19 abril 2017

AS ORAÇÕES SÃO CAPAZES DE CURAR?


Não, não são. 

Em 2006, Dr. Herbert Benson, cardiologista e diretor do Instituto Médico Corpo e Mente, um órgão ligado ao Departamento de Medicina da Universidade de Harvard, conduziu um estudo monumental envolvendo 6 hospitais para avaliar o efeito da oração intercessória sobre a recuperação de 1802 pacientes submetidos a cirurgia de revascularização miocárdica. Os resultados foram simples: nenhuma melhora foi observada. As orações não produziram qualquer vantagem

Seria muito bom se o trabalho de Herbert tivesse colocado um ponto final nesse delírio de que a fé – ou as orações, seu substrato mais apoteótico – pode produzir efeitos tangíveis. 

Ao longo das últimas décadas, foram conduzidos centenas de trabalhos avaliando se a fé e as orações seriam capazes de interferir nas leis naturais do mundo. Várias testes clínicos bem desenhados estudaram o papel da crença e, em todos os casos, o efeito encontrado foi – quando muito – o de um placebo consolador.

Praticamente todas as religiões estimulam a prática da oração. Orar é um excelente modo de meditação, um expediente cordial para demonstrar empatia por uma pessoa querida e pode representar um caminho sincero para o autoconhecimento. Contudo, não raramente, as religiões apresentam as orações como recursos mágicos capazes clamar pela misericórdia divina, produzindo milagres. E é nessa parte que começam os problemas.

Veja bem: o conforto oferecido pelas orações pode resultar em benefícios para o bem estar do paciente, mas nenhum profissional de saúde sério deve contar com a premissa de que o “criador do universo” poderá ser mecanicamente requisitado para intervir no sofrimento ou na saúde de seu paciente. orar não elimina um câncer ou cura apendicites agudas - é o que as evidências científicas apontam e, se você acredita piamente no contrário a despeito dos fatos, o mais provável é que você esteja sofrendo de algum transtorno de negação da realidade ou outra forma de alucinação psiquiátrica.

Se você acredita que a fé e as orações podem afetar objetivamente a saúde de alguém, que tal dar um passo além do seu silogismo sofista e responder a algumas perguntas simples?

APRENDENDO A FAZER AS 10 PERGUNTAS CERTAS

Para melhor compreender a intensidade do delírio dentro da premissa de que “orações podem curar”, considere seriamente o seguinte:

1. Existem aspectos quantitativos no volume de oração capazes de influenciar a saúde de alguém? Em outras palavras: existe uma quantidade, uma frequência e uma duração correta para que as orações surtam efeito? Se positivo, quais são? E ainda: será que deus, como um executivo de uma multinacional, mantém uma planilha de valor para as preces, atendendo apenas aquelas que atingem patamares quantitativos expressivos?

2. Existem aspectos qualitativos nas orações capazes de influenciar a saúde de alguém? Em outras palavras: existem categorias e contextos de orações mais eficazes que outras? A qual religião elas podem pertencer? As orações podem ser expressas em pensamentos ou devem ser acompanhadas de cânticos, rituais ou sacrifícios? Se o tipo da prece é importante, será que deus age como um burocrata, acatando com mais boa vontade as petições que são apresentadas nos formulários corretos?

3. O conteúdo prático da oração importa? Em outras palavras: dependendo da doença e do nível de razoabilidade do pedido, as orações possuem uma chance maior ou menor de serem atendidas? Se isto é verdade, quais critérios deus utiliza para determinar o que é razoável e o que não é?

4. O nível de efervescência da oração importa? Neste caso, será que deus faz distinções entre “por favor, se puder”, “por favor, mesmo””, “por favor, é sério, de verdade!” e “por favor, pelo amor de deus!”?

5. A intensidade da fé da pessoa importa? Em outras palavras: uma pessoa de convicções mais profundas possui uma chance maior de ser atendida que outra com crenças menos arraigadas? E quem determina qual o nível mínimo suficiente de convicção necessária para ter uma prece atendida? Se a intensidade convicção pessoal é importante, será que deus valoriza mais a crença do crente que o mérito da petição?

6. O número de pessoas importa?  A oração tem uma chance maior de ser atendida quando é feita por uma única pessoa ou quando é feita por número maior de pessoas? E a partir de que número as chances começam a subir? 

7. As características pessoais importam? O atendimento ao pedido depende de características pessoais como idade, sexo, salário, cor da pele, nacionalidade, gentileza, disposição em perdoar, generosidade, altruísmo, tipo de religião, posição na hierarquia religiosa, experiência e habilidades com preces e afins? Se isto for válido, será que algumas pessoas são mais “iguais” perante deus que outras?

8. pessoa para quem se está pedindo importa? Em outras palavras: uma criança tem mais chances de ser abençoada por um milagre que um bandido? Quais características pessoais, sociais e morais seriam determinantes para a ocorrência do milagre?

9. A divindade importa? O atendimento da prece varia de acordo com a deidade para quem se reza? Pessoas que rezam para Alá tem mais preces atendidas que pessoas que rezam para Jesus? Existe alguma figura sagrada cuja capacidade de atendimento seja maior que outra? Será que alguns deuses são mais abordáveis que outros? Se apenas um único deus é responsável por acolher às preces, o que acontece com todos os milhões de pessoas de outras religiões que não rezam para aquele deus específico? Suas orações jamais serão ouvidas e atendidas?

10. A magnitude da resposta importa? A partir de que grau de relevância a resposta a uma oração passa a ser considerada válida? E quem define esse patamar de “validade”? Se a magnitude da resposta fosse 100%, então todas as preces resultariam em benefícios milagrosos. Isto, claramente, não é o que ocorre. Será então que deus trabalha por porcentagens? Se você pedir um elefante, ele pode aprovar apenas parte do orçamento e você termina recebendo um rato- isso estaria ok?


Estas questões podem parecer incômodas para pessoas que rezam em nome de suas convicções teológicas, mas também são incômodas para os cientistas que devem elaborar testes clínicos controlados e randomizados para sancionar abordagens diagnóstico-terapêuticas através do método científico: a fé debate por meio de crenças, ao passo que a ciência debate por meio de provas.

A religião baseia-se na fé, não em provas. A falta de provas contundentes implica que, se deus existe, ele é indiferente à humanidade ou optou por manter sua presença bastante obscura. Será que ele estaria disposto a cooperar em estudos científicos elaborados para testar sua existência?

Se deus existe e as orações têm o poder de curar, me parece que, por alguma razão misteriosa, os testes controlados e randomizados não são capazes de comprovar a eficácia desses recursos. Na verdade, quando bem desenhados e conduzidos de forma íntegra, os estudos clínicos mostram exatamente o oposto: que a fé, as preces e as orações não resultam em qualquer produto explícito ou objetivamente mensurável. 

