© Dr. Alessandro Loiola
Você pode até reclamar dessa forma de colocar as coisas, mas costumo dizer que “errar é humano e colocar a culpa em alguém é sábio”. Deve ser verdade, ou não seria por outro motivo que também dizem que “ri melhor quem ri por último”. Quem ri por último teve tempo mais que suficiente para descobrir em quem colocar a culpa.
Achar culpados faz parte da nossa natureza. É uma estratégia primária do caráter humano, construída sobre um tipo de curiosidade destrutiva que trazemos desde as primeiras artes na infância. Você apronta - de modo consciente ou não -, e então tenta colocar a culpa em outra pessoa para ver o que acontece. Assumir sua parcela no problema, na maioria das vezes, é constrangedor demais para a autocrítica (leia-se Ego).
Mas, quando falamos do verdadeiro crescimento pessoal, aquela parte mais íntima do que nos é mais íntimo, diagnosticar erros e dividir culpas se torna uma questão de sobrevivência: rir e eximir-se poderá salvar seu orgulho por algum tempo. Entretanto, isso não produzirá progresso ou qualquer outra forma de evolução.
O presente tem esse nome porque ele é um presente em todo significado: é uma porta para o futuro. Não merece ser crucificado e celebrado como uma oportunidade de repetir dolosamente os mesmos problemas e erros do passado.
Ao longo da vida, percebi que muitas pessoas insistem em fazer o não funciona. Pais e mães são mestres em fazer isso, e acabamos por aprender esse padrão de comportamento e o repetimos na vida. Alguma coisa no outro nos frustra, angustia, magoa? Prontamente colocamos esses sentimentos todos em uma sacola e esperamos a primeira oportunidade para virar tudo do modo mais desajeitado do mundo sobre a cabeça da primeira pessoa ao nosso lado. Que ótimo: agora serão DOIS frustrados, angustiados e magoados!
Ao conversar com pessoas em conflito, a história costuma ser uma só: o problema é sempre do outro. Deixe-me lhe dizer uma coisa: o problema é seu. Você tem responsabilidade, é tanto parte como o problema por inteiro.
Assuma isso para resolver situações de impasse, romper a mediocridade de ideias pré-concebidas e inspirar a reconstrução de sua vida em uma espiral de paz e prosperidade.
Vai valer à pena. Experimente.
Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador orgulho. Mostrar todas as postagens
11 setembro 2014
A responsabilidade é de quem?
Marcadores:
crescimento pessoal,
ego,
equilíbrio,
futuro,
orgulho,
paz,
planos,
responsabilidade,
sucesso
08 agosto 2014
AS LEIS DA PERSUASÃO
© Dr. Alessandro Loiola
Um dos desafios mais difíceis no dia a dia do consultório se chama “adesão ao tratamento”. Apesar de tudo o que se ensina na faculdade, ninguém informa aos ilustres estudantes que suas receitas não são placas de pedra cravadas com mandamentos divinos. A receita é um simples pedaço de papel rabiscado com uma caligrafia sofrível – ou, nos casos de mais sorte, impressa em fonte arial tamanho 14.
A despeito da formação do doutor ou do tom solene da consulta, calcula-se que somente 1 de cada 5 pacientes siga todas as orientações passadas por escrito. Alguns guardam a receita como um trunfo na manga (“se piorar, eu compro”), outros fazem um copydesk (“vou tomar esses dois aqui e, se piorar, compro o restante”), e muitos partem em busca de uma segunda opinião – que pode ser tanto outro médico, o balconista da farmácia ou um vizinho que sofreu de um mal semelhante, não importa.
Para vencer a maldição da não-adesão ao tratamento é preciso dominar o uso de uma ferramenta capaz de transmutar conhecimento em benefícios palpáveis. Esta ferramenta versátil se chama Persuasão e pode ser dividida em 3 Leis que compartilho agora com você:
Primeira Lei da Persuasão: Lógica
Os objetivos devem expostos de modo racional e articulado. A comunicação deve ser clara. Esse papo do gênio incompreendido é uma balela. Se o sujeito é um gênio, o mínimo que ele precisa fazer é ser compreendido.
Por exemplo: uma abordagem para diminuição do peso ou da pressão arterial deve ter metas bem definidas. “Vamos baixar 2 Kg nas próximas duas semanas” ou “vamos tirar essa pressão de 170/120 e colocá-la em torno de 140/80 até sexta-feira”.
Não adianta entregar a receita e disparar o sujeito pelo mundo afora armado de um papel carimbado. Ele deve compreender profundamente o significado daquilo.
Segunda Lei da Persuasão: Paixão
As pessoas subestimam o valor da paixão. Hoje, mais do que nunca, ela se tornou um elemento estratégico para a persuasão. À medida que avançamos pelo que os sociólogos chamam de Era Pós-Moderna, as pessoas tendem a ser persuadidas cada vez mais pela paixão em detrimento da lógica e da razão. Vide os anúncios publicitários com frases cada vez mais curtas e imagens cada vez mais impactantes. Paixão vende.
Então você deveria jogar a lógica na lata de lixo? Lógico que não. Mas deve, sem sombra de dúvida, compreender a importância de ser apaixonado(a) pelo ponto de vista que você defende. Este estado provavelmente tem mais peso que a razão.
Exemplo: “a senhora vai fazer este regime para reduzir seus riscos cardiovasculares em níveis aceitáveis dentro das diretrizes clínicas mais atuais”. Tem lógica? Tem. Mas que tal: “a senhora vai seguir estas orientações para ficar ainda mais bonita e atraente, e começar extrair da vida tudo aquilo que pode e merece!”.
A paixão faz a diferença.
Terceira Lei da Persuasão: Ética
Sem dúvida alguma a Lei mais importante. Não importa o que você esteja dizendo ou fazendo, as pessoas estarão sempre lhe julgando. Suas habilidades podem ser fenomenais, mas se seus pacientes, colegas, parentes, amigos e conhecidos perceberem indícios suspeitos em sua integridade, eles permanecerão sempre com dois pés e meio atrás. É fácil fazer vista grossa para um equívoco, mas é quase impossível perdoar o mau caráter.
Você pode perguntar: e os políticos? Como eles podem persuadir alguém? Se a visão geral que temos deles é de um bando de corruptos sem escrúpulos, como eles conseguem se eleger?
Bom, a resposta para isso incomoda: isoladamente, as pessoas pensam de uma maneira, mas coletivamente agem de modo completamente diferente. Não somos a portas fechadas as mesmas pessoas que somos em público (grande surpresa...). Este fato singelo, quando elevado à média de uma nação, mostra que acreditamos que as coisas são como são e de repente aquele sujeito nem é tão mau assim. Será que este tipo de falha em seu caráter seria aceitável se fosse percebida?
A solução para a Terceira Lei consiste em ser honesto em seu íntimo, para só então projetar essa imagem para os outros. Nada de exageros ou tentativas infantis de tentar parecer mais do que vale. A sofisticação da ética está na completa ausência de exageros. É assim que funciona.
Se você é um profissional da área de saúde, reflita a respeito - uma vez obedecidas as Leis da Persuasão, as pessoas tenderão a responder melhor a você e às suas idéias. Por outro lado, se você é um paciente, passe a mensagem adiante - quem sabe, um dia, todos os receituários finalmente se tornem bilhetes premiados e não apenas folhas de papel soltas por aí.
Um dos desafios mais difíceis no dia a dia do consultório se chama “adesão ao tratamento”. Apesar de tudo o que se ensina na faculdade, ninguém informa aos ilustres estudantes que suas receitas não são placas de pedra cravadas com mandamentos divinos. A receita é um simples pedaço de papel rabiscado com uma caligrafia sofrível – ou, nos casos de mais sorte, impressa em fonte arial tamanho 14.
A despeito da formação do doutor ou do tom solene da consulta, calcula-se que somente 1 de cada 5 pacientes siga todas as orientações passadas por escrito. Alguns guardam a receita como um trunfo na manga (“se piorar, eu compro”), outros fazem um copydesk (“vou tomar esses dois aqui e, se piorar, compro o restante”), e muitos partem em busca de uma segunda opinião – que pode ser tanto outro médico, o balconista da farmácia ou um vizinho que sofreu de um mal semelhante, não importa.
Para vencer a maldição da não-adesão ao tratamento é preciso dominar o uso de uma ferramenta capaz de transmutar conhecimento em benefícios palpáveis. Esta ferramenta versátil se chama Persuasão e pode ser dividida em 3 Leis que compartilho agora com você:
Primeira Lei da Persuasão: Lógica
Os objetivos devem expostos de modo racional e articulado. A comunicação deve ser clara. Esse papo do gênio incompreendido é uma balela. Se o sujeito é um gênio, o mínimo que ele precisa fazer é ser compreendido.
Por exemplo: uma abordagem para diminuição do peso ou da pressão arterial deve ter metas bem definidas. “Vamos baixar 2 Kg nas próximas duas semanas” ou “vamos tirar essa pressão de 170/120 e colocá-la em torno de 140/80 até sexta-feira”.
Não adianta entregar a receita e disparar o sujeito pelo mundo afora armado de um papel carimbado. Ele deve compreender profundamente o significado daquilo.
Segunda Lei da Persuasão: Paixão
As pessoas subestimam o valor da paixão. Hoje, mais do que nunca, ela se tornou um elemento estratégico para a persuasão. À medida que avançamos pelo que os sociólogos chamam de Era Pós-Moderna, as pessoas tendem a ser persuadidas cada vez mais pela paixão em detrimento da lógica e da razão. Vide os anúncios publicitários com frases cada vez mais curtas e imagens cada vez mais impactantes. Paixão vende.
Então você deveria jogar a lógica na lata de lixo? Lógico que não. Mas deve, sem sombra de dúvida, compreender a importância de ser apaixonado(a) pelo ponto de vista que você defende. Este estado provavelmente tem mais peso que a razão.
Exemplo: “a senhora vai fazer este regime para reduzir seus riscos cardiovasculares em níveis aceitáveis dentro das diretrizes clínicas mais atuais”. Tem lógica? Tem. Mas que tal: “a senhora vai seguir estas orientações para ficar ainda mais bonita e atraente, e começar extrair da vida tudo aquilo que pode e merece!”.
A paixão faz a diferença.
Terceira Lei da Persuasão: Ética
Sem dúvida alguma a Lei mais importante. Não importa o que você esteja dizendo ou fazendo, as pessoas estarão sempre lhe julgando. Suas habilidades podem ser fenomenais, mas se seus pacientes, colegas, parentes, amigos e conhecidos perceberem indícios suspeitos em sua integridade, eles permanecerão sempre com dois pés e meio atrás. É fácil fazer vista grossa para um equívoco, mas é quase impossível perdoar o mau caráter.
Você pode perguntar: e os políticos? Como eles podem persuadir alguém? Se a visão geral que temos deles é de um bando de corruptos sem escrúpulos, como eles conseguem se eleger?
Bom, a resposta para isso incomoda: isoladamente, as pessoas pensam de uma maneira, mas coletivamente agem de modo completamente diferente. Não somos a portas fechadas as mesmas pessoas que somos em público (grande surpresa...). Este fato singelo, quando elevado à média de uma nação, mostra que acreditamos que as coisas são como são e de repente aquele sujeito nem é tão mau assim. Será que este tipo de falha em seu caráter seria aceitável se fosse percebida?
A solução para a Terceira Lei consiste em ser honesto em seu íntimo, para só então projetar essa imagem para os outros. Nada de exageros ou tentativas infantis de tentar parecer mais do que vale. A sofisticação da ética está na completa ausência de exageros. É assim que funciona.
Se você é um profissional da área de saúde, reflita a respeito - uma vez obedecidas as Leis da Persuasão, as pessoas tenderão a responder melhor a você e às suas idéias. Por outro lado, se você é um paciente, passe a mensagem adiante - quem sabe, um dia, todos os receituários finalmente se tornem bilhetes premiados e não apenas folhas de papel soltas por aí.
Marcadores:
colesterol,
felicidade,
feliz,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
07 agosto 2014
Anaximandro e a Fórmula da Pessoa Melhor
© Dr. Alessandro Loiola
Nascido no longínquo ano de 610 a.C., tendo um cérebro sofisticado e aberto a novas idéias como ferramenta de trabalho, o grego Anaximandro foi capaz de conceber teorias que para muitos de sua época soavam como alucinação.
