18 agosto 2014

PÍLULA SEM MISTÉRIOS

© Dr. Alessandro Loiola
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Toda a revolução sexual dos anos 60 e 70 baseou-se na tríade “emancipação feminina + carros mais confortáveis + pílulas anticoncepcionais”. Para extrair o melhor da modernidade, nunca é demais entender exatamente o funcionamento de cada um desses fatores. Como acredito que você encontrará boas informações sobre os 2 primeiros assuntos em alguma outra parte, vou me resignar com o terceiro fator.

A pílula convencional é composta por uma dose pequena de Estrógeno e uma dose moderada de Progestógeno, dois hormônios femininos. O estrógeno mais utilizado é o Etinil-estradiol. O risco de efeitos colaterais está relacionado diretamente ao conteúdo de estrógenos da sua pílula, e não à duração do uso. A maioria das mulheres pode utilizar a pílula até os 50 anos de idade, tranqüilamente.

Todos os progestógenos são derivados da testosterona e, por isso, possuem alguns efeitos masculinizantes. Os progestógenos mais novos, como levonorgestrel (o mais utilizado), gestodeno e acetato de ciproterona, apresentam menos efeitos colaterais neste sentido.

Estudos mostram que a combinação de hormônios na pílula reduz a incidência de vários distúrbios, incluindo problemas menstruais, câncer e cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, tumores no endométrio, doenças benignas da mama e alterações na glândula tireóide. Em contrapartida, a pílula pode aumentar seu risco de trombose venosa, embolia pulmonar e ataque do coração. Mulheres que fumam e tomam pílula são consideradas um grupo de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, especialmente a partir dos 35 anos.

Toda mulher anseia pelo controle de sua vida, mas muitas andam por aí tomando pílula sem saber que estes hormônios adicionais podem dar um nó nas rédeas do seu destino. Por isso, anote aí algumas pegadinhas que podem ser úteis na sua próxima visita ao médico:

- Se você nunca tomou pílula, uma boa primeira escolha são os anticoncepcionais monofásicos, aqueles em que você toma um mesmo comprimido ao longo de toda a cartela. Inicie com uma dose diária de 20 a 30 microgramas de etinilestradiol.

- Prefira pílulas com altas doses de estrógeno (p.ex.: 50 microgramas) se você sofre de epilepsia ou apresenta problemas menstruais perturbadores. Se já lhe recomendaram exorcismo durante alguma menstruação, você pode estar neste grupo.

- O seu problema tem a ver com acne, ganho persistente de peso, dores nas mamas, depressão ou crescimento de pelos indesejáveis? Em alguns casos, basta escolher pílulas com baixas doses de progestógenos ou aumentar a dose de etinilestradiol para facilitar o controle destes problemas.

- Muita atenção com remédios que podem diminuir a eficácia da sua pílula, tais como suplementos de vitamina C, antibióticos, antifúngicos (p.ex.: griseofulvina), rifampicina e anticonvulsivantes (com exceção do ácido valpróico).

- Diminuição do desejo sexual e sangramentos no começo ou no meio do ciclo também podem ser contornados com aumentos na dose de estrógeno. Mas cuidado: náuseas, vômitos, ganho periódico de peso, manchas no rosto (chamadas cloasma), e sensação de “engurgitamento” ou “hipersensibilidade” nos seios podem ser sinais de excesso de estrógenos. Daí a importância de garantir o emprego do seu gincolecologista.

- Se você sofre de enxaqueca, procure imediatamente seu médico de confiança para interromper a pílula.

- As pílulas anticoncepcionais contendo apenas progestógenos são uma boa alternativa para mulheres com mais de 45 anos de idade, fumantes, diabéticas, hipertensas, com enxaqueca ou em fase de aleitamento. Apesar de não serem tão eficazes quanto as pílulas combinadas contendo progestógenos + estrógenos, elas podem ser melhor que praticar abstinência sexual ou encher a casa de bocas famintas.

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