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03 outubro 2014

A alimentação e o cérebro do bebê

© Dr. Alessandro Loiola


Será que a saúde mental de um bebê pode ser afetada pela qualidade da alimentação materna durante a gravidez e sua própria alimentação nos primeiros anos de vida?

Para responder a essa pergunta, mais de 20 mil gestantes norueguesas foram acompanhadas entre 1999 e 2008. Os resultados foram surpreendentes.

As causas dos transtornos comportamentais e emocionais em adultos jovens são muitas e variadas. Identificar os fatores de risco para essas anormalidades tem ocupado a cabeça dos cientistas há um bom tempo. Quase sempre, as pesquisas enfatizavam fatores psicossociais, tais como a qualidade da atenção dos pais, o nível de estresse no núcleo familiar e a presença de transtornos mentais na família. Finalmente, alguém fez uma pergunta diferente e partiu em busca de novas respostas.

O estudo norueguês mostrou, sem muita sombra para dúvidas, que uma dieta não-saudável durante a gravidez e na tenra infância aumenta o risco de produzir crianças com problemas de conduta oposicional e desatenção. Os resultados poderiam ser explicados pelo impacto da falta de nutrientes estratégicos durante a fase de crescimento e maturação do cérebro, mas para provar quais nutrientes e de que modo isto ocorre ainda serão necessárias mais pesquisas.

Atualmente, existe um movimento para explicar os transtornos mentais e somáticos utilizando os mesmos mecanismos que determinam a boa saúde de um modo geral. Ao sugerir que a alimentação tem um papel tão crucial no desenvolvimento do cérebro, este estudo reforçou esta tendência, abrindo uma enorme janela para intervenções profiláticas e a própria compreensão de bem-estar.

26 setembro 2014

Frutas e vegetais aumentam a vida útil do coração

© Dr. Alessandro Loiola


Uma meta-análise realizada por pesquisadores chineses esclareceu a quantidade de frutas e vegetais que uma pessoa deve ingerir diariamente para diminuir seu risco de morte precoce por doenças cardiovasculares: o número mágico é 5.

O consumo diário de pelo menos uma porção de frutas ou legumes por dia (em comparação ao não-consumo) associou-se a uma redução de 8% no número de mortes precoces. O consumo de 5 ou mais porções associou-se a uma redução de 26%. Para além de 5 porções, não foi observada diminuição adicional no risco.

Leve esta ideia na cesta quando for fazer a próxima feira.

26 agosto 2014

O BOM HUMOR ESTÁ NA COZINHA

© Dr. Alessandro Loiola

Reis, diplomatas, empresas de turismo, a menina que irá fazer do seu filho um esposo, todas essas pessoas possuem uma coisa em comum: elas sabem que, para ganhar alguém, você deve começar pelo estômago. Essa conversa de “ganhar com um olhar” ou “seduzir com um perfume” é muito bonita e tudo mais, mas o animal faminto que existe dentro de nós simplesmente não é capaz de resistir à velha e boa comida.

Mas por que o ato de comer desperta um prazer tão grande? Outro dia me responderam: porque sem comer você não vive. Ótimo. Você não vive sem respirar ou piscar os olhos idem, mas isso não quer dizer que você larga tudo que está fazendo quando alguém lhe convida para dois copos de fôlego. E você já marcou com seus amigos “vamos piscar os olhos lá em casa, quer vir?”.

O fato é que, entre as nossas orelhas, existe uma maquininha de calcular capaz de fazer algo entre 1013 e 1016 operações por segundo (sim, isso tudo de zeros). E este prodígio -  o seu Cérebro - é um ávido consumidor de energia.

Apesar de representar 2% do peso corporal, o cérebro é responsável por cerca de 20% do consumo de oxigênio e energia do organismo. Da mesma forma que o motor de um carro, o desempenho dependerá da qualidade do combustível que você consome.

A química dos alimentos modifica a produção dos neurotransmissores, as substâncias utilizadas pelo cérebro para transmitir impulsos nervosos. Por exemplo: se o desânimo está ameaçando sua segunda-feira, procure comer salmão, atum ou sardinha. Estes alimentos são ricos em Ácidos Graxos tipo Ômega-3, uma substância útil para combater a depressão, o mau-humor e a impulsividade. A lecitina, presente na soja e nos ovos, também é essencial para o funcionamento cerebral, afetando não apenas o humor, mas também a memória e a concentração.

Para temperar a alegria durante o dia, você não deve passar mais do que 4 horas em jejum. Ficar muito tempo sem comer reduz os níveis de glicose no cérebro e faz com que aquela nuvem carregada de raios estacione sobre você. Uma boa dica é aumentar a quantidade de abóbora ou sementes de girassol na sua dieta: eles contêm grandes quantidades de Triptofano, uma substância que regula o bom-humor e a qualidade do sono. E não se esqueça de colocar um pouco de folhas de Espinafre na salada: elas são ricas em ácido fólico e reduzem os níveis circulantes de homocisteína associados à depressão. 

As bananas são outra boa opção para lanches rápidos: elas são ricas em potássio, triptofano, sucrose, glicose e frutose – todas substâncias envolvidas na manutenção do bom humor.

Os frutos do mar, em especial as ostras, são ricos em zinco, mais uma substância essencial para regular o estado de ânimo. O zinco também está envolvido na produção de testosterona, o principal hormônio do desejo sexual. Pensando bem, acho melhor você não comer ostras no horário de trabalho não...

Alho. Você sabia que o alho, é uma das principais fontes de selênio, um sal mineral diretamente envolvido no estímulo dos centros cerebrais da alegria? (Outras fontes de selênio incluem cogumelos, brócolis, aveia, germe de trigo e castanha do Pará).

Além disso, o alho ajuda a evitar o desenvolvimento de várias doenças cardiovasculares. Mas atenção: se ostras no trabalho não é uma boa dica, o consumo excessivo de alho pode causar um verdadeiro desastre na sua vida social. Faça o teste: mastigue meio dente de alho e dê um enooorme beijo em quem você gosta. Viu o que eu disse? Mesmo assim, eu recomendo que você adicione boas quantidades de alho – e pastilhas de menta – à sua dieta habitual.

Finalmente, o ingrediente mais essencial de todos, aquilo sem o quê seu humor irá afundar na piscina feito um martelo sem cabo: a Água. Além de ser responsável por mais de 80% do peso do cérebro e estimular a eliminação de toxinas pelos rins, a água é uma das poucas coisas que eu preparo na cozinha sem fazer muita bagunça.

Acalme seu sistema nervoso com pelo menos 08 copos de água ou suco por dia e, como quem não quer nada, aproveite a saída para pegar mais um copo e faça um favor à comunidade. Deixe estas sugestões perto do seu irritado favorito. Ele merece.

25 agosto 2014

Obesidade e câncer: cara ou coroa?

© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos


Um trabalho publicado dia desses na Lancet (Agosto/2014) jogou mais lenha na fogueira da obesidade.

Há muito se sabe, a partir de pequenos levantamentos estatísticos, que o peso corporal está relacionado ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres. Mas os ingleses levaram isso um (graaande) passo adiante: utilizando registros clínicos do Clinical Practice Research Datalink, eles identificaram mais de 5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 16 anos e que não apresentavam diagnóstico de câncer no momento da avaliação. O IMC médio calculado para o grupo foi 25,5 kg/m².

Durante 7 anos e meio, esse coorte foi acompanhado e aproximadamente 170 mil indivíduos desenvolveram pelo menos uma das 22 neoplasias de interesse do estudo. Os 22 tipos escolhidos respondiam por 90% de todos os tipos de tumores malignos diagnosticados na Grã-Bretanha, e o aumento no IMC mostrou estar associado a nada menos que 17 deles.

O aumento no peso foi determinante para aumentar o risco de câncer na mama (em mulheres na pós-menopausa), na vesicular biliar, nos rins, no fígado, no intestino grosso, na tireóide, nos ovários, na região cervical e para leucemia. Por outro lado, algumas evidências sugeriram que o IMC aumentado exercia um certo efeito protetor para câncer de mama na pré-menopausa e para câncer na próstata.

Cada aumento de 5 kg/m² no IMC (equivalente a 15,5 kg) associou-se a um aumento de 62% no risco de câncer no útero, 25% para câncer renal e 10% para câncer no intestino grosso.

A temporada de caça à obesidade está aberta há muito tempo, graças à sua associação com hipertensão arterial e diabetes – e todas as consequências e custos daí decorrentes. Mas agora este estudo confirma, sem a menor sombra de dúvida, que o papel desempenhado pela obesidade representa um fator de risco de verdade, sólido, progressivo e definitivo.

O excesso de peso é certamente uma causa evitável de câncer. Ponto.

Agora resta saber se a moeda vai cair.