e a dedicação, os créditos estarão a seu favor.
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13 julho 2011
O CALENDÁRIO E A PEDRA BRANCA
© Alessandro Loiola
- Ei, você já embarcou? – diz a voz feminina do outro lado da ligação. Apesar do barulho no saguão e do zumbido da máquina de café expresso na minha frente, a voz é familiar.
- Não, nem entrei no avião. Tô aqui esperando um capuccino.
- Onde?
- Na lanchonete do aeroporto.
- Então espera, tô chegando aí.
E ela chegou. Linda como sempre, o nervosismo discretamente preso na coleira de um sorriso bastante honesto.
- Quanto tempo, hein?
- Pois é, menina. Anos. Passaram voando. Mais um pouco e pousavam aqui.
- Vim porque precisava te pagar uma dívida: ficamos devendo um abraço um ao outro da última vez.
- Não foi por culpa minha.
- É, eu sei. Aprendi isso com você.
- O que? Que nunca é culpa minha?
- Não, bobo. A aproveitar meus abraços quando eles aparecem. Pode demorar tempo demais até conseguir colher a próxima oportunidade. Ah, e isso nos leva ao segundo motivo de estar aqui hoje. Precisava te entregar isso também. – e retirou da bolsa uma pequena pedra branca.
- Mas o quê... ?
- É uma pedra branca, ora. Lembra? Você ficou de me contar essa história...
Pois terminamos trocando mais uma meia dúzia de duas palavras, a moça do alto-falante anunciou meu vôo, paguei a dívida do abraço e embarquei de volta para São Paulo com a pedra branca no bolso. E não contei a história. Puxa vida, esqueci e terminei não contando a história. Por isso, aqui vai o conto do Calendário e a Pedra Branca. Assim, quem sabe, pago minha dívida com ela e você ganha um mimo por tabela:
Tudo começa com as duas explicações possíveis para a origem da palavra Calendário. A primeira versão, mais oficial, afirma que nos tempos antigos os meses romanos se iniciavam em cada lua nova. No primeiro dia da lua nova, chamado dia das calendas (“calendae”), um alto representante da religião vigente informava as celebrações daquele mês. Nessa época, termo “calendarium” surgiu para designar o livro de contas onde eram marcados os dias entre uma calendas e a próxima.
A segunda explicação traz uma boa dose de mito, mas é infinitamente mais poética. Diz a lenda que os romanos possuíam o hábito de marcar o intervalo entre as calendas utilizando carreiras de pedras ou pequenos seixos. Após um determinado número de seixos, era hora de pagar os impostos e executar os ritos religiosos.
Acontece que, eventualmente, no meio daquela carreira de seixos, havia uma data especial a ser celebrada. O nascimento de um filho ou o amor e a união de um casal. Datas especiais como essas deveriam ser diferenciadas dos demais seixos que marcavam a mera sucessão de dias. Essas datas mereciam uma pedra diferente. Uma pedra branca – que, por um detalhe geológico (facilidade de acesso às jazidas na região), costumavam ser de cal.
E por isso, por volta desta mesma época, Plínio, militar e historiador romano, cunhou a célebre frase “Albo lapillo notare diem”. Traduzindo: Marcar cada dia com uma pedra branca. Cada dia. Excelente, não?
Não se deve marcar um dia ou outro com uma pedra branca, mas sim TODOS os dias. Todos os dias são especiais, valiosos e insubstituíveis de uma forma ou de outra. E se você marcar todos os dias com uma pedra branca, em breve formará uma longa sequência de pedras de CAL. Um CALendário.
A verdade por trás dessa pequena parábola é profundamente modificadora. Vivemos assombrados pelo passado e demasiadamente preocupados com planos para o futuro – e nos esquecemos de colher o dia. Não temos tempo para procurar e espalhar nossas pedras brancas pelo presente. E o presente nada mais é que isto mesmo que o nome diz: um presente. Que deve ser colhido e cuidadosamente marcado como uma lembrança especial, um dia após o outro.
Quem ou o que será sua pedra branca hoje?
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31 janeiro 2011
SAÚDE NO MERCADO
© Dr. Alessandro Loiola
Existe um ditado, oriental eu acredito, que diz que o ser humano é uma espécie estranha: passa metade da vida gastando a saúde para ganhar dinheiro, e então a outra metade gastando o dinheiro para ver se recupera a saúde. Por experiência própria nos ambulatórios da vida, posso lhe dizer que a primeira metade costuma funcionar. Agora, quanto à segunda...
O segredo do sucesso nesta vida não está no que você possui, mas por quanto tempo vai ter aquilo. Afinal de contas, o que todo mundo gostaria mesmo de fazer antes de partir dessa para outra é ficar beeeem velhinho - alguma coisa por volta dos 140 anos, segundo meus modestos cálculos. Mais do que 140 poderia ser interpretado como ganância. Cento e quarenta está de bom tamanho.
Um dos pontos básicos para ter uma caminhada tão longa está na alimentação. E uma alimentação saudável tem início com a escolha de ingredientes saudáveis: se a sua geladeira está recheada de frutas e vegetais frescos, sem dúvida alguma será mais fácil manter aquela dieta em dia e evitar as tentações hipercalóricas.
Para melhorar sua performance na seção de horti-fruti e garantir uma vida longa e produtiva, tente fazer o seguinte:
- As seções de guloseimas são planejadas para sedução. Desde as embalagens até a disposição dos produtos nas prateleiras, todas as iscas estão lá para fisgar sua gula. Se você não tem a força de vontade mais ferrenha deste mundo, um modo de não forrar a sacola de compras com barras de 5 kg de chocolate é simplesmente não aventurar-se fora da seção de frutas, verduras e legumes. Se isso for possível.
- Alimente-se antes de sair para as compras e leve sempre sua lista: corte o estímulo de compras que vem do estômago fazendo um lanche rápido antes mesmo de entrar no supermercado. E ter uma lista previamente elaborada no conforto de casa, de preferência após encher a pança com aquele café da manhã ou almoço, é o complemento ideal para evitar tropeços.
- Sempre lhe disseram que aparência não conta, o que vale é o interior. Mas não leve essa regra ao pé da letra ao escolher vegetais e frutas: prefira aqueles com aparência mais fresca, firme e jovem. Cachos de uvas e caixas de morango podem estar recheados com mofo. Escolha com calma, examine, observe, leve os legumes para tomar um capuccino e converse com eles. E compre apenas a quantidade suficiente para alguns dias ou uma semana.
- Se o supermercado possui uma padaria, aproveite para comprar pães integrais ao invés daqueles feitos apenas com farinhas refinadas.
- As frutas merecem destaque: produzidas pela natureza após milhões de anos de testes, com embalagens biodegradáveis e nutrientes cuidadosamente selecionados, as frutas devem estar no topo da sua lista. Elas possuem a quantidade ideal de calorias em um pacote que inclui vitaminas, sais minerais, antioxidantes e fitoquímicos extremamente benéficos para o seu organismo. Veja a seguir 5 bons exemplos de como as frutas podem ajudar a prolongar seus anos por aqui:
1) MANGA: originária do Sudeste da Ásia, a manga é rica em beta-caroteno, uma fonte indireta de vitamina A, capaz de melhorar a defesa e a saúde da pele, olhos, mucosas, dentes, unhas e cabelos, além de aumentar a resistência para doenças respiratórias (especialmente em crianças). As mangas também são uma excelente fonte de vitamina C, fibras, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e empregos para a indústria de fio dental.
2) MELANCIA: pobre em caloria, constituída por 90% de água e rica em licopeno (uma substância capaz de promover a saúde do coração e reduzir o risco de tumores), a melancia também é uma boa fonte de beta-caroteno, vitamina A, B e C, ferro, cálcio e fósforo. Possui propriedades digestivas e auxilia na eliminação de substâncias tóxicas pelos rins.
3) TANGERINA: também conhecida por aí como mexerica, esta fruta cítrica de origem asiática é uma ótima fonte de vitamina A e beta-criptoxantina, capaz de ajudar a reduzir a inflamação da artrite. A tangerina também possui grandes quantidades de luteína (importante para a boa visão) e fibras (que auxiliam o processo digestivo).
4) MAMÃO: originário do sul do México, o mamão é rico em antioxidantes, folato, sais minerais, vitaminas A, B e C. A papaína, uma enzima presente em grandes quantidades no mamão, atua auxiliando na absorção de nutrientes de outros alimentos.
5) UVA: introduzida no Brasil na época da colonização portuguesa, a uva é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo. Rica em sais minerais, vitamina B e C, a uva também possui uma elevada concentração de resveratrol, um potente antioxidante natural. Pesquisas mostram que o extrato obtido das sementes possui propriedades antialérgicas e antiinflamatórias.
Existe um ditado, oriental eu acredito, que diz que o ser humano é uma espécie estranha: passa metade da vida gastando a saúde para ganhar dinheiro, e então a outra metade gastando o dinheiro para ver se recupera a saúde. Por experiência própria nos ambulatórios da vida, posso lhe dizer que a primeira metade costuma funcionar. Agora, quanto à segunda...
O segredo do sucesso nesta vida não está no que você possui, mas por quanto tempo vai ter aquilo. Afinal de contas, o que todo mundo gostaria mesmo de fazer antes de partir dessa para outra é ficar beeeem velhinho - alguma coisa por volta dos 140 anos, segundo meus modestos cálculos. Mais do que 140 poderia ser interpretado como ganância. Cento e quarenta está de bom tamanho.
Um dos pontos básicos para ter uma caminhada tão longa está na alimentação. E uma alimentação saudável tem início com a escolha de ingredientes saudáveis: se a sua geladeira está recheada de frutas e vegetais frescos, sem dúvida alguma será mais fácil manter aquela dieta em dia e evitar as tentações hipercalóricas.
Para melhorar sua performance na seção de horti-fruti e garantir uma vida longa e produtiva, tente fazer o seguinte:
- As seções de guloseimas são planejadas para sedução. Desde as embalagens até a disposição dos produtos nas prateleiras, todas as iscas estão lá para fisgar sua gula. Se você não tem a força de vontade mais ferrenha deste mundo, um modo de não forrar a sacola de compras com barras de 5 kg de chocolate é simplesmente não aventurar-se fora da seção de frutas, verduras e legumes. Se isso for possível.
- Alimente-se antes de sair para as compras e leve sempre sua lista: corte o estímulo de compras que vem do estômago fazendo um lanche rápido antes mesmo de entrar no supermercado. E ter uma lista previamente elaborada no conforto de casa, de preferência após encher a pança com aquele café da manhã ou almoço, é o complemento ideal para evitar tropeços.
- Sempre lhe disseram que aparência não conta, o que vale é o interior. Mas não leve essa regra ao pé da letra ao escolher vegetais e frutas: prefira aqueles com aparência mais fresca, firme e jovem. Cachos de uvas e caixas de morango podem estar recheados com mofo. Escolha com calma, examine, observe, leve os legumes para tomar um capuccino e converse com eles. E compre apenas a quantidade suficiente para alguns dias ou uma semana.
- Se o supermercado possui uma padaria, aproveite para comprar pães integrais ao invés daqueles feitos apenas com farinhas refinadas.
- As frutas merecem destaque: produzidas pela natureza após milhões de anos de testes, com embalagens biodegradáveis e nutrientes cuidadosamente selecionados, as frutas devem estar no topo da sua lista. Elas possuem a quantidade ideal de calorias em um pacote que inclui vitaminas, sais minerais, antioxidantes e fitoquímicos extremamente benéficos para o seu organismo. Veja a seguir 5 bons exemplos de como as frutas podem ajudar a prolongar seus anos por aqui:
1) MANGA: originária do Sudeste da Ásia, a manga é rica em beta-caroteno, uma fonte indireta de vitamina A, capaz de melhorar a defesa e a saúde da pele, olhos, mucosas, dentes, unhas e cabelos, além de aumentar a resistência para doenças respiratórias (especialmente em crianças). As mangas também são uma excelente fonte de vitamina C, fibras, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e empregos para a indústria de fio dental.
2) MELANCIA: pobre em caloria, constituída por 90% de água e rica em licopeno (uma substância capaz de promover a saúde do coração e reduzir o risco de tumores), a melancia também é uma boa fonte de beta-caroteno, vitamina A, B e C, ferro, cálcio e fósforo. Possui propriedades digestivas e auxilia na eliminação de substâncias tóxicas pelos rins.
3) TANGERINA: também conhecida por aí como mexerica, esta fruta cítrica de origem asiática é uma ótima fonte de vitamina A e beta-criptoxantina, capaz de ajudar a reduzir a inflamação da artrite. A tangerina também possui grandes quantidades de luteína (importante para a boa visão) e fibras (que auxiliam o processo digestivo).
4) MAMÃO: originário do sul do México, o mamão é rico em antioxidantes, folato, sais minerais, vitaminas A, B e C. A papaína, uma enzima presente em grandes quantidades no mamão, atua auxiliando na absorção de nutrientes de outros alimentos.
5) UVA: introduzida no Brasil na época da colonização portuguesa, a uva é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo. Rica em sais minerais, vitamina B e C, a uva também possui uma elevada concentração de resveratrol, um potente antioxidante natural. Pesquisas mostram que o extrato obtido das sementes possui propriedades antialérgicas e antiinflamatórias.
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saúde,
sexo,
sucesso
21 dezembro 2010
SÍNDROME DA BATERIA DESCARREGADA
© Dr. Alessandro Loiola
Você certamente já sofreu deste mal: atingir a metade de um dia de trabalho como se tivesse corrido duas maratonas, o corpo afogado em um esgotamento indescritível. Ou então, ao terminar o serviço, chegar em casa com vontade de escrever “sarcófago” na porta do quarto e submergir em um sono semicomatoso por vários séculos.
Mas os séculos duram pouco mais de 6h. Logo o sol raia, a corrida recomeça e você se flagra com um olhar vazio, conjeturando enquanto contempla o salva-telas do Windows: onde foi parar toda aquela energia que achou ter acumulado no final de semana?
A Síndrome da Bateria Descarregada é mais comum do que se pensa. Além da sensação de fadiga eterna, ela pode incluir dores musculares, dores de cabeça, nervosismo, um certo sentimento de frustração para realizar até mesmo pequenas tarefas e aquela percepção subliminar de inadequação – algo como passar o dia considerando a possibilidade de que um planeta gélido e sem atmosfera poderia ser um ambiente mais favorável para sua sobrevivência do que aqui e agora.
Se você acha que seu dia-a-dia se encaixa na descrição acima, bom, receba minhas boas-vindas ao grupo. Você é outra vítima da síndrome. Mas ter as baterias descarregadas não significa correr para a primeira tomada segurando um par de fios desencapados. Existem maneiras mais simples – e seguras – de repor suas energias até o topo:
1) AUMENTE A INGESTÃO DE MAGNÉSIO: ninguém presta muita atenção nele, mas o magnésio está envolvido em mais de 300 reações bioquímicas essenciais para o bom funcionamento do organismo – incluindo a produção de energia a partir da glicose. Acelga, agrião, alcachofra, alface, alho, avelã, brócolis, cebolinha, centeio, cereais integrais, chicória, coentro, couve, espinafre, farinha de soja, germe de trigo, nozes, repolho, salsa e taioba são excelentes fontes de magnésio.
2) DÊ UMA VOLTA NO QUARTEIRÃO: apesar de parecer um contra-senso, exatamente quando você estiver sentindo a exaustão mais profunda é a melhor hora para dar aquela caminhada. Uma caminhada é algo acessível, fácil de fazer, e não serão precisos treinamentos ou equipamento sofisticados. Pesquisas mostram que o bem-estar produzido por uma caminhada de 10 minutos pode durar várias horas.
3) TIRE UMA SONECA REJUVENESCEDORA: uma inocente soneca de 60 minutos no meio do dia é capaz de reverter o abobamento provocado pelo excesso de informação, facilitando o raciocínio, a memória e o aprendizado. Resultados idênticos valem para boas noites de sono.
4) NÃO PULE REFEIÇÕES: seu cérebro é um consumidor voraz de energia, daí a importância de manter sempre algumas gotas de combustível no tanque. Não saia de casa sem tomar um café da manhã adequado, almoce e jante de modo saudável, e faça pequenos lanches entre as refeições (p.ex.: comendo uma fruta ou uma barrinha de cereais).
5) REDUZA SEU ESTRESSE: o estresse é resultado da ansiedade. Assim como a preocupação e o medo, a ansiedade consume um bocado de energia. Você entrou nesta vida com nada e sairá dela com mais ou menos a mesma coisa. Não dê tanta importância a tudo. Ouça uma música, leia um livro, converse com um amigo pela Internet. Semanalmente, pratique yoga ou meditação ou sexo selvagem ou meditação selvagem durante o sexo com yoga, enfim, o que quer que lhe diminua a tensão. Qualquer atividade sem tendências homicidas, capaz de combater sua ansiedade, repercutirá de modo positivo sobre os níveis de energia.
6) BEBA MAIS ÁGUA E MENOS ÁLCOOL: algumas vezes, uma leve desidratação pode ser suficiente para produzir sintomas de cansaço e letargia. Beba mais água, pelo menos 10 copos todo dia. E evite consumir álcool próximo ao seu horário habitual de dormir.
7) SEJA CAFÉ-COM-LEITE: adicionar um pouquinho de leite desnatado ao seu precioso café é uma dica quente. O leite torna o cafezinho um drinque protéico, oferecendo não apenas uma energia extra, mas também cálcio para os seus ossos.
8) GARANTA O EMPREGO DE SEU CLÍNICO GERAL: confira periodicamente com aquele médico de confiança como anda sua tireóide, seu sangue e seu coração. Você leva seu carro para calibrar os pneus e os cachorros para um banho, não leva? Então tome jeito e dedique pelo menos um décimo desse empenho para cuidar da própria saúde.
Você certamente já sofreu deste mal: atingir a metade de um dia de trabalho como se tivesse corrido duas maratonas, o corpo afogado em um esgotamento indescritível. Ou então, ao terminar o serviço, chegar em casa com vontade de escrever “sarcófago” na porta do quarto e submergir em um sono semicomatoso por vários séculos.
Mas os séculos duram pouco mais de 6h. Logo o sol raia, a corrida recomeça e você se flagra com um olhar vazio, conjeturando enquanto contempla o salva-telas do Windows: onde foi parar toda aquela energia que achou ter acumulado no final de semana?
A Síndrome da Bateria Descarregada é mais comum do que se pensa. Além da sensação de fadiga eterna, ela pode incluir dores musculares, dores de cabeça, nervosismo, um certo sentimento de frustração para realizar até mesmo pequenas tarefas e aquela percepção subliminar de inadequação – algo como passar o dia considerando a possibilidade de que um planeta gélido e sem atmosfera poderia ser um ambiente mais favorável para sua sobrevivência do que aqui e agora.
Se você acha que seu dia-a-dia se encaixa na descrição acima, bom, receba minhas boas-vindas ao grupo. Você é outra vítima da síndrome. Mas ter as baterias descarregadas não significa correr para a primeira tomada segurando um par de fios desencapados. Existem maneiras mais simples – e seguras – de repor suas energias até o topo:
1) AUMENTE A INGESTÃO DE MAGNÉSIO: ninguém presta muita atenção nele, mas o magnésio está envolvido em mais de 300 reações bioquímicas essenciais para o bom funcionamento do organismo – incluindo a produção de energia a partir da glicose. Acelga, agrião, alcachofra, alface, alho, avelã, brócolis, cebolinha, centeio, cereais integrais, chicória, coentro, couve, espinafre, farinha de soja, germe de trigo, nozes, repolho, salsa e taioba são excelentes fontes de magnésio.
2) DÊ UMA VOLTA NO QUARTEIRÃO: apesar de parecer um contra-senso, exatamente quando você estiver sentindo a exaustão mais profunda é a melhor hora para dar aquela caminhada. Uma caminhada é algo acessível, fácil de fazer, e não serão precisos treinamentos ou equipamento sofisticados. Pesquisas mostram que o bem-estar produzido por uma caminhada de 10 minutos pode durar várias horas.
3) TIRE UMA SONECA REJUVENESCEDORA: uma inocente soneca de 60 minutos no meio do dia é capaz de reverter o abobamento provocado pelo excesso de informação, facilitando o raciocínio, a memória e o aprendizado. Resultados idênticos valem para boas noites de sono.
4) NÃO PULE REFEIÇÕES: seu cérebro é um consumidor voraz de energia, daí a importância de manter sempre algumas gotas de combustível no tanque. Não saia de casa sem tomar um café da manhã adequado, almoce e jante de modo saudável, e faça pequenos lanches entre as refeições (p.ex.: comendo uma fruta ou uma barrinha de cereais).
5) REDUZA SEU ESTRESSE: o estresse é resultado da ansiedade. Assim como a preocupação e o medo, a ansiedade consume um bocado de energia. Você entrou nesta vida com nada e sairá dela com mais ou menos a mesma coisa. Não dê tanta importância a tudo. Ouça uma música, leia um livro, converse com um amigo pela Internet. Semanalmente, pratique yoga ou meditação ou sexo selvagem ou meditação selvagem durante o sexo com yoga, enfim, o que quer que lhe diminua a tensão. Qualquer atividade sem tendências homicidas, capaz de combater sua ansiedade, repercutirá de modo positivo sobre os níveis de energia.
6) BEBA MAIS ÁGUA E MENOS ÁLCOOL: algumas vezes, uma leve desidratação pode ser suficiente para produzir sintomas de cansaço e letargia. Beba mais água, pelo menos 10 copos todo dia. E evite consumir álcool próximo ao seu horário habitual de dormir.
7) SEJA CAFÉ-COM-LEITE: adicionar um pouquinho de leite desnatado ao seu precioso café é uma dica quente. O leite torna o cafezinho um drinque protéico, oferecendo não apenas uma energia extra, mas também cálcio para os seus ossos.
8) GARANTA O EMPREGO DE SEU CLÍNICO GERAL: confira periodicamente com aquele médico de confiança como anda sua tireóide, seu sangue e seu coração. Você leva seu carro para calibrar os pneus e os cachorros para um banho, não leva? Então tome jeito e dedique pelo menos um décimo desse empenho para cuidar da própria saúde.
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28 novembro 2010
A SEMPRE BOA E CONFIÁVEL PANELA DE FERRO
© Dr. Alessandro Loiola
Em um acesso de sinceridade, confesso: tenho um caso mal resolvido na cozinha. Mas calma lá com a interpretação, porque pensão alimentícia anda cara esses dias (né, Romário?). O fato é que na hora de preparar uma refeição, o utensílio que mais uso é o telefone. Nem sei mais a cor da geladeira, soterrada há anos sob várias camadas de ímãs de “disk-tudo”.
Entendo nada de cozinha.
Para evitar que me xinguem de porco chauvinista logo no início da crônica (sei que inevitavelmente farão isso a partir do meio do texto), pensei em colocar em meu histórico culinário as competências “sabe preparar miojo, fazer pipocas no microondas e encher a forma de gelo”. Mas decidi esperar o final do ano para acrescentar “capacitado para cortar ingredientes do salpicão”. É sempre recomendável adicionar um certo nível de sofisticação no currículo.
Então, sendo eu este completo analfabeto de garfo e faca, me vi como um camundongo encurralado pela vassoura no cantinho do gás quando recebi um email perguntando: qual a melhor panela para preparar as refeições?
Pensei em responder “cheia”, mas até o cinismo precisa de tempero. Pesquisando, descobri que assim como existem vários tipos de mulheres, existem vários tipos de panela – cada uma com indicações e efeitos adversos específicos.
Use “porco chauvinista!” à vontade a partir de agora.
Por exemplo: as panelas de alumínio e aço inox são como namoricos de verão - baratas e fáceis de encontrar. Apesar de excelentes para o preparo de carnes, elas podem absorver metais pesados durante o cozimento e afetar sua saúde.
Panelas de vidro são como namoradas de 20 e poucos anos: transparentes, bonitas e decorativas, esquentam muito rapidamente e devem ser desligadas com certa antecedência, ou comprometerão o resultado da refeição. Ao contrário das panelas de inox, elas não produzem só barulho quando derrubadas.
Panelas de cobre são mulheres independentes depois dos 30: mais caras e condutoras, porém menos práticas e potencialmente tóxicas. Causam uma boa impressão se você quiser passar um ar de alquimista e disfarçar seu péssimo molho culpando a limitada versatilidade gustativa dos convidados.
Panelas de teflon costumam ser utilizadas por executivos infiéis em busca de frituras rápidas, com pouco óleo. Estas panelas possuem um revestimento interno de politetrafluoretileno que as torna antiaderentes. Mas atenção: o politetrafluoretileno solta-se com alguma facilidade e jamais deve ser ingerido.
Panelas de porcelana são mulheres em plena TPM: cheias de personalidade, possuem um toque intimista (ou seria intimidador?), mancham fácil e ao menor estresse ameaçam soltar o esmalte.
Uma panela de pressão é uma mulher na pré-menopausa. Experiente, tecnologicamente pensada, não é recomendada para iniciantes. Apesar de cozinhar bem em temperaturas acima de 100 graus, todo cuidado com a válvula de pressão é pouco. Sem manutenção, ela pode explodir na sua cara quando você menos esperar.
Finalmente, a boa e velha panela de ferro é como aquela mulher que escolhemos para casar. Podem ser levadas à mesa, são versáteis e concentram mais o calor, cozinhando tudo ao mesmo tempo.
Além de manterem o sabor e as propriedades do alimento, as panelas de ferro adicionam nutrientes valiosos. Pesquisas mostram que o preparo de alimentos nesse tipo de panela chega a suprir cerca de 20% das necessidades diárias de ferro do organismo, tornando-as especialmente indicadas para quem adota uma alimentação vegetariana.
Para manter uma panela de ferro sempre em ordem, você deve tomar alguns cuidados básicos. Elas devem ser limpas com delicadeza e se possível secadas no forno quente e aconchegante. Uma vez resfriadas ao natural, aplique uma leve camada de óleo e guarde-as em um local apropriado. Com a dose certa de atenção e carinho, elas devem durar bastante. Afinal de contas, panela velha é que faz... você sabe.
Em um acesso de sinceridade, confesso: tenho um caso mal resolvido na cozinha. Mas calma lá com a interpretação, porque pensão alimentícia anda cara esses dias (né, Romário?). O fato é que na hora de preparar uma refeição, o utensílio que mais uso é o telefone. Nem sei mais a cor da geladeira, soterrada há anos sob várias camadas de ímãs de “disk-tudo”.
Entendo nada de cozinha.
Para evitar que me xinguem de porco chauvinista logo no início da crônica (sei que inevitavelmente farão isso a partir do meio do texto), pensei em colocar em meu histórico culinário as competências “sabe preparar miojo, fazer pipocas no microondas e encher a forma de gelo”. Mas decidi esperar o final do ano para acrescentar “capacitado para cortar ingredientes do salpicão”. É sempre recomendável adicionar um certo nível de sofisticação no currículo.
Então, sendo eu este completo analfabeto de garfo e faca, me vi como um camundongo encurralado pela vassoura no cantinho do gás quando recebi um email perguntando: qual a melhor panela para preparar as refeições?
Pensei em responder “cheia”, mas até o cinismo precisa de tempero. Pesquisando, descobri que assim como existem vários tipos de mulheres, existem vários tipos de panela – cada uma com indicações e efeitos adversos específicos.
Use “porco chauvinista!” à vontade a partir de agora.
Por exemplo: as panelas de alumínio e aço inox são como namoricos de verão - baratas e fáceis de encontrar. Apesar de excelentes para o preparo de carnes, elas podem absorver metais pesados durante o cozimento e afetar sua saúde.
Panelas de vidro são como namoradas de 20 e poucos anos: transparentes, bonitas e decorativas, esquentam muito rapidamente e devem ser desligadas com certa antecedência, ou comprometerão o resultado da refeição. Ao contrário das panelas de inox, elas não produzem só barulho quando derrubadas.
Panelas de cobre são mulheres independentes depois dos 30: mais caras e condutoras, porém menos práticas e potencialmente tóxicas. Causam uma boa impressão se você quiser passar um ar de alquimista e disfarçar seu péssimo molho culpando a limitada versatilidade gustativa dos convidados.
Panelas de teflon costumam ser utilizadas por executivos infiéis em busca de frituras rápidas, com pouco óleo. Estas panelas possuem um revestimento interno de politetrafluoretileno que as torna antiaderentes. Mas atenção: o politetrafluoretileno solta-se com alguma facilidade e jamais deve ser ingerido.
Panelas de porcelana são mulheres em plena TPM: cheias de personalidade, possuem um toque intimista (ou seria intimidador?), mancham fácil e ao menor estresse ameaçam soltar o esmalte.
Uma panela de pressão é uma mulher na pré-menopausa. Experiente, tecnologicamente pensada, não é recomendada para iniciantes. Apesar de cozinhar bem em temperaturas acima de 100 graus, todo cuidado com a válvula de pressão é pouco. Sem manutenção, ela pode explodir na sua cara quando você menos esperar.
Finalmente, a boa e velha panela de ferro é como aquela mulher que escolhemos para casar. Podem ser levadas à mesa, são versáteis e concentram mais o calor, cozinhando tudo ao mesmo tempo.
Além de manterem o sabor e as propriedades do alimento, as panelas de ferro adicionam nutrientes valiosos. Pesquisas mostram que o preparo de alimentos nesse tipo de panela chega a suprir cerca de 20% das necessidades diárias de ferro do organismo, tornando-as especialmente indicadas para quem adota uma alimentação vegetariana.
Para manter uma panela de ferro sempre em ordem, você deve tomar alguns cuidados básicos. Elas devem ser limpas com delicadeza e se possível secadas no forno quente e aconchegante. Uma vez resfriadas ao natural, aplique uma leve camada de óleo e guarde-as em um local apropriado. Com a dose certa de atenção e carinho, elas devem durar bastante. Afinal de contas, panela velha é que faz... você sabe.
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17 novembro 2010
EM BUSCA DA BÚSSOLA PERDIDA
Uma amiga desabafa: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei com (ex-)esposa e casal de filhos de uma pequena localidade (33.000 habitantes) para uma enorme região metropolitana (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando o de 6 anos perguntou:
- Papai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros, filho, e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
1 - Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
2 - Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
3 - No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
4 - Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
5 - Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
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12 outubro 2010
UM BRINDE AO DIA DEPOIS DO OUTRO
© Dr. Alessandro Loiola
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos. Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos. Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
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espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
insônia,
motivação,
obesidade,
pressão alta,
próstata,
saúde,
sexo,
sucesso
23 abril 2010
PROBLEMAS EMBARAÇOSOS DO ANIMAL HUMANO
© Dr. Alessandro Loiola
Alguns problemas simples do animal humano podem ser extremamente embaraçosos. Dependendo do caso, pode ser constrangedor até mesmo marcar uma consulta para tentar resolver o assunto: você corre o risco de ser recebido pelo médico com uma daquelas caras de “...mas o que esse sujeito veio fazer aqui, afinal de contas?”.