O objetivo da ciência não é abrir as portas da sabedoria infinita, mas estabelecer um limite para os equívocos infinitos (Galileu). De onde observo, estamos ainda enterrados até o pescoço na era dos equívocos.

18 abril 2017

VOCÊ ACREDITA EM MEDICINA ALTERNATIVA?



A Medicina Baseada em Evidências (MBE) aplica o método científico à prática médica, permitindo que os profissionais de saúde tomem suas decisões de forma consciente, explícita e judiciosa, com base nas melhores evidências atuais disponíveis.

Apesar dos defensores da medicina alternativa reconhecerem que o efeito placebo pode ter um papel nos benefícios que algumas terapias produzem, eles também salientam que este “detalhe” não diminui a validade dessas abordagens. Os praticantes acreditam que a medicina alternativa pode oferecer ganhos no sentido de permitir um “empoderamento” dos pacientes, ampliando as possibilidades de escolha do público. Contudo, os pesquisadores que avaliam as abordagens alternativas utilizando métodos científicos preocupam-se com este ponto de vista, uma vez que ele é incapaz de avaliar a possível ineficácia dos tratamentos alternativos.

Desde que os tratamentos alternativos sejam utilizados concomitantemente aos tratamentos convencionais, a maioria dos médicos enxerga a medicina complementar como um recurso aceitável. O risco da medicina alternativa interferir com a medicina convencional é minimizado quando a prática alternativa é acionada apenas após exaustão dos recursos terapêuticos convencionais. Muitos pacientes sentem que a medicina alternativa é útil para lidar com doenças crônicas para as quais a medicina convencional oferece apenas um suporte, mas nenhuma possibilidade de cura.

Uma vez que muitos tratamentos alternativos alcançaram a prática médica, precisamos determinar uma coisa: não podem existir DUAS formas de medicina – uma convencional e outra alternativa. Deve existir apenas UMA forma de medicina: aquela que foi adequadamente testada e que funciona. Uma medicina que não foi submetida a testes, que se recusa a ser escrutinada pelo método científico e aceitar suas conclusões, ou que não provou irrefutavelmente sua eficácia, não deve ser chamada de medicina, ela não merece o rótulo de Ciência, mas de curandeirismo.

Uma vez que um determinado tratamento foi rigorosamente testado, não interessa mais se ele era considerado alternativo ou não: se ele se mostrou razoavelmente seguro e eficaz, terá sua validação científica e poderá ser considerado uma prática ética.

Por este motivo, muitos dizem que não existe “medicina alternativa”. Existe apenas uma medicina, aquela cientificamente comprovada, apoiada por evidências sólidas. Não interessa se um determinado recurso é Ocidental ou Oriental, se é convencional ou alternativo, se envolve técnicas de mente-corpo ou genética molecular. Estes aspectos em si são irrelevantes, exceto por propósitos históricos ou curiosidades culturais. Como um fiel defensor da ciência e das evidências, acredito que devemos focar no que é realmente importante: o paciente, a doença, o tratamento proposto, e os dados sobre segurança e eficácia da abordagem escolhida.

Não interessa se uma conduta é convencional ou alternativa: o que interessa é se ela está à altura dos padrões exigidos pelo método científico. Se estiver, esta conduta será muito bem vinda. Se não estiver, ela deve ser debatida com extrema cautela. Se provar ser maléfica, deverá ser sumariamente eliminada do rol de recursos terapêuticos.

Muitas formas de medicina alternativa são rejeitadas pela medicina convencional, pois a eficácia desses tratamentos não pode ser demonstrada por meio de estudos clínicos controlados, randomizados e duplo-cego. Em contrapartida, os medicamentos convencionais que chegam ao mercado só obtém seu registro e liberação para venda após terem sido submetidos a estes testes, comprovando sua eficácia.

O alívio sintomático produzido por uma determinada abordagem alternativa pode decorrer do efeito placebo, ou da recuperação natural do organismo, ou da natureza cíclica natural da própria doença (regressão espontânea), ou do fato de que aquela pessoa jamais esteve verdadeiramente doente. Os defensores da medicina alternativa dizem que esses raciocínios também podem ser aplicados aos casos onde a medicina convencional foi utilizada. Todavia, os críticos das práticas alternativas observam que esses raciocínios não respondem pela eficácia das práticas convencionais validadas quando submetidas a testes clínicos duplo-cego.

Contra fatos não há argumentos – e a MBE respalda-se em fatos, em estudos clínicos bem desenhados, em revisões sistemáticas e meta-análises criteriosas – e não em pressupostos, crenças, doutrinas ou provas testemunhais isoladas.

As pessoas devem ser livres para escolher qualquer tratamento que lhes apetecer, mas elas DEVEM ser expressamente informadas quanto à segurança e eficácia de suas escolhas. Aquelas que optam por recursos alternativos podem achar que estão optando por uma forma segura e eficaz de medicina, quando na verdade estão recebendo apenas remédios de curandeiro.

Algumas pessoas que obtiveram sucesso ao tratar um problema de menor importância utilizando recursos alternativos podem se convencer dessa eficácia e extrapolar a expectativa de sucesso, utilizando mais recursos alternativos, desta vez para resolver doenças mais sérias, muitas vezes potencialmente letais.

Exatamente por este motivo, as terapias que se baseiam apenas no efeito placebo para definir seu sucesso são perigosas: abordagens terapêuticas que não possuem o suporte de evidências científicas podem levar alguns indivíduos a menosprezar os tratamentos convencionais sabidamente eficazes.

A oportunidade de uma abordagem alternativa pode resultar em um custo extra para a abordagem convencional: o sujeito pode investir grandes somas de tempo e dinheiro em tratamento ineficazes, apenas para mais tarde flagrar-se sem ambos (dinheiro e tempo) e fora da janela de oportunidade para empregar um tratamento validado pela MBE.

Deveríamos nos preocupar em adicionar mais e melhores pesquisas para provar a eficácia das terapias complementares antes de incorporá-las formalmente à prática médica – mas infelizmente, não é isto que vem ocorrendo.

Deveríamos buscar evidências clínicas e biológicas suficientemente plausíveis para justificar o investimento de tempo e energia na exploração dos méritos da medicina alternativa – mas infelizmente, também não é isto que vem ocorrendo.

Para a medicina tradicional, a vida humana é considerada preciosa, e NENHUM risco se justifica quando se coloca na balança a chance de prejudicar a saúde de um indivíduo. Se este é também o mantra das terapias alternativas, elas deveriam se submeter ao escrutínio de estudos clínicos bem desenhados.

Se as terapias alternativas funcionam, elas deveriam aceitar e desejar essa validação. Mas você sabe de alguém disposto a testar sua fé por meio do método científico?


Referência:


04 outubro 2016

O HOMEM PARTURIENTE

* Especial para Manhood Brasil


A barriga não era sua, mas você ajudou. Você estava lá, no instante da anfimixia. Ou pelo menos um representante seu estava, nadando mais rápido que o Phelps para entregar o pacote de 23 cromossomos que ajudaria a montar o bebê.