Anaximandro dizia que uma partícula primordial – o ápeiron - havia se expandido para formar tudo que conhecemos (teoria do Big-Bang), que o mundo sustentava-se por um equilíbrio de forças (teoria da Gravidade) e que a vida havia surgido em criaturas simples nos mares, adquirido complexidade e então migrado para a terra (teoria da evolução das espécies). Espetacular.
Imagine você 2.500 anos atrás. Lençol branco enrolado no corpo e botas do filme 300 de Esparta. Um perfeito temente a Zeus levando célere sua oferenda na multidão que se dirige ao oráculo.
- Ihh... – você diz.
- O que foi? – pergunta o sujeito ao seu lado na fila do oráculo.
- Olha aí, lá vem ele de novo. – você vira o rosto como quem procura um conhecido do outro lado da Acrópole, mas o velhinho encurvado que se aproxima rápido não se acanha.
- Ei! Ei!
- Ele tá lhe chamando – diz o vizinho da fila, cutucando seu braço. Você ainda tenta fazer cara de paisagem, mas não adianta. O velhinho já grudou na manga da sua túnica.
- Ei! Ei!
- Oi, seu Anaximandro. Tudo bem com o senhor?
- Você sabia... – grita ele, com a vivacidade de um adolescente e os tímpanos de um granito. – Você sabia que existem corpos minúsculos de cargas opostas que atuam trocando energia e anulando-se uns aos outros?
- Sei, sei. Certo.
- Você entende?
- Humrum, humrum.
- Observe! - ele solta sua manga para desenhar um amplo arco com as mãos espalmadas, cobrindo o horizonte à frente com um olhar perdido. - Toda a matéria que se vê aparece e desaparece continuamente!!
Você aproveita a deixa, segura firme a carijó aninhada no seu colo e segue a fila para dentro da segurança do templo, longe das idéias malucas do velhinho surdo. Mas ainda consegue ouvir alguma coisa sobre o ilimitado, o infinito, o indefinido e o eterno. “Que monte de besteira!”, pensa, fitando a galinha nos olhos.
Anaximandro deve ter sido um cara bem estranho - assim como boa parte das descobertas de hoje. Dezenas de séculos se passaram, e o conhecimento ainda assombra e confunde.
Caminhamos por esta Era da Informação trazendo no colo o ranço de tradições antiqüíssimas. E uma dessas tradições é exatamente o apego à crença íntima de que você, lá no fundo, já nasce sabendo tudo que é preciso para gerenciar sua própria saúde e sua vida. Escolas, faculdades, professores, livros, bibliotecas, orientadores, oráculos e gurus são, no grosso modo, temperos quase dispensáveis. O importante é a SUA interpretação do que é melhor para você e do que não é tanto. Não é isso?
Ledo engano.
Fazendo algumas contas outro dia, percebi que já atendi umas 500.000 pessoas desde que coloquei as mãos no danado do diploma. 500.000 pessoas. Quase Ribeirão Preto inteira ou quatro Itu, ou duas São Carlos, ou meia Campinas. 500.000 viventes.
Imagine que cada pessoa vem ao consultório com cerca de 3 queixas diferentes. Dor no peito, na cabeça e tosse. Ansiedade, insônia e palpitações. Enjôo, febre e urina ardendo. Etc. Pois bem. Depois de levantar e sentar da cadeira, medir pressão, auscultar pulmões, e ouvir mais de 1 milhão e meio queixas, cheguei à conclusão de que ser capaz de aceitar os próprios erros e limitações, pedindo e aceitando ajuda, é talvez a tarefa mais árdua pela qual um ser humano pode passar.
E não digo ajuda no termo paternal. Digo ajuda no sentido “tapa na orelha”.
Nem todo mundo que lhe agrada quer o seu bem. Nem todos que lhe agridem querem o seu mal. Algumas coisas estarão escritas em letras douradas, e estarão completamente erradas. Outras serão deduzidas com a lógica mais tosca do mundo, e estarão profundamente corretas. A solução para o seu problema pode estar escondida em um outro problema, como alguém segurando a sua manga e lhe falando sobre coisas que você não entende - ainda.
Felizmente, para ter discernimento e entender a fórmula de como tornar-se uma pessoa melhor não é preciso uma sabedoria de Anaximandro. Basta um pouco de humildade e uma pitadinha de inteligência. Será que você consegue?
Nascido no longínquo ano de 610 a.C., tendo um cérebro sofisticado e aberto a novas idéias como ferramenta de trabalho, o grego Anaximandro foi capaz de conceber teorias que para muitos de sua época soavam como alucinação.
Anaximandro dizia que uma partícula primordial – o ápeiron - havia se expandido para formar tudo que conhecemos (teoria do Big-Bang), que o mundo sustentava-se por um equilíbrio de forças (teoria da Gravidade) e que a vida havia surgido em criaturas simples nos mares, adquirido complexidade e então migrado para a terra (teoria da evolução das espécies). Espetacular.
Imagine você 2.500 anos atrás. Lençol branco enrolado no corpo e botas do filme 300 de Esparta. Um perfeito temente a Zeus levando célere sua oferenda na multidão que se dirige ao oráculo.
- Ihh... – você diz.
- O que foi? – pergunta o sujeito ao seu lado na fila do oráculo.
- Olha aí, lá vem ele de novo. – você vira o rosto como quem procura um conhecido do outro lado da Acrópole, mas o velhinho encurvado que se aproxima rápido não se acanha.
- Ei! Ei!
- Ele tá lhe chamando – diz o vizinho da fila, cutucando seu braço. Você ainda tenta fazer cara de paisagem, mas não adianta. O velhinho já grudou na manga da sua túnica.
- Ei! Ei!
- Oi, seu Anaximandro. Tudo bem com o senhor?
- Você sabia... – grita ele, com a vivacidade de um adolescente e os tímpanos de um granito. – Você sabia que existem corpos minúsculos de cargas opostas que atuam trocando energia e anulando-se uns aos outros?
- Sei, sei. Certo.
- Você entende?
- Humrum, humrum.
- Observe! - ele solta sua manga para desenhar um amplo arco com as mãos espalmadas, cobrindo o horizonte à frente com um olhar perdido. - Toda a matéria que se vê aparece e desaparece continuamente!!
Você aproveita a deixa, segura firme a carijó aninhada no seu colo e segue a fila para dentro da segurança do templo, longe das idéias malucas do velhinho surdo. Mas ainda consegue ouvir alguma coisa sobre o ilimitado, o infinito, o indefinido e o eterno. “Que monte de besteira!”, pensa, fitando a galinha nos olhos.
Anaximandro deve ter sido um cara bem estranho - assim como boa parte das descobertas de hoje. Dezenas de séculos se passaram, e o conhecimento ainda assombra e confunde.
Caminhamos por esta Era da Informação trazendo no colo o ranço de tradições antiqüíssimas. E uma dessas tradições é exatamente o apego à crença íntima de que você, lá no fundo, já nasce sabendo tudo que é preciso para gerenciar sua própria saúde e sua vida. Escolas, faculdades, professores, livros, bibliotecas, orientadores, oráculos e gurus são, no grosso modo, temperos quase dispensáveis. O importante é a SUA interpretação do que é melhor para você e do que não é tanto. Não é isso?
Ledo engano.
Fazendo algumas contas outro dia, percebi que já atendi umas 500.000 pessoas desde que coloquei as mãos no danado do diploma. 500.000 pessoas. Quase Ribeirão Preto inteira ou quatro Itu, ou duas São Carlos, ou meia Campinas. 500.000 viventes.
Imagine que cada pessoa vem ao consultório com cerca de 3 queixas diferentes. Dor no peito, na cabeça e tosse. Ansiedade, insônia e palpitações. Enjôo, febre e urina ardendo. Etc. Pois bem. Depois de levantar e sentar da cadeira, medir pressão, auscultar pulmões, e ouvir mais de 1 milhão e meio queixas, cheguei à conclusão de que ser capaz de aceitar os próprios erros e limitações, pedindo e aceitando ajuda, é talvez a tarefa mais árdua pela qual um ser humano pode passar.
E não digo ajuda no termo paternal. Digo ajuda no sentido “tapa na orelha”.
Nem todo mundo que lhe agrada quer o seu bem. Nem todos que lhe agridem querem o seu mal. Algumas coisas estarão escritas em letras douradas, e estarão completamente erradas. Outras serão deduzidas com a lógica mais tosca do mundo, e estarão profundamente corretas. A solução para o seu problema pode estar escondida em um outro problema, como alguém segurando a sua manga e lhe falando sobre coisas que você não entende - ainda.
Felizmente, para ter discernimento e entender a fórmula de como tornar-se uma pessoa melhor não é preciso uma sabedoria de Anaximandro. Basta um pouco de humildade e uma pitadinha de inteligência. Será que você consegue?
Marcadores:
colesterol,
felicidade,
feliz,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
06 agosto 2014
A Velha Senhora
© Dr. Alessandro Loiola
Por volta do terceiro ano de faculdade, quando ainda ensaiava meus passos na direção desta nobre escravidão científica que é fazer plantões para pagar contas, fui surpreendido pela incrível fauna que pode habitar um hospital-escola:
Durante a disciplina de Infectologia, fomos convidados a recolher swabs de locais diversos. Swab é um termo elegante para dizer “cotonete comprido especial”. Os médicos têm essa mania de inventar nomes complicados para coisas simples, talvez um modo elegante de diferenciar a casta dos reles mortais. Arroto vira eructação, excesso de pum vira “meteorismo significativo” e um olho vermelho se transforma em “possível blefaroconjuntivite aguda infecciosa”. Mas no final é tudo a mesma coisa.
Pois bem. De volta ao cotonete no terceiro ano. O trabalho daquele mês consistia em recolher e cultivar alguns swabs para determinar quais bactérias e fungos estavam convivendo conosco nas enfermarias. Alguns passaram o swab no próprio sapato, outros em rodapés, outros no jaleco guardado no armário em casa, etc. No dia da leitura dos resultados, a sala se encheu de “ooohs!” como se fosse uma final de reality show.
- Dr. Fulano, seu sapato está cheio de Escherichia coli! – “Oohs!” e o sujeito era congratulado com tapinhas nas costas e votos de “Parabéns, viu? Escherichia coli! Uma beleza!”.
- Dr. Cicrano, onde diabos o senhor foi descobrir essa Neisseria gonorrhoeae??
- Colhemos o swab passando na orofaringe de uma colaboradora do hospital, professor. Por sinal, uma boa colaborador.
- Olhe o respeito, rapaz! – tentou disfarçar um certo olhar de terror folheando a pasta com os laudos e completou -... Foi na enfermaria de Cirurgia, foi? Bem, hum, não importa... *pigarro*... mas preciso saber o nome dela depois, ok? Hããã... e vamos ao próximo laudo que é o do doutor... Beltrano. Dr. Beltrano, é alguma brincadeira isso?
- Hein?
- Poderia nos dizer onde o senhor foi buscar o seu material? Em algum laboratório de biossegurança?
- Não, professor, peguei com o Placenta.
Havia um sujeito que trabalhava no pátio de estacionamento do hospital. Ele não era só feio. Ele era do avesso. Nada contra ser do avesso, mas no caso dele até o próprio fazia graça e falava:
- Quando eu nasci, minha mãe jogou fora a criança e batizou a placenta.
E ninguém o conhecia pelo nome. Mas o hospital inteiro sabia quem era o Placenta.
- Com o Placenta?
- Isso.
E imediatamente o professor enviou um de seus assistentes para ir buscar o Placenta e providenciar sua internação. O motivo? No swab do Placenta tinha crescido um Mycobacterium tuberculosis tão multirresistente que dava até para ser usado em uma guerra química.
Esse foi meu primeiro contato com um caso grave de Tuberculose - conhecida pelos mais íntimos como "Velha Senhora". O Placenta foi internado e tratado, mas até hoje me pergunto como um sujeito que convivia tão perto de tantos médicos só foi diagnosticado em um trabalho de rotina, e não pelos seus sintomas.
Anos depois, compreendi que justamente este é o grande trunfo da tuberculose: ela pode ser uma doença extremamente dissimulada, ardilosa, sutil. O bacilo que a causa conseguiu se embrenhar em nosso meio e vem convivendo conosco há mais de 4.000 anos: indícios de infecção por tuberculose foram encontrados em múmias egípcias datadas de 2.400 a.C. O bacilo pode ser passado de uma pessoa para outra através de pequenas gotículas liberadas no ar (p.ex.: quando a pessoa infectada tosse, fala, espirra, ri ou canta).
Apesar da TB ser contagiosa, ela não é uma infecção fácil pegar. Em boa parte dos casos, a fonte é alguém da família ou um colega de trabalho – raramente um estranho -, mas alguns fatores podem aumentar seu risco para adquirir a doença, como baixa imunidade (p.ex.: pessoas com HIV, diabetes, insuficiência renal avançada, sob quimioterapia ou em uso de medicamentos que diminuem a atividade do sistema imune), idade avançada, uso excessivo de bebidas alcoólicas e desnutrição.
Os sintomas mais comuns incluem perda de peso inexplicável, fadiga, febre, suores noturnos, calafrios e perda de apetite. Quando localizada nos pulmões, a tuberculose produz tosse persistente (em geral com duração acima de 20 dias ou mais), escarro com raias de sangue e dor no tórax. A infecção também pode afetar outras partes do corpo, incluindo os rins, a coluna vertebral e o cérebro.
O diagnóstico de TB pode ser difícil, necessitando o auxílio de vários exames diferentes. Para felicidade sua e do Placenta, atualmente existem tratamentos eficazes contra a doença. Em todos os casos, a prevenção é a melhor terapia, e algumas medidas simples podem ajudar a proteger você e outras pessoas da tuberculose:
• Cuide de seu sistema imunológico: prefira alimentos naturais e saudáveis como frutas e vegetais, mantenha um padrão de sono regular, e exercite-se pelo menos por 30 minutos na maioria dos dias da semana.
• Mantenha os ambientes que você freqüente bem ventilados e arejados
• No caso de pessoas diagnosticadas com TB: siga o tratamento corretamente e tome todos os medicamentos até o fim; permaneça em casa durante os primeiros 10-14 dias de tratamento; e cubra a boca com um lenço (de preferência, descartável) sempre que for rir, tossir ou espirrar. No começo do tratamento, utilizar uma máscara quando estiver na companhia de outras pessoas também é uma boa dica para reduzir o risco de transmissão.
E lembre-se: a tuberculose é uma infecção grave, mas pode ser curada com o tratamento adequado. Em caso de dúvidas, procure sempre seu médico de confiança! Ou a turma de estudantes de Infectologia mais próxima.
Por volta do terceiro ano de faculdade, quando ainda ensaiava meus passos na direção desta nobre escravidão científica que é fazer plantões para pagar contas, fui surpreendido pela incrível fauna que pode habitar um hospital-escola:
Durante a disciplina de Infectologia, fomos convidados a recolher swabs de locais diversos. Swab é um termo elegante para dizer “cotonete comprido especial”. Os médicos têm essa mania de inventar nomes complicados para coisas simples, talvez um modo elegante de diferenciar a casta dos reles mortais. Arroto vira eructação, excesso de pum vira “meteorismo significativo” e um olho vermelho se transforma em “possível blefaroconjuntivite aguda infecciosa”. Mas no final é tudo a mesma coisa.
Pois bem. De volta ao cotonete no terceiro ano. O trabalho daquele mês consistia em recolher e cultivar alguns swabs para determinar quais bactérias e fungos estavam convivendo conosco nas enfermarias. Alguns passaram o swab no próprio sapato, outros em rodapés, outros no jaleco guardado no armário em casa, etc. No dia da leitura dos resultados, a sala se encheu de “ooohs!” como se fosse uma final de reality show.
- Dr. Fulano, seu sapato está cheio de Escherichia coli! – “Oohs!” e o sujeito era congratulado com tapinhas nas costas e votos de “Parabéns, viu? Escherichia coli! Uma beleza!”.
- Dr. Cicrano, onde diabos o senhor foi descobrir essa Neisseria gonorrhoeae??
- Colhemos o swab passando na orofaringe de uma colaboradora do hospital, professor. Por sinal, uma boa colaborador.
- Olhe o respeito, rapaz! – tentou disfarçar um certo olhar de terror folheando a pasta com os laudos e completou -... Foi na enfermaria de Cirurgia, foi? Bem, hum, não importa... *pigarro*... mas preciso saber o nome dela depois, ok? Hããã... e vamos ao próximo laudo que é o do doutor... Beltrano. Dr. Beltrano, é alguma brincadeira isso?
- Hein?
- Poderia nos dizer onde o senhor foi buscar o seu material? Em algum laboratório de biossegurança?
- Não, professor, peguei com o Placenta.
Havia um sujeito que trabalhava no pátio de estacionamento do hospital. Ele não era só feio. Ele era do avesso. Nada contra ser do avesso, mas no caso dele até o próprio fazia graça e falava:
- Quando eu nasci, minha mãe jogou fora a criança e batizou a placenta.
E ninguém o conhecia pelo nome. Mas o hospital inteiro sabia quem era o Placenta.
- Com o Placenta?
- Isso.
E imediatamente o professor enviou um de seus assistentes para ir buscar o Placenta e providenciar sua internação. O motivo? No swab do Placenta tinha crescido um Mycobacterium tuberculosis tão multirresistente que dava até para ser usado em uma guerra química.
Esse foi meu primeiro contato com um caso grave de Tuberculose - conhecida pelos mais íntimos como "Velha Senhora". O Placenta foi internado e tratado, mas até hoje me pergunto como um sujeito que convivia tão perto de tantos médicos só foi diagnosticado em um trabalho de rotina, e não pelos seus sintomas.
Anos depois, compreendi que justamente este é o grande trunfo da tuberculose: ela pode ser uma doença extremamente dissimulada, ardilosa, sutil. O bacilo que a causa conseguiu se embrenhar em nosso meio e vem convivendo conosco há mais de 4.000 anos: indícios de infecção por tuberculose foram encontrados em múmias egípcias datadas de 2.400 a.C. O bacilo pode ser passado de uma pessoa para outra através de pequenas gotículas liberadas no ar (p.ex.: quando a pessoa infectada tosse, fala, espirra, ri ou canta).
Apesar da TB ser contagiosa, ela não é uma infecção fácil pegar. Em boa parte dos casos, a fonte é alguém da família ou um colega de trabalho – raramente um estranho -, mas alguns fatores podem aumentar seu risco para adquirir a doença, como baixa imunidade (p.ex.: pessoas com HIV, diabetes, insuficiência renal avançada, sob quimioterapia ou em uso de medicamentos que diminuem a atividade do sistema imune), idade avançada, uso excessivo de bebidas alcoólicas e desnutrição.
Os sintomas mais comuns incluem perda de peso inexplicável, fadiga, febre, suores noturnos, calafrios e perda de apetite. Quando localizada nos pulmões, a tuberculose produz tosse persistente (em geral com duração acima de 20 dias ou mais), escarro com raias de sangue e dor no tórax. A infecção também pode afetar outras partes do corpo, incluindo os rins, a coluna vertebral e o cérebro.
O diagnóstico de TB pode ser difícil, necessitando o auxílio de vários exames diferentes. Para felicidade sua e do Placenta, atualmente existem tratamentos eficazes contra a doença. Em todos os casos, a prevenção é a melhor terapia, e algumas medidas simples podem ajudar a proteger você e outras pessoas da tuberculose:
• Cuide de seu sistema imunológico: prefira alimentos naturais e saudáveis como frutas e vegetais, mantenha um padrão de sono regular, e exercite-se pelo menos por 30 minutos na maioria dos dias da semana.
• Mantenha os ambientes que você freqüente bem ventilados e arejados
• No caso de pessoas diagnosticadas com TB: siga o tratamento corretamente e tome todos os medicamentos até o fim; permaneça em casa durante os primeiros 10-14 dias de tratamento; e cubra a boca com um lenço (de preferência, descartável) sempre que for rir, tossir ou espirrar. No começo do tratamento, utilizar uma máscara quando estiver na companhia de outras pessoas também é uma boa dica para reduzir o risco de transmissão.
E lembre-se: a tuberculose é uma infecção grave, mas pode ser curada com o tratamento adequado. Em caso de dúvidas, procure sempre seu médico de confiança! Ou a turma de estudantes de Infectologia mais próxima.
Marcadores:
colesterol,
felicidade,
feliz,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
05 agosto 2014
ALIMENTOS ORGÂNICOS
© Dr. Alessandro Loiola
No auge do verão e das epidemias de diarréia que entopem os pronto-atendimentos, não faltam reportagens sobre alimentos saudáveis e orientações sobre cuidados com a alimentação.
Em meio a essa avalanche de comida, vem uma onda de produtos com rótulos animados e coloridos trazendo o emblema “natural” e “orgânico”. Cereais e frutas naturais, carnes e laticínios orgânicos... Valha-me santa revolução agrícola, mas como um alimento pode não ser natural ou orgânico?
Pode me chamar de pirracento (muito provavelmente eu sou mesmo), mas tudo que você ingere vem da natureza. Até coisas tão artificiais como o alumínio, o papel celofane e os seios de silicone podem ser consideradas consequências da natureza. A bem da verdade, não sei se lhe informaram, mas você veio da natureza e continuará vivendo imerso nela até o dia em que seus dias terminarem e você virar um tipo de vertebrado gasoso. Pelo menos é o que dizem algumas religiões.
O termo “orgânico” foi utilizado pela primeira vez em 1939 pelo Barão de Northbourne, agricultor inglês famoso por uma abordagem mais ecologicamente correta para a produção de alimentos. Desde então, os critérios utilizados para classificar um alimento como “orgânico” vem variando de um país para outro.
Os ortodoxos consideram alimentos orgânicos aqueles cultivados sem qualquer contato com pesticidas, inseticidas, herbicidas ou outros tipos de venenos artificiais. Um tomate colhido por sua sogra poderia perder a classificação de orgânico, por exemplo. Mas os alimentos orgânicos podem ser cultivados utilizando-se fertilizantes não-orgânicos - o capitalismo sempre encontra um jeito de enfiar o dedo na pureza dos conceitos.
No caso de aves, a criação deve ser feita sem o uso rotineiro de antibióticos ou hormônios. Animais produzidos de modo “orgânico” devem ser acomodados em condições que lembrem seus habitats naturais: vacas, ovelhas e outros ruminantes devem ter livre acesso ao pasto.
Vacinas são permitidas e os parasitas devem ser controlados através de medidas preventivas, incluindo dietas balanceadas e boas condições sanitárias. Arrancar diariamente os carrapatos da mimosa utilizando os próprios dentes também vale como modo orgânico natural, mas cuidadores com rotes e próteses odontológicas devem ser mantidos distantes dos fiscais. Só por garantia.
A forma como os alimentos orgânicos (fala sério, não vou dizer “alimento natural” nem que me paguem o dobro) são produzidos resultam em vários benefícios. As fazendas orgânicas não consomem ou liberam pesticidas sintéticos no meio-ambiente, além de serem mais eficientes na sustentação de ecossistemas diversos. Fazendo-se um cálculo de produtividade por unidade plantada, estas fazendas de fato utilizam menos energia e produzem menos lixo.
Alguns estudos mostram que vegetais e frutas produzidos de modo orgânico são mais ricos em nutrientes que alimentos produzidos de modo não-orgânico, chegando a apresentar uma concentração 40% de antioxidantes naturais quando comparados aos seus equivalentes convencionais.
Em contrapartida, uma pesquisa realizado na Austrália em 2004 descobriu que os alimentos orgânicos vendidos em supermercados chegavam a custar 65% mais que seus equivalentes não-orgânicos. Os preços podem ser maiores uma vez que os produtos orgânicos são produzidos em menor escala e, em muitos casos, de modo semi-artesanal.
Orgânico ou não-orgânico, natural ou não-natural, o essencial é escolher seus alimentos de modo equilibrado. Eles constituirão seu corpo futuro, então vá com calma com o que você anda colocando para dentro. Sempre que possível, prefira frutas, legumes e verduras de origem minimamente confiável. Lave bem as mãos e os alimentos antes de consumi-los.