Para facilitar sua vida, listei 6 problemas teoricamente irrelevantes que podem lhe interessar – ou a alguém que você conhece.
CHULÉ
Dos vários odores típicos da sociedade moderna, poucos se igualam ao bom e velho chulé. Se você ainda duvida, respire fundo e sinta todo o frescor e suave aroma do tênis All Star de seu sobrinho adolescente. Mas, antes de conduzir este experimento, certifique-se de que a pessoa ao seu lado sabe realizar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória. Jamais subestime o potencial letal de um bom tênis de lona.
Os odores que exalam dos pés estão relacionados ao ambiente quente e úmido que se forma dentro do sapato. Para controlar o chulé, use meias de algodão e sapatos feitos de materiais que facilitem a transpiração. Periodicamente, coloque sua palmilha e os tênis em um carrinho de bebê e leve-os para um agradável banho de sol - isso ajuda a eliminar alguns inquilinos indesejáveis, como fungos e bactérias. Se quiser optar pelo supra-sumo da sofisticação, compre um talco próprio para calçados e aplique à noite.
MAU HÁLITO
Se você se acha um conquistador nato, saiba que o que as mulheres observam mesmo é seu estado geral de higiene – e suas nádegas. Nada de bíceps de 50 cm ou abdome tanquinho: sapatos asseados, barba feita, uma roupa que pareça limpa e bons dentes são suas principais ferramentas de sedução. Mas bons dentes com mau hálito podem comprometer todo o pacote.
Apesar de escovar corretamente os dentes ajudar a prevenir cáries, a escovação pode no máximo disfarçar um pouco o mau hálito. O problema, na verdade, costuma estar escondido na língua, na garganta ou no estômago – não nos dentes. As bactérias presentes nessas regiões produzem compostos sulfurosos e, quando em excesso, podem dar ao seu bafo um toque acebolado com pitadas de alho. Escovar sua língua não irá eliminar estes compostos sulfurosos, mas beber bastante água durante o dia e utilizar soluções apropriadas para enxaguar a boca sim.
SUOR EXCESSIVO
Algumas pessoas suam aos menores esforços como tivessem saído de um dilúvio. Na maioria dos casos, o suor excessivo é traço genético hereditário, mas eliminar seus pais ou a família inteira não resolverá o problema. Converse com seu médico de confiança para excluir a possibilidade de problemas na tireóide, nos níveis sangüíneos de açúcar, alterações cardíacas e outros transtornos com manifestações parecidas.
Nos casos extremos, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos para diminuir o suor nas palmas das mãos ou mesmo injeções periódicas de botox – essas injeções são capazes de paralisar as glândulas sudoríparas da região tratada por 6 a 12 meses.
BOLINHAS VERMELHAS
Aquelas pequenas bolinhas vermelhas que surgem nas nádegas, nas coxas e nos braços podem ser um problema denominado ceratose folicular. A ceratose é causada pela formação de pequenas rolhas endurecidas nas aberturas dos poros. As rolhas causam a retenção da secreção sebácea podendo formar lesões semelhantes a espinhas que, algumas vezes, podem inflamar e deixar manchas residuais.
Apesar de não existir um tratamento definitivo, uma boa loção ou creme pode ajudar a controlar o problema. Também é recomendável evitar roupas apertadas, tecidos sintéticos e aplicação de produtos cosméticos gordurosos nas áreas afetadas.
PELE OLEOSA
O excesso de oleosidade da pele pode estar relacionado à dieta, hereditariedade, níveis hormonais, gravidez, uso de contraceptivos orais, cosméticos, calor e umidade. Apesar daquela aparência permanente de atendente de lanchonete, existe uma vantagem: a pele oleosa envelhece mais lentamente que outros tipos de pele.
Um cuidado extra com a higiene, lavando os locais mais afetados com água morna e sabonetes neutros, duas ou três vezes ao dia, será suficiente para manter sua pele saudável. Mas atenção: evite produtos químicos muito fortes ou lavar com frequência exagerada. Isso irá apenas estimular a pele a produzir mais óleo.
DENTES AMARELOS
Fumar e consumir bebidas escuras em excesso (p.ex.: café, chá, refrigerantes a base de cola e vinho vermelho) podem alterar a coloração do esmalte dentário. E quanto mais tempo as manchas permanecerem nos seus dentes, mais difícil será retirá-las de lá. Pastas de dente contendo peróxido de carbamida ou sílica hidratada podem ajudar, mas os resultados mais dramáticos são obtidos através de tratamentos odontológicos especializados.
---
Formado em Medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, com especialização em Cirurgia Geral pela Fundação Educacional Lucas Machado (Belo Horizonte/MG), o médico capixaba Alessandro Loiola vem atuando há mais de 10 anos como desenvolvedor de conteúdo científico para jornais, revistas, canais de televisão e Internet. Palestrante, autor de vários livros sobre saúde e centenas de artigos publicados no Brasil e no exterior, Dr. Alessandro pode ser encontrado como colunista e colaborador em milhares de páginas na Web. Atualmente, reside e clinica em São José dos Campos, São Paulo.
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C O N T A T O & P A L E S T R A S
Email e MSN: alessandroloiola@yahoo.com.br
Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=12630325994897952776
Facebook: http://www.facebook.com/reqs.php#!/profile.php?ref=profile&id=638597961
Alguns problemas simples do animal humano podem ser extremamente embaraçosos. Dependendo do caso, pode ser constrangedor até mesmo marcar uma consulta para tentar resolver o assunto: você corre o risco de ser recebido pelo médico com uma daquelas caras de “...mas o que esse sujeito veio fazer aqui, afinal de contas?”.
Para facilitar sua vida, listei 6 problemas teoricamente irrelevantes que podem lhe interessar – ou a alguém que você conhece.
CHULÉ
Dos vários odores típicos da sociedade moderna, poucos se igualam ao bom e velho chulé. Se você ainda duvida, respire fundo e sinta todo o frescor e suave aroma do tênis All Star de seu sobrinho adolescente. Mas, antes de conduzir este experimento, certifique-se de que a pessoa ao seu lado sabe realizar manobras de ressuscitação cardiorrespiratória. Jamais subestime o potencial letal de um bom tênis de lona.
Os odores que exalam dos pés estão relacionados ao ambiente quente e úmido que se forma dentro do sapato. Para controlar o chulé, use meias de algodão e sapatos feitos de materiais que facilitem a transpiração. Periodicamente, coloque sua palmilha e os tênis em um carrinho de bebê e leve-os para um agradável banho de sol - isso ajuda a eliminar alguns inquilinos indesejáveis, como fungos e bactérias. Se quiser optar pelo supra-sumo da sofisticação, compre um talco próprio para calçados e aplique à noite.
MAU HÁLITO
Se você se acha um conquistador nato, saiba que o que as mulheres observam mesmo é seu estado geral de higiene – e suas nádegas. Nada de bíceps de 50 cm ou abdome tanquinho: sapatos asseados, barba feita, uma roupa que pareça limpa e bons dentes são suas principais ferramentas de sedução. Mas bons dentes com mau hálito podem comprometer todo o pacote.
Apesar de escovar corretamente os dentes ajudar a prevenir cáries, a escovação pode no máximo disfarçar um pouco o mau hálito. O problema, na verdade, costuma estar escondido na língua, na garganta ou no estômago – não nos dentes. As bactérias presentes nessas regiões produzem compostos sulfurosos e, quando em excesso, podem dar ao seu bafo um toque acebolado com pitadas de alho. Escovar sua língua não irá eliminar estes compostos sulfurosos, mas beber bastante água durante o dia e utilizar soluções apropriadas para enxaguar a boca sim.