Nove meses se passaram. Sua mulher teve náuseas, azia, estrias, inseguranças estéticas, alterações anatômicas e peculiaridades alimentares, e então alguma coisa na barriga dela começou a se mexer após algumas semanas. Finalmente, depois da longa espera, entre o deslumbramento e o desespero, está chegando o momento. Você vai ser pai.

Está pronto? Espero que sim. Mas, se achar que não está, preparei um roteiro para o seu checklist de vôo. Confira:

AS PRELIMINARES SEMPRE SÃO IMPORTANTES

Por muito tempo, o parto foi uma atividade estritamente feminina. Ao pai, cabia a tarefa de perambular pela sala de espera até receber a notícia da chegada de sua prole. Ele distribuía sorrisos amarelos e charutos cancerígenos, recebia tapinhas nas costas e a enfermeira lhe informava: "é um menino!" ou "é uma menina!". Todos sorriam. Talvez a mãe nem tanto, devido às dores do parto, mas a maioria sorria.

Bem, as coisas mudaram um pouco... Hoje, muitos casais optam pela presença do pai durante todo o processo. Nem todo mundo tem estômago para isso. Tem sangue, agulhas, cheiro de álcool a 70%, a placenta realmente não é uma as coisas mais lindas desse mundo, mas posso dizer que é surreal presenciar seu filho ou filha tomando o primeiro fôlego do resto de suas vidas. Estive lá no nascimento dos meus e recomendo profundamente a experiência.

Ainda que este seja um papel relativamente novo para os homens, isso não significa que você não possa tirá-lo de letra. Se vocês decidiram por um parto na maternidade, as dicas a seguir irão cair como uma luva. Se escolheram um parto em casa, algumas delas serão redundantes ou desnecessárias.

Como preliminares, recomendo que você leia matérias, assista vídeos, questione seus amigos e amigas, compre um livro de colorir com figuras de crianças nascendo e pinte tudo com canetinha hidrocor. Vá às consultas, converse com o médico, estude a Caderneta da Gestante, debata com sua esposa sobre como vocês esperam conduzir o show.

Ela quer você presente? Quer que você segure a mão dela? Quer que tire fotos e publique no Facebook, ou prefere um filme em Full HD para editar um mega documentário para o Netflix? Eu não recomendaria o filme. Entretanto, como a parte dela está bem definida - é ela quem estará tendo o bebê -, resta determinar o que você estará fazendo como coadjuvante. Prepare-se emocionalmente e seja parceiro.
  
ARRUMANDO A SUA MALA

A mala do bebê deve ser planejada como uma rota de fuga para o caso de terremotos e ciclones. Quando chegar a hora, não adianta querer socar intempestivamente a mobília inteira da casa dentro daquela frasqueira rosa ou azul. Ajude a preparar a mala do bebê, da sua esposa e a sua. Sim, a SUA mala - ou pelo menos uma mochila com as suas coisas. Deixe-a pronta e à mão. Assim, quando o alarme soar, basta pegar e ir.

Coloque em sua mochila:

1. LANCHES.  Alguns caras desmaiam por frescura ou emoção, alguns desmaiam por fome mesmo. Com toda a excitação vibrante, você pode esquecer de comer. Não corra o risco de deixar sua glicose baixar no momento mais crítico. Leve consigo alguns biscoitos, chocolate ou barras de cereal.

2. LIVROS, REVISTAS, NOTEBOOK, CARREGADOR DE CELULAR. O trabalho de parto pode levar horas. Após a internação, sua esposa pode querer relaxar e quem sabe até tirar uma soneca - o nervosismo pode produzir sonolência como reação de fuga. Ter alguma coisa para distrair-se ajudará você nessas horas. Que tal salvar este texto e ler novamente enquanto aguarda o jogo?

3. UMA BLUSA DE FRIO. Alguns hospitais tem o ar condicionado ajustado em nível polar. O frio pode ser tenebroso, mesmo no verão. Seja prevenido e enfie um agasalho na mochila.

4. UMA CÂMERA. Você está tirando uma foto com o celular e ele vibra com uma mensagem ou alguém liga e ele sai do modo câmera. Colocá-lo em modo avião pode causar desespero em quem está do lado de fora. Quando for entrar na sala de parto, simplesmente deixe seu celular com alguém de sua confiança e leve uma boa e velha máquina fotográfica. Confira se o cartão de memória, as pilhas ou as baterias estão em ordem. Passe a alça de segurança em seu pulso.

5. UMA MUDA EXTRA DE ROUPA, DESODORANTE, ESCOVA DE DENTES E SIMILARES. Depois do nascimento do bebê, sua mulher pode continuar internada por um dia ou dois antes de receber alta. Permaneça ao lado dela nesse período, mas seja um troglodita cavalheiro higiênico: não use o lado B da cueca. Leve uma muda de roupa, tome um banho, faça a barba, escove os dentes e mantenha-se apresentável. Tomar um banho e colocar uma roupa mais leve e confortável renovará seu ânimo.

NA MARCA DO PÊNALTI

Assim que entrarem no hospital, você deve agir como um treinador do lado de fora do campo. Sua mulher precisará de todo o seu apoio. Você pode estar tenso, mas lembre-se: é ELA quem irá que passar pela parte mais difícil.

1. JOGUE NO MEIO CAMPO. Cuide da parte burocrática, preencha os papéis, carregue as malas, ligue para o obstetra que vocês escolheram (se este for o caso), converse com as enfermeiras, tome as decisões que forem necessárias e veja se tem algo que sua esposa esteja precisando. Faça sua parte com serenidade e parcimônia e JAMAIS obstrua ou complique o trabalho da equipe.

2. PASSE PARA A DEFESA. Pode ser que o parto seja aquele clichê que os filmes gostam de mostrar, com suor, crises cíclicas de dores e gritos. Se tudo correr bem, não há muito que você possa fazer. Assuma uma posição de retaguarda, abra caminho para quem sabe o que está fazendo, segure a mão de sua esposa e procure transmitir calma e confiança.

3. AVANCE COM CAUTELA PELAS LATERAIS. No momento das contrações finais ou da retirada do bebê pela incisão (no caso de cesarianas), você pode se esticar um pouco pelos lados do campo cirúrgico e admirar o nascimento. Mova-se com suavidade e tome um extremo cuidado para não contaminar o que for estéril.

4. TERMINE COM UM GOL DE PLACA. Se o médico for camarada, ele pode oferecer a você a oportunidade de cortar o cordão umbilical. Este ritual de liberação oficializa definitivamente o nascimento do bebê. Não perca a chance de colocar uma lembrança maravilhosa dessas na sua memória. Eu não perdi e tenho grande orgulho disso. Você também terá, acredite.

VOLTANDO PARA A TERRA

Não se alarme com a aparência do bebê assim que ele tiver deixado o casulo uterino. Recém-nascidos são enrugados como um testículo no inverno, tem a cabeça sem sobrancelhas em formato de cone, uma cor rosa-arroxeada, e vem enlameados com um tipo de maionese imprópria para consumo. Não se espante: logo ele terá uma aparência menos esquisita. Diga para sua esposa "que coisa mais linda!" e respire fundo. Com alguma sorte, ele herdará a beleza dela mais tarde.

1. AJUDE O ALEITAMENTO. O bebê deverá mamar em até 1 hora após o nascimento. Apesar da imagem de um bebê ao seio ser uma das coisas mais comuns do mundo, a primeira mamada em geral ocorre de modo tão natural e desembaraçado como você na primeira vez que fez sexo. O lance todo pode ser confuso, sua esposa pode ficar angustiada enquanto vê o bebê decidindo entre respirar e engolir. Felizmente, sua presença prestativa pode trazer paz à cena. Ofereça ajuda, coloque um travesseiro ou apoio sob o braço dela, ajude a posicionar o bebê e reassegure-a que está tudo bem. Não, você não precisa mamar no outro peito para mostrar ao bebê como é que se faz.

2. AJUDE NO BANHO DO BEBÊ. Aprenda e aproveite. O banho é uma atividade de cunho prático e importante para estreitar laços. Entenda como cuidar do umbigo e descubra SUA maneira confortável e segura para fazer a higiene daquele pequeno milagre sugador de leite

3. TROQUE FRALDAS. Sua esposa estará cansada pelo desgaste do parto e serão muitas, muitas, muitas fraldas. Um recém-nascido usa cerca de 6 a 10 por dia, ou mais. Observe e desenvolva uma técnica eficaz para fazer esse Pit Stop. Guarde em um saco plástico as fraldas que você trocar e informe à enfermeira antes de jogá-las fora - isso é importante para monitorar a alimentação do bebê.

4. LIMITE AS VISITAS. Vai por mim: é um evento alegre e de grande felicidade e tudo mais, mas sua mulher não quer nem saber das visitas. Talvez a mãe ou uma irmã para dar uma mão, mas ela certamente não quer um desfile de 7 de setembro no quarto. Seu papel é orientar amigos e familiares e solicitar entendimento e respeito pelo descanso dela e do bebê. Eles terão tempo mais que suficiente para visitar a criança em casa até que ela se torne adulta e vá morar fora. Seja educado e não se preocupe com os "sentimentos" dos visitantes - o conforto de sua mulher e do bebê devem ser sua prioridade máxima.

5. SE VIRE NOS TRINTA. A passagem pelo hospital é uma experiência paralela à realidade: médicos, enfermeiras, amigos, família, padrinhos, madrinhas, conhecidos, o cachorro do vizinho e uma manada de gnus chegam e saem o tempo inteiro. Checagens, pesagens e orientações são uma avalanche, mas eventualmente vocês terão alta e irão para casa. Certifique-se de arrumar o banco do carro para permitir conforto à sua mulher, instale um equipamento adequado para transporte do bebê e dirija com cautela. 

No momento em que descarregar toda a tralha e fechar a porta de casa, a realidade atingirá você como um raio. O bebê chegou para ficar, fera. Não é brincadeira. Contemple sua criação e mostre que o Homem em você é capaz de assumir essa nova missão. É hora de ser Pai.

03 outubro 2016

O HOMEM GRÁVIDO

 * Especial para Manhood Brasil

A sociedade tem todo um discurso politicamente correto sobre igualdade entre os gêneros que funciona muito bem até o pneu do carro furar, ou alguém ter que matar uma barata voadora, ou passar por uma TPM (Tempestade Pré-Menstrual), ou você receber a notícia de que sua mulher está grávida. Em momentos como esses, as diferenças entre os sexos tendem a se tornar inquestionáveis e avassaladoras.

A gravidez, em especial, mostra o grande divisor de águas que existe entre homens e mulheres. Uma vez ocorrida a sacanagem em nível celular - o óvulo dela dormiu com seu espermatozoide -, sua mulher passará os 9 meses seguintes gestando um parasita dentro de si e você não terá outra participação biológica mais relevante que ficar observando o processo do lado de fora. Contudo, se você já deixou de ser o bebezão da sua mãe, sua tarefa de procriador não termina no espermatozoide: começa agora a missão de proteger e cuidar do bem estar de sua mulher e de sua cria em formação.

A gestação é um desafio. Sua fêmea passará por transformações e irá sofrer de várias maneiras diferentes. Ver você com cara de pateta sem saber o que fazer não alivia o fardo dela - na verdade, isso tende a piorar a situação. Alguns sujeitos, por medo ou ogrice, abrem mão de uma participação construtiva nesse período, e isso não é NEM DE PERTO o que se espera de um Homem.

Ao invés de ficar perdido na floresta fazendo cara de paisagem, que tal assumir um papel de líder e apoiador? ISSO sim, é o que se espera de um Homem. E vou lhe contar como fazer isso.

COMO CUIDAR DA SUA MULHER GRÁVIDA

É possível dividir seus cuidados em 10 ações práticas. Confira a lista abaixo e certifique-se de ter um desempenho impecável em cada um deles:

1. RECEBA BEM A NOTÍCIA. Não interessa se foi tudo planejado nos mínimos detalhes ou se o bebê caiu na sua vida como um meteoro vindo das profundezas do espaço. Você está para ter um filho (ou filha). Mostre apreço e alegria pela notícia. Não desabe chorando em agonia, ou desgosto, ou pouco caso, ou fique perguntando o que deu errado - "você não estava tomando a pílula, pô?". Transmita confiança e segurança. Seja Homem. Diga que você estará lá por ela e pela criança, e que não medirá esforços para que tudo corra bem.

2. LEIA LIVROS E TEXTOS SOBRE A GRAVIDEZ. A raiz do medo está no desconhecido - tememos aquilo que não sabemos. Quanto mais você se informar sobre o que ela está passando, melhor equipado você estará para desenvolver empatia e oferecer ajuda.

3. ACOMPANHE-A NAS CONSULTAS. Isto atende 3 propósitos. Primeiro e mais importante: mostra seu nível de compromisso com ela e com o bebê. Segundo: você saberá em primeira mão o que está acontecendo e como se preparar. Sua mulher pode estar nervosa e perdida durante o atendimento. Preste atenção ao que o médico ou a enfermeira irão dizer, anote o que achar relevante e tire suas dúvidas. Você poderá lembrar sua mulher mais tarde sobre as orientações recebidas. Finalmente, ver o ultrassom, ouvir os batimentos cardíacos, aprender a palpar a barriga e determinar a posição do bebê ajudará a você a desenvolver um vínculo emocional com aquela criatura - que é um produto da sua vida e de quem você é. Mesmo que esteja atarefado, dê um jeito e vá às consultas. Peça um atestado ao médico, se for necessário. Eu nunca nego um desses.

