© Dr. Alessandro Loiola
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A leitora escreve: “Dr. Loiola, o que leva um ser humano sem problemas mentais a tê-lo? Minha mãe nasceu uma pessoa normal, cresceu, casou, mas no primeiro filho digamos que jogou a toalha e virou de ponta cabeça. Já fez vários tratamentos psiquiátricos, tomou diversos medicamentos ao mesmo tempo e agora, justamente o remédio que estava dando certo, foi retirado do mercado. Não sei como ela irá ficar. Talvez tenha novas crises. Queria uma explicação. Porque uma mente sã fica ruim como um computador cheio de vírus precisando ser formatado? Desde já agradecida, Fulana de Tal”.
Lamentavelmente, ela não forneceu outras pistas sobre o mal que estava afetando a mãe, mas após mais de uma década perdendo os fios de cabelo no consultório, é possível compreender a natureza por trás da moléstia.
Com a melhora na qualidade de vida (não ria: ela melhorou sim, até mesmo em países do Quinto Mundo como o Brasil), conseguimos um controle paliativo razoável para boa parte das ameaças oferecidas por vírus, bactérias, diabetes, hipertensão arterial, tumores, etc.
Entretanto, para manter a máquina tecnológica avançando, precisamos de uma sociedade extremamente produtiva e trabalhadora, capaz de suportar pressões inimagináveis em outros tempos. Esse ciclo de pressão-produção-pressão não poderia levar a outro lugar, e atingimos o nível em que a mesma tecnologia que protege a saúde de seu corpo, ameaça agora a saúde de sua mente.
A cada ano, cerca de 40% das pessoas experimentam sentimentos intensos de tristeza, infelicidade e desapontamento. Destas, 20% desenvolverão depressão propriamente dita. Em números tupiniquins, significa o mesmo que 10 milhões de brasileiros deprimidos anualmente.
Os transtornos psiquiátricos possuem várias causas. Por exemplo: gêmeos idênticos possuem uma concordância de 60% para depressão. Alterações bioquímicas no cérebro e problemas hormonais (como redução na produção de cortisol ou melatonina) também possuem sua parcela de culpa. Mas são os eventos estressantes os responsáveis por cerca de 60% dos casos de depressão e distúrbios da ansiedade. A gota d’água de estresse pode ser representada pelo nascimento de novos filhos, por uma demissão esperada ou não, pelo término de um relacionamento ou pelo choque de uma doença crônica.
O diagnóstico clássico de depressão depende da presença de certos sinais e sintomas por um determinado período de tempo. Além da perda de interesse na vida diária, é preciso que 4 das seguintes manifestações estejam presentes de modo contínuo por pelo menos duas semanas:
- Perda do apetite com perda de peso;
- Insônia e/ou sonolência durante o dia;
- Agitação ou lentidão excessiva;
- Diminuição do apetite sexual;
- Evidência de problemas de concentração;
- Sentimento de culpa ou auto-crítica exagerada;
- Pensamentos (ou tentativas) recorrentes de suicídio.
Nem toda pessoa deprimida ou ansiosa necessita de remédios. O acompanhamento psicológico, sem drogas, é capaz de resolver os casos mais simples e certamente deve fazer parte do tratamento dos episódios mais graves de depressão.
Caso os anti-depressivos sejam necessários, existem características e dicas que podem facilitar a escolha entre as dezenas de marcas disponíveis. Por exemplo: muitos antidepressivos causam sono. Pessoas que necessitam manter o nível de atenção para dirigir ou operar máquinas podem se beneficiar do uso de antidepressivos que não causam tanta sonolência, como a Paroxetina.
Na depressão relacionada à menopausa, a terapia de reposição hormonal pode resolver os sintomas, mas este recurso não deve ser empregado em mulheres com alto risco para câncer de mama. Muitos antidepressivos tradicionais não funcionam muito bem em adolescentes. E por aí vai.
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05 setembro 2014
SEM TOALHA E DE PONTA CABEÇA
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04 setembro 2014
POR UM CONGRESSO BRASILEIRO DE TAUTOLOGIA MÉDICA
© Alessandro Loiola
"Tautologia" é o termo empregado para definir vícios de linguagem caracterizados pela repetição de uma idéia, porém com palavras diferentes. Se quiser, também pode chamar de pleonasmo ou redundância.
“Subir para cima” e “descer para baixo” são exemplos bem conhecidos de tautologia, mas existem outros que, de tão comuns, podem passar despercebidos: elo de ligação, acabamento final, certeza absoluta, quantia exata, livre escolha, multidão de pessoas, surpresa inesperada, outra alternativa, retornar de novo, planejar antecipadamente, empréstimo temporário, seu critério pessoal, gritar bem alto, encarar de frente, dividir em duas metades iguais... e por aí vai.
Em medicina, a detecção da tautologia se transformou em uma arte, especialmente nos pronto-socorros. Por exemplo: obeso sedentário, diabético teimoso, hipertenso ansioso... Nenhuma dessas figurinhas estaria ali se não fosse pela repetição da mesma idéia, com palavras diferentes.
O obeso não malha porque está gordo e está gordo porque não malha. O diabético insiste em não seguir a dieta porque a glicose está sempre descontrolada – e adivinhe por que ela vive assim? O hipertenso se preocupa tanto com medo de morrer de pressão alta que termina enfartando de qualquer forma. E a fila anda.
De todos os seres tautólogos que freqüentam as salas de espera e pronto-atendimentos da cidade, os Poliqueixosos Carentes são certamente os mais numerosos. Os representantes do gênero chegam cheios de dores, palpitações que não aparecem nos eletrocardiogramas, cansaço com insônia, falta de ar com bolo na garganta, coceira nos dentes, cãibras nas unhas, formigamento nos cabelos e toda espécie de queixa surrealista capaz de virar uma consulta.
Não que não estejam sofrendo de algum mal – a bem da verdade, não existe sofrimento mais honesto que aquele que aflige a alma. Mas os pelotões de poliqueixosos que se aglutinam querendo vários tratamentos para o mesmo diagnóstico fazem pensar: que diabos está acontecendo com o mundo de hoje? Parte da resposta pode estar do outro lado do mundo, na China.
Uma pesquisa realizada há alguns meses mostrou que o número de divórcios nunca foi tão grande entre os chineses. Mais surpreendente que a quantidade de separações foi a constatação do motivo: durante muitas décadas, os chineses foram estimulados a terem apenas 1 filho. Isso criou legiões acostumadas desde a infância a terem toda a atenção somente para si, sem necessidade de estabelecer e dividir vínculos com irmãos, tios, tias ou primos – simplesmente porque eles não existem.
A falta de um amadurecimento emocional na tenra infância, compartilhando as agruras e alegrias do núcleo familiar, resultou em levas de chineses-únicos com um lastro emocional muito volátil. Ao menor sinal de problema com amigos, colegas de trabalho, maridos ou esposas, eles simplesmente tendem a abandonar o barco - e bau-bau casamento.
Diferentemente das gerações de filhos únicos chineses, a maioria de nós não é tão órfã de famílias. A amputação de valores, contudo, é a mesma. Estamos perdendo a noção do que realmente importa nesta vida.
Os poliqueixosos carentes e suas sacolas de antidepressivos, ansiolíticos, sedativos, lamentações e perturbações do sistema nervoso, são como pelotões de cegos, surdos e mudos incapazes de cultivar um olhar de contemplação e agradecimento pela oportunidade de estar neste mundo, errar, aprender, ensinar e ajudar seus semelhantes.
Os poliqueixosos são fissurados por pequenos fungos de angústia que crescem em seus próprios umbigos. Estes seres pleonásticos vagam não à procura de tratamento ou cura, mas de uma platéia disponível para ter pena do seu sofrimento. Eles chegam conversando, andando com as próprias pernas, respirando pelos próprios pulmões, fazendo todas as necessidades fisiológicas pelos orifícios apropriados, e ainda assim se sentem capazes de colocar uma sacola de autopiedade sobre a mesa.
Lamentavelmente, não existe uma matéria chamada Tautologia no curso médico. Mas bem que poderiam organizar um congresso sobre o tema. Seria um bom lugar para discutir melhor sobre como diagnosticar e tratar os sintomas do egoísmo generalizado. Minha inscrição está garantida.
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28 agosto 2014
VOCÊ SABE LIDAR COM O ESTRESSE?
© Dr. Alessandro Loiola
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Se a vida fosse um filme de faroeste, o Estresse seria aquele vilão que trama contra o mocinho, enviando pistoleiros terríveis para acabar com ele. Alguma coisa como Kid Saúde encontra Jack Hipertensão, Frank Angina e Mary Obesidade ao pôr-do-Sol em Old Diabetes Creek.
Após um duelo intenso, Kid Saúde e seu fiel ajudante, o cherokee Bom-Senso Thomas, eliminam os bandidos, mas Kid sai ferido com duas safenas e uma mamária. Enquanto nosso herói se recupera, o ardiloso Farmer Stress já planeja seu próximo ataque e envia um telégrafo para a cidade fronteiriça de Sexual Disfunction. Manda chamar Impotência Joe, mal-feitor especialista em golpes baixos... e a história segue.
Assim como no filme, você deve prestar atenção para a trama por detrás da trama. Insônia, problemas de peso, ansiedade, hipertensão e tantos outros males muitas vezes são conseqüência, e não causa, dos seus problemas. São sementes plantadas por você mesmo – e inadvertidamente, o que é pior. Ao comprar mal o que a vida lhe oferece, você termina recebendo como troco tudo aquilo que não precisava.
É óbvio que para certas situações são necessários remédios mais fortes que simples boa-fé e confiança no destino. Você possui o dom da inteligência, utilize-o a seu favor: não é possível eliminar completamente o Estresse, até porque um pouco de estresse é importante para preservar sua vida. Mas eu disse “um pouco”. Não se lambuze com ele dos pés a cabeça todos os dias.
Você não pode controlar todas as situações que a vida lhe coloca no caminho. O que você PODE e DEVE fazer é controlar a maneira como seu corpo responde a estes desafios. Se por acaso estiver sentindo dificuldade em lidar com a vida nervosa deste novo século, tente empregar as dicas a seguir:
DURMA
Ah, dormir... Por mais improdutivo e contraditório que possa parecer, dormir ajuda a resolver problemas. Isso porque seu cérebro não pára e, após uma boa noite de sono, aquilo que parecia insolúvel no dia anterior, subitamente se torna um problema simples.
Durante o sono, seu cérebro relaxou, liberou boas quantidades de transmissores químicos, brincou de procurar novas conexões neuronais, e voila!, em uma delas estava aquela solução que você tanto procurava! Nunca subestime o poder de gerenciamento que uma rápida soneca é capaz de oferecer.
(E agora você tem uma ótima desculpa para dormir um pouco no horário de serviço. Tá vendo como este grupo de discussão pode ser útil?)
ALIMENTE-SE DIREITO
Você sabe que os alimentos podem modificar seu humor. Por exemplo: depois daquela discussão, a pior coisa que você pode fazer é sair para um cafezinho. O café é um estimulante do sistema nervoso e tudo que ele irá fazer será aumentar seu nível de irritação – dando mais combustível para outra meia hora de bate-boca.
O mesmo vale para a quantidade de lixo que lhe oferecem com o nome de “lanche rápido”. Não pule refeições e procure manter uma rotina alimentar baseada em frutas, vegetais, legumes e carnes brancas.
PRATIQUE EXERCÍCIOS REGULARMENTE
Pode parecer repetitivo, mas os problemas não são assim também? Eles podem mudar de roupa, mas quase sempre apresentam aquele conteúdo música-pop (“um-pouco-mais-do-mesmo-de-sempre”).
Falar que exercícios fazem bem para a saúde é redundante, mas nunca é demais. Exercitar-se melhora sua saúde física e mental, estimulando a liberação de hormônios benéficos como Serotonina e Endorfinas. Agora levante dessa cadeira e leia o restante desta crônica correndo em círculos pela sala.
TENHA AMIGOS
Você já foi em uma piscina? Para manter a higiene da água, são adicionadas boas quantidades de cloro. Se o cloro for insuficiente, a água se torna contaminante. Se for colocado em excesso, a água se torna irritante. O segredo é manter o pH da água da piscina dentro do aceitável. Em alguns casos, para equilibrar o pH são utilizadas Soluções Tampões.
Pois bem: os amigos são as soluções tampões que a vida lhe oferece para neutralizar a acidez do dia-a-dia. Você quer eliminar seus problemas esterilizando tudo com o cloro da sua eficiência? Tudo bem. Mas procure tamponar esta solução com alguns bons amigos, só para se certificar de que a água continuará agradável.
TENHA HOBBIES
Um Hobby é aquilo que promove distração de sua atividade profissional habitual, tira sua atenção do estresse e lhe coloca relaxadamente focado no momento. Não, assistir televisão comendo pipoca não pode ser classificado como Hobby. Desenhar, pintar, praticar jardinagem, marcenaria, ou tocar algum instrumento musical são bons exemplos.
MIME-SE
Sim, mime-se. Namore com seu corpo e lhe dê presentes. Você guardou tanto para aquele carro, porque não faz o mesmo esforço para presentear-se com uma viagem ou cinco dias em um SPA?
AFIE SUA MENTE
Uma situação estressante não é uma ameaça, mas um desafio para o seu raciocínio. Quanto mais afiado for seu cérebro, mais facilmente ele encontrará uma saída. Leia, faça palavras-cruzadas, monte quebra-cabeças, jogue dama, xadrez ou memória com seus filhos (ou sobrinhos, ou vizinhos, etc).
O cérebro é o músculo mais especializado do corpo. Não deixe que ele atrofie por falta de estímulo.
CABEÇA ERGUIDA SEMPRE
Caiu? Levante. Errou? Peça desculpas e siga em frente. Olhe atentamente: o mundo está sob seus pés, não sobre seus ombros.
COLOQUE SUAS EMOÇÕES NA LINHA DE MONTAGEM
Lembra tudo aquilo que deu errado na última viagem? Pois é exatamente o que faz todos rirem na mesa quando você conta. Se é engraçado agora, porque não pôde ser engraçado antes? Porque você provavelmente não havia processado ainda suas emoções como se fossem produtos em uma linha de montagem.
Ao sentir uma emoção forte que poderá repercutir sobre você de modo negativo, procure guardá-la para si por alguns segundos, minutos, horas ou mesmo dias, até conseguir fazer uma análise mais racional do que está acontecendo. Um modo bastante prático de fazer isto é mantendo alguma espécie de diário, onde você pode registrar seu método e analisar os progressos. Lembre-se: exteriorizar suas emoções não significa despejá-las sobre a primeira criatura que vir, feito uma caçamba de concreto reforçado.
ACREDITE EM ALGO
A ciência comprova: pessoas “espirituais” tendem a ser mais saudáveis que pessoas “não-espirituais”. A prece e a meditação são ferramentas úteis para aliviar o estresse, e nos dão uma consciência mais serena sobre quem somos, quais são os nossos limites e o que realmente vale alguma coisa nessa vida.
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Se a vida fosse um filme de faroeste, o Estresse seria aquele vilão que trama contra o mocinho, enviando pistoleiros terríveis para acabar com ele. Alguma coisa como Kid Saúde encontra Jack Hipertensão, Frank Angina e Mary Obesidade ao pôr-do-Sol em Old Diabetes Creek.
Após um duelo intenso, Kid Saúde e seu fiel ajudante, o cherokee Bom-Senso Thomas, eliminam os bandidos, mas Kid sai ferido com duas safenas e uma mamária. Enquanto nosso herói se recupera, o ardiloso Farmer Stress já planeja seu próximo ataque e envia um telégrafo para a cidade fronteiriça de Sexual Disfunction. Manda chamar Impotência Joe, mal-feitor especialista em golpes baixos... e a história segue.
Assim como no filme, você deve prestar atenção para a trama por detrás da trama. Insônia, problemas de peso, ansiedade, hipertensão e tantos outros males muitas vezes são conseqüência, e não causa, dos seus problemas. São sementes plantadas por você mesmo – e inadvertidamente, o que é pior. Ao comprar mal o que a vida lhe oferece, você termina recebendo como troco tudo aquilo que não precisava.
É óbvio que para certas situações são necessários remédios mais fortes que simples boa-fé e confiança no destino. Você possui o dom da inteligência, utilize-o a seu favor: não é possível eliminar completamente o Estresse, até porque um pouco de estresse é importante para preservar sua vida. Mas eu disse “um pouco”. Não se lambuze com ele dos pés a cabeça todos os dias.
Você não pode controlar todas as situações que a vida lhe coloca no caminho. O que você PODE e DEVE fazer é controlar a maneira como seu corpo responde a estes desafios. Se por acaso estiver sentindo dificuldade em lidar com a vida nervosa deste novo século, tente empregar as dicas a seguir:
DURMA
Ah, dormir... Por mais improdutivo e contraditório que possa parecer, dormir ajuda a resolver problemas. Isso porque seu cérebro não pára e, após uma boa noite de sono, aquilo que parecia insolúvel no dia anterior, subitamente se torna um problema simples.
Durante o sono, seu cérebro relaxou, liberou boas quantidades de transmissores químicos, brincou de procurar novas conexões neuronais, e voila!, em uma delas estava aquela solução que você tanto procurava! Nunca subestime o poder de gerenciamento que uma rápida soneca é capaz de oferecer.
(E agora você tem uma ótima desculpa para dormir um pouco no horário de serviço. Tá vendo como este grupo de discussão pode ser útil?)
ALIMENTE-SE DIREITO
Você sabe que os alimentos podem modificar seu humor. Por exemplo: depois daquela discussão, a pior coisa que você pode fazer é sair para um cafezinho. O café é um estimulante do sistema nervoso e tudo que ele irá fazer será aumentar seu nível de irritação – dando mais combustível para outra meia hora de bate-boca.
O mesmo vale para a quantidade de lixo que lhe oferecem com o nome de “lanche rápido”. Não pule refeições e procure manter uma rotina alimentar baseada em frutas, vegetais, legumes e carnes brancas.
PRATIQUE EXERCÍCIOS REGULARMENTE
Pode parecer repetitivo, mas os problemas não são assim também? Eles podem mudar de roupa, mas quase sempre apresentam aquele conteúdo música-pop (“um-pouco-mais-do-mesmo-de-sempre”).
Falar que exercícios fazem bem para a saúde é redundante, mas nunca é demais. Exercitar-se melhora sua saúde física e mental, estimulando a liberação de hormônios benéficos como Serotonina e Endorfinas. Agora levante dessa cadeira e leia o restante desta crônica correndo em círculos pela sala.
TENHA AMIGOS
Você já foi em uma piscina? Para manter a higiene da água, são adicionadas boas quantidades de cloro. Se o cloro for insuficiente, a água se torna contaminante. Se for colocado em excesso, a água se torna irritante. O segredo é manter o pH da água da piscina dentro do aceitável. Em alguns casos, para equilibrar o pH são utilizadas Soluções Tampões.
Pois bem: os amigos são as soluções tampões que a vida lhe oferece para neutralizar a acidez do dia-a-dia. Você quer eliminar seus problemas esterilizando tudo com o cloro da sua eficiência? Tudo bem. Mas procure tamponar esta solução com alguns bons amigos, só para se certificar de que a água continuará agradável.
TENHA HOBBIES
Um Hobby é aquilo que promove distração de sua atividade profissional habitual, tira sua atenção do estresse e lhe coloca relaxadamente focado no momento. Não, assistir televisão comendo pipoca não pode ser classificado como Hobby. Desenhar, pintar, praticar jardinagem, marcenaria, ou tocar algum instrumento musical são bons exemplos.
MIME-SE
Sim, mime-se. Namore com seu corpo e lhe dê presentes. Você guardou tanto para aquele carro, porque não faz o mesmo esforço para presentear-se com uma viagem ou cinco dias em um SPA?
AFIE SUA MENTE
Uma situação estressante não é uma ameaça, mas um desafio para o seu raciocínio. Quanto mais afiado for seu cérebro, mais facilmente ele encontrará uma saída. Leia, faça palavras-cruzadas, monte quebra-cabeças, jogue dama, xadrez ou memória com seus filhos (ou sobrinhos, ou vizinhos, etc).
O cérebro é o músculo mais especializado do corpo. Não deixe que ele atrofie por falta de estímulo.
CABEÇA ERGUIDA SEMPRE
Caiu? Levante. Errou? Peça desculpas e siga em frente. Olhe atentamente: o mundo está sob seus pés, não sobre seus ombros.
COLOQUE SUAS EMOÇÕES NA LINHA DE MONTAGEM
Lembra tudo aquilo que deu errado na última viagem? Pois é exatamente o que faz todos rirem na mesa quando você conta. Se é engraçado agora, porque não pôde ser engraçado antes? Porque você provavelmente não havia processado ainda suas emoções como se fossem produtos em uma linha de montagem.
Ao sentir uma emoção forte que poderá repercutir sobre você de modo negativo, procure guardá-la para si por alguns segundos, minutos, horas ou mesmo dias, até conseguir fazer uma análise mais racional do que está acontecendo. Um modo bastante prático de fazer isto é mantendo alguma espécie de diário, onde você pode registrar seu método e analisar os progressos. Lembre-se: exteriorizar suas emoções não significa despejá-las sobre a primeira criatura que vir, feito uma caçamba de concreto reforçado.
ACREDITE EM ALGO
A ciência comprova: pessoas “espirituais” tendem a ser mais saudáveis que pessoas “não-espirituais”. A prece e a meditação são ferramentas úteis para aliviar o estresse, e nos dão uma consciência mais serena sobre quem somos, quais são os nossos limites e o que realmente vale alguma coisa nessa vida.
19 agosto 2014
Altos níveis de IL-6 em crianças = risco de transtornos psiquiátricos na idade adulta
© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos
Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que crianças com níveis elevados de Interleucina-6 (IL-6) aos 9 anos de idade apresentam uma probabilidade 55% maior de apresentarem depressão e 81% maior para surtos psicóticos a partir dos 18 anos.
Aos 18 anos, 20,5% dos adolescentes que se encontravam no terço maior dos níveis de IL-6 na infância haviam sido diagnosticados com depressão, contra 18% daqueles no terço médio e 13,6% daqueles no terço inferior. O estudo foi publicado online na edição de agosto/2014 da revista JAMA Psychiatry.
Estes números possuem implicações práticas (e epidemiológicas): a depressão que surge na adolescência pode estar sendo biologicamente preparada na infância. E como a IL-6 é um mediador inflamatório, medidas simples para reduzir seus níveis no organismo como, por exemplo, melhorar a estabilidade do nível familiar (o estresse do relacionamento interfamiliar desequilibrado aumenta os níveis de Il-6), seguir dieta saudável e praticar atividades físicas regularmente, podem e certamente irão repercutir na saúde mental do indivíduo lá na frente.
A associação entre IL-6 e transtornos psiquiátricos pode abrir uma nova frente de recursos farmacológicos para tratar e prevenir estes problemas. Por conta deste pequeno detalhe, pode ter certeza, muitos laboratórios farmacêuticos estão sorrindo neste exato momento.
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Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram que crianças com níveis elevados de Interleucina-6 (IL-6) aos 9 anos de idade apresentam uma probabilidade 55% maior de apresentarem depressão e 81% maior para surtos psicóticos a partir dos 18 anos.
Aos 18 anos, 20,5% dos adolescentes que se encontravam no terço maior dos níveis de IL-6 na infância haviam sido diagnosticados com depressão, contra 18% daqueles no terço médio e 13,6% daqueles no terço inferior. O estudo foi publicado online na edição de agosto/2014 da revista JAMA Psychiatry.
Estes números possuem implicações práticas (e epidemiológicas): a depressão que surge na adolescência pode estar sendo biologicamente preparada na infância. E como a IL-6 é um mediador inflamatório, medidas simples para reduzir seus níveis no organismo como, por exemplo, melhorar a estabilidade do nível familiar (o estresse do relacionamento interfamiliar desequilibrado aumenta os níveis de Il-6), seguir dieta saudável e praticar atividades físicas regularmente, podem e certamente irão repercutir na saúde mental do indivíduo lá na frente.
A associação entre IL-6 e transtornos psiquiátricos pode abrir uma nova frente de recursos farmacológicos para tratar e prevenir estes problemas. Por conta deste pequeno detalhe, pode ter certeza, muitos laboratórios farmacêuticos estão sorrindo neste exato momento.
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Medicamento contra insônia dobra o número de atendimentos em unidades de emergência
© Dr. Alessandro Loiola
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Um relatório emitido recentemente (2014) nos EUA pela SAMHSA (Substance Abuse and Mental Health Services Administration) mostrou que o número de atendimentos nas unidades de emergência devido uso excessivo de zolpidem, uma droga aprovada pelo FDA para o combate da insônia, praticamente dobrou durante os períodos de 2005-2006 e 2009-2010.
Em 2010, foram atendidas mais de 20.000 pessoas com efeitos colaterais potencialmente graves relacionado a este remédio - 68% eram mulheres. A associação de zolpidem com outras substâncias (como diazepam, analgésicos narcóticos e mesmo bebidas alcoólicas) potencializa absurdamente o efeito sedativo da medicação. Cerca de 26% dos pacientes atendidos terminaram necessitando internação em uma unidade de tratamento intensivo.
Graças à alta incidência de reações adversas, o órgão solicitou aos fabricantes que diminuíssem em 50% a dose recomendada para mulheres. Penso que seria prudente também usar o mesmo parâmetro para os homens.
Vários estudos mostram que 96% dos atendimentos de urgência envolvendo tentativa de suicídio em pacientes entre 45 e 64 anos de idade estão relacionados ao abuso de medicamentos (de venda livre ou controlados). Destes casos, 48% envolvem remédios para ansiedade e/ou para insônia.
Medicações contra insônia, ansiedade e depressão podem ser benéficos, mas devem ser empregados com bastante critério e de forma monitorada. Tanto médicos quanto pacientes devem discutir abertamente sobre os riscos e as reações adversas de qualquer medicação, procurando uma alternativa viável sempre que possível. A resposta para os problemas da vida NUNCA estarão em um comprimido escondido em um blíster ou uma pequena caixa de papel.
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18 agosto 2014
PÍLULA SEM MISTÉRIOS
Toda a revolução sexual dos anos 60 e 70 baseou-se na tríade “emancipação feminina + carros mais confortáveis + pílulas anticoncepcionais”. Para extrair o melhor da modernidade, nunca é demais entender exatamente o funcionamento de cada um desses fatores. Como acredito que você encontrará boas informações sobre os 2 primeiros assuntos em alguma outra parte, vou me resignar com o terceiro fator.
A pílula convencional é composta por uma dose pequena de Estrógeno e uma dose moderada de Progestógeno, dois hormônios femininos. O estrógeno mais utilizado é o Etinil-estradiol. O risco de efeitos colaterais está relacionado diretamente ao conteúdo de estrógenos da sua pílula, e não à duração do uso. A maioria das mulheres pode utilizar a pílula até os 50 anos de idade, tranqüilamente.
Todos os progestógenos são derivados da testosterona e, por isso, possuem alguns efeitos masculinizantes. Os progestógenos mais novos, como levonorgestrel (o mais utilizado), gestodeno e acetato de ciproterona, apresentam menos efeitos colaterais neste sentido.
Estudos mostram que a combinação de hormônios na pílula reduz a incidência de vários distúrbios, incluindo problemas menstruais, câncer e cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, tumores no endométrio, doenças benignas da mama e alterações na glândula tireóide. Em contrapartida, a pílula pode aumentar seu risco de trombose venosa, embolia pulmonar e ataque do coração. Mulheres que fumam e tomam pílula são consideradas um grupo de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, especialmente a partir dos 35 anos.
Toda mulher anseia pelo controle de sua vida, mas muitas andam por aí tomando pílula sem saber que estes hormônios adicionais podem dar um nó nas rédeas do seu destino. Por isso, anote aí algumas pegadinhas que podem ser úteis na sua próxima visita ao médico:
- Se você nunca tomou pílula, uma boa primeira escolha são os anticoncepcionais monofásicos, aqueles em que você toma um mesmo comprimido ao longo de toda a cartela. Inicie com uma dose diária de 20 a 30 microgramas de etinilestradiol.
- Prefira pílulas com altas doses de estrógeno (p.ex.: 50 microgramas) se você sofre de epilepsia ou apresenta problemas menstruais perturbadores. Se já lhe recomendaram exorcismo durante alguma menstruação, você pode estar neste grupo.
- O seu problema tem a ver com acne, ganho persistente de peso, dores nas mamas, depressão ou crescimento de pelos indesejáveis? Em alguns casos, basta escolher pílulas com baixas doses de progestógenos ou aumentar a dose de etinilestradiol para facilitar o controle destes problemas.
- Muita atenção com remédios que podem diminuir a eficácia da sua pílula, tais como suplementos de vitamina C, antibióticos, antifúngicos (p.ex.: griseofulvina), rifampicina e anticonvulsivantes (com exceção do ácido valpróico).
- Diminuição do desejo sexual e sangramentos no começo ou no meio do ciclo também podem ser contornados com aumentos na dose de estrógeno. Mas cuidado: náuseas, vômitos, ganho periódico de peso, manchas no rosto (chamadas cloasma), e sensação de “engurgitamento” ou “hipersensibilidade” nos seios podem ser sinais de excesso de estrógenos. Daí a importância de garantir o emprego do seu gincolecologista.
- Se você sofre de enxaqueca, procure imediatamente seu médico de confiança para interromper a pílula.
- As pílulas anticoncepcionais contendo apenas progestógenos são uma boa alternativa para mulheres com mais de 45 anos de idade, fumantes, diabéticas, hipertensas, com enxaqueca ou em fase de aleitamento. Apesar de não serem tão eficazes quanto as pílulas combinadas contendo progestógenos + estrógenos, elas podem ser melhor que praticar abstinência sexual ou encher a casa de bocas famintas.
A pílula convencional é composta por uma dose pequena de Estrógeno e uma dose moderada de Progestógeno, dois hormônios femininos. O estrógeno mais utilizado é o Etinil-estradiol. O risco de efeitos colaterais está relacionado diretamente ao conteúdo de estrógenos da sua pílula, e não à duração do uso. A maioria das mulheres pode utilizar a pílula até os 50 anos de idade, tranqüilamente.
Todos os progestógenos são derivados da testosterona e, por isso, possuem alguns efeitos masculinizantes. Os progestógenos mais novos, como levonorgestrel (o mais utilizado), gestodeno e acetato de ciproterona, apresentam menos efeitos colaterais neste sentido.
Estudos mostram que a combinação de hormônios na pílula reduz a incidência de vários distúrbios, incluindo problemas menstruais, câncer e cistos ovarianos, doença inflamatória pélvica, tumores no endométrio, doenças benignas da mama e alterações na glândula tireóide. Em contrapartida, a pílula pode aumentar seu risco de trombose venosa, embolia pulmonar e ataque do coração. Mulheres que fumam e tomam pílula são consideradas um grupo de altíssimo risco para morte súbita cardíaca, especialmente a partir dos 35 anos.
Toda mulher anseia pelo controle de sua vida, mas muitas andam por aí tomando pílula sem saber que estes hormônios adicionais podem dar um nó nas rédeas do seu destino. Por isso, anote aí algumas pegadinhas que podem ser úteis na sua próxima visita ao médico:
- Se você nunca tomou pílula, uma boa primeira escolha são os anticoncepcionais monofásicos, aqueles em que você toma um mesmo comprimido ao longo de toda a cartela. Inicie com uma dose diária de 20 a 30 microgramas de etinilestradiol.
- Prefira pílulas com altas doses de estrógeno (p.ex.: 50 microgramas) se você sofre de epilepsia ou apresenta problemas menstruais perturbadores. Se já lhe recomendaram exorcismo durante alguma menstruação, você pode estar neste grupo.
- O seu problema tem a ver com acne, ganho persistente de peso, dores nas mamas, depressão ou crescimento de pelos indesejáveis? Em alguns casos, basta escolher pílulas com baixas doses de progestógenos ou aumentar a dose de etinilestradiol para facilitar o controle destes problemas.
- Muita atenção com remédios que podem diminuir a eficácia da sua pílula, tais como suplementos de vitamina C, antibióticos, antifúngicos (p.ex.: griseofulvina), rifampicina e anticonvulsivantes (com exceção do ácido valpróico).
- Diminuição do desejo sexual e sangramentos no começo ou no meio do ciclo também podem ser contornados com aumentos na dose de estrógeno. Mas cuidado: náuseas, vômitos, ganho periódico de peso, manchas no rosto (chamadas cloasma), e sensação de “engurgitamento” ou “hipersensibilidade” nos seios podem ser sinais de excesso de estrógenos. Daí a importância de garantir o emprego do seu gincolecologista.
- Se você sofre de enxaqueca, procure imediatamente seu médico de confiança para interromper a pílula.
- As pílulas anticoncepcionais contendo apenas progestógenos são uma boa alternativa para mulheres com mais de 45 anos de idade, fumantes, diabéticas, hipertensas, com enxaqueca ou em fase de aleitamento. Apesar de não serem tão eficazes quanto as pílulas combinadas contendo progestógenos + estrógenos, elas podem ser melhor que praticar abstinência sexual ou encher a casa de bocas famintas.
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15 agosto 2014
OS MANDAMENTOS DA PESSOA
© Alessandro Loiola
Em 2015, a Assembléia Geral da ONU responsável pela famosa Declaração Universal dos Direitos Humanos completou 70 anos.
Sete décadas!, e o país mais rico do mundo não possui um sistema de saúde público. Pode falar mal o quanto quiser do nosso SUS, mas pelo menos nós temos um SUS. Pobre, maltrapilho, míope-quase-cego e trôpego das pernas, mas ele está aí, de portas abertas para sua sorte ou azar.
Nos EUA, a sempre-candidata à presidência Hillary Clinton, esposa daquele outro envolvido no teste do bafômetro com uma estagiária, foi eleita senadora de Nova Iorque prometendo nada mais, nada menos, que um SUS para a Grande Maçã.
Promessas de políticos à parte, o SUS americano nunca aconteceu. Apesar do governo de lá investir muito mais que o daqui - o gasto per capta com saúde nos EUA é 10 vezes maior que o brasileiro -, a população americana recebe do Estado bem menos assistência em saúde.
A cada ano a desnutrição ceifa a vida de mais de 300.000 crianças com menos de 5 anos de idade e o continente considerado berço da humanidade ainda é assolado pelas mesmas tragédias de quando descemos das árvores. Epidemias, fome e violência sufocam a África há milênios, e não existem sinais de que estas mazelas irão diminuir tão cedo.
Por todos estes motivos e inspiradas pela ONU, diversas organizações elaboraram longas listas de direitos que deveriam ser democraticamente agraciados a todo e qualquer ser humano vivo.
Pensei oferecer minha modesta colaboração elaborando uma nova proposta dos deveres primordiais de todos nós. Chega de “direitos” e “liberdades” do ser humano, pensei. Precisamos de “obrigações” saudáveis.
Fiz questão de enumerar apenas 7 mandamentos, pois já existe uma outra excelente lista bíblica com 10 itens que pouca gente presta atenção. Quem sabe, reduzindo um pouco o número, alguém finalmente pare para refletir de verdade.
Então vamos lá: toda pessoa deve...
1.... Enfrentar as mudanças e as incertezas da vida sem medo, e enfrentar o medo com espírito prático e alegre. É preciso manter o senso de humor afiado para aceitar o inevitável maior: sua própria transitoriedade e de tudo que lhe cerca. Ou você acha que seu time do coração irá liderar o campeonato brasileiro para sempre? Tudo passa.
2.... Ser capaz de metabolizar os sentimentos negativos, como raiva, angústia e tristeza, transformado-os em motivação, harmonia, esperança e outros antídotos naturais para o negativismo estúpido.
3.... Ter um contato apenas suficiente com a realidade. Nem pouco demais, nem muito demais. Não estamos preparados para lidar com a realidade como ela é, nua e crua. A fantasia é essencial para garantir sua sobrevivência e a da espécie. Mantenha os pés no chão; a cabeça, nas nuvens - e sonhe bastante!
4.... Conhecer-se ao máximo. Só assim seremos capazes de reparar os danos em nós mesmos e nos nossos semelhantes. E você acha que se conhece? Pois então saiba que seu corpo pesa 40 vezes mais que seu cérebro; temos cerca de 3 sonhos por noite; uma criança faz em média mais de 300 perguntas por dia; as unhas das mãos crescem 4 vezes mais rápido que as dos pés; e seus olhos permanecem mais ou menos do mesmo tamanho desde o nascimento. O nariz e as orelhas, por outro lado, nunca param de crescer. Responda novamente: será que você se conhece mesmo ou anda apenas arranhando a superfície?
5.... Ser capaz e livre para compreender e corresponder às necessidades do grupo em que vive. A esta resposta atenciosa ao sofrimento do próximo chamamos de Bondade. Importante: a bondade que não nasce espontânea e desprendida de outros interesses pessoais não é bondade, é escambo.
6.... Ter a coragem de dizer “eu errei” e aprender com a experiência. Afinal, errar é humano. Colocar a culpa nos outros é sábio.
7.... Ser capaz de amar e ser amada. Sem este dever primordial, nós, reles mamíferos medíocres, jamais teríamos prosperado até aqui. Sem esta obrigação de laços, em um futuro cada vez mais próximo, nos tornaremos menos que uma lembrança na poeira deste planeta. Mas lembre-se: o amor mais verdadeiro nasce a partir do deslumbramento com sua própria vida. Encante-se!
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14 agosto 2014
OS ADOÇANTES E O FINAL DOS TEMPOS
© Dr. Alessandro Loiola
Existe uma fábula onde um menino muito travesso e entediado, colocado para vigiar algumas ovelhas, divertia-se gritando “Lobo ! Lobo !”. Quando os adultos da aldeia acudiam, armados até os dentes, o menino ria do trote. Assim que todos retornavam para suas casas, ele gritava “lobo !” novamente, e a cena se repetia.
Um belo dia, o socorro parou de vir. As pessoas estavam cansadas de cair sempre na mesma pegadinha. Nesse dia, o lobo apareceu de verdade. E o pobre menino gritou, chamou, cuspiu seus pulmões, “Lobo ! Lobo ! Lobo !!”, mas ninguém acudiu.
Vira e mexe, os especialistas gritam “Lobo !”. Anos atrás, o lobo era a guerra atômica que dizimaria a humanidade em frações de segundo, literalmente entregando o planeta às baratas. E então o lobo se transformou na inflação, no FMI e na dívida externa. E então, no desmatamento do pulmão do planeta e na perda da biodiversidade. Pois agora temos o lobo metamorfoseado em aquecimento global. Com promessa de falta d’água, crise na energia elétrica e catástrofes climáticas.
A cada década, as previsões do Apocalipse ganham um novo fôlego, se atualizando segundo o gosto da moda na última estação. Entretanto, para quem já usou kichute e aprendeu a ler em cartilhas, ouvir alguém gritando “lobo!” perdeu a graça. Banalizado, o anúncio do final do mundo está virando arroz de festa.
Por isso me surpreendi quando deparei com uma das manchetes mais comentadas nas últimas semanas, sobre um estudo publicado no jornal Behavioral Neuroscience concluindo que adoçantes a base de sacarina, ao invés de emagrecerem, engordam. Como pouca gente parou para ler exatamente do que se tratava, sobrou apenas o grito de lobo no ar: adoçante engorda!
Os adoçantes vivem ocupando manchetes estapafúrdias. Era de se esperar que ninguém mais prestasse atenção, mas não foi bem o que aconteceu. E haja saliva para explicar isso no consultório.
Para você ficar por dentro: a bendita pesquisa analisou dois grupos de ratos durante um certo período de tempo. Inicialmente, o primeiro grupo recebia uma dieta com adoçante e outro, com açúcar. Mais tarde, os dois grupos recebiam ração comum à vontade. Observou-se que o grupo do adoçante comia a ração em maior quantidade, tentando compensar a restrição de calorias, e terminou engordando mais que o grupo do açúcar.
A conclusão deveria ser que dietas muito restritivas desequilibram os centros reguladores da fome no cérebro. Estas dietas podem funcionar em um primeiro momento, mas não funcionam para sempre, e o peso perdido termina voltando com juros e correção monetária.
Infelizmente, não foi bem esta manchete que desembarcou na mídia. Chegou uma outra, esdrúxula, dizendo “Cientistas comprovam: adoçante engorda!”, ou alguma coisa do tipo. Foi a gota. A opinião pública começou a apontar seus dedos acusadores com a velha legenda “Tá vendo? Eu disse que essa porcaria fazia mal !”. Segurando suas tochas e bradando palavras de ordem - Queime no inferno, ciclamato, queime! -, algumas pessoas ameaçam ir até o centro da cidade linchar um caminhão de aspartame.
Ah, o que seria da vida sem esses camponeses...
Você quer ter medo da extinção em massa? Tenha medo do cigarro, que está envolvido em 18 dos 20 novos casos de câncer de pulmão diagnosticados no Brasil diariamente. E não precisa ser tabagista ativo não, viu? Fumante passivo também serve. Destes 18 felizes sorteados, 17 irão virar fumaça nos próximos 5 anos, a despeito do tratamento. O câncer pulmonar não é considerado um dos mais letais à toa.
Quer mesmo ter medo? Tenha medo do alcoolismo. O consumo de bebidas alcoólicas está envolvido em 20% dos acidentes automobilísticos, 24% dos assassinatos e 11% dos suicídios. Tudo que você precisa fazer é abrir a próxima latinha.
Quer ter medo? Deixe o vidro de adoçante de lado e preste mais atenção no saleiro e no sofá da sala. O consumo excessivo de sal e o sedentarismo podem resultar em pressão alta e doenças cardiovasculares, responsáveis pela morte de 32 pessoas por hora.
Antes que você me acuse de ser um fiel representante dos profetas do final dos tempos, fique sabendo que, mesmo com os tímpanos fadigados de tanto gritarem “lobo !” por aí, eu não desanimo. No próximo levante dos dândis da histeria coletiva, estou programando pegar minha mochila e sair para um passeio. Vou visitar o buraco na camada de ozônio e algumas ogivas nucleares. Os pobrezinhos andam tão esquecidos...
Existe uma fábula onde um menino muito travesso e entediado, colocado para vigiar algumas ovelhas, divertia-se gritando “Lobo ! Lobo !”. Quando os adultos da aldeia acudiam, armados até os dentes, o menino ria do trote. Assim que todos retornavam para suas casas, ele gritava “lobo !” novamente, e a cena se repetia.
Um belo dia, o socorro parou de vir. As pessoas estavam cansadas de cair sempre na mesma pegadinha. Nesse dia, o lobo apareceu de verdade. E o pobre menino gritou, chamou, cuspiu seus pulmões, “Lobo ! Lobo ! Lobo !!”, mas ninguém acudiu.
Vira e mexe, os especialistas gritam “Lobo !”. Anos atrás, o lobo era a guerra atômica que dizimaria a humanidade em frações de segundo, literalmente entregando o planeta às baratas. E então o lobo se transformou na inflação, no FMI e na dívida externa. E então, no desmatamento do pulmão do planeta e na perda da biodiversidade. Pois agora temos o lobo metamorfoseado em aquecimento global. Com promessa de falta d’água, crise na energia elétrica e catástrofes climáticas.
A cada década, as previsões do Apocalipse ganham um novo fôlego, se atualizando segundo o gosto da moda na última estação. Entretanto, para quem já usou kichute e aprendeu a ler em cartilhas, ouvir alguém gritando “lobo!” perdeu a graça. Banalizado, o anúncio do final do mundo está virando arroz de festa.
Por isso me surpreendi quando deparei com uma das manchetes mais comentadas nas últimas semanas, sobre um estudo publicado no jornal Behavioral Neuroscience concluindo que adoçantes a base de sacarina, ao invés de emagrecerem, engordam. Como pouca gente parou para ler exatamente do que se tratava, sobrou apenas o grito de lobo no ar: adoçante engorda!
Os adoçantes vivem ocupando manchetes estapafúrdias. Era de se esperar que ninguém mais prestasse atenção, mas não foi bem o que aconteceu. E haja saliva para explicar isso no consultório.
Para você ficar por dentro: a bendita pesquisa analisou dois grupos de ratos durante um certo período de tempo. Inicialmente, o primeiro grupo recebia uma dieta com adoçante e outro, com açúcar. Mais tarde, os dois grupos recebiam ração comum à vontade. Observou-se que o grupo do adoçante comia a ração em maior quantidade, tentando compensar a restrição de calorias, e terminou engordando mais que o grupo do açúcar.
A conclusão deveria ser que dietas muito restritivas desequilibram os centros reguladores da fome no cérebro. Estas dietas podem funcionar em um primeiro momento, mas não funcionam para sempre, e o peso perdido termina voltando com juros e correção monetária.
Infelizmente, não foi bem esta manchete que desembarcou na mídia. Chegou uma outra, esdrúxula, dizendo “Cientistas comprovam: adoçante engorda!”, ou alguma coisa do tipo. Foi a gota. A opinião pública começou a apontar seus dedos acusadores com a velha legenda “Tá vendo? Eu disse que essa porcaria fazia mal !”. Segurando suas tochas e bradando palavras de ordem - Queime no inferno, ciclamato, queime! -, algumas pessoas ameaçam ir até o centro da cidade linchar um caminhão de aspartame.
Ah, o que seria da vida sem esses camponeses...
Você quer ter medo da extinção em massa? Tenha medo do cigarro, que está envolvido em 18 dos 20 novos casos de câncer de pulmão diagnosticados no Brasil diariamente. E não precisa ser tabagista ativo não, viu? Fumante passivo também serve. Destes 18 felizes sorteados, 17 irão virar fumaça nos próximos 5 anos, a despeito do tratamento. O câncer pulmonar não é considerado um dos mais letais à toa.
Quer mesmo ter medo? Tenha medo do alcoolismo. O consumo de bebidas alcoólicas está envolvido em 20% dos acidentes automobilísticos, 24% dos assassinatos e 11% dos suicídios. Tudo que você precisa fazer é abrir a próxima latinha.
Quer ter medo? Deixe o vidro de adoçante de lado e preste mais atenção no saleiro e no sofá da sala. O consumo excessivo de sal e o sedentarismo podem resultar em pressão alta e doenças cardiovasculares, responsáveis pela morte de 32 pessoas por hora.
Antes que você me acuse de ser um fiel representante dos profetas do final dos tempos, fique sabendo que, mesmo com os tímpanos fadigados de tanto gritarem “lobo !” por aí, eu não desanimo. No próximo levante dos dândis da histeria coletiva, estou programando pegar minha mochila e sair para um passeio. Vou visitar o buraco na camada de ozônio e algumas ogivas nucleares. Os pobrezinhos andam tão esquecidos...
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13 agosto 2014
A RAÇÃO DE EINSTEIN
O plantão não estava corrido quando a pediatra do andar de cima veio para uma visita-desabafo. Ofereci a cadeira, um sorriso e dois ouvidos.
- Você não vai acreditar. Olha só.
E desfiou o causo da menina atendida há pouco com uma senhora crise alérgica. Apesar dos 8 cachorros criados dentro de casa, a mãe fez questão de frisar: “já rodamos todos os testes possíveis e ela não tem alergia aos cachorrinhos, não. Inclusive, todos eles são muito bem tratados, vacinados e alimentados sempre com ração de primeira qualidade”.
O quase-atrito teve início quando a colega preencheu a receita, com uma coletânea de remédios nada em conta:
- Doutora, mas isso vai ficar caro! E eu ando tão apertada de dinheiro...
A pediatra não se conteve e soltou a pérola óbvia:
- Mas... e o dinheiro para comprar a ração de primeira qualidade para todos aqueles cachorrinhos? Esse dinheiro não falta, né?
Hum, golpe baixo não vale. Além do quê, sei muito bem onde essa conversa leva: a lugar algum. Justamente porque este tipo de esclarecimento vai contra a famosa frase de Einstein, proferida lá pelos idos de 1940 e qualquer coisa: “existem apenas duas coisas infinitas - o Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo”.
Naquele dia, a frase do velho Albert foi representada por uma ração para cachorros – ou para crianças, melhor dizendo. Triste, muito triste. Há várias décadas, seguimos alimentando o grosso das gerações futuras com este prato, a ração da estupidez de Einstein. O consumo antes do desenvolvimento, o poder no lugar do afeto, a aparência em prol do conteúdo.
Os ingredientes desta ração estão recheando o futuro com problemas de um gosto bem amargo: 1/3 das crianças e 1 em cada 8 adolescentes sofrem de depressão, tornando o suicídio uma das 10 causas mais comuns de mortes na população abaixo dos 15 anos de idade.
Cerca de 5% das crianças entre 7-11 anos de idade apresentam distúrbios da ansiedade e mais de 10% estão acima do peso. Aproximadamente 15% dos adolescentes fazem uso sistemático de alguma droga (lícita ou ilícita), e os sintomas da síndrome do pânico afetam 1 de cada 20 destes projetos de adultos. Bom, pelo menos para os psiquiatras, as próximas décadas prometem ser divertidíssimas.
Fora das estatísticas, as conseqüências da Ração de Einstein podem ser percebidas em outros sintomas. Por exemplo: o sujeito tem um quintal cheio de lama e limo. Os anos se passam e ele nem para enterrar uma semente de mamão, tomate, abacate, goiaba, cebolinha ou qualquer coisa que valha. Vivemos em um país excepcional, com frutas da época brotando aos montes em todas as épocas do ano. Mas quem tem tempo de plantar uma sementinha? Quase ninguém. Afinal, o pouco tempo que sobra é invariavelmente gasto com latinhas de cerveja, programas de auditório e bordões de incentivo para o futebol nas quartas-feiras. E tome um prato cheio da ração de Einstein.
O mesmo amigo, esse da casa sem frutas ou rede de esgoto, tem 5 filhos e 3 cachorros. Por que não 3 galinhas no lugar dos caninos? Primeiro: cachorro não bota ovo. Segundo: tirando alguns coreanos, não creio que alguém mais curta um delicioso ensopado de Rex com Totó aos domingos. Terceiro: se o bendito não tem tempo de acompanhar sequer o dever de casa das crianças, que diabos está fazendo criando 3 vira-latas? Olha aí, outra tigela da ração.
Felizmente, para os bons gourmets, é possível contornar a indigestão e optar por um prato mais saboroso. Podemos tomar outro caminho, um caminho mais de acordo com nossa capacidade de pensar. Um caminho onde a hipocrisia não é um condimento salpicado no arroz com feijão, e nossas crianças não recebem diariamente uma ração insossa de vícios e idéias empoeiradas.
A cada novo dia, a cada novo encontro com um ser humano, somos presenteados com a incrível oportunidade de criar um universo inédito, muito aquém da panela de estupidez profetizada por Einstein. Para preparar a refeição do futuro, repleta de cordialidade, ternura e altruísmo, só precisamos fazer uma única coisa extraordinária: escolher os ingredientes com inteligência.
Como você anda temperando sua vida?
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12 agosto 2014
Fumar durante a gravidez pode afetar o comportamento da criança mais tarde?
©
Dr. Alessandro Loiola
O fato do cigarro poder causar má-formações no bebê é um dado bastante conhecido, mas será que a exposição gestacional ao tabagismo poderia afetar também o comportamento da criança mais tarde?
Utilizando imagens de Ressonância Nuclear Magnética (RNM), pesquisadores do Central Institute of Mental Health (Universidade de Heidelberg, Alemanha) descobriram que adultos jovens cujas mães fumavam durante a gestação apresentavam baixa atividade em regiões do cérebro envolvidas com o controle da impulsividade. Estas alterações são semelhantes àquelas observadas em indivíduos com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
O estudo envolveu 178 mulheres e seus respectivos bebês, que foram acompanhados desde o nascimento. Catorze mulheres gestantes (7,9% do total) relataram fumar 1 a 5 cigarros por dia; 24 (13,5%) fumaram mais que 5 cigarros por dia, e o restante não era tabagista (78,7%). As crianças cresceram e aos 25 anos foram submetidas a uma série de RNM. Em todas elas, a presença de sintomas de TDAH foi avaliada dos 2 aos 15 anos de idade.
Adultos com história de exposição ao tabaco durante a gestação apresentaram mais sintomas de TDAH entre os 2 e 15 anos de idade em comparação às crianças cujas mães não fumaram.
As alterações cerebrais que o cigarro provoca no bebê comprometem o bom funcionamento neural em regiões estratégicas, dificultando o aprendizado e favorecendo o desenvolvimento de comportamentos impulsivos na idade adulta – como o consumo de drogas, por exemplo.
Vale a reflexão.
O fato do cigarro poder causar má-formações no bebê é um dado bastante conhecido, mas será que a exposição gestacional ao tabagismo poderia afetar também o comportamento da criança mais tarde?
Utilizando imagens de Ressonância Nuclear Magnética (RNM), pesquisadores do Central Institute of Mental Health (Universidade de Heidelberg, Alemanha) descobriram que adultos jovens cujas mães fumavam durante a gestação apresentavam baixa atividade em regiões do cérebro envolvidas com o controle da impulsividade. Estas alterações são semelhantes àquelas observadas em indivíduos com Transtorno do Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
O estudo envolveu 178 mulheres e seus respectivos bebês, que foram acompanhados desde o nascimento. Catorze mulheres gestantes (7,9% do total) relataram fumar 1 a 5 cigarros por dia; 24 (13,5%) fumaram mais que 5 cigarros por dia, e o restante não era tabagista (78,7%). As crianças cresceram e aos 25 anos foram submetidas a uma série de RNM. Em todas elas, a presença de sintomas de TDAH foi avaliada dos 2 aos 15 anos de idade.
Adultos com história de exposição ao tabaco durante a gestação apresentaram mais sintomas de TDAH entre os 2 e 15 anos de idade em comparação às crianças cujas mães não fumaram.
As alterações cerebrais que o cigarro provoca no bebê comprometem o bom funcionamento neural em regiões estratégicas, dificultando o aprendizado e favorecendo o desenvolvimento de comportamentos impulsivos na idade adulta – como o consumo de drogas, por exemplo.
Vale a reflexão.
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CEFALEIA TENSIONAL
© Dr. Alessandro Loiola
Se existe uma coisa admirável nos
cientistas médicos é a capacidade que eles têm de contabilizar tudo, quase como
se cultivassem um fetiche por porcentagens e estatísticas. Por exemplo: estudos
recentes calcularam que, dos 6 bilhões de seres humanos neste planeta, 25%
apresentam algum transtorno psiquiátrico, 3% são levemente retardados e 1%
sofre de esquizofrenia franca. Uma conta dessas só pode ser coisa de doido.
Algumas vezes, as estatísticas se
referem a dados que, em última análise, parecem completamente inúteis: uma
pesquisa da American Academy of Emergency Medicine calculou que o cidadão médio
possui um risco de 30% de morte por infarto fulminante. E daí? Segundo minha
modesta matemática, o risco de uma pessoa morrer por qualquer outra causa ao longo
da vida é de 100%. No final, o motivo derradeiro não passará de pura burocracia
para preencher papéis.
O resultado de uma outra pesquisa
que recebi por email revelava que, depois de fazer sexo selvagem, 10% dos
homens se viram para o lado direito, 10% se viram para o lado esquerdo e os 80%
restantes se viram para chegar em casa antes que a patroa perceba. Esse sim, um
dado sociológico chauvinista de extrema relevância.
Mapa da mina
Mas muitas dessas estatísticas
possuem aplicações verdadeiramente úteis, como auxiliar na definição de
políticas de saúde pública, elaborar orientações para facilitar o diagnóstico e
tratamento de certos distúrbios, e – principalmente e acima de tudo – servir de
mapa para que a indústria farmacêutica desenvolva novos medicamentos.
Um bom exemplo deste último
emprego da ciência: sabendo que, anualmente, cerca de 90% dos homens e 95% das
mulheres sofrem de pelo menos um episódio de dor de cabeça (38% dos adultos do
mundo apresentarão uma crise ainda nas próximas duas semanas), os laboratórios
lançam periodicamente campanhas milionárias para apresentação do analgésico
definitivo ou do antiinflamatório mais eficaz de todos os tempos.
Atalhos
Algumas vezes, apertam um pouco o
passo e começam a vender um medicamento cujos testes de segurança não foram
completamente concluídos, mas qual o problema? Algumas centenas de pessoas
cujos rins pararam de funcionar em razão daquela droga mal-sucedida não
comprometerão toda a margem de lucro. E ano que vem a gente apresenta uma nova
droga e tudo se esquece.
O triste é perceber que as
pessoas anseiam por este tipo de atalho para saúde. Não querem compromissos,
apenas um atalho. Esse é bem o caso da própria dor de cabeça – chamada de
cefaléia no jargão médico. Todo mundo parece adorar um remédio para dor de
cabeça, mas o problema pode representar a manifestação de distúrbios graves
como sinusite, crise hipertensiva ou disfunção da coluna vertebral, que devem
ser tratados com uma seriedade maior que uma simples aspirina.
Tensão excessiva
A cefaléia tensional, o tipo mais
comum de dor de cabeça, costuma estar relacionada ao estresse, fadiga,
depressão e personalidade perfeccionista. A causa está na tensão excessiva da
musculatura da região cervical. Tipicamente, a dor é diária e mais intensa na
região frontal ou occipital, podendo durar de algumas horas a vários dias. A
dor se inicia logo pela manhã, ao sair da cama, e vai piorando ao longo do dia.
O diagnóstico é feito por meio do exame médico.
Se você sofre de crises
recorrentes de cefaléia tensional, existem algumas medidas práticas que você
pode empregar antes de rechear seu estômago com pílulas de ultima geração: faça
compressas mornas nos pontos dolorosos localizados no pescoço e na cabeça.
Exercícios físicos de alongamento
para as costas e massagens realizadas por profissionais treinados também ajudam
a resolver o problema, assim como não pular refeições, manter um padrão
satisfatório de sono, aprender a lidar melhor com o estresse e utilizar
antiinflamatórios naturais de eficácia comprovada, como o chá de folhas de
algodão.
Efeito colateral
Atenção para o fato de que alguns
remédios e substâncias podem causar dores de cabeça como efeito colateral. A
lista inclui álcool, codeína, metildopa, beta-bloqueadores (p.ex.: atenolol),
hidralazina, reserpina, bloqueadores de canais de cálcio (p.ex.: nifedipina),
corticóides, ranitidina, indometacina, anticoncepcionais orais e nitratos
sublinguais (muito utilizados para tratamento de crises de angina).
Apesar de mais de 95% dos casos
de cefaléia não possuírem uma causa básica grave, alguns sintomas podem indicar
a necessidade de uma ida mais rápida ao médico, tais como uma dor muito intensa
ou severa (com ou sem rigidez de nuca), dor iniciada após uma pancada forte na
cabeça, ou dor associada à febre, convulsão, confusão mental, perda da
consciência ou desconforto nos olhos ou ouvidos, e dor capaz de interferir nas
atividades do dia a dia.
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06 novembro 2011
UM BRINDE AO DIA DEPOIS DO OUTRO
© Dr. Alessandro Loiola
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos.
Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Por gerações a perder de vista, os incontáveis povos que já passaram pela superfície no nosso planeta-grão-de-poeira adoravam eleger datas festivas para comemorar o que quer que fosse. Isso é uma coisa tão prevalente que me atrevo a dizer que somos o produto de milênios de seleção natural de ancestrais baladeiros e festeiras.
Por exemplo: os hindus têm um tal de Festival das Cores, para celebrar a germinação das sementes e a nova colheita que virá com a primavera. Tudo muito bonito, sincronizado com as fases da Lua, os primeiros dois dias todo mundo comportado, rezas, ladainhas, adorações, coisetal. E então, no terceiro dia… “loucura, loucura, loucura!”, como diria o Sr. Luciano “o Incrível” Huck. O festival vira festival mesmo e o bicho pega.
Um pouco pra cima da Índia, os chineses não fazem por menos. A partir da metade de setembro e até por volta da primeira semana de outubro, eles comemoram o Festival do Bolo Lunar, uma tradição com mais de 3.000 anos que celebra a derrota dos invasores mongóis. E segue-se um troca-troca sem fim de pequenos bolinhos adocicados em formato de Lua cheia. Quer dizer, eles dizem que tem formado de Lua cheia. Pra mim, é formato de bolo mesmo.
Os chineses são mestres em celebrações. Quem manda? Com 1,3 bilhões de pessoas, eles têm o próprio planeta deles por lá. Tanto é que o Ano Novo Chinês é comemorado entre 15 de janeiro e 15 de fevereiro. Ouvi falar que a tradição é soltar fogos de artifício, limpar a casa, sujar a rua com pequenos pedaços de papel vermelho e fazer muita comida, especialmente os Yau Gowk, bolinhos que simbolizam prosperidade.
Bolinhos chineses novamente. Fico imaginando o que esse povo tem com bolinhos. Deve ser algum fetiche. Sei lá.
Os muçulmanos comemoram o ano novo no meio do nosso ano. O ano novo judaico, chamado Rosh Hasanah ou a “festa das trombetas” (imagine a alegria dos vizinhos...), acontece um pouco mais tarde, em setembro. Os coreanos, mais animados, comemoram 2 anos novos: um baseado no calendário ocidental e o Seol Lal, baseado no calendário lunar chinês.
A primeira notícia que se tem de comemoração do Ano Novo no dia 1º de janeiro vem dos idos do imperador Julio Cesar, em 46 a.C, mas a data seria adotada pela cristandade apenas em 1582, com a oficialização do calendário gregoriano – que nos rege até hoje.
A celebração do Ano Novo marca um evento bastante simples e pouco altruísta: como nas demais festividades de todos os povos em todos os tempos, estamos celebrando nada mais, nada menos, que nossa própria sobrevivência.
Sobrevivemos a mais um giro, você completou mais uma volta. Ainda estamos aqui. Bata no peito, grite bem alto, levante sua taça – afinal, o ano se foi e você ficou! Agora, graças ao renascimento do calendário grudado na porta da geladeira, você poderá fazer novamente todas suas velhas promessas.
Celebrar a sobrevivência, apesar de previsível, não deixa de ser louvável. Nossos ancestrais miúdos, as amebas, vivem apenas dois dias. Uma miséria. Um glóbulo vermelho do seu sangue vive no máximo 120 dias: uma hemácia nascida no verão, provavelmente irá desaparecer antes do cair da primeira folha de outono. Pouquíssimas terão a oportunidade de conhecer o barulho de uma rolha de espumante.
Mesmo quando comparados a outros mamíferos, somos uma espécie longeva: um coelho vive apenas 10 anos. Gatos e cachorros, no máximo uns 18 anos.
Gorilas e chimpanzés, cerca de duas reles décadas. Nós? Vivemos uma média de 75-80 anos. Faz sentido comemorarmos coletivamente cada um deles.
Mas eu iria além. Se estas festas de todos os dezembros marcam nossa sobrevivência ao longo do velório do ano velho e o trabalho de parto do próximo, porque não celebrar mais frequentemente a sobrevivência? Celebrar a imensa felicidade de acordar e desfrutar mais uma vez o mundo e as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas, apenas algumas pessoas. Bem poucas, pra falar a verdade. Mas elas estão por aí e merecem um alô.
Será que temos essa inteligência suficiente para comemorar o cotidiano? Festejar a beleza elegante da evolução, a serenidade da sabedoria e o milagre absurdo que se esconde no simples fato de estarmos aqui, prestes a declarar o imposto de renda outra vez?
Considerando que o ano novo é a simples realização de que estamos vivos, porque não exaltar cada novo dia? Sim! Cada raiar do sol esconde um novo ano particular, uma oportunidade única para você refazer os cacos e juntar o todo. Que feliz ano novo que nada! Apesar da paganice, da receita federal e dos argentinos, desejo mesmo a você e toda sua família um Feliz Dia Depois do Outro! E outro. E outro. E outro. E sempre. Saúde!
Marcadores:
alimentação,
ansiedade,
colesterol,
depressão,
dinheiro,
espinha,
felicidade,
feliz,
hpv,
humildade,
insônia,
motivação,
obesidade,
orgulho,
pressão alta,
saúde,
sexo,
sucesso
20 setembro 2011
EM BUSCA DA BÚSSOLA PERDIDA
Uma amiga desabafa: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei de uma pequena localidade chamada Santa Maria de Jetibá (menos de 50.000 habitantes) para a enorme região metropolitana de BH (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando meu filho - então com 6 anos de idade - perguntou:
- Pai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
1 - Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
2 - Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
3 - No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
4 - Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
5 - Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
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EM BUSCA DA BÚSSOLA PERDIDA
© Dr. Alessandro Loiola
Uma amiga desabafa em seu email: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei com esposa e casal de filhos de uma pequena localidade (33.000 habitantes) para uma enorme região metropolitana (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando o de 6 anos perguntou:
- Papai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros, filho, e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
- Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
- Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
- No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
- Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
- Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
Uma amiga desabafa em seu email: “sabe, ando passando uma fase estranha, um sentimento de como se estivesse perdida, como em um daqueles pesadelos que você não sabe onde está. Anda, anda e não sabe pra onde ir, entende? Travei. Passei a fazer tudo mecanicamente e precisei dar um tempo em um monte de coisas pra tentar voltar ao normal. Ainda não consegui. Existe algum caminho mais fácil para sair daqui?”
Me identifiquei imediatamente com o bairro dela, ali perto de Perdidos No Espaço. Na última contagem, o rapaz responsável pelo censo da região também se extraviou e não temos estatísticas confiáveis até o momento sobre a população que habita o local. Mas ela parece grande. Muito grande.
No começo dos anos 2000, quando mudei com esposa e casal de filhos de uma pequena localidade (33.000 habitantes) para uma enorme região metropolitana (mais de 5 milhões de viventes), nos perdemos em um passeio para conhecer a capital. Estávamos nos informando sobre o caminho de volta para casa quando o de 6 anos perguntou:
- Papai, qual o significado dos nomes nessas placas?
- São os nomes dos bairros, filho, e as saídas que você tem que pegar para ir a cada um deles.
- Ahhhnn... Então aqui é o bairro da Savassi e ali é a saída para o Belvedere?
- Isso.
Andamos mais um pouco.
- E aqui é Lourdes e por ali a gente vai para o Barro Preto?
- É isso aí.
Andamos mais um pouco.
- Pai, olha só, tem um bairro enooorme! Na cidade inteira tem entrada para ele!
- Filho, cada bairro fica em um lugar só. Não tem como um bairro estar para todo lado. – E fiz um “tsc tsc” de desdém.
- Então porque tem tantas placas apontando para esse bairro chamado Retorno?
Crianças. O poço mais profundo da filosofia mais magnânima pelo preço de um picolé.
Todo lugar tem um Retorno. Todo lugar tem uma volta. Sempre é possível recomeçar, reconquistar, refazer, reconstruir, reviver. E foi a partir da vivência de uma criança de 6 anos que desenvolvi uma teoria bem simples, a teoria da Bússola do Crescimento Pessoal, composta por 5 diretrizes gerais de navegação que gostaria de compartilhar com você agora:
- Quando você acordou hoje, foram depositados 86.400 segundos em sua conta de vida. Eles são todos seus e, apesar de auto-renováveis a cada meia noite, não podem ser transferidos, doados ou vendidos. Contudo, o fato de não poder negociar com o relógio não significa que você não possa se aproveitar dele. Leve o tempo que for necessário para iniciar seu recomeço – só não leve tempo demais.
- Rasgue imediatamente seu bilhete de entrada para o metrô dos zumbis: dentro do possível e do impossível, desfrute e participe da paisagem que passa pela sua janela. Aprendizado sem mudança é desilusão. Mudança sem crescimento é frustração. Contemple a vista, aprenda, mude e se aprimore a cada dia.
- No final das contas, tudo isso de ruim e de bom é viver, e a viagem só acaba quando termina. Nunca desanime antes do fim. A única rua que leva ao seu fracasso é a Desistência e, enquanto estiver persistindo, você estará no caminho para o sucesso. Peça carona, empurre seu carro, vá a pé. Siga em frente, siga para os lados, siga para trás. Mas siga.
- Agir de modo independente não significa negligenciar as informações a cada esquina. Pergunte, peça ajuda. Alguns bons (e insuspeitos) amigos podem conhecer bons atalhos, bons restaurantes, boas atrações, boas oportunidades, e você tem 2 ouvidos, 2 olhos e apenas uma boca. Observe e ouça o dobro do que fala.
- Não tente fazer todas as coisas perfeitas. O caminho de volta pode não ser exatamente aquele que você fez na ida, mas ele existe e irá lhe proporcionar uma série de novas experiências e conhecimentos antes de lhe colocar confortavelmente em casa. Tentar percorrer sempre o mesmo caminho perfeito pode tornar o passeio monótono e paralisante. Então destrave. Pegue o primeiro ônibus que passa pelo bairro Perdidos No Espaço, vá viver a sua aventura da vida e tenha mais um dia extraordinário!
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10 setembro 2011
Reflexão para o sábado
Este trecho de um livro foi bastante útil para mim recentemente, e espero q passando a frente possa ser útil para mais alguém.
Uma ocasião estava Buda a contar uma história a um aprendiz:
- Um homem viajando chega à margem assustadora de um grande rio. Então vê que a outra margem é segura. Pensa: "Esta extensão de água é vasta e esta margem é perigosa, aquela é livre de perigo. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Acho que seria hom juntar troncos, ramos e folhas e fazer uma jangada com a qual, impulsionada por minhas mãos e meus pés, passe com segurança a outra margem." Então esse homem executa o que imagina e passa para a margem oposta sem perigo, onde pensa: "Esta jangada me foi muito útil e me permitiu chegar a esta margem. Seria bom carregá-la à cabeça ou às costas onde quer que eu vá".
- Que pensais, monge? Procedendo dessa forma, esse homem agiria adequadamente em relação à jangada?
- Não, Senhor!
- Qual seria o melhor a se fazer?
- Tendo atravessado para a outra margem – respondeu o aprendiz-, esse homem deveria pensar: "Esta jangada me foi de grande auxílio e graças a ela cheguei com segurança; agora seria bom que eu a abandonasse à sua sorte e seguisse o meu caminho livremente."
Pois exatamente assim são as verdades e certezas que carregamos. Elas devem ser consideradas não como um fim, mas como um meio; da mesma forma com a jangada é um meio para atravessar, mas não para se apegar.
Uma ocasião estava Buda a contar uma história a um aprendiz:
- Um homem viajando chega à margem assustadora de um grande rio. Então vê que a outra margem é segura. Pensa: "Esta extensão de água é vasta e esta margem é perigosa, aquela é livre de perigo. Não há embarcação nem ponte com que eu possa atravessar. Acho que seria hom juntar troncos, ramos e folhas e fazer uma jangada com a qual, impulsionada por minhas mãos e meus pés, passe com segurança a outra margem." Então esse homem executa o que imagina e passa para a margem oposta sem perigo, onde pensa: "Esta jangada me foi muito útil e me permitiu chegar a esta margem. Seria bom carregá-la à cabeça ou às costas onde quer que eu vá".
- Que pensais, monge? Procedendo dessa forma, esse homem agiria adequadamente em relação à jangada?
- Não, Senhor!
- Qual seria o melhor a se fazer?
- Tendo atravessado para a outra margem – respondeu o aprendiz-, esse homem deveria pensar: "Esta jangada me foi de grande auxílio e graças a ela cheguei com segurança; agora seria bom que eu a abandonasse à sua sorte e seguisse o meu caminho livremente."
Pois exatamente assim são as verdades e certezas que carregamos. Elas devem ser consideradas não como um fim, mas como um meio; da mesma forma com a jangada é um meio para atravessar, mas não para se apegar.
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31 agosto 2011
AUTOMEDICAÇÃO PLACEBOTERÁPICA
© Dr. Alessandro Loiola
Em uma folga durante o plantão, peguei emprestada uma revista médica de um colega. A sensação que tenho ao folhear ciência de qualidade é quase idêntica a de uma criança à solta em uma loja de brinquedos. Com a diferença de que, ao sair da revista, não tenho que pagar uma pequena fortuna por alguns pedaços de plástico pintados com tinta não-tóxica.
Pois bem. Na revista havia uma curiosa pesquisa sobre automedicação que avaliava o potencial do efeito placebo. Para quem não sabe, os estudos clínicos sobre um determinado tratamento ou remédio são feitos comparando-se 3 grupos distintos de pacientes: 1 grupo tratado com o remédio novo, 1 grupo tratado com um remédio antigo consagrado para aquele problema, e 1 grupo tratado com remédio falso, de mentirinha, a que chamam placebo. Este remédio de mentirinha pode ser uma cápsula contendo apenas excipiente, uma injeção de soro fisiológico, o que for.
O fato é que o placebo não tem propriedade terapêutica alguma. Mas os participantes do estudo nunca sabem o que estão tomando – placebo ou remédio de fato. O placebo serve para mostrar as consequências da ausência de tratamento, permitindo comparar com maior clareza os efeitos da droga nova em relação à droga antiga. Obviamente, a utilização de placebos deve obedecer a elevados critérios éticos, como não colocar a vida do sujeito em risco (isto poderia diminuir perigosamente a população de cobaias).
O dado curioso das pesquisas que avaliam a eficácia de novos remédios é que, em não raros casos, o efeito do placebo costuma ser igual ou superior ao efeito dos remédios propriamente ditos. Por exemplo: cerca de 30% das pessoas que participam de estudos sobre analgésicos relatam melhora da dor após tomar uma única e inocente pílula de açúcar...
No estudo publicado na British Medical Journal, os cientistas modificaram o conceito de placebo da seguinte maneira: os mesmos pacientes recebiam exatamente o mesmo medicamento para controlar a dor, para ser tomado à vontade. Em um dia, dizia-se ser o medicamento “A”, um potente analgésico comprado por R$0,70; no dia seguinte, dizia-se ser o medicamento “B”, um potente e novo analgésico comprado por R$7,00.
Na verdade, os dois medicamentos eram exatamente a mesma droga, sem tirar nem por. A mesma dose, a mesma caixa, todos os dias. O efeito placebo estava na ilusão de que o comprimido B custava 10 vezes mais que o comprimido A. Como na cabeça de qualquer cidadão razoavelmente sensato um tratamento 10 vezes mais caro certamente deve surtir 10 vezes mais efeito que o outro, este foi o efeito observado no estudo. O poder de sugestão respondia pela diferença na eficácia.
Tenho muitos pacientes que se deixam levar pelos números, preços, dosagens, cores, tamanhos:
- Mas é só isso aqui? Esse comprimidinho de nada vai melhorar minha memória??
- Sim, é isso aí.
- Mas doutor, sinceramente, não vai fazer efeito... eu tomo diariamente aquele outro bem maior, amarelo, da caixa branca, sabe?
- Amarelo da caixa branca... ?
- É... hum... – estala os dedos - humm... tá na ponta da língua...
- Então cospe.
- Não, não, o nome do remédio... é... bah, esqueci o nome. Mas o fato é que ele, sim, funciona de verdade. Um comprimidão deste tamanho! – e mostra com as mãos espalmadas o que provavelmente corresponderia a uma truta adulta ou uma pequena frigideira.
Como dizem as boas revistas de outro ramo, não é o tamanho da varinha que conta, mas o efeito da mágica que ela proporciona. Afinal de contas, se tamanho fosse documento, sua carteira de identidade deveria ter pelo menos 1 metro de altura e o elefante – não o leão – seria o rei da selva. O mesmo princípio parece valer para os comprimidos.
Quanto ao placebo, ele não precisa nem mesmo ser uma pílula. O placebo pode ser uma dieta especial, um exercício, uma meta, um novo relacionamento ou um modo diferente de enxergar a vida. Qualquer coisa que mexa com seu poder de auto-sugestão, influenciando o estado de ânimo em direção à cura.
Remédios para dormir, perder peso, antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios... a consequência não está no preço, na aparência ou nas miligramas, mas no modo como aquela droga irá reagir com seu corpo.
Para ter uma idéia mais precisa de como será essa reação e não ingerir gato por lebre, é preciso ter cuidado e estudar um pouco mais além da bula que acompanha a caixa. Para sua felicidade, existe uma raça de gente biruta que adora folhear revistas científicas nas horas de folga. Esse povo parece realmente entender alguma coisa sobre remédios. Procure sempre conversar com um deles antes de tomar o seu.
Em uma folga durante o plantão, peguei emprestada uma revista médica de um colega. A sensação que tenho ao folhear ciência de qualidade é quase idêntica a de uma criança à solta em uma loja de brinquedos. Com a diferença de que, ao sair da revista, não tenho que pagar uma pequena fortuna por alguns pedaços de plástico pintados com tinta não-tóxica.
Pois bem. Na revista havia uma curiosa pesquisa sobre automedicação que avaliava o potencial do efeito placebo. Para quem não sabe, os estudos clínicos sobre um determinado tratamento ou remédio são feitos comparando-se 3 grupos distintos de pacientes: 1 grupo tratado com o remédio novo, 1 grupo tratado com um remédio antigo consagrado para aquele problema, e 1 grupo tratado com remédio falso, de mentirinha, a que chamam placebo. Este remédio de mentirinha pode ser uma cápsula contendo apenas excipiente, uma injeção de soro fisiológico, o que for.
O fato é que o placebo não tem propriedade terapêutica alguma. Mas os participantes do estudo nunca sabem o que estão tomando – placebo ou remédio de fato. O placebo serve para mostrar as consequências da ausência de tratamento, permitindo comparar com maior clareza os efeitos da droga nova em relação à droga antiga. Obviamente, a utilização de placebos deve obedecer a elevados critérios éticos, como não colocar a vida do sujeito em risco (isto poderia diminuir perigosamente a população de cobaias).
O dado curioso das pesquisas que avaliam a eficácia de novos remédios é que, em não raros casos, o efeito do placebo costuma ser igual ou superior ao efeito dos remédios propriamente ditos. Por exemplo: cerca de 30% das pessoas que participam de estudos sobre analgésicos relatam melhora da dor após tomar uma única e inocente pílula de açúcar...
No estudo publicado na British Medical Journal, os cientistas modificaram o conceito de placebo da seguinte maneira: os mesmos pacientes recebiam exatamente o mesmo medicamento para controlar a dor, para ser tomado à vontade. Em um dia, dizia-se ser o medicamento “A”, um potente analgésico comprado por R$0,70; no dia seguinte, dizia-se ser o medicamento “B”, um potente e novo analgésico comprado por R$7,00.
Na verdade, os dois medicamentos eram exatamente a mesma droga, sem tirar nem por. A mesma dose, a mesma caixa, todos os dias. O efeito placebo estava na ilusão de que o comprimido B custava 10 vezes mais que o comprimido A. Como na cabeça de qualquer cidadão razoavelmente sensato um tratamento 10 vezes mais caro certamente deve surtir 10 vezes mais efeito que o outro, este foi o efeito observado no estudo. O poder de sugestão respondia pