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07 setembro 2014

Sexualidade na Menopausa: tem remédio para melhorar?

© Dr. Alessandro Loiola
dralessandroloiola.blogspot.com/
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos


Em 2013, o FDA aprovou um medicamento que vem sendo chamado de “o novo Viagra feminino”. Trata-se do ospemifeno, uma droga da classe dos moduladores de receptores seletivos de estrogênio (selective estrogen receptor modulators ou SERMs). Apesar de não ter qualquer efeito sobre o apetite sexual em si, o ospemifeno é indicado no tratamento da dispareunia secundária à atrofia vaginal típica da menopausa – o que certamente torna o intercurso sexual beem mais confortável.

A aprovação do FDA baseou-se em 3 estudos clínicos placebo-controlados envolvendo mais de 1800 mulheres na pós-menopausa, que demonstraram a eficácia e segurança do medicamento no uso em longo prazo.

A chegada da menopausa, com seus níveis de estrogênio em queda, causa enfraquecimento do tecido que reveste o canal vaginal, tornando-o mais ressecado, frágil e friável. Apesar dos cremes vaginais com estrogênio serem boas soluções para esse problema, eles devem ser aplicados no local, ao passo que este novo medicamento consiste em uma pílula de 60 mg que deve ser tomada uma vez ao dia (de preferência junto a uma refeição).

O ospemifeno potencializa o efeito do estrogênio sobre os tecido vaginal e vulvar. Como qualquer outro SERM, ele também age sobre o endométrio (revestimento interno do útero), e seu uso deve ser acompanhado de um tratamento simultâneo com progestágenos. Qualquer sangramento vaginal deve ser considerado um sinal de alerta a ser avaliado por um médico.

As partes ruins da notícia: o ospemifeno pode intensificar os sintomas de fogacho e o suor excessivo. Nas mulheres com estas manifestações vasomotoras, ele pode não ser a melhor escolha. E por último: até a data da publicação deste texto (setembro/2014), o remédio ainda não estava à venda no Brasil.

22 agosto 2014

Ftalatos e Testosterona: você já ouviu falar?

© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos

Segundo a Mãe Wikipedia, “os ftalatos são um grupo de compostos químicos derivados do ácido ftálico, tal como o cloro ftalato, utilizado como aditivo para deixar o plástico mais maleável. Dentre os ftalatos existentes, o DEHP (ftalato de di-2-etilhexila) é um dos mais difíceis de serem biodegradados”.

Ótimo, mas... e você com isso?

“Você com isso” é o seguinte: um novo estudo publicado online no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (agosto/2014) mostrou que a exposição a ftalatos está associada a uma redução significativa dos níveis de testosterona em homens, mulheres e crianças.

A pesquisa envolveu 2208 participantes arrolados no National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) entre 2011 e 2012. Apesar de muitos ftalatos terem sido associados a reduções significativas nos níveis de testosterona em ambos sexos e em faixas etárias diferentes, as associações mais fortes foram encontradas em mulheres entre 40 e 60 anos de idade: nestas, os níveis de testosterona caíram até 24%, especialmente quando expostas ao mono-benzil ftalato.  

A exposição à DEHP também associou-se a uma redução de 20,1% nos níveis de testosterona em geral, chegando a 29% nos meninos entre 6 e 12 anos de idade.

Curiosamente, a maior exposição a ftalatos não pareceu afetar os níveis de testosterona em homens adultos.

A testosterona é um hormônio importante, mesmo nas mulheres: a deficiência deste hormônio prejudica o desempenho sexual, a libido, as funções cognitivas, a densidade óssea, o sistema cardiovascular e a sensação geral de bem-estar. 

Ainda que as implicações clínicas ainda não estejam bem claras, parece seguro afirmar que estes achados adicionam evidências importantes quanto ao risco reprodutivo associado a exposição a estes produtos químicos. 

Como a maioria dos produtos que contém ftalatos não informa isso em seu rótulo, a Sociedade Americana de Endocrinologia e a OMS emitiram recomendações para que sejam realizadas maiores pesquisas sobre o tópico e emitidos alertas sobre o potencial de risco.

Não sou a OMS e isso é só mais um blog. Mas o alerta tá aí.