4. DIMINUA O ESTRESSE. Não subestime o desgaste físico e emocional de uma gravidez. Diminua a pressão, assuma mais tarefas em casa, assuma suas responsabilidades.

5. PROTEJA O DESCANSO DELA. O sono na gestação pode ser tão monumental quando conturbado, especialmente quando o útero assume aquele aspecto redondo, volumoso e alienígena. Quando a mulher deita de costas, o bebê comprime sua coluna, os músculos das costas e todos os grandes vasos sanguíneos que passam por ali. Tudo isso pode causar dor, redução da circulação e dificuldade para dormir. Além disso, o bebê pode usar o útero como um saco de areia onde ele insiste em treinar golpes de MMA - imagine como deve ser dormir tomando socos e pontapés na barriga pelo lado de dentro... Para ajudar no sono de sua mulher, invista em um bom colchão e travesseiros enormes, ofereça massagens nas costas, carinho e, dependendo da animação dela, alguns orgasmos.

6. SEJA PACIENTE. As variações hormonais são um saco. Um dia ela se sente fantástica, afetuosa e sexy. Dois minutos depois, está chorosa ou quer arrancar a sua cabeça do corpo. A libido dela também entrará numa montanha russa, tendendo a desaparecer no primeiro trimestre, aumentar no segundo e então diminuir novamente no terceiro. Paciência, amigo. Paciência.

7. CONHEÇA SUA NOVA AMIGA: A BEXIGA. Como uma gangue do MST, o bebê vai se assentando e ocupando espaços na pelve da mulher a medida que cresce. A primeira vítima dessa invasão é a bexiga, que perde espaço e capacidade de armazenagem. A cada 20-30 minutos, ela sairá correndo desesperada procurando um lugar para urinar. Seja compreensivo, mantenha o caminho do banheiro livre e iluminado, e crie sempre uma rota de fuga quando derem uma saída.

8. ENGRAVIDE TAMBÉM. Não estou dizendo pra você colocar um monte de roupa debaixo da sua blusa e andar por aí com as mãos na cintura, feito um bule. A intenção é fazer você adicionar ou abandonar alguns hábitos, oferecendo apoio moral. Por exemplo: não reclame que agora vocês não poderão acampar no Kilimanjaro ou pular de asa delta juntos. Crie programas adaptados ao novo cenário.

9. NÁUSEAS E ENJÔOS. Os enjoos são, provavelmente, uma das piores partes da gravidez. Eles afetam 75% das mulheres e costumam ser mais intensos pela manhã. O mal estar em geral desaparece por da 12-15a semana de gestação, mas algumas mulheres ficam nauseadas a gravidez inteira. Ofereça alimentos leves (p.ex.: chá de menta com biscoito de água e sal), mantenha os ambientes arejados, cuide de sua própria higiene (gestantes tem um clássico problema com cheiros, então escove bem os dentes e cuidado com perfumes e desodorantes fortes) e seja flexível (adapte o cardápio ao novo paladar dela).

10. DESLUMBRE-SE COM O MILAGRE. Acima de tudo, encante-se com o fato de que vocês produziram juntos uma improbabilidade estatística. Naquela noite (ou dia), havia uma única chance em 44 bilhões para que a exata configuração de genes que resultou naquele bebê tivesse ocorrido. A codificação molecular resultante daquele evento singular obedeceu a princípios atômicos e propósitos evolutivos que você jamais será capaz de compreender plenamente. A concepção é incrível, inacreditável, absurda, surreal. E você nem precisa acreditar nela para perceber isso: basta esticar a mão cuidadosamente à noite e tocar o pequeno milagre bem ali, confortavelmente escondido nos recônditos da barriga de sua mulher.


30 setembro 2016

COMO SABER SE ELA ESTÁ A FIM?

* Especial para Manhood Brasil


As mulheres são verdadeiras Mestras das Nuances. Utilizando sinais extremamente sutis, elas são capazes de comunicar uma quantidade enorme de informações. Infelizmente, nós, homens, não nascemos com antenas e receptores especializados para esse tipo de interação. São necessários anos de prática para entender alguma coisa - e, quando entendemos, frequentemente entendemos tudo errado.

Mas não desanime. Seres humanos são animais e estão sujeitos às mesmas leis e limites da natureza. Podemos ser estudados, dissecados, entendidos, explicados e previsíveis até certo ponto. Tudo que você precisa é possuir o conhecimento técnico necessário para processar essas variáveis.

Algumas vezes, quando uma gata está a fim de você, ela pode emitir sinais bem diretos disso. Na maioria dos casos, ela não emite. É SUA tarefa se virar nessa segunda situação. Para facilitar sua vida, listei 5 maneiras discretas (e outras nem tanto) que ela pode usar para deixar você perceber que está a fim:

1. O CONTATO VISUAL.


Mulheres são capazes de fazer sexo com os olhos (ou você achou que só os homens eram detentores dessa proeza?). Se você a flagrou olhando para você, olhe de volta. Sustente seu olhar e não vire o rosto antes dela. O contato visual é uma fagulha bastante poderosa, mas fugaz. Se rolou uma troca de olhares firme e devoradora, você tem 3 segundos para agir e começar um papo.

2. OS INDICADORES FÍSICOS.


Cada mulher tem suas particularidades para comunicar que está a fim. Mexer com o cabelo, passar a mão na nuca ou no pescoço, morder os lábios... os sinais variam segundo preferências pessoais e, definitivamente, alguns podem ser difíceis de perceber - principalmente se você a está vendo pela primeira vez.

Alguns sinais fisiológicos íntimos são indicadores confiáveis de desejo, mas realizar um exame ginecológico pormenorizado para confirmar essa hipótese não é algo que eu recomende logo de início. O aumento dos batimentos cardíacos e da frequência respiratória são alterações clássicas. Tenha sempre em sua mochila um monitor cardíaco e um oxímetro de pulso para essas situações.

3. O TOQUE.


Quando uma mulher está a fim, ela sente uma enorme necessidade de tocar em você. Ela quer tocar seus ombros, tórax e braços, eles funcionam como ímãs. Vale à pena mantê-los bem condicionados. Se ela tocar algum lugar acima dos seus joelhos e abaixo da linha da sua cintura, peça a conta e vá com ela para algum lugar mais reservado.

4. A CONVERSA PICANTE.


Um papo ameno é um papo ameno. Um papo picante é um convite. Obviamente, você deve proceder sempre com cautela. Algumas mulheres são mais "sexuais" que outras e gostam de falar sobre sexo e as experiências que tiveram, mas isso não significa que elas queiram pular para cima de você. Tenha tato para entender a diferença.

5. OS ELOGIOS.


Um elogio é sempre um bom sinal. Se ela elogiou algum aspecto físico seu, ainda melhor. Novamente, esteja atento para não confundir as coisas. Dizer "como você está elegante!" não significa "que mãos enormes e que tórax másculo você tem!". Permita que ela seja gentil e educada sem precipitar-se com julgamentos e segundas intenções. Mas se ela disser algo como "gostei do jeito que essa camisa ficou no seu corpo", bom, aí você pode seguir com as segundas intenções.




