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28 setembro 2014

Qual a Pressão Arterial Ideal?

© Dr. Alessandro Loiola


Pacientes hipertensos que mantém sua pressão arterial (PA) acima ou abaixo dos níveis considerados ideais apresentam um risco maior de morte precoce ou de desenvolver insuficiência renal.

O estudo, envolvendo mais de 390 mil pacientes acompanhados por 4 anos e publicado em agosto de 2014 no Journal of the American College of Cardiology, foi importante por ter enfatizado o risco do tratamento excessivo em pessoas hipertensas.

Os pesquisadores observaram uma curva mostrando prognósticos piores para pessoas com PA sistólica acima de 139 e abaixo de 130 mmHg e diastólica acima de 79 e abaixo de 60. Uma PA de 137/71 mmHg foi a que apresentou o menor risco de morte precoce ou insuficiência renal.

Para pacientes diabéticos, a PA com o menor risco foi de 131/69 mmHg; e para pacientes com idade igual ou acima de 70 anos, a PA de menor risco foi de 140/70 mmHg.

E você, já verificou sua pressão arterial essa semana?

26 setembro 2014

Frutas e vegetais aumentam a vida útil do coração

© Dr. Alessandro Loiola


Uma meta-análise realizada por pesquisadores chineses esclareceu a quantidade de frutas e vegetais que uma pessoa deve ingerir diariamente para diminuir seu risco de morte precoce por doenças cardiovasculares: o número mágico é 5.

O consumo diário de pelo menos uma porção de frutas ou legumes por dia (em comparação ao não-consumo) associou-se a uma redução de 8% no número de mortes precoces. O consumo de 5 ou mais porções associou-se a uma redução de 26%. Para além de 5 porções, não foi observada diminuição adicional no risco.

Leve esta ideia na cesta quando for fazer a próxima feira.

25 agosto 2014

Obesidade e câncer: cara ou coroa?

© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos


Um trabalho publicado dia desses na Lancet (Agosto/2014) jogou mais lenha na fogueira da obesidade.

Há muito se sabe, a partir de pequenos levantamentos estatísticos, que o peso corporal está relacionado ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres. Mas os ingleses levaram isso um (graaande) passo adiante: utilizando registros clínicos do Clinical Practice Research Datalink, eles identificaram mais de 5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 16 anos e que não apresentavam diagnóstico de câncer no momento da avaliação. O IMC médio calculado para o grupo foi 25,5 kg/m².

Durante 7 anos e meio, esse coorte foi acompanhado e aproximadamente 170 mil indivíduos desenvolveram pelo menos uma das 22 neoplasias de interesse do estudo. Os 22 tipos escolhidos respondiam por 90% de todos os tipos de tumores malignos diagnosticados na Grã-Bretanha, e o aumento no IMC mostrou estar associado a nada menos que 17 deles.

O aumento no peso foi determinante para aumentar o risco de câncer na mama (em mulheres na pós-menopausa), na vesicular biliar, nos rins, no fígado, no intestino grosso, na tireóide, nos ovários, na região cervical e para leucemia. Por outro lado, algumas evidências sugeriram que o IMC aumentado exercia um certo efeito protetor para câncer de mama na pré-menopausa e para câncer na próstata.

Cada aumento de 5 kg/m² no IMC (equivalente a 15,5 kg) associou-se a um aumento de 62% no risco de câncer no útero, 25% para câncer renal e 10% para câncer no intestino grosso.

A temporada de caça à obesidade está aberta há muito tempo, graças à sua associação com hipertensão arterial e diabetes – e todas as consequências e custos daí decorrentes. Mas agora este estudo confirma, sem a menor sombra de dúvida, que o papel desempenhado pela obesidade representa um fator de risco de verdade, sólido, progressivo e definitivo.

O excesso de peso é certamente uma causa evitável de câncer. Ponto.

Agora resta saber se a moeda vai cair.

19 agosto 2014

Medicamento contra insônia dobra o número de atendimentos em unidades de emergência


Um relatório emitido recentemente (2014) nos EUA pela SAMHSA (Substance Abuse and Mental Health Services Administration) mostrou que o número de atendimentos nas unidades de emergência devido uso excessivo de zolpidem, uma droga aprovada pelo FDA para o combate da insônia, praticamente dobrou durante os períodos de 2005-2006 e 2009-2010.

Em 2010, foram atendidas mais de 20.000 pessoas com efeitos colaterais potencialmente graves relacionado a este remédio - 68% eram mulheres. A associação de zolpidem com outras substâncias (como diazepam, analgésicos narcóticos e mesmo bebidas alcoólicas) potencializa absurdamente o efeito sedativo da medicação. Cerca de 26% dos pacientes atendidos terminaram necessitando internação em uma unidade de tratamento intensivo.

Graças à alta incidência de reações adversas, o órgão solicitou aos fabricantes que diminuíssem em 50% a dose recomendada para mulheres. Penso que seria prudente também usar o mesmo parâmetro para os homens.

Vários estudos mostram que 96% dos atendimentos de urgência envolvendo tentativa de suicídio em pacientes entre 45 e 64 anos de idade estão relacionados ao abuso de medicamentos (de venda livre ou controlados). Destes casos, 48% envolvem remédios para ansiedade e/ou para insônia.

Medicações contra insônia, ansiedade e depressão podem ser benéficos, mas devem ser empregados com bastante critério e de forma monitorada. Tanto médicos quanto pacientes devem discutir abertamente sobre os riscos e as reações adversas de qualquer medicação, procurando uma alternativa viável sempre que possível. A resposta para os problemas da vida NUNCA estarão em um comprimido escondido em um blíster ou uma pequena caixa de papel.

18 agosto 2014

O Uso de cocaína pode aumentar o risco de uma pessoa sofrer um derrame?

© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos/


Um estudo recente do Centro Nacional de Epidemiologia & Instituto de Saúde Carlos III, da Espanha, mostrou que usuários de cocaína possuem um risco até 20 vezes maior de sofrer um derrame (AVC) em comparação a não-usuários.

Esta foi a primeira revisão sistemática que avaliou e sumarizou as evidências científicas de outros estudos epidemiológicos abordando o uso de cocaína e a incidência de AVC. A pesquisa foi publicada na edição de setembro/2014 da prestigiada revista Drug and Alcohol Dependence.

A cocaína atua aumentando a pressão arterial, a frequência cardíaca e resistência vascular no sistema nervoso central. Estes eventos reduzem o fluxo sanguíneo e o aporte de oxigênio cerebral por várias horas, podendo resultar em AVC isquêmico ou hemorrágico. Além disso, a cocaína intensifica a coagulação sanguínea e pode produzir arritmias cardíacas – ingredientes perfeitos para a formação de êmbolos no coração que são em seguida disparados em direção ao cérebro.

Certamente, a cocaína não é uma escolha segura para “fazer a cabeça”.