Até onde estudei, higiene e ponderação raramente foram responsáveis por grandes desconfortos digestivos. Tempere seus lanches de verão com doses generosas de ambos.
No auge do verão e das epidemias de diarréia que entopem os pronto-atendimentos, não faltam reportagens sobre alimentos saudáveis e orientações sobre cuidados com a alimentação.
Em meio a essa avalanche de comida, vem uma onda de produtos com rótulos animados e coloridos trazendo o emblema “natural” e “orgânico”. Cereais e frutas naturais, carnes e laticínios orgânicos... Valha-me santa revolução agrícola, mas como um alimento pode não ser natural ou orgânico?
Pode me chamar de pirracento (muito provavelmente eu sou mesmo), mas tudo que você ingere vem da natureza. Até coisas tão artificiais como o alumínio, o papel celofane e os seios de silicone podem ser consideradas consequências da natureza. A bem da verdade, não sei se lhe informaram, mas você veio da natureza e continuará vivendo imerso nela até o dia em que seus dias terminarem e você virar um tipo de vertebrado gasoso. Pelo menos é o que dizem algumas religiões.
O termo “orgânico” foi utilizado pela primeira vez em 1939 pelo Barão de Northbourne, agricultor inglês famoso por uma abordagem mais ecologicamente correta para a produção de alimentos. Desde então, os critérios utilizados para classificar um alimento como “orgânico” vem variando de um país para outro.
Os ortodoxos consideram alimentos orgânicos aqueles cultivados sem qualquer contato com pesticidas, inseticidas, herbicidas ou outros tipos de venenos artificiais. Um tomate colhido por sua sogra poderia perder a classificação de orgânico, por exemplo. Mas os alimentos orgânicos podem ser cultivados utilizando-se fertilizantes não-orgânicos - o capitalismo sempre encontra um jeito de enfiar o dedo na pureza dos conceitos.
No caso de aves, a criação deve ser feita sem o uso rotineiro de antibióticos ou hormônios. Animais produzidos de modo “orgânico” devem ser acomodados em condições que lembrem seus habitats naturais: vacas, ovelhas e outros ruminantes devem ter livre acesso ao pasto.
Vacinas são permitidas e os parasitas devem ser controlados através de medidas preventivas, incluindo dietas balanceadas e boas condições sanitárias. Arrancar diariamente os carrapatos da mimosa utilizando os próprios dentes também vale como modo orgânico natural, mas cuidadores com rotes e próteses odontológicas devem ser mantidos distantes dos fiscais. Só por garantia.
A forma como os alimentos orgânicos (fala sério, não vou dizer “alimento natural” nem que me paguem o dobro) são produzidos resultam em vários benefícios. As fazendas orgânicas não consomem ou liberam pesticidas sintéticos no meio-ambiente, além de serem mais eficientes na sustentação de ecossistemas diversos. Fazendo-se um cálculo de produtividade por unidade plantada, estas fazendas de fato utilizam menos energia e produzem menos lixo.
Alguns estudos mostram que vegetais e frutas produzidos de modo orgânico são mais ricos em nutrientes que alimentos produzidos de modo não-orgânico, chegando a apresentar uma concentração 40% de antioxidantes naturais quando comparados aos seus equivalentes convencionais.
Em contrapartida, uma pesquisa realizado na Austrália em 2004 descobriu que os alimentos orgânicos vendidos em supermercados chegavam a custar 65% mais que seus equivalentes não-orgânicos. Os preços podem ser maiores uma vez que os produtos orgânicos são produzidos em menor escala e, em muitos casos, de modo semi-artesanal.
Orgânico ou não-orgânico, natural ou não-natural, o essencial é escolher seus alimentos de modo equilibrado. Eles constituirão seu corpo futuro, então vá com calma com o que você anda colocando para dentro. Sempre que possível, prefira frutas, legumes e verduras de origem minimamente confiável. Lave bem as mãos e os alimentos antes de consumi-los.
Até onde estudei, higiene e ponderação raramente foram responsáveis por grandes desconfortos digestivos. Tempere seus lanches de verão com doses generosas de ambos.
Marcadores:
alimentação,
colesterol,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
04 agosto 2014
O Dia da Água
© Dr. Alessandro Loiola
Sessenta por cento do seu corpo e 80% do seu cérebro. É isso que a água corresponde. Dentro do nosso medíocre conhecimento, não somos capazes de conceber a existência de vida onde não há (ou houve) água.
Não é à toa que os repórteres do apocalipse adoram notícias sobre a água. Quando a Globo não tem o que mostrar na sexta-feira à noite, manda algum jornalista se embrenhar no mato para o Sérgio Chapelin anunciar mais tarde: “incríveis árvores verdes, pássaros que voam de verdade e peixes que conseguem respirar até debaixo d´água! Você não pode perder, esta noite, no bobo repórter”. O mesmo vale para a água. Quando faltam novos dados convincentes sobre o fim do mundo, apelam para a água: O fim da água! No futuro, a guerra pela água! E blá blá blá.
Sim, a água vai acabar. Assim como nossa espécie, o Sol e todo este lado da Via Láctea.
Com relação à nossa hospitaleira Terra, digamos que ela passa por fases. Como em uma versão realista de um The Sims planetário, não estamos terminados: estamos sempre evoluindo. O jogo segue. E se um dia fomos uma crosta vulcânica desprovida de vertebrados, muito provavelmente no futuro seremos alguma coisa bastante diferente deste aquário invertido infestado por Homo sapiens.
A despeito desta crua realidade, é extremamente válido dar o devido valor a tudo que nos sustenta. Se você trata seu chefe com respeito (pelo menos na frente dele) e venera aquele aumento no salário, por que faria diferente com a água?
Sem a água, não desapareciam apenas as atividades econômicas: nosso organismo não duraria uma semana sem ingerir o precioso líquido. Durante o curso de medicina, aprendemos que a sobrevivência humana é delimitada por algo chamado Regra dos Três: 3 minutos sem respirar, 3 dias sem beber água, 3 semanas sem comer. Qualquer passo fora disso, vuuussh!, você já era, vai freqüentar uma palestra para vegetais no Ceasa ou virar adubo de samambaia.
A água participa da digestão dos alimentos, da regulação da temperatura corporal e do transporte de oxigênio. Ela lubrifica articulações, promove o bom funcionamento intestinal e serve de meio para milhares de reações químicas essenciais para a manutenção da vida.
Apesar de valiosa, nosso organismo faz questão de perder água: através da respiração, eliminamos quase 2 copos de água diariamente. Através do suor, outros 2 copos ou mais. Os rins eliminam outros 5-6 copos. Para repor estas perdas, é essencial ingerir boas quantidades de líquido por dia – no mínimo 6-8 copos.
Para que você tenha sempre água à sua disposição, respeitando os limites do bom senso e evitando desperdícios, seguem 5 orientações que podem ser tão práticas quanto inúteis:
• Confira periodicamente vazamentos em pias, chuveiros e vasos sanitários. E conserte-os. Porque “verificação” e “nada” significam quase a mesma coisa se você não tomar uma atitude.
• Feche a torneira enquanto estiver se ensaboando, escovando os dentes ou fazendo a barba. Cada minuto a menos de banho equivale a uma economia de 3 a 6 litros de água! Explique isso para sua mãe ou esposa quando ela começar a reclamar do seu cheiro.
• Ao limpar as louças, deixe-as de molho em uma bacia ou na própria pia, para amolecer os resíduos. Então raspe e jogue os resíduos no lixo – ou guarde-os em um recipiente para oferecer ao seu cunhado no almoço de sábado (“você não pode deixar de provar esse risoto!”). Aquela água imunda em que os vasilhames permaneceram de molho pode ser utilizada para preparar uma deliciosa sopa de legumes à noite. Chame seu cunhado de volta.
• Otimize o uso da máquina de lavar louças e da máquina de lavar roupas: coloque-as para rodar apenas quando estiverem cheias. E não ponha a roupa para lavar a todo momento: recicle sua cueca usando dos dois lados. Lamber bem os talheres do almoço ajuda a mantê-los limpos até a janta. E etc.
• Não lave a calçada: limpe-a com uma vassoura ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Se você acha divertido ficar ali feito um debilóide de bermudas, assoviando Tony Bennet enquanto empurra folha por folha até a sarjeta com a mangueira aberta, procure fazer o mesmo utilizando apenas sua saliva. Depois de uma hora, você entenderá mais ou menos como o planeta se sente. Boa sorte!
Sessenta por cento do seu corpo e 80% do seu cérebro. É isso que a água corresponde. Dentro do nosso medíocre conhecimento, não somos capazes de conceber a existência de vida onde não há (ou houve) água.
Não é à toa que os repórteres do apocalipse adoram notícias sobre a água. Quando a Globo não tem o que mostrar na sexta-feira à noite, manda algum jornalista se embrenhar no mato para o Sérgio Chapelin anunciar mais tarde: “incríveis árvores verdes, pássaros que voam de verdade e peixes que conseguem respirar até debaixo d´água! Você não pode perder, esta noite, no bobo repórter”. O mesmo vale para a água. Quando faltam novos dados convincentes sobre o fim do mundo, apelam para a água: O fim da água! No futuro, a guerra pela água! E blá blá blá.
Sim, a água vai acabar. Assim como nossa espécie, o Sol e todo este lado da Via Láctea.
Com relação à nossa hospitaleira Terra, digamos que ela passa por fases. Como em uma versão realista de um The Sims planetário, não estamos terminados: estamos sempre evoluindo. O jogo segue. E se um dia fomos uma crosta vulcânica desprovida de vertebrados, muito provavelmente no futuro seremos alguma coisa bastante diferente deste aquário invertido infestado por Homo sapiens.
A despeito desta crua realidade, é extremamente válido dar o devido valor a tudo que nos sustenta. Se você trata seu chefe com respeito (pelo menos na frente dele) e venera aquele aumento no salário, por que faria diferente com a água?
Sem a água, não desapareciam apenas as atividades econômicas: nosso organismo não duraria uma semana sem ingerir o precioso líquido. Durante o curso de medicina, aprendemos que a sobrevivência humana é delimitada por algo chamado Regra dos Três: 3 minutos sem respirar, 3 dias sem beber água, 3 semanas sem comer. Qualquer passo fora disso, vuuussh!, você já era, vai freqüentar uma palestra para vegetais no Ceasa ou virar adubo de samambaia.
A água participa da digestão dos alimentos, da regulação da temperatura corporal e do transporte de oxigênio. Ela lubrifica articulações, promove o bom funcionamento intestinal e serve de meio para milhares de reações químicas essenciais para a manutenção da vida.
Apesar de valiosa, nosso organismo faz questão de perder água: através da respiração, eliminamos quase 2 copos de água diariamente. Através do suor, outros 2 copos ou mais. Os rins eliminam outros 5-6 copos. Para repor estas perdas, é essencial ingerir boas quantidades de líquido por dia – no mínimo 6-8 copos.
Para que você tenha sempre água à sua disposição, respeitando os limites do bom senso e evitando desperdícios, seguem 5 orientações que podem ser tão práticas quanto inúteis:
• Confira periodicamente vazamentos em pias, chuveiros e vasos sanitários. E conserte-os. Porque “verificação” e “nada” significam quase a mesma coisa se você não tomar uma atitude.
• Feche a torneira enquanto estiver se ensaboando, escovando os dentes ou fazendo a barba. Cada minuto a menos de banho equivale a uma economia de 3 a 6 litros de água! Explique isso para sua mãe ou esposa quando ela começar a reclamar do seu cheiro.
• Ao limpar as louças, deixe-as de molho em uma bacia ou na própria pia, para amolecer os resíduos. Então raspe e jogue os resíduos no lixo – ou guarde-os em um recipiente para oferecer ao seu cunhado no almoço de sábado (“você não pode deixar de provar esse risoto!”). Aquela água imunda em que os vasilhames permaneceram de molho pode ser utilizada para preparar uma deliciosa sopa de legumes à noite. Chame seu cunhado de volta.
• Otimize o uso da máquina de lavar louças e da máquina de lavar roupas: coloque-as para rodar apenas quando estiverem cheias. E não ponha a roupa para lavar a todo momento: recicle sua cueca usando dos dois lados. Lamber bem os talheres do almoço ajuda a mantê-los limpos até a janta. E etc.
• Não lave a calçada: limpe-a com uma vassoura ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Se você acha divertido ficar ali feito um debilóide de bermudas, assoviando Tony Bennet enquanto empurra folha por folha até a sarjeta com a mangueira aberta, procure fazer o mesmo utilizando apenas sua saliva. Depois de uma hora, você entenderá mais ou menos como o planeta se sente. Boa sorte!
Marcadores:
água,
alimentação,
cantareira,
colesterol,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
Gestante Mutante
©
Dr. Alessandro Loiola
Quando estávamos na escola, lá naqueles idos quando chamávamos a professora de “tia”, aprendemos que os seres vivos possuem um conjunto bastante peculiar de características. Eles são formados por células, necessitam de alimento, nascem, crescem, morrem, etc. De todas estas estranhezas que nos cercam, o fato de sermos capazes de produzir descendentes é um requinte miraculoso.
A metamorfose envolvida na geração de nossas pequenas fotocópias devoradoras de fraldas descartáveis seria um bom tema de ficção-científica. A gestante é um mutante e não é preciso ser um cientista para perceber as alterações que ocorrem no organismo feminino durante este período. Entretanto, existe muito mais ocorrendo entre o céu e a placenta do que julga nossa vã filosofia.
Alguns dias após a fecundação do óvulo, o organismo materno – faminto por energia - inicia uma série de saques nas reservas de gordura, podendo ocorrer uma discreta perda de peso no início da gravidez. A atividade enzimática e a síntese de proteínas aumentam, agregando valores à construção do pequeno novo ser humano.
Com toda essa movimentação molecular, os níveis de glicose no sangue diminuem e o corpo retém líquido. Alterações renais promovidas por hormônios como a Aldosterona farão com que até o final da gravidez sejam acumulados mais de 7 litros de água! O acúmulo de líquido responde por boa parte das alterações sensoriais, como a diminuição da audição, as alterações do paladar e do tato.
Nos primeiros 3 meses de gravidez, o trabalho do coração aumenta 40%. Para manter níveis adequados de oxigenação para a mãe e o feto, incrementam a necessidade de ferro e a freqüência respiratória materna.
As adaptações anatômicas também repercutem sobre sistema digestivo: náuseas no período da manhã são comuns. A produção de saliva é maior. O intestino passa a funcionar com mais lentidão e a constipação é freqüente. À medida que o útero ocupa boa parte do espaço na cavidade abdominal, o estômago se torna menos capaz de distender, provocando o refluxo e azia.
As mudanças hormonais são sentidas literalmente na pele: estrias gravídicas podem surgir nos seios, nos flancos, na parte anterior do abdome, nas nádegas e na raiz dos membros inferiores. É comum o escurecimento da linha que vai do umbigo ao púbis (Linha Nigra) e o rosto pode apresentar áreas de hiperpigmentação (cloasma). O balanço dos hormônios também pode provocar balanços no humor, com extremos de irritabilidade e melancolia.
Por todos estes motivos, o acompanhamento pré-natal é fundamental. É essencial que a grávida compreenda as modificações e adaptações do seu corpo à presença do parasita, digo, do bebê, pois isso ajudará a diminuir a ansiedade e a insegurança associadas à gestação.
Para facilitar um pouco sua vida, reuni 7 macetes que podem lhe ajudar a contornar os problemas mais comuns:
ENJÔOS MATINAIS: as náuseas começam 3-4 semanas após o atraso da menstruação, durando até o final da 12ª semana de gravidez. Prefira alimentos de digestão mais fácil, como batatas amassadas, torradas, arroz e frutas, ingerindo as refeições em porções menores, porém mais freqüentes.
CÃIBRAS: mais comuns durante a noite. O remédio mais fácil e rápido consiste em ficar de pé e alongar os músculos que estão doendo. Aproveite para chorar uma promoção e conseguir uma massagem alentadora nos pés.
DORES NAS COSTAS: quanto mais peso, mais trabalho para a coluna vertebral. Procure utilizar sapatos baixos e manter as costas bem apoiadas quando estiver sentada. Cuidado ao curvar-se, levantar pesos ou fazer exercícios.
AZIA: a barriga está toda ocupada pelo bebê e ele não sabe que você come. Para reduzir o desconforto, evite alimentos muito temperados ou ácidos, frituras e refeições muito volumosas. Para descansar depois de uma refeição, recoste sobre uma pilha de travesseiros ou almofadas ao invés de deitar.
FALTA DE AR: a pressão progressiva do útero sobre os pulmões pode causar falta de ar. Repouse e aceite os novos limites do seu corpo. Estes limites podem ser temporários, mas existem.
DORES NOS QUADRIS: nas últimas semanas da gravidez, as cartilagens que unem os ossos da pelve começam a se afastar, preparando para a passagem do alien. Isso faz com que os quadris doam e pareçam “soltos” durante a caminhada. Repouso e compressas mornas ajudam a aliviar o desconforto.
INCHAÇO NOS PÉS E TORNOZELOS: sempre que possível, mantenha os pés levantados ou apoiados na altura do corpo, evitando permanecer de pé por longos períodos de tempo. Essas mesmas dicas se aplicam para evitar as famigeradas varizes. Mas atenção: se os inchaços começarem a parecer fora de proporção, conte sempre com a ajuda de seu médico de confiança!
Quando estávamos na escola, lá naqueles idos quando chamávamos a professora de “tia”, aprendemos que os seres vivos possuem um conjunto bastante peculiar de características. Eles são formados por células, necessitam de alimento, nascem, crescem, morrem, etc. De todas estas estranhezas que nos cercam, o fato de sermos capazes de produzir descendentes é um requinte miraculoso.
A metamorfose envolvida na geração de nossas pequenas fotocópias devoradoras de fraldas descartáveis seria um bom tema de ficção-científica. A gestante é um mutante e não é preciso ser um cientista para perceber as alterações que ocorrem no organismo feminino durante este período. Entretanto, existe muito mais ocorrendo entre o céu e a placenta do que julga nossa vã filosofia.
Alguns dias após a fecundação do óvulo, o organismo materno – faminto por energia - inicia uma série de saques nas reservas de gordura, podendo ocorrer uma discreta perda de peso no início da gravidez. A atividade enzimática e a síntese de proteínas aumentam, agregando valores à construção do pequeno novo ser humano.
Com toda essa movimentação molecular, os níveis de glicose no sangue diminuem e o corpo retém líquido. Alterações renais promovidas por hormônios como a Aldosterona farão com que até o final da gravidez sejam acumulados mais de 7 litros de água! O acúmulo de líquido responde por boa parte das alterações sensoriais, como a diminuição da audição, as alterações do paladar e do tato.
Nos primeiros 3 meses de gravidez, o trabalho do coração aumenta 40%. Para manter níveis adequados de oxigenação para a mãe e o feto, incrementam a necessidade de ferro e a freqüência respiratória materna.
As adaptações anatômicas também repercutem sobre sistema digestivo: náuseas no período da manhã são comuns. A produção de saliva é maior. O intestino passa a funcionar com mais lentidão e a constipação é freqüente. À medida que o útero ocupa boa parte do espaço na cavidade abdominal, o estômago se torna menos capaz de distender, provocando o refluxo e azia.
As mudanças hormonais são sentidas literalmente na pele: estrias gravídicas podem surgir nos seios, nos flancos, na parte anterior do abdome, nas nádegas e na raiz dos membros inferiores. É comum o escurecimento da linha que vai do umbigo ao púbis (Linha Nigra) e o rosto pode apresentar áreas de hiperpigmentação (cloasma). O balanço dos hormônios também pode provocar balanços no humor, com extremos de irritabilidade e melancolia.
Por todos estes motivos, o acompanhamento pré-natal é fundamental. É essencial que a grávida compreenda as modificações e adaptações do seu corpo à presença do parasita, digo, do bebê, pois isso ajudará a diminuir a ansiedade e a insegurança associadas à gestação.
Para facilitar um pouco sua vida, reuni 7 macetes que podem lhe ajudar a contornar os problemas mais comuns:
ENJÔOS MATINAIS: as náuseas começam 3-4 semanas após o atraso da menstruação, durando até o final da 12ª semana de gravidez. Prefira alimentos de digestão mais fácil, como batatas amassadas, torradas, arroz e frutas, ingerindo as refeições em porções menores, porém mais freqüentes.
CÃIBRAS: mais comuns durante a noite. O remédio mais fácil e rápido consiste em ficar de pé e alongar os músculos que estão doendo. Aproveite para chorar uma promoção e conseguir uma massagem alentadora nos pés.
DORES NAS COSTAS: quanto mais peso, mais trabalho para a coluna vertebral. Procure utilizar sapatos baixos e manter as costas bem apoiadas quando estiver sentada. Cuidado ao curvar-se, levantar pesos ou fazer exercícios.
AZIA: a barriga está toda ocupada pelo bebê e ele não sabe que você come. Para reduzir o desconforto, evite alimentos muito temperados ou ácidos, frituras e refeições muito volumosas. Para descansar depois de uma refeição, recoste sobre uma pilha de travesseiros ou almofadas ao invés de deitar.
FALTA DE AR: a pressão progressiva do útero sobre os pulmões pode causar falta de ar. Repouse e aceite os novos limites do seu corpo. Estes limites podem ser temporários, mas existem.
DORES NOS QUADRIS: nas últimas semanas da gravidez, as cartilagens que unem os ossos da pelve começam a se afastar, preparando para a passagem do alien. Isso faz com que os quadris doam e pareçam “soltos” durante a caminhada. Repouso e compressas mornas ajudam a aliviar o desconforto.
INCHAÇO NOS PÉS E TORNOZELOS: sempre que possível, mantenha os pés levantados ou apoiados na altura do corpo, evitando permanecer de pé por longos períodos de tempo. Essas mesmas dicas se aplicam para evitar as famigeradas varizes. Mas atenção: se os inchaços começarem a parecer fora de proporção, conte sempre com a ajuda de seu médico de confiança!
Marcadores:
alimentação,
colesterol,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
filho,
gestação,
grávida,
gravidez,
hpv,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
30 julho 2014
Correr 10 minutos duas vezes por semana ajuda alguma coisa?
Apenas 5
a 10 minutos de corrida diariamente, ainda que em baixa velocidade, pode
reduzir significativamente seu risco de morte por todas as causas e de morte
por doenças cardiovasculares.
Em comparação às pessoas que não praticam corrida, os pesquisadores observaram uma redução importante no risco de mortalidade em pessoas que corriam (1) menos de 10 km por semana, (2) a uma velocidade inferior a 10 km/h e (4) apenas uma a duas vezes por semana.
Esta notícia é extremamente relevante porque o TEMPO é uma das principais justificativas utilizadas para não praticar exercícios físicos. Esta descoberta diz que você não precisa fazer corridas extenuantes de 30 a 40 minutos todo santo dia: o benefício para reduzir seu risco de morte por qualquer causa pode ser obtido com corridas diárias de 5 a 15 minutos apenas.
O coordenador do estudo, Dr. Duck-chul Lee, da Universidade Estadual de Iowa, assim como muitos de nós médicos, acreditava que quanto mais você praticasse corrida, maiores seriam os benefícios. Vários manuais e diretrizes de cardiologia e fitness pregam que você deve praticar pelo menos 75 minutos de atividade física vigorosa por semana para reduzir o risco de morte por doenças cardiovasculares. O que os cientistas descobriram foi que menos do que isso (75 minutos) TAMBÉM é útil para diminuir o risco.
O estudo, publicado em 28/07/14 no Journal of the American College of Cardiology, incluiu 55.137 participantes, que foram acompanhados durante 15 anos. Destes indivíduos, aproximadamente 1 de cada 4 praticava corrida. Mesmo após ajuste das variáveis com potencial de bias, a prática de corrida associava-se a um risco significativamente menor de mortalidade. Não correr, os pesquisadores observaram, era um fator de risco quase tão importante quanto hipertensão arterial, respondendo por 16% da mortalidade global e 25% da mortalidade cardiovascular.
Os investigadores então separaram os corredores em 5 grupos com base no tempo semanal dedicado à atividade. Os indivíduos que corriam menos de 51 minutos por semana apresentava um risco de mortalidade significativamente menor quando comparados a indivíduos que não praticavam corrida. E mais: entre aqueles que corriam com mais frequência, não pareceu haver qualquer benefício adicional em termos de redução da mortalidade global ou da mortalidade cardiovascular. Quando os não-corredores eram excluídos da análise, praticamente não havia mais qualquer diferença estatisticamente significativa na redução da mortalidade entre os grupos de indivíduos corredores.
Em termos de distância, o maior benefício em termos de redução da mortalidade global ocorre entre os indivíduos que perfazem menos de 10 km por semana. Para reduzir especificamente a mortalidade cardiovascular, são necessários 8 a 16 km por semana.
Concluindo: quem pratica corrida regularmente (mesmo uma corridinha básica de 10 minutos, 3 vezes na semana) adiciona 3 anos a mais de vida em relação às pessoas que não praticam, além de possuíram um risco 30% menor de morte por qualquer causa e 45% menor de mortalidade cardiovascular.
Tá esperando o quê? Bora pra pista ! J
Em comparação às pessoas que não praticam corrida, os pesquisadores observaram uma redução importante no risco de mortalidade em pessoas que corriam (1) menos de 10 km por semana, (2) a uma velocidade inferior a 10 km/h e (4) apenas uma a duas vezes por semana.
Esta notícia é extremamente relevante porque o TEMPO é uma das principais justificativas utilizadas para não praticar exercícios físicos. Esta descoberta diz que você não precisa fazer corridas extenuantes de 30 a 40 minutos todo santo dia: o benefício para reduzir seu risco de morte por qualquer causa pode ser obtido com corridas diárias de 5 a 15 minutos apenas.
O coordenador do estudo, Dr. Duck-chul Lee, da Universidade Estadual de Iowa, assim como muitos de nós médicos, acreditava que quanto mais você praticasse corrida, maiores seriam os benefícios. Vários manuais e diretrizes de cardiologia e fitness pregam que você deve praticar pelo menos 75 minutos de atividade física vigorosa por semana para reduzir o risco de morte por doenças cardiovasculares. O que os cientistas descobriram foi que menos do que isso (75 minutos) TAMBÉM é útil para diminuir o risco.
O estudo, publicado em 28/07/14 no Journal of the American College of Cardiology, incluiu 55.137 participantes, que foram acompanhados durante 15 anos. Destes indivíduos, aproximadamente 1 de cada 4 praticava corrida. Mesmo após ajuste das variáveis com potencial de bias, a prática de corrida associava-se a um risco significativamente menor de mortalidade. Não correr, os pesquisadores observaram, era um fator de risco quase tão importante quanto hipertensão arterial, respondendo por 16% da mortalidade global e 25% da mortalidade cardiovascular.
Os investigadores então separaram os corredores em 5 grupos com base no tempo semanal dedicado à atividade. Os indivíduos que corriam menos de 51 minutos por semana apresentava um risco de mortalidade significativamente menor quando comparados a indivíduos que não praticavam corrida. E mais: entre aqueles que corriam com mais frequência, não pareceu haver qualquer benefício adicional em termos de redução da mortalidade global ou da mortalidade cardiovascular. Quando os não-corredores eram excluídos da análise, praticamente não havia mais qualquer diferença estatisticamente significativa na redução da mortalidade entre os grupos de indivíduos corredores.
Em termos de distância, o maior benefício em termos de redução da mortalidade global ocorre entre os indivíduos que perfazem menos de 10 km por semana. Para reduzir especificamente a mortalidade cardiovascular, são necessários 8 a 16 km por semana.
Concluindo: quem pratica corrida regularmente (mesmo uma corridinha básica de 10 minutos, 3 vezes na semana) adiciona 3 anos a mais de vida em relação às pessoas que não praticam, além de possuíram um risco 30% menor de morte por qualquer causa e 45% menor de mortalidade cardiovascular.
Tá esperando o quê? Bora pra pista ! J
Marcadores:
alimentação,
colesterol,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
infarto,
malhação,
malhar,
motivação,
músculo,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
29 julho 2014
Pensamento do Dia
Na longa estrada para a Sabedoria existem inúmeras pousadas de
Ignorância com amplos jardins perfumados de meias verdades, e atalhos que levam
todos ao mesmo Distrito – o da Plena Estupidez. Porque a estrada para a Sabedoria
possui loucura e lucidez e disciplina e um tanto de atrevimento, mas nenhuma parada ou atalho. E só os tolos e seus semelhantes se atrevem a
acreditar em contrário.
Marcadores:
alimentação,
colesterol,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
inteligência,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
sabedoria,
sábio,
saúde,
sexo,
sucesso
04 outubro 2013
TESTE DE PERSONALIDADE
BRINCADEIRA DO DIA -
faça o teste e entenda-se um pouco mais
A escritora Gail Sheehy
disse que “só há duas ou três histórias humanas, que se repetem furiosamente,
como se nunca tivessem acontecido antes”. Apesar disso parecer um tanto
restrito – todo mundo se acha tão especial e diferente -, as colunas de
horóscopos que dividem a humanidade em um leque diário de 12 destinos apenas
podem dar uma pista. Somos realmente MUITO parecidos.
Existem padrões gerais
de comportamento que subdividem-se em padrões gerais de personalidade. A
energia elétrica (comportamento) chega à sua casa, e você a utiliza para
desenvolver certas atividades (conservar alimentos, iluminar e refrescar
ambientes, aquecer a água do banho, etc), mas esse número de atividades é
limitado e, até certo ponto, previsível.
Na década de 50, utilizarando
os estudos de Carl Jung para auxiliar no esforço de reconstrução dos EUA ndo
pós-guerra, as pioneiras Katherine e Isabel Briggs Myers (respectivamente mãe e
filha) desenvolveram um indicador capaz de captar os tipos psicológicos das
pessoas (Taylorismo para principiantes). Aplicando esse indicador na seleção da
mão de obra, elas acreditavam que seria possível aprimorar a compreensão de
suas expectativas, comportamentos, anseios e qualidades, aumentando a eficácia,
a satisfação e a produtividade no trabalho.
Na prática, o Myers
Briggs Type Indicator (ou MBTI), divide a personalidade em 16 tipos,
organizados segundo os critérios Extroversão/Introversão, Sensação/Intuição,
Pensamento/Sentimento e Julgamento/Percepção.
Para ter uma ideia
simples de como aplicar isso, faça o seguinte: em cada uma das perguntas
abaixo, assinale a letra correspondente à esquerda que mais se encaixa à sua
resposta. Lembre-se de escolher APENAS UMA LETRA para cada pergunta. Anote
estas letras e memorize a sequência (p.ex.: ESTJ, INFP, ENFJ, etc).
1. De um modo geral, você:
(E) se acha
extrovertido(a) e prefere interagir com pessoas / animais / coisas
OU
OU
(I) se acha
introvertido(a) prefere o mundo das ideias e passar seu tempo mais sozinha?
2. Ao lidar com os desafios do dia a dia,
você:
(S) Normalmente se acha
uma pessoa mais realista e prática, prestando mais atenção a fatos e detalhes
OU
(N) se acha
imaginativo(a) e criativo(a), sempre tentando entender conexões, significados e
implicações das coisas?
3. Em uma situação de conflito onde seu
posicionamento será crucial para determinar o caminho da solução:
(T) você valoriza a
lógica e a justiça (um peso, uma medida) e toma suas decisões mais
objetivamente, pesando os prós e contras
OU
(F) procura se basear em
como as outras pessoas se sentem acerca do assunto e como os outros serão
afetados, valorizando a empatia e a harmonia?
4. Durante a solução daquele conflito:
(J) você tende a tomar
suas decisões rápida e facilmente, se sentindo mais feliz depois que as
decisões foram tomadas
OU
(P) prefere deixar as
suas opções mais em aberto?
Conseguiu sua sequência?
Lembre-se de responder as questões o mais sinceramente possível. Ninguém está
vendo o resultado mesmo, só você.
Agora abra este link em
uma outra janela do seu navegador
http://www.erudito.fea.usp.br/PortalFEA/repositorio/201/documentos/RH1_T2/DescricaoTiposHTML.htm
e clique sobre a
sequência que corresponde à sua. O que bate e o que não bate?
Compartilhe a
brincadeira com seus colegas e tenha um bom assunto para o happy-hour de hoje
:)
Abraço,
Alessandro Loiola.
Marcadores:
alimentação,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
jung,
motivação,
obesidade,
orgulho,
personalidade,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
06 novembro 2011
UM BRINDE AO DIA DEPOIS DO OUTRO
© Dr. Alessandro Loiola
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos.
Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos.
Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
20 setembro 2011
EM BUSCA DA BÚSSOLA PERDIDA
Uma amiga desabafa: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei de uma pequena localidade chamada Santa Maria de Jetibá (menos de 50.000 habitantes) para a enorme região metropolitana de BH (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando meu filho - então com 6 anos de idade - perguntou:
- Pai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
1 - Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
2 - Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
3 - No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
4 - Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
5 - Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
EM BUSCA DA BÚSSOLA PERDIDA
© Dr. Alessandro Loiola
Uma amiga desabafa em seu email: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei com esposa e casal de filhos de uma pequena localidade (33.000 habitantes) para uma enorme região metropolitana (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando o de 6 anos perguntou:
- Papai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros, filho, e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
- Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
- Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
- No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
- Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
- Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
Uma amiga desabafa em seu email: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei com esposa e casal de filhos de uma pequena localidade (33.000 habitantes) para uma enorme região metropolitana (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando o de 6 anos perguntou:
- Papai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros, filho, e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
- Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
- Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
- No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
- Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
- Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
10 setembro 2011
Reflexão para o sábado
Este trecho de um livro foi bastante útil para mim recentemente, e espero q passando a frente possa ser útil para mais alguém.
Uma ocasião estava Buda a contar uma história a um aprendiz:
- Um homem viajando chega à margem assustadora de um grande rio. Então vê que a outra margem é segura. Pensa: "Esta extensão de água é vasta e esta margem é perigosa, aquela é livre de perigo. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Acho que seria hom juntar troncos, ramos e folhas e fazer uma jangada com a qual, impulsionada por minhas mãos e meus pés, passe com segurança a outra margem." Então esse homem executa o que imagina e passa para a margem oposta sem perigo, onde pensa: "Esta jangada me foi muito útil e me permitiu chegar a esta margem. Seria bom carregá-la à cabeça ou às costas onde quer que eu vá".
- Que pensais, monge? Procedendo dessa forma, esse homem agiria adequadamente em relação à jangada?
- Não, Senhor!
- Qual seria o melhor a se fazer?
- Tendo atravessado para a outra margem – respondeu o aprendiz-, esse homem deveria pensar: "Esta jangada me foi de grande auxílio e graças a ela cheguei com segurança; agora seria bom que eu a abandonasse à sua sorte e seguisse o meu caminho livremente."
Pois exatamente assim são as verdades e certezas que carregamos. Elas devem ser consideradas não como um fim, mas como um meio; da mesma forma com a jangada é um meio para atravessar, mas não para se apegar.
Uma ocasião estava Buda a contar uma história a um aprendiz:
- Um homem viajando chega à margem assustadora de um grande rio. Então vê que a outra margem é segura. Pensa: "Esta extensão de água é vasta e esta margem é perigosa, aquela é livre de perigo. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Acho que seria hom juntar troncos, ramos e folhas e fazer uma jangada com a qual, impulsionada por minhas mãos e meus pés, passe com segurança a outra margem." Então esse homem executa o que imagina e passa para a margem oposta sem perigo, onde pensa: "Esta jangada me foi muito útil e me permitiu chegar a esta margem. Seria bom carregá-la à cabeça ou às costas onde quer que eu vá".
- Que pensais, monge? Procedendo dessa forma, esse homem agiria adequadamente em relação à jangada?
- Não, Senhor!
- Qual seria o melhor a se fazer?
- Tendo atravessado para a outra margem – respondeu o aprendiz-, esse homem deveria pensar: "Esta jangada me foi de grande auxílio e graças a ela cheguei com segurança; agora seria bom que eu a abandonasse à sua sorte e seguisse o meu caminho livremente."
Pois exatamente assim são as verdades e certezas que carregamos. Elas devem ser consideradas não como um fim, mas como um meio; da mesma forma com a jangada é um meio para atravessar, mas não para se apegar.
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
31 agosto 2011
AUTOMEDICAÇÃO PLACEBOTERÁPICA
© Dr. Alessandro Loiola
Em uma folga durante o plantão, peguei emprestada uma revista médica de um colega. A sensação que tenho ao folhear ciência de qualidade é quase idêntica a de uma criança à solta em uma loja de brinquedos. Com a diferença de que, ao sair da revista, não tenho que pagar uma pequena fortuna por alguns pedaços de plástico pintados com tinta não-tóxica.
Pois bem. Na revista havia uma curiosa pesquisa sobre automedicação que avaliava o potencial do efeito placebo. Para quem não sabe, os estudos clínicos sobre um determinado tratamento ou remédio são feitos comparando-se 3 grupos distintos de pacientes: 1 grupo tratado com o remédio novo, 1 grupo tratado com um remédio antigo consagrado para aquele problema, e 1 grupo tratado com remédio falso, de mentirinha, a que chamam placebo. Este remédio de mentirinha pode ser uma cápsula contendo apenas excipiente, uma injeção de soro fisiológico, o que for.
O fato é que o placebo não tem propriedade terapêutica alguma. Mas os participantes do estudo nunca sabem o que estão tomando – placebo ou remédio de fato. O placebo serve para mostrar as consequências da ausência de tratamento, permitindo comparar com maior clareza os efeitos da droga nova em relação à droga antiga. Obviamente, a utilização de placebos deve obedecer a elevados critérios éticos, como não colocar a vida do sujeito em risco (isto poderia diminuir perigosamente a população de cobaias).
O dado curioso das pesquisas que avaliam a eficácia de novos remédios é que, em não raros casos, o efeito do placebo costuma ser igual ou superior ao efeito dos remédios propriamente ditos. Por exemplo: cerca de 30% das pessoas que participam de estudos sobre analgésicos relatam melhora da dor após tomar uma única e inocente pílula de açúcar...
No estudo publicado na British Medical Journal, os cientistas modificaram o conceito de placebo da seguinte maneira: os mesmos pacientes recebiam exatamente o mesmo medicamento para controlar a dor, para ser tomado à vontade. Em um dia, dizia-se ser o medicamento “A”, um potente analgésico comprado por R$0,70; no dia seguinte, dizia-se ser o medicamento “B”, um potente e novo analgésico comprado por R$7,00.
Na verdade, os dois medicamentos eram exatamente a mesma droga, sem tirar nem por. A mesma dose, a mesma caixa, todos os dias. O efeito placebo estava na ilusão de que o comprimido B custava 10 vezes mais que o comprimido A. Como na cabeça de qualquer cidadão razoavelmente sensato um tratamento 10 vezes mais caro certamente deve surtir 10 vezes mais efeito que o outro, este foi o efeito observado no estudo. O poder de sugestão respondia pela diferença na eficácia.
Tenho muitos pacientes que se deixam levar pelos números, preços, dosagens, cores, tamanhos:
- Mas é só isso aqui? Esse comprimidinho de nada vai melhorar minha memória??
- Sim, é isso aí.
- Mas doutor, sinceramente, não vai fazer efeito... eu tomo diariamente aquele outro bem maior, amarelo, da caixa branca, sabe?
- Amarelo da caixa branca... ?
- É... hum... – estala os dedos - humm... tá na ponta da língua...
- Então cospe.
- Não, não, o nome do remédio... é... bah, esqueci o nome. Mas o fato é que ele, sim, funciona de verdade. Um comprimidão deste tamanho! – e mostra com as mãos espalmadas o que provavelmente corresponderia a uma truta adulta ou uma pequena frigideira.
Como dizem as boas revistas de outro ramo, não é o tamanho da varinha que conta, mas o efeito da mágica que ela proporciona. Afinal de contas, se tamanho fosse documento, sua carteira de identidade deveria ter pelo menos 1 metro de altura e o elefante – não o leão – seria o rei da selva. O mesmo princípio parece valer para os comprimidos.
Quanto ao placebo, ele não precisa nem mesmo ser uma pílula. O placebo pode ser uma dieta especial, um exercício, uma meta, um novo relacionamento ou um modo diferente de enxergar a vida. Qualquer coisa que mexa com seu poder de auto-sugestão, influenciando o estado de ânimo em direção à cura.
Remédios para dormir, perder peso, antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios... a consequência não está no preço, na aparência ou nas miligramas, mas no modo como aquela droga irá reagir com seu corpo.
Para ter uma idéia mais precisa de como será essa reação e não ingerir gato por lebre, é preciso ter cuidado e estudar um pouco mais além da bula que acompanha a caixa. Para sua felicidade, existe uma raça de gente biruta que adora folhear revistas científicas nas horas de folga. Esse povo parece realmente entender alguma coisa sobre remédios. Procure sempre conversar com um deles antes de tomar o seu.
Em uma folga durante o plantão, peguei emprestada uma revista médica de um colega. A sensação que tenho ao folhear ciência de qualidade é quase idêntica a de uma criança à solta em uma loja de brinquedos. Com a diferença de que, ao sair da revista, não tenho que pagar uma pequena fortuna por alguns pedaços de plástico pintados com tinta não-tóxica.
Pois bem. Na revista havia uma curiosa pesquisa sobre automedicação que avaliava o potencial do efeito placebo. Para quem não sabe, os estudos clínicos sobre um determinado tratamento ou remédio são feitos comparando-se 3 grupos distintos de pacientes: 1 grupo tratado com o remédio novo, 1 grupo tratado com um remédio antigo consagrado para aquele problema, e 1 grupo tratado com remédio falso, de mentirinha, a que chamam placebo. Este remédio de mentirinha pode ser uma cápsula contendo apenas excipiente, uma injeção de soro fisiológico, o que for.
O fato é que o placebo não tem propriedade terapêutica alguma. Mas os participantes do estudo nunca sabem o que estão tomando – placebo ou remédio de fato. O placebo serve para mostrar as consequências da ausência de tratamento, permitindo comparar com maior clareza os efeitos da droga nova em relação à droga antiga. Obviamente, a utilização de placebos deve obedecer a elevados critérios éticos, como não colocar a vida do sujeito em risco (isto poderia diminuir perigosamente a população de cobaias).
O dado curioso das pesquisas que avaliam a eficácia de novos remédios é que, em não raros casos, o efeito do placebo costuma ser igual ou superior ao efeito dos remédios propriamente ditos. Por exemplo: cerca de 30% das pessoas que participam de estudos sobre analgésicos relatam melhora da dor após tomar uma única e inocente pílula de açúcar...
No estudo publicado na British Medical Journal, os cientistas modificaram o conceito de placebo da seguinte maneira: os mesmos pacientes recebiam exatamente o mesmo medicamento para controlar a dor, para ser tomado à vontade. Em um dia, dizia-se ser o medicamento “A”, um potente analgésico comprado por R$0,70; no dia seguinte, dizia-se ser o medicamento “B”, um potente e novo analgésico comprado por R$7,00.
Na verdade, os dois medicamentos eram exatamente a mesma droga, sem tirar nem por. A mesma dose, a mesma caixa, todos os dias. O efeito placebo estava na ilusão de que o comprimido B custava 10 vezes mais que o comprimido A. Como na cabeça de qualquer cidadão razoavelmente sensato um tratamento 10 vezes mais caro certamente deve surtir 10 vezes mais efeito que o outro, este foi o efeito observado no estudo. O poder de sugestão respondia pela diferença na eficácia.
Tenho muitos pacientes que se deixam levar pelos números, preços, dosagens, cores, tamanhos:
- Mas é só isso aqui? Esse comprimidinho de nada vai melhorar minha memória??
- Sim, é isso aí.
- Mas doutor, sinceramente, não vai fazer efeito... eu tomo diariamente aquele outro bem maior, amarelo, da caixa branca, sabe?
- Amarelo da caixa branca... ?
- É... hum... – estala os dedos - humm... tá na ponta da língua...
- Então cospe.
- Não, não, o nome do remédio... é... bah, esqueci o nome. Mas o fato é que ele, sim, funciona de verdade. Um comprimidão deste tamanho! – e mostra com as mãos espalmadas o que provavelmente corresponderia a uma truta adulta ou uma pequena frigideira.
Como dizem as boas revistas de outro ramo, não é o tamanho da varinha que conta, mas o efeito da mágica que ela proporciona. Afinal de contas, se tamanho fosse documento, sua carteira de identidade deveria ter pelo menos 1 metro de altura e o elefante – não o leão – seria o rei da selva. O mesmo princípio parece valer para os comprimidos.
Quanto ao placebo, ele não precisa nem mesmo ser uma pílula. O placebo pode ser uma dieta especial, um exercício, uma meta, um novo relacionamento ou um modo diferente de enxergar a vida. Qualquer coisa que mexa com seu poder de auto-sugestão, influenciando o estado de ânimo em direção à cura.
Remédios para dormir, perder peso, antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios... a consequência não está no preço, na aparência ou nas miligramas, mas no modo como aquela droga irá reagir com seu corpo.
Para ter uma idéia mais precisa de como será essa reação e não ingerir gato por lebre, é preciso ter cuidado e estudar um pouco mais além da bula que acompanha a caixa. Para sua felicidade, existe uma raça de gente biruta que adora folhear revistas científicas nas horas de folga. Esse povo parece realmente entender alguma coisa sobre remédios. Procure sempre conversar com um deles antes de tomar o seu.
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
26 fevereiro 2007
O BANHO
© Dr. Alessandro Loiola
Não é de surpreender que a idéia de banhar-se para manter a pele limpa esteja intimamente associada ao conceito de saúde: a pele, um casaco semi-impermeável de alta tecnologia, 5 camadas e quase 2 metros quadrados de tamanho, é a principal barreira contra os agentes nocivos presentes no meio ambiente. Mas será que banhar-se com regularidade é realmente importante para manter a pele saudável?
Esta pergunta, enviada por um leitor possivelmente sentado na frente de seu computador encardido e coberto por moscas varejeiras, valeu uma pesquisa que rendeu algumas informações interessantes sobre o Banho. Vamos a elas.
As origens do banho se estendem para muito antes da pré-história. Materiais saponificantes anteriores a 2.800 a.C. foram encontrados em cilindros escavados nas ruínas da antiga Babilônia. As inscrições indicavam que aquele material era utilizado para limpeza dos cabelos e para auxiliar a confecção de penteados. Os antigos egípcios também se banhavam bastante: os Papiros de Ebers, datados de 1.500 a.C., descrevem uma mistura de diversos sais e óleos utilizados para higiene pessoal.
Na civilização Ocidental, coube aos Romanos a difusão do hábito. Os primeiros Banhos Romanos foram construídos 300 anos antes de Cristo. No seu auge, Roma contava com mais de 13 aquedutos para manter seus habitantes sempre limpos. Contudo, com o declínio do Império, os Banhos também perderam gradativamente a popularidade.
Na Idade Média, os médicos desencorajavam o banho, afirmando que ele retirava as camadas mais protetoras da pele, aumentando o risco de doenças. Mas todo mundo sabe bem onde as excelentes idéias de higiene pessoal daquele tempo foram dar: em uma Peste que dizimou quase metade da população da Europa.
O banho se tornaria novamente um hábito no Ocidente apenas no Século XVII, quando os químicos franceses Nicholas Leblanc e Michel Eugene Chevreul aprimoraram as técnicas para fabricação de sabonetes. Mais ou menos no mesmo período, a descoberta dos Micróbios deu um impulso adicional ao conceito de higiene. Por volta de 1880, os chuveiros já eram parecidos com os nossos e o banho havia se tornado uma rotina. Como resposta, a lâmina de barbear descartável surgiria em 1895 e a escova de dente como a conhecemos, em 1938.
Mas a história do banho não termina neste mar de rosas. Da metade do Século XX para cá, alguns cientistas voltaram a questionar a sua validade. Estudos realizados na década de 1960 mostraram que uma boa chuveirada na verdade espalha as bactérias da pele no ambiente à sua volta, podendo aumentar o número de microorganismos nas camadas mais superficiais. Como conseqüência, os cirurgiões passaram a ser orientados a não tomar banho imediatamente antes de entrarem no bloco cirúrgico.
Alguns pesquisadores cascões também observaram que, mesmo após vários dias sem banho, a população bacteriana da pele permanece estável, fornecendo uma excelente desculpa para adolescentes mais preguiçosos.
A verdade é que, exceto pelo hábito de lavar as mãos, não existem muitas evidências científicas associando o banho ou a limpeza geral da pele à prevenção de infecções. O banho freqüente, afirmam vários cientistas, pode possuir vários benefícios estéticos, relaxantes e odoríficos, mas parece servir pouco do ponto de vista microbiológico.
Ainda assim, eu recomendo que você se banhe todos os dias. Se não o fizer por razões microbiológicas, faça-o baseado na premissa de combate ao estresse e descoberta do corpo. Afinal de contas, em que outra situação você se desligaria do mundo, cantando músicas do Cauby Peixoto enquanto explora os dedos dos pés? Só mesmo durante um bom, morno e relaxante banho.
---
Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Não é de surpreender que a idéia de banhar-se para manter a pele limpa esteja intimamente associada ao conceito de saúde: a pele, um casaco semi-impermeável de alta tecnologia, 5 camadas e quase 2 metros quadrados de tamanho, é a principal barreira contra os agentes nocivos presentes no meio ambiente. Mas será que banhar-se com regularidade é realmente importante para manter a pele saudável?
Esta pergunta, enviada por um leitor possivelmente sentado na frente de seu computador encardido e coberto por moscas varejeiras, valeu uma pesquisa que rendeu algumas informações interessantes sobre o Banho. Vamos a elas.
As origens do banho se estendem para muito antes da pré-história. Materiais saponificantes anteriores a 2.800 a.C. foram encontrados em cilindros escavados nas ruínas da antiga Babilônia. As inscrições indicavam que aquele material era utilizado para limpeza dos cabelos e para auxiliar a confecção de penteados. Os antigos egípcios também se banhavam bastante: os Papiros de Ebers, datados de 1.500 a.C., descrevem uma mistura de diversos sais e óleos utilizados para higiene pessoal.
Na civilização Ocidental, coube aos Romanos a difusão do hábito. Os primeiros Banhos Romanos foram construídos 300 anos antes de Cristo. No seu auge, Roma contava com mais de 13 aquedutos para manter seus habitantes sempre limpos. Contudo, com o declínio do Império, os Banhos também perderam gradativamente a popularidade.
Na Idade Média, os médicos desencorajavam o banho, afirmando que ele retirava as camadas mais protetoras da pele, aumentando o risco de doenças. Mas todo mundo sabe bem onde as excelentes idéias de higiene pessoal daquele tempo foram dar: em uma Peste que dizimou quase metade da população da Europa.
O banho se tornaria novamente um hábito no Ocidente apenas no Século XVII, quando os químicos franceses Nicholas Leblanc e Michel Eugene Chevreul aprimoraram as técnicas para fabricação de sabonetes. Mais ou menos no mesmo período, a descoberta dos Micróbios deu um impulso adicional ao conceito de higiene. Por volta de 1880, os chuveiros já eram parecidos com os nossos e o banho havia se tornado uma rotina. Como resposta, a lâmina de barbear descartável surgiria em 1895 e a escova de dente como a conhecemos, em 1938.
Mas a história do banho não termina neste mar de rosas. Da metade do Século XX para cá, alguns cientistas voltaram a questionar a sua validade. Estudos realizados na década de 1960 mostraram que uma boa chuveirada na verdade espalha as bactérias da pele no ambiente à sua volta, podendo aumentar o número de microorganismos nas camadas mais superficiais. Como conseqüência, os cirurgiões passaram a ser orientados a não tomar banho imediatamente antes de entrarem no bloco cirúrgico.
Alguns pesquisadores cascões também observaram que, mesmo após vários dias sem banho, a população bacteriana da pele permanece estável, fornecendo uma excelente desculpa para adolescentes mais preguiçosos.
A verdade é que, exceto pelo hábito de lavar as mãos, não existem muitas evidências científicas associando o banho ou a limpeza geral da pele à prevenção de infecções. O banho freqüente, afirmam vários cientistas, pode possuir vários benefícios estéticos, relaxantes e odoríficos, mas parece servir pouco do ponto de vista microbiológico.
Ainda assim, eu recomendo que você se banhe todos os dias. Se não o fizer por razões microbiológicas, faça-o baseado na premissa de combate ao estresse e descoberta do corpo. Afinal de contas, em que outra situação você se desligaria do mundo, cantando músicas do Cauby Peixoto enquanto explora os dedos dos pés? Só mesmo durante um bom, morno e relaxante banho.
---
Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
banho,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
higiene,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
16 fevereiro 2007
POLUIÇÃO DOMÉSTICA
© Dr. Alessandro Loiola
Na ralação do dia a dia, todo mundo sonha com aquela hora sagrada de juntar as coisas e voltar para casa. Para a calma, a paz e a segurança de casa – é óbvio que isto não vale para quem tem crianças em casa ou vizinhas com TPM, mas você entendeu o conceito...
Sentir-se seguro em casa é uma das maiores armas contra o estresse. Nada como esparramar-se no sofá e deixar a tensão ir embora entre um cochilo despreocupado e outro.
Quem poderia imaginar que, em um cenário desses, o perigo pudesse estar à sua espreita, muito mais próximo do que você jamais imaginaria. O perigo poderia estar no próprio ar que você respira! Nos últimos anos, várias pesquisas vêm indicando que o ar em nossas casas pode estar mais contaminado que o ar da “rua”, mesmo em grandes cidades industrializadas. Muitos poluentes apresentam níveis 2 a 5 vezes maiores dentro de casa do que na rua.
A raiz do problema está nas várias fontes domésticas emissoras de gases e partículas microscópicas. Além disso, uma ventilação inadequada aumenta os níveis de agentes nocivos ao não permitir uma renovação adequada da atmosfera no interior da casa. Temperaturas elevadas e altos níveis de umidade também aumentam as concentrações de certos poluentes. O resultado: chegando em casa para o merecido descanso, eis que seu corpo começa a travar uma nova e estressante luta contra toxinas altamente perigosas.
As fontes mais comuns de poluição doméstica incluem óleos, ceras, produtos de limpeza, gás de cozinha, materiais de construção, tapetes, carpetes, cortinas de tecido, inseticidas, ar condicionado e materiais de construção estocados de maneira inapropriada.
Os efeitos da exposição a esta forma de poluição podem surgir imediatamente ou levar anos até se manifestar. Os mais imediatos incluem irritação dos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça, tonteira e fadiga. As manifestações são mais comuns em idosos e crianças, justamente os mais expostos ao ambiente doméstico.
Em muitos casos, é difícil determinar se os sintomas foram causados por exposição à poluição doméstica. Por isso é importante ficar atento ao local e ao período em que as alterações ocorreram: sintomas recorrentes sempre que se tem contato com um determinado ambiente da casa sugerem que a poluição doméstica seja a causa.
As principais medidas que você pode tomar para reduzir a concentração de poluentes em casa incluem:
Corrija infiltrações nas paredes, elas são uma fonte importante de fungos. Tenho vários pacientes cujas crises periódicas de asma estavam relacionadas a paredes com infiltrações escondidas atrás de armários e outros móveis.
Prefira cortinas de PVC ao invés de tecido.
Mantenha seus tapetes e sofás limpos. Contrate firmas especializadas para fazer o serviço, se necessário.
Janelas e portas devem ficar abertas sempre que for possível e seguro.
Cuidado redobrado com a ventilação, principalmente quando estiver realizando pinturas, cozimentos, soldas e reformas em geral.
Ao ligar o ventilador de teto, prefira a função de exaustor. E verifique sempre se as paletas do ventilador estão devidamente limpas.
Faça manutenção periódica no seu ar-condicionado.
Plantas no interior da casa regadas excessivamente podem abrigar fungos na terra que lhes sustenta, afetando pessoas alérgicas.
Troque seu colchão a cada 5 anos e seu travesseiro a cada 1-3 anos. Para você ter uma idéia: calcula-se que, após 5 anos de uso, 10% do peso de um travesseiro seja composto por ácaros e células mortas descamadas da sua pele.
E NUNCA fume dentro de casa.
---
Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Na ralação do dia a dia, todo mundo sonha com aquela hora sagrada de juntar as coisas e voltar para casa. Para a calma, a paz e a segurança de casa – é óbvio que isto não vale para quem tem crianças em casa ou vizinhas com TPM, mas você entendeu o conceito...
Sentir-se seguro em casa é uma das maiores armas contra o estresse. Nada como esparramar-se no sofá e deixar a tensão ir embora entre um cochilo despreocupado e outro.
Quem poderia imaginar que, em um cenário desses, o perigo pudesse estar à sua espreita, muito mais próximo do que você jamais imaginaria. O perigo poderia estar no próprio ar que você respira! Nos últimos anos, várias pesquisas vêm indicando que o ar em nossas casas pode estar mais contaminado que o ar da “rua”, mesmo em grandes cidades industrializadas. Muitos poluentes apresentam níveis 2 a 5 vezes maiores dentro de casa do que na rua.
A raiz do problema está nas várias fontes domésticas emissoras de gases e partículas microscópicas. Além disso, uma ventilação inadequada aumenta os níveis de agentes nocivos ao não permitir uma renovação adequada da atmosfera no interior da casa. Temperaturas elevadas e altos níveis de umidade também aumentam as concentrações de certos poluentes. O resultado: chegando em casa para o merecido descanso, eis que seu corpo começa a travar uma nova e estressante luta contra toxinas altamente perigosas.
As fontes mais comuns de poluição doméstica incluem óleos, ceras, produtos de limpeza, gás de cozinha, materiais de construção, tapetes, carpetes, cortinas de tecido, inseticidas, ar condicionado e materiais de construção estocados de maneira inapropriada.
Os efeitos da exposição a esta forma de poluição podem surgir imediatamente ou levar anos até se manifestar. Os mais imediatos incluem irritação dos olhos, nariz e garganta, dor de cabeça, tonteira e fadiga. As manifestações são mais comuns em idosos e crianças, justamente os mais expostos ao ambiente doméstico.
Em muitos casos, é difícil determinar se os sintomas foram causados por exposição à poluição doméstica. Por isso é importante ficar atento ao local e ao período em que as alterações ocorreram: sintomas recorrentes sempre que se tem contato com um determinado ambiente da casa sugerem que a poluição doméstica seja a causa.
As principais medidas que você pode tomar para reduzir a concentração de poluentes em casa incluem:
Corrija infiltrações nas paredes, elas são uma fonte importante de fungos. Tenho vários pacientes cujas crises periódicas de asma estavam relacionadas a paredes com infiltrações escondidas atrás de armários e outros móveis.
Prefira cortinas de PVC ao invés de tecido.
Mantenha seus tapetes e sofás limpos. Contrate firmas especializadas para fazer o serviço, se necessário.
Janelas e portas devem ficar abertas sempre que for possível e seguro.
Cuidado redobrado com a ventilação, principalmente quando estiver realizando pinturas, cozimentos, soldas e reformas em geral.
Ao ligar o ventilador de teto, prefira a função de exaustor. E verifique sempre se as paletas do ventilador estão devidamente limpas.
Faça manutenção periódica no seu ar-condicionado.
Plantas no interior da casa regadas excessivamente podem abrigar fungos na terra que lhes sustenta, afetando pessoas alérgicas.
Troque seu colchão a cada 5 anos e seu travesseiro a cada 1-3 anos. Para você ter uma idéia: calcula-se que, após 5 anos de uso, 10% do peso de um travesseiro seja composto por ácaros e células mortas descamadas da sua pele.
E NUNCA fume dentro de casa.
---
Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
asma,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
motivação,
obesidade,
orgulho,
poluição. higiene,
pressão alta,
rinite,
saúde,
sexo,
sucesso
14 setembro 2006
Vida e Saúde da Criança
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
Assinar:
Postagens (Atom)