29 setembro 2016

VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA O DIVÓRCIO?

* Especial para Manhood Brasil

A maioria dos livros e textos sobre divórcio baseia-se na premissa de que, uma vez que o casal decidiu se separar, eles estão 100% prontos para dar este passo. Nem sempre é assim. Em geral, quando a conversa de separação surge, um dos dois é pego de surpresa pela notícia. Ou ambos.

É esta falta de preparo para lidar com o assunto Divórcio que faz com que muitos casamentos terminem cedo demais ou se deteriorem em competições destrutivas por anos a fio. Apesar de parecer banal, com tanta gente se divorciando hoje em dia, terminar um casamento é uma das decisões mais importantes que você pode tomar - e as consequências podem repercutir por anos ou até mesmo pela vida inteira.

Uma decisão dessa relevância merece uma reflexão enorme, muito maior e mais profunda que aquela que normalmente você está disposto a oferecer. O problema é acreditar que, uma vez iniciada a conversa, quanto mais cedo tudo terminar, melhor. É como tomar uma injeção: se for rápido, deve doer menos. Até os amigos oferecem esse tipo de conselho - "termina logo e segue com sua vida!", eles dizem. Mas um Divórcio não é uma carta de alforria sem fardos e ele certamente não cabe numa ampola. 

Você decidiu pelo Divórcio na esperança de que a paz e a normalidade retornem à sua vida, mas não é bem assim que as coisas irão acontecer, acredite. É justamente o oposto, especialmente no princípio. Muitos casais que se separam na correria de resolver atritos na verdade terminam adicionando mais um ponto de discórdia ao relacionamento: o processo de separação se arrasta, as acusações brotam e se multiplicam, as mágoas se prolongam, e a promessa de serenidade se dissipa.

Se você está pensando em preencher a declaração de óbito do seu matrimônio, que tal fazer uma análise objetiva dos sinais e sintomas que levaram ao diagnóstico antes de bater o martelo?

Preparei a seguir um roteiro para facilitar a identificação das causas do problema e selecionei uma série de perguntas que você deve levar em consideração para tomar sua decisão com o máximo de consciência.


DIVÓRCIO: ETIOLOGIA, SINAIS E SINTOMAS 

Algumas vezes o divórcio parece ser a única opção saudável. Se você está neste caminho, recomendo que reflita sobre os motivos mais comuns que levam à separação. Será que seu caso se encaixa em algum destes?

1. EXCESSO DE INTERAÇÕES NEGATIVAS. Frequentemente, não é a gravidade, mas a QUANTIDADE dos desentendimentos que costuma indicar a necessidade de um divórcio. A fórmula mágica que produz o desencanto parece ser de 5 interações positivas para cada interação negativa. Deste ponto em diante, o caldo entorna. Discutir sobre detalhes é uma parte normal de qualquer convivência, mas isso não deveria fazer parte da rotina. O limite psicológico de 5x1 salienta a importância das pequenas discussões como indicadoras de problemas conjugais potencialmente graves e irreconciliáveis. Você tomou nota desse padrão entre vocês dois?

2. GRAVIDADE DAS DISCUSSÕES. Até mesmo a fórmula mágica acima possui limites. A proporção entre interações negativas e positivas não deve ser levada em conta quando a discussões começam a descambar para acusações graves, ameaças físicas ou demonstrações francas de violência. Ocorreu algo assim?

3. DIFERENÇA DE VALORES. Por exemplo: ela quer ter 6 filhos, mas você valoriza mais sua carreira e sucesso profissional e nem considera a possibilidade de trocar fraldas. Exceto se a visão de um ou de outro mude, o divórcio é o destino mais provável com o tempo. Quais valores e esperanças vocês compartilham?

4. A TERAPIA DE CASAL NÃO FUNCIONOU. O aconselhamento profissional é uma ferramenta extraordinária para trabalhar problemas e aprender mecanismos para resolver desentendimentos. Mas é preciso que AMBOS estejam dispostos. Se vocês passaram por algum tipo de terapia desse tipo e parece que não funcionou, pode afirmar sem sombra de dúvidas que foi ELA - e não você - quem empacou ou sabotou as mudanças necessárias? 

5. INFIDELIDADE. Ainda que alguns casais sejam capazes de se recuperar após uma pulada de cerca, muitos encaram a infidelidade como um ponto final indiscutível. Se algo desse tipo ocorreu, será que os laços de confiança não podem ser reconstruídos?

6. EXAUSTÃO EMOCIONAL. O casamento pode ser uma grande escola, com aprendizados preciosos para sua vida. Mas quando ele se transforma em uma competição ou em uma caminhada cuidadosa sobre cascas de ovos, a exaustão emocional pode eliminar a motivação necessária para continuar. Um casal é feito pelo comprometimento de 2, não pelo empenho de apenas 1. Manter seus sonhos e ideias para si, sem qualquer vontade de compartilhá-los com sua mulher, é um dos principais sinais de exaustão emocional. Como anda a comunicação entre vocês dois? Será que a culpa é única e exclusivamente dela?

7. SUAS NECESSIDADES NÃO CONTAM MAIS. Muito mais que uma empresa de dois sócios, um casamento é uma parceria de cúmplices. É um universo onde um deve transbordar o outro, fisica, emocional e espiritualmente. Se ela não lhe oferece reciprocidade em termos de envolvimento em seus planos, entendimento, apoio, afeto, carinho e sexo, vá em frente e divorcie-se. Mas antes me diga: será que você é este marido dedicado, participativo e atencioso que acha ser?

8. VOCÊ SÓ PENSA EM CONTINUAR JUNTO POR CAUSA DAS CRIANÇAS. Crianças não são adultos em miniatura, mas têm uma sensibilidade enorme. Elas podem detectar animosidades a quilômetros de distância. Mais que isso: as crianças absorvem os padrões de comportamento dos pais e tendem a repeti-los na idade adulta. Você quer mesmo que elas cresçam pensando que um relacionamento frustrado, cheio de desarmonia e discussões, é o modo mais saudável de interação?

9. O RESPEITO SE FOI. Um relacionamento sólido baseia-se, antes de mais nada, em confiança, compreensão e respeito mútuo. Sem esses ingredientes, conviver com alguém torna-se um inferno. Qual o seu nível de tolerância e compreensão com as diferenças?

10. VOCÊ CONSIDERA O CASAMENTO A OPÇÃO MENOS RUIM NO MOMENTO. Se você acredita que ficar com ela é mais fácil que zerar o cronômetro e tentar tudo de novo, existe uma boa chance de seu casamento estar respirando por meio de aparelhos. Sim, um divórcio irá aumentar suas despesas, pelo menos no princípio. E sim, um divórcio irá lhe passar um sentimento de insucesso e constrangimento. Mas nada disso é motivo para aceitar passivamente dias ruins sem lutar por dias melhores.


OS TRÊS DILEMAS DO DIVÓRCIO

Uma vez conferida a lista de sinais e sintomas, o homem que enfrenta o diagnóstico provável de um divórcio frequentemente está frente a frente com 3 dilemas:

1 - Eu quero a separação, mas não tenho bem certeza de que esta seja a decisão mais correta.

2 - Minha esposa é quem quer a separação. Eu, nem tanto.

3 - Eu só quero o divórcio porque o casamento não está funcionando.

No Dilema 1, provavelmente existem crianças envolvidas, além de bens, estilo de vida, investimentos emocionais e outros aspectos relevantes. A pressão para tomar a "decisão correta" é enorme e não existem garantias sobre QUAL é esta decisão. Na melhor das hipóteses, você pode estar tomando uma decisão neutra e não motivada pelo ego.

O Dilema 2 oferece um cenário de desespero e vitimização. Sua vida está prestes a mudar num piscar de olhos e você não pode fazer coisa alguma quanto a isto. No meio da gigantesca devastação emocional, será que você não está se agarrando a um hábito, sofrendo pela perda de um terreno familiar ainda que ilusório? 

Finalmente, no Dilema 3, você quer evitar a todo custo a responsabilidade pelo término, colocando toda a culpa nela. Isso produzirá raiva e rancor. Quanto mais alívio você demonstrar, maior será o barulho e mais intensas serão as demonstrações de frustração dela. Durante todo o processo, as acusações e o clima de tensão serão ainda piores que aqueles tolerados durante o casamento.

Se você observar atentamente, perceberá que o elemento comum em todos os 3 dilemas é o Medo. O medo de errar e ser injusto, o medo de reconhecer os problemas e admitir sua dependência do núcleo familiar, e o medo de assumir falhas e responsabilidades. Todos os 3 dilemas resultam em um período de profunda turbulência, batalhas e desgaste.

Qual é o seu dilema? Você reconhece o aspecto de Medo inerente a ele? É capaz de reconhecê-lo e está disposto a enfrentá-lo? Mas não responda isso. Ainda não. Guarde esta resposta para mais tarde. Antes, recomendo que pondere a respeito do seguinte:


AS 8 PERGUNTAS QUE DEVEM SER FEITAS ANTES DA SEPARAÇÃO

Para que o divórcio ocorra de modo colaborativo e respeitoso - se é que isso é possível... -, você deve estar preparado para separar sua vida em todos os níveis, tanto legal quanto física e emocionalmente.

Para harmonizar o discurso e colocar você e sua esposa na mesma página da questão, responda:

1. VOCÊS AINDA TÊM SENTIMENTOS UM PELO OUTRO? Muitos casais que dizem "queremos nos divorciar" ainda nutrem sentimentos fortes um pelo outro, mas devido a uma queda de braço de egos e orgulhos eles perderam a noção de proximidade e intimidade. Se ainda existe algum sentimento, a separação não irá produzir alívio, mas angústia, e provavelmente depois dele você irá se sentir pior do que se sente agora.

2. SERÁ QUE VOCÊS ESTIVERAM MESMO CASADOS ALGUM DIA? Ser casado exige uma troca do "EU" por "NÓS". Será que vocês entraram no casamento como uma guerra por liderança, fazendo dele um campo de batalha para fazer prevalecer apenas o seu ego ou o dela? Manter sua individualidade é importante, mas ao optar pelo matrimônio você também está optando por uma mudança de foco onde a preservação de um sentimento de UNIÃO COLABORATIVA passa a ocupar o centro da atenção de ambos. Se você - ou ela - viveu o relacionamento tendo como único objetivo preocupar-se com a satisfação do próprio umbigo, então vocês nunca estiveram casados de verdade. Que tal reeditar o modelo de interação antes de desistir do pacote completo?

3. VOCÊS ESTÃO REALMENTE PRONTOS PARA O DIVÓRCIO OU SÓ ESTÃO BRINCANDO DE AMEAÇAS? Relacionamentos maduros operam por meio de consensos, não ameaças. Mencionar que você quer uma separação pode ser um mecanismo de defesa-e-ataque desencadeado por raiva, frustração, necessidade de sentir-se no comando (fazendo as coisas apenas ao seu modo), intenção de motivar uma mudança, ou um chamado desesperado para sacudir a mesmice. Nenhuma dessas motivações é genuína e ficar brandindo no ar a espada do divórcio a cada discussão apenas diminui a sua credibilidade. Você quer realmente encerrar sem culpas um capítulo da sua vida ou está apenas fazendo birra?

4. ESTA É UMA DECISÃO BASEADA EM AUTOCONHECIMENTO OU UMA REAÇÃO EMOCIONAL? A decisão de separar-se deve ser feita de maneira lúcida, fria e sustentável. Você deve estar 100% preparado para cortar todos seus laços com a outra pessoa - inclusive o laço da Hostilidade. Decisões com alta carga emocional costumam associar-se a estragos duradouros. Se você quer o divórcio por raiva, ciúme ou insegurança, esses sentimentos irão aumentar. Diga para si mesmo: "Eu entendo que ela é uma pessoa com seus próprios defeitos e grandes qualidades, cheia de sonhos e planos, e eu a respeito muito por isso, mas não desejo mais estar casado com ela". Consegue dizer isso sem que seus batimentos cardíacos aumentem ou ficar pensando apaixonadamente em um futuro hipotético onde as coisas poderiam ser diferentes entre vocês dois?

5. QUAL A SUA INTENÇÃO COM O DIVÓRCIO? Existe alguma agenda ou subterfúgio nas entrelinhas do seu pedido de separação? Se você tem a esperança de que com o divórcio ela possa mudar e tratar você melhor, ou quer fazê-la sentir a dor da perda ou usar o divórcio como uma forma de punição pelo sofrimento que ela lhe causou, então está baseando sua decisão em todos os motivos errados possíveis. O divórcio não tem o poder de consertar o que estava errado. Um divórcio só é capaz de fazer uma coisa: terminar um casamento e liberar você E ELA para que desenvolvam laços emocionais com outras pessoas. 

6. VOCÊS JÁ RESOLVERAM SEUS CONFLITOS INTERNOS SOBRE A DECISÃO? O sentimento de certeza pode vir misturado com de culpa. Você pode se sentir traído por ter investido tanto naquela relação e agora vê-la terminando. Você reconhece esses conflitos e está disposto a assumir a parte da responsabilidade que lhe cabe?

7. VOCÊS SÃO CAPAZES DE LIDAR COM AS CONSEQUÊNCIAS? Desapontamento, solidão, frustração, amargura, revolta, tristeza, ansiedade, labilidade emocional e vulnerabilidade esperam por você logo ali, depois da esquina. Não adianta fazer pose de macho e fingir o contrário. O mais adequado é preparar-se para o que está por vir. Além da sua dor, você terá que lidar também com a dor dela e das crianças - se tiverem filhos. Você tem um círculo familiar e de amigos capaz de lhe oferecer algum suporte? 

Se você não quer mudanças no seu estilo de vida ou nas suas finanças, então você não está pronto para o divórcio. 
Se você não consegue aceitar a mágoa e a raiva dos seus filhos, então você não está pronto para o divórcio. 
Se você não pode receber o medo do desconhecido, então você não está pronto para o divórcio. 
Se você não está preparado para cortar completamente todo e qualquer laço emocional com ela, então você não está pronto para o divórcio. 

8. VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A ASSUMIR O CONTROLE DE SUA VIDA DE MODO RESPONSÁVEL E MADURO? Esta é a derradeira pergunta. O divórcio não é um retorno à sua adolescência ou infância. Ele é um ritual que dever marcar sua passagem para um nível maior de maturidade, força, compreensão e respeito. 


Se você observou corretamente os sinais e sintomas que levaram até este ponto, venceu o dilema do Medo, controlou suas reações emocionais e manteve seu diálogo dentro da razão, e ainda assim concluiu que o divórcio é a única saída, então existe uma grande chance de que você venha a passar por esta fase com o mínimo de danos possíveis. 

Será difícil, mas ninguém lhe prometeu que viver seria uma tarefa simples e fácil, prometeu?

27 setembro 2016

COMO TERMINAR UM RELACIOMENTO

* Especial para Manhood Brasil




Depois de tudo, o fim. As coisas foram boas por um tempo, começaram a deteriorar e por motivos diversos chegaram a um ponto onde simplesmente não dá mais. Você quer terminar. Se essa é a sua decisão irrefutável, pelo menos comprometa-se em conduzir o processo de maneira digna.

Terminar um relacionamento de modo civilizado é uma habilidade que TODO homem deveria dominar. Não é fácil - e certamente é o tipo de situação que os mais fracos se recusam a encarar. Contudo, um Homem de verdade sabe como colocar um ponto final de modo cortês e respeitoso, sendo um cavalheiro e não mais um imbecil. Para tanto, ele age da seguinte maneira:

1. ELE SE PREPARA. Antes de mais nada, tenha certeza absoluta da sua decisão. Analise todos os prós e contras do modo mais racional possível. Será que vocês não estão passando apenas por algum momento turbulento ou será que as coisas não tem mesmo mais jeito? Faça-se esta pergunta várias vezes e reflita sobre sua resposta. Os sentimentos podem ser conflitantes, mas você deve chegar a um consenso bem fundamentado e de acordo com aquilo que seus instintos dizem.

Uma vez que você decidiu terminar, esclareça para si mesmo o "por quê". Ter a lista dos "porquês" será importante para tornar a conversa rápida e objetiva mais tarde, além de oferecer lições valiosas para o futuro.

Entre em contato com ela e comunique que vocês precisam ter um papo sério. Não adiante o tema, mas permita que ela se prepare ao invés de pegá-la de surpresa. Marque o encontro em um lugar neutro e calmo, onde seja fácil levantar e ir embora caso necessário. Evite lugares que têm significados para vocês dois. Não tenha essa conversa na casa dela ou na sua, tampouco em algum lugar público e movimentado como um restaurante ou no shopping. Uma praça ou uma praia são cenários ideais.

2. ELE DÁ A NOTÍCIA PESSOALMENTE. Nada é mais covarde e patético que terminar por telefone ou, pior ainda, por e-mail ou mensagem de texto. Se você não é capaz de terminar o relacionamento cara a cara, você não deveria sequer tê-lo começado.

Durante a conversa, coloque toda sua atenção nela. Não fique conferindo o celular ou olhando para o movimento ao redor. Sim, a situação será chata e desconfortável, mas ser um Homem significa não se esconder das próprias responsabilidades quando elas se apresentam.

3. ELE É CLARO. As mulheres quase sempre tentam transformar essa conversa em algo sem fim. Eles querem falar sobre cada uma das razões e cada um dos seus sentimentos pela eternidade e mais além. Elas agem assim porque sabem que, no momento em que você sair, você será o "ex" dela. Não permita que isso aconteça, não embarque numa discussão longa e inútil: seu dever é comunicar o que você quer, apresentar seus argumentos e então ficar ali por alguns minutos, aguentando o tranco.

Trate-a com respeito e seja absolutamente claro sobre o quê você quer e por quê. A conversa do término não é o lugar para ser vago ou misterioso. Ela pode querer que você seja específico: "Por que você quer terminar?", ela irá perguntar. Dizer "Ah, sei lá... eu não me sinto mais tão apaixonado assim" ou qualquer coisa do tipo é ser um covarde ou um narcisista - não um Homem. Você não precisa mostrar um catálogo com seus motivos ou abrir fogo com sua metralhadora distribuidora de culpas, mas tenha pelo menos uma lista mental de 3 razões sólidas para sua decisão.

4. ELE NÃO CRIA ILUSÕES. Uma das coisas mais cruéis que você pode fazer é deixar um fio de esperança de que, quem sabe algum dia, em algum lugar, por algum motivo, vocês possam voltar a ficar juntos. Isso pode ser parecer uma gentileza, mas é apenas um sintoma de fraqueza.

Seja cortês, compreensivo, mas decidido. Vocês estão terminando, não dando um tempo (você não é mais um adolescente) ou decidindo entre fazer miojo ou tomar sorvete. Seja justo com ela - e digno consigo mesmo.

5. ELE OUVE A REAÇÃO DELA. Ela terá uma reação emocional e a possibilidade de uma cena não pode ser descartada. Respire fundo e mantenha-se firme. Agora é hora de aguentar. Não bloqueie os sentimentos dela, não peça para ela ficar calma. Você a está chutando de sua vida e isso dói.

Durante o relacionamento, você sempre tentou evitar que ela sofresse e agora seu primeiro impulso é tentar enxugar as lágrimas dela. Não tente consolá-la nesse momento de sofrimento - isso só irá passar mensagens confusas sobre o que você quer realmente. Não faça esse movimento de compaixão, não diga que tudo vai ficar bem: VOCÊ é a razão por ela estar sofrendo. Arrancar um pedaço e assoprar não irá amenizar a dor da mordida. Deixe-a desabafar e encontrar o caminho de volta sozinha. Pode parecer cruel, mas essa é a única maneira dela cicatrizar adequadamente a sua ausência.

Se o caso de vocês é recente, provavelmente um único encontro será mais que suficiente para resolver tudo. Entretanto, se estamos falando de um casamento ou uma união de anos, é possível que outras conversas sejam necessárias. Não descarte essa possibilidade: se, depois do choque inicial, ela entrar em contato falando que algumas coisas ainda precisam ser ditas e quiser marcar outro encontro, agende novamente em um lugar neutro. Mas mantenha sua pegada sempre elegante, objetiva, firme e sucinta.