04 agosto 2014

O Dia da Água

© Dr. Alessandro Loiola

Sessenta por cento do seu corpo e 80% do seu cérebro. É isso que a água corresponde. Dentro do nosso medíocre conhecimento, não somos capazes de conceber a existência de vida onde não há (ou houve) água.

Não é à toa que os repórteres do apocalipse adoram notícias sobre a água. Quando a Globo não tem o que mostrar na sexta-feira à noite, manda algum jornalista se embrenhar no mato para o Sérgio Chapelin anunciar mais tarde: “incríveis árvores verdes, pássaros que voam de verdade e peixes que conseguem respirar até debaixo d´água! Você não pode perder, esta noite, no bobo repórter”. O mesmo vale para a água. Quando faltam novos dados convincentes sobre o fim do mundo, apelam para a água: O fim da água! No futuro, a guerra pela água! E blá blá blá.

Sim, a água vai acabar. Assim como nossa espécie, o Sol e todo este lado da Via Láctea.

Com relação à nossa hospitaleira Terra, digamos que ela passa por fases. Como em uma versão realista de um The Sims planetário, não estamos terminados: estamos sempre evoluindo. O jogo segue. E se um dia fomos uma crosta vulcânica desprovida de vertebrados, muito provavelmente no futuro seremos alguma coisa bastante diferente deste aquário invertido infestado por Homo sapiens.

A despeito desta crua realidade, é extremamente válido dar o devido valor a tudo que nos sustenta. Se você trata seu chefe com respeito (pelo menos na frente dele) e venera aquele aumento no salário, por que faria diferente com a água?

Sem a água, não desapareciam apenas as atividades econômicas: nosso organismo não duraria uma semana sem ingerir o precioso líquido. Durante o curso de medicina, aprendemos que a sobrevivência humana é delimitada por algo chamado Regra dos Três: 3 minutos sem respirar, 3 dias sem beber água, 3 semanas sem comer. Qualquer passo fora disso, vuuussh!, você já era, vai freqüentar uma palestra para vegetais no Ceasa ou virar adubo de samambaia.

A água participa da digestão dos alimentos, da regulação da temperatura corporal e do transporte de oxigênio. Ela lubrifica articulações, promove o bom funcionamento intestinal e serve de meio para milhares de reações químicas essenciais para a manutenção da vida.

Apesar de valiosa, nosso organismo faz questão de perder água: através da respiração, eliminamos quase 2 copos de água diariamente. Através do suor, outros 2 copos ou mais. Os rins eliminam outros 5-6 copos. Para repor estas perdas, é essencial ingerir boas quantidades de líquido por dia – no mínimo 6-8 copos.

Para que você tenha sempre água à sua disposição, respeitando os limites do bom senso e evitando desperdícios, seguem 5 orientações que podem ser tão práticas quanto inúteis:

• Confira periodicamente vazamentos em pias, chuveiros e vasos sanitários. E conserte-os. Porque “verificação” e “nada” significam quase a mesma coisa se você não tomar uma atitude.

• Feche a torneira enquanto estiver se ensaboando, escovando os dentes ou fazendo a barba. Cada minuto a menos de banho equivale a uma economia de 3 a 6 litros de água! Explique isso para sua mãe ou esposa quando ela começar a reclamar do seu cheiro.

• Ao limpar as louças, deixe-as de molho em uma bacia ou na própria pia, para amolecer os resíduos. Então raspe e jogue os resíduos no lixo – ou guarde-os em um recipiente para oferecer ao seu cunhado no almoço de sábado (“você não pode deixar de provar esse risoto!”). Aquela água imunda em que os vasilhames permaneceram de molho pode ser utilizada para preparar uma deliciosa sopa de legumes à noite. Chame seu cunhado de volta.

• Otimize o uso da máquina de lavar louças e da máquina de lavar roupas: coloque-as para rodar apenas quando estiverem cheias. E não ponha a roupa para lavar a todo momento: recicle sua cueca usando dos dois lados. Lamber bem os talheres do almoço ajuda a mantê-los limpos até a janta. E etc. 

• Não lave a calçada: limpe-a com uma vassoura ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Se você acha divertido ficar ali feito um debilóide de bermudas, assoviando Tony Bennet enquanto empurra folha por folha até a sarjeta com a mangueira aberta, procure fazer o mesmo utilizando apenas sua saliva. Depois de uma hora, você entenderá mais ou menos como o planeta se sente. Boa sorte!


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