SUOR EXCESSIVO
Algumas pessoas suam aos menores esforços como tivessem saído de um dilúvio. Na maioria dos casos, o suor excessivo é traço genético hereditário, mas eliminar seus pais ou a família inteira não resolverá o problema. Converse com seu médico de confiança para excluir a possibilidade de problemas na tireóide, nos níveis sangüíneos de açúcar, alterações cardíacas e outros transtornos com manifestações parecidas.
Nos casos extremos, podem ser indicados procedimentos cirúrgicos para diminuir o suor nas palmas das mãos ou mesmo injeções periódicas de botox – essas injeções são capazes de paralisar as glândulas sudoríparas da região tratada por 6 a 12 meses.
BOLINHAS VERMELHAS
Aquelas pequenas bolinhas vermelhas que surgem nas nádegas, nas coxas e nos braços podem ser um problema denominado ceratose folicular. A ceratose é causada pela formação de pequenas rolhas endurecidas nas aberturas dos poros. As rolhas causam a retenção da secreção sebácea podendo formar lesões semelhantes a espinhas que, algumas vezes, podem inflamar e deixar manchas residuais.
Apesar de não existir um tratamento definitivo, uma boa loção ou creme pode ajudar a controlar o problema. Também é recomendável evitar roupas apertadas, tecidos sintéticos e aplicação de produtos cosméticos gordurosos nas áreas afetadas.
PELE OLEOSA
O excesso de oleosidade da pele pode estar relacionado à dieta, hereditariedade, níveis hormonais, gravidez, uso de contraceptivos orais, cosméticos, calor e umidade. Apesar daquela aparência permanente de atendente de lanchonete, existe uma vantagem: a pele oleosa envelhece mais lentamente que outros tipos de pele.
Um cuidado extra com a higiene, lavando os locais mais afetados com água morna e sabonetes neutros, duas ou três vezes ao dia, será suficiente para manter sua pele saudável. Mas atenção: evite produtos químicos muito fortes ou lavar com frequência exagerada. Isso irá apenas estimular a pele a produzir mais óleo.
DENTES AMARELOS
Fumar e consumir bebidas escuras em excesso (p.ex.: café, chá, refrigerantes a base de cola e vinho vermelho) podem alterar a coloração do esmalte dentário. E quanto mais tempo as manchas permanecerem nos seus dentes, mais difícil será retirá-las de lá. Pastas de dente contendo peróxido de carbamida ou sílica hidratada podem ajudar, mas os resultados mais dramáticos são obtidos através de tratamentos odontológicos especializados.
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Formado em Medicina pela Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, com especialização em Cirurgia Geral pela Fundação Educacional Lucas Machado (Belo Horizonte/MG), o médico capixaba Alessandro Loiola vem atuando há mais de 10 anos como desenvolvedor de conteúdo científico para jornais, revistas, canais de televisão e Internet. Palestrante, autor de vários livros sobre saúde e centenas de artigos publicados no Brasil e no exterior, Dr. Alessandro pode ser encontrado como colunista e colaborador em milhares de páginas na Web. Atualmente, reside e clinica em São José dos Campos, São Paulo.
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C O N T A T O & P A L E S T R A S
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alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
insônia,
motivação,
obesidade,
pressão alta,
próstata,
saúde,
sexo,
sucesso
10 abril 2010
A VACINA CONTRA H1N1: NOTÍCIAS DIRETO DO ÚBERE DE BLOSSOM
© Dr. Alessandro Loiola
Era uma fresca manhã de 14 de maio de 1796 quando o médico inglês Edward Jenner pegou o menino James Phipps e arranhou e bezuntou seus braços com secreções purulentas colhidas das mãos de uma ordenhadeira chamada Sarah. Sarah havia recentemente contraído uma forma de varíola bovina das tetas de sua vaquinha predileta, Blossom. E Blossom, ruminando serena, nem sabia o que eram varíola ou tetas, tampouco que ela própria era um bovino.
E então James, de apenas 8 anos de idade, adoeceu, teve febre, sentiu-se mal por alguns dias e recuperou-se. Mas isso não foi suficiente para Jenner. Após alguns dias, ele investiu novamente sobre o menino (cientificamente falando, claro), sentando-lhe uma dolorosa injeção de material fresco de varíola humana. Afora a picada, o menino nada sentiu ou desenvolveu. Ele havia se tornado imune à varíola – o equivalente atual a ser imune ao HIV.
A experiência bizarra de Jenner poderia ser classificada como algo entre o desumano e o neonazista – ou ambos -, mas sua audácia resultou em um avanço que salvaria mais vidas que qualquer outra descoberta médica na assombrosa história da humanidade. Utilizando camponeses como porquinhos da Índia, Jenner havia descoberto a vacinação.
Quase 3 séculos mais tarde, somos assolados por uma nova epidemia. Desta vez, uma mutação do banal vírus da Gripe. Sim, banal. Perto de uma garrafa de cerveja, o influenza H1N1 é um iniciante: calcula-se que o H1N1 tenha ceifado cerca de 15 mil vidas no ano passado, em todo o mundo. No mesmo período e local, pelo menos 2,3 milhões de pessoas morreram devido a problemas relacionados ao consumo de álcool - e você não tem um ataque de pânico ao ver uma garrafa de Chivas, tem?
Ah, sim: segundo dados da OMS, a cada ano o trânsito causa mais de 1 milhão e duzentas mil mortes e o Fumo, cerca de 5.000.000 de óbitos. Se você conhece algum tabagista que dirige, providencie agora mesmo uma coroa de flores para ele. Quem sabe comprando adiantando você consegue um bom desconto.
Por causa da burrice generalizada... perdão, deixe-me corrigir: por causa das agendas equivocadas, da incapacidade institucionalizada e da corrupção hereditária, nosso governo vai investir uma senhora grana na aquisição e distribuição de mais de 100 milhões de doses da vacina contra H1N1. Pilhas e pilhas e pilhas de notas de reais investidos em uma campanha nacional de seringa-marketing. Tsc, tsc.
Quer melhorar a saúde da população? Então que tal não deixar faltar remédio para hipertensão no posto saúde e acompanhar de perto todo e qualquer hipertenso? Afinal de contas, a hipertensão arterial é responsável por mais de 7 milhões de mortes prematuras a cada ano.
Mas tudo bem. Isso combina como uma luva com a estratégia de saúde de um (des)Governo que criou com pompas e circunstâncias o Fome Zero, destinado a aplacar a desnutrição de 18 milhões de brasileiros – e pouco fez para controlar o excesso de peso que atinge outros 70 milhões de patrícios. Temos 3 gordos para cada 1 desnutrido e querem distribuir mais comida. Tá certo. Nada contra. O faturamento do meu consultório agradece.
Minha pirraça com esta campanha de imunização contra o H1N1 reside na sinistra rapidez com que uma vacina de massa foi desenvolvida e prontamente disponibilizada à população. Os primeiros casos de H1N1 foram detectados em abril de 2009 e menos de um ano depois já temos uma vacina “absolutamente segura e eficaz”? Hum... sei não... vou perguntar pro Papai Noel, pode?
Em 1999, uma vacina infantil “altamente eficiente” contra rotavírus foi rapidamente retirada do mercado nos EUA: após 14 meses de vacinações, as estatísticas mostraram que a RotaShield aumentava de modo significativo o risco de intussuscepção – um tipo de obstrução intestinal potencialmente fatal.
Até hoje, corre solta a discussão se o aumento nos casos de autismo observado nas últimas décadas não estaria relacionado ao timerosal, um conservante presente em muitas vacinas. A pressa é inimiga da perfeição – e vizinha do superfaturamento.
Uma (excelente) revisão recente da Cochrane Collaboration, envolvendo mais de 70 estudos científicos de qualidade, concluiu que nem mesmo a vacina contra gripe comum possui evidências concretas sobre sua eficácia em pessoas com mais de 65 anos de idade. Que dirá a vacina para o H1N1.
A princípio, espera-se que uma vacina cause menos efeitos que a doença contra a qual ela oferece proteção. Mas esses dados ainda não estão disponíveis para a vacina contra o H1N1. Os próprios especialistas americanos, do CDC, do FDA e do Departamento de Defesa estão vigilantes para identificar quaisquer eventuais efeitos colaterais. “Podem ocorrer alguns efeitos adversos, algo poderia acontecer, mas nós acreditamos que isto é altamente improvável”, disse o especialista Dr. Mark Mulligan, diretor executivo do Emory Vaccine Center, em Atlanta (EUA).
Como é que é? Eles “acreditam” que um efeito colateral é altamente improvável? É alguma procissão de fé? Chama o Papai Noel aí de novo.
Eu muito modestamente creio que um programa direcionado para a melhoria das condições sanitárias e nutricionais da população possuiria uma relação de custo-benefício bem superior a certas campanhas de vacinação. Por exemplo: por que não substituir a campanha anual de vacinação contra gripe por um programa sazonal orientando a população a utilizar suplementos de vitamina D3?
Ao contrário da vacina, a vitamina D3 oferece uma proteção quase universal contra o Influenza. Além disso, em doses maiores, a D3 pode ser capaz de curar a gripe.
Lamentavelmente, a mentalidade feudal de Edward Jenner prevalece. Seu legado intelectual pode ser insubstituível, mas não tenho vocação para cobaia. Entre as injeções contra H1N1 e o estábulo, ainda prefiro o úbere de Blossom.
Se a curiosidade lhe mordeu, recomendo então mais alguns links para artigos sensatos sobre H1N1 e a milagrosa vacina:
- Pandemia de gripe ou pandemia de pânico? - http://www.channel4.com/news/articles/science_technology/pandemic+flu+or+pandemic+panic/3279557
- Uma gigantesca indústria aguarda pela pandemia - http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,637119,00.html
- O que nós realmente sabemos sobre a vacina?
http://www.theglobeandmail.com/news/opinions/what-do-we-know-about-the-vaccines-safety-not-enough/article1242422/
- Estudo de Vigilância Epidemiológica na Austrália conclui: não existem evidências mostrando proteção significativa da vacina contra gripe em qualquer faixa etária. http://pesquisa.bvsalud.org/h1n1/resources/mdl-19660248
- Entrevista com Dr. Tom Jefferson, renomado epidemiologista do Cochrane Collaboration Group - http://blogs.ft.com/healthblog/2009/09/11/interview-dr-tom-jefferson-and-pandemic-flu-vaccines/
Era uma fresca manhã de 14 de maio de 1796 quando o médico inglês Edward Jenner pegou o menino James Phipps e arranhou e bezuntou seus braços com secreções purulentas colhidas das mãos de uma ordenhadeira chamada Sarah. Sarah havia recentemente contraído uma forma de varíola bovina das tetas de sua vaquinha predileta, Blossom. E Blossom, ruminando serena, nem sabia o que eram varíola ou tetas, tampouco que ela própria era um bovino.
E então James, de apenas 8 anos de idade, adoeceu, teve febre, sentiu-se mal por alguns dias e recuperou-se. Mas isso não foi suficiente para Jenner. Após alguns dias, ele investiu novamente sobre o menino (cientificamente falando, claro), sentando-lhe uma dolorosa injeção de material fresco de varíola humana. Afora a picada, o menino nada sentiu ou desenvolveu. Ele havia se tornado imune à varíola – o equivalente atual a ser imune ao HIV.
A experiência bizarra de Jenner poderia ser classificada como algo entre o desumano e o neonazista – ou ambos -, mas sua audácia resultou em um avanço que salvaria mais vidas que qualquer outra descoberta médica na assombrosa história da humanidade. Utilizando camponeses como porquinhos da Índia, Jenner havia descoberto a vacinação.
Quase 3 séculos mais tarde, somos assolados por uma nova epidemia. Desta vez, uma mutação do banal vírus da Gripe. Sim, banal. Perto de uma garrafa de cerveja, o influenza H1N1 é um iniciante: calcula-se que o H1N1 tenha ceifado cerca de 15 mil vidas no ano passado, em todo o mundo. No mesmo período e local, pelo menos 2,3 milhões de pessoas morreram devido a problemas relacionados ao consumo de álcool - e você não tem um ataque de pânico ao ver uma garrafa de Chivas, tem?
Ah, sim: segundo dados da OMS, a cada ano o trânsito causa mais de 1 milhão e duzentas mil mortes e o Fumo, cerca de 5.000.000 de óbitos. Se você conhece algum tabagista que dirige, providencie agora mesmo uma coroa de flores para ele. Quem sabe comprando adiantando você consegue um bom desconto.
Por causa da burrice generalizada... perdão, deixe-me corrigir: por causa das agendas equivocadas, da incapacidade institucionalizada e da corrupção hereditária, nosso governo vai investir uma senhora grana na aquisição e distribuição de mais de 100 milhões de doses da vacina contra H1N1. Pilhas e pilhas e pilhas de notas de reais investidos em uma campanha nacional de seringa-marketing. Tsc, tsc.
Quer melhorar a saúde da população? Então que tal não deixar faltar remédio para hipertensão no posto saúde e acompanhar de perto todo e qualquer hipertenso? Afinal de contas, a hipertensão arterial é responsável por mais de 7 milhões de mortes prematuras a cada ano.
Mas tudo bem. Isso combina como uma luva com a estratégia de saúde de um (des)Governo que criou com pompas e circunstâncias o Fome Zero, destinado a aplacar a desnutrição de 18 milhões de brasileiros – e pouco fez para controlar o excesso de peso que atinge outros 70 milhões de patrícios. Temos 3 gordos para cada 1 desnutrido e querem distribuir mais comida. Tá certo. Nada contra. O faturamento do meu consultório agradece.
Minha pirraça com esta campanha de imunização contra o H1N1 reside na sinistra rapidez com que uma vacina de massa foi desenvolvida e prontamente disponibilizada à população. Os primeiros casos de H1N1 foram detectados em abril de 2009 e menos de um ano depois já temos uma vacina “absolutamente segura e eficaz”? Hum... sei não... vou perguntar pro Papai Noel, pode?
Em 1999, uma vacina infantil “altamente eficiente” contra rotavírus foi rapidamente retirada do mercado nos EUA: após 14 meses de vacinações, as estatísticas mostraram que a RotaShield aumentava de modo significativo o risco de intussuscepção – um tipo de obstrução intestinal potencialmente fatal.
Até hoje, corre solta a discussão se o aumento nos casos de autismo observado nas últimas décadas não estaria relacionado ao timerosal, um conservante presente em muitas vacinas. A pressa é inimiga da perfeição – e vizinha do superfaturamento.
Uma (excelente) revisão recente da Cochrane Collaboration, envolvendo mais de 70 estudos científicos de qualidade, concluiu que nem mesmo a vacina contra gripe comum possui evidências concretas sobre sua eficácia em pessoas com mais de 65 anos de idade. Que dirá a vacina para o H1N1.
A princípio, espera-se que uma vacina cause menos efeitos que a doença contra a qual ela oferece proteção. Mas esses dados ainda não estão disponíveis para a vacina contra o H1N1. Os próprios especialistas americanos, do CDC, do FDA e do Departamento de Defesa estão vigilantes para identificar quaisquer eventuais efeitos colaterais. “Podem ocorrer alguns efeitos adversos, algo poderia acontecer, mas nós acreditamos que isto é altamente improvável”, disse o especialista Dr. Mark Mulligan, diretor executivo do Emory Vaccine Center, em Atlanta (EUA).
Como é que é? Eles “acreditam” que um efeito colateral é altamente improvável? É alguma procissão de fé? Chama o Papai Noel aí de novo.
Eu muito modestamente creio que um programa direcionado para a melhoria das condições sanitárias e nutricionais da população possuiria uma relação de custo-benefício bem superior a certas campanhas de vacinação. Por exemplo: por que não substituir a campanha anual de vacinação contra gripe por um programa sazonal orientando a população a utilizar suplementos de vitamina D3?
Ao contrário da vacina, a vitamina D3 oferece uma proteção quase universal contra o Influenza. Além disso, em doses maiores, a D3 pode ser capaz de curar a gripe.
Lamentavelmente, a mentalidade feudal de Edward Jenner prevalece. Seu legado intelectual pode ser insubstituível, mas não tenho vocação para cobaia. Entre as injeções contra H1N1 e o estábulo, ainda prefiro o úbere de Blossom.
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Se a curiosidade lhe mordeu, recomendo então mais alguns links para artigos sensatos sobre H1N1 e a milagrosa vacina:
- Pandemia de gripe ou pandemia de pânico? - http://www.channel4.com/news/articles/science_technology/pandemic+flu+or+pandemic+panic/3279557
- Uma gigantesca indústria aguarda pela pandemia - http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,637119,00.html
- O que nós realmente sabemos sobre a vacina?
http://www.theglobeandmail.com/news/opinions/what-do-we-know-about-the-vaccines-safety-not-enough/article1242422/
- Estudo de Vigilância Epidemiológica na Austrália conclui: não existem evidências mostrando proteção significativa da vacina contra gripe em qualquer faixa etária. http://pesquisa.bvsalud.org/h1n1/resources/mdl-19660248
- Entrevista com Dr. Tom Jefferson, renomado epidemiologista do Cochrane Collaboration Group - http://blogs.ft.com/healthblog/2009/09/11/interview-dr-tom-jefferson-and-pandemic-flu-vaccines/
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
insônia,
motivação,
obesidade,
pressão alta,
próstata,
saúde,
sexo,
sucesso
30 março 2010
A MAIOR INVENÇÃO DE TODOS OS TEMPOS
© Dr. Alessandro Loiola
Existe uma frase marcante creditada a Albert Einstein que diz mais ou menos assim: “Toda a nossa ciência, quando comparada à natureza, é absolutamente medíocre – e ainda assim, esta mesma ciência é a coisa mais preciosa que temos”.
Construímos prédios majestosos e computadores poderosíssimos, enviamos sondas para outros planetas e prolongamos a vida com vacinas e antibióticos, mas realmente nada se compara a uma das invenções mais extraordinárias da natureza: o cérebro humano.
Enquanto fiscaliza e organiza incontáveis funções do corpo, essa massa esponjosa que você tem bem aí entre suas orelhas analisa informações do meio externo, processa memórias, elabora raciocínios, cria pensamentos abstratos, descobre soluções e, nas horas de descanso, sonha. Ele nunca pára.
Ao nascer, o cérebro de um bebê tem por volta de 350g e, apesar do número de células cerebrais permanecer relativamente estável ao longo de nossas vidas, estas células aumentam de volume e passam a fazer mais conexões entre si com o passar do tempo. O cérebro de um humano adulto médio pesa cerca de 1,3 a 1,4 Kg, sendo 80% deste peso constituído por água pura.
Existem 2 tipos principais de células no cérebro: as células gliais e os neurônios. Ao contrário dos neurônios, que não se dividem, as células gliais se multiplicam acompanhando o crescimento do corpo, oferecendo sustentação, nutrientes e oxigênio para os neurônios.
As estimativas mais conservadoras dizem que temos entre 80 e 90 bilhões de neurônios dentro do crânio, e cada um desses neurônios estabelece cerca de 1.000 a 10.000 conexões com neurônios vizinhos. Em termos eletrônicos, se considerarmos que cada conexão neuronal corresponde a 1 bit, o resultado da capacidade de processamento de dados do cérebro totaliza impressionantes 100 trilhões de bites.
Indo mais além, imagine que cada “bit” cerebral, cada ligação entre os neurônios, corresponda a dois estados mentais diferentes. Por exemplo: quando ligada, uma determinada conexão neuronal seria igual a “acordado”, e quando desligada, igual a “dormindo”.
Para cada conexão (cada bit), teríamos 2 estados mentais diferentes: ligado e desligado, certo? Certo. Então, o número de estados mentais possíveis para um cérebro humano saudável seria igual a 2 (correspondendo às duas configurações possíveis para cada bit) elevado a potência de 100 trilhões (equivalente ao número de bites cerebrais). Este número inimaginavelmente enorme é bem maior, por exemplo, que o número total de átomos no universo. E os impulsos bioelétricos que passam por essas conexões transitam a mais de 300 km/h!
Sem dúvida alguma, existem estados mentais que jamais foram experimentados ao longo de toda nossa história evolucionária, idéias incríveis esperando por um relance, idéias que poderiam mudar o curso de nossa espécie neste planeta. A partir desta perspectiva, cada ser humano passa a ser único e raro, e considerar a vida como algo verdadeiramente sagrado começa a fazer algum sentido.
Considerando todo este potencial, não admira que o cérebro, representando apenas 2% do peso corporal, utilize 20% de todo o suprimento de sangue e oxigênio do organismo. Para manter seu prodígio neuronal sempre afiado é preciso exercitá-lo com freqüência, e um modo bem divertido de fazer isso é aprendendo coisas novas o tempo todo e utilizando a curiosidade para aguçar o raciocínio.
E por que deixar para depois? Comece agora mesmo a exercitar sua mente com uma brincadeira bem simples: descubra por si só ou com a ajuda de amigos as respostas para as perguntas a seguir. A solução está no final, mas não vale trapacear!
1. Você tem dois jarros cheios de água. Como poderia passar toda esta água para um só barril sem utilizar os jarros ou qualquer outro recipiente, e ainda assim ser capaz de dizer qual água veio de qual jarro?
2. O que é preto quando você compra, vermelho quando usa, e cinza quando joga fora?
3. Você é capaz de dizer o nome de 3 dias consecutivos da semana sem utilizar números ou as palavras segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado ou domingo?
4. O que é mais inusitado no seguinte o texto: “Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores. Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores! Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos, berço de heróis e de nobres descobridores de mundos novos”.
***
Funções das partes do cérebro
Lobo Frontal - Comportamento, pensamentos abstratos, solução de problemas, atenção, criatividade, algumas emoções, intelecto, reflexão, julgamento, iniciativa, inibição, coordenação de movimentos, alguns movimentos dos olhos, olfato, algumas habilidades motoras, reações físicas e libido.
Lobo Occipital - Visão e leitura.
Lobo Parietal - Tato, capacidade de identificar objetos segundo sua forma (estereognosia), resposta a estímulos internos (propriocepção), combinação entre estímulos sensoriais e compreensão, algumas funções da linguagem, da leitura e da visão.
Lobo Temporal - Audição, memórias (auditivas e visuais), música, medo, fala, linguagem, comportamento e emoções, sentimento de identidade.
Hemisfério direito - Controla o lado esquerdo do corpo, responsável pela relação temporal e especial, análise de informações não-verbais, comunica as emoções.
Hemisfério esquerdo - Controla do lado direito do corpo, produção e compreensão da linguagem.
Cerebelo - Equilíbrio, postura; possui centros de controle para funções cardíacas, respiratórias e vasomotoras.
Tronco cerebral - Centro motor e sensorial para o corpo e a face; possui centros de controle para funções cardíacas, respiratórias e vasomotoras.
Hipotálamo - Estado de humor, motivação, maturação sexual, regula temperatura corporal e vários processos de produção hormonal.
Hipófise - Regula processos de produção hormonal, crescimento e maturação física e sexual.
***
Respostas para o Quiz
1. Congelando a água primeiro.
2. O carvão.
3. Ontem, hoje e amanhã.
4. Este texto não possui uma única letra A, que é a letra mais comum no Português. A ordem de freqüência de ocorrência das letras em português é a seguinte: A E O S I R N D T C M U P L V G B F Q H J X Z K W Y. No inglês, a letra E é a mais comum.
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11 março 2010
UM BRINDE AO DIA DEPOIS DO OUTRO
© Dr. Alessandro Loiola
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos. Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos. Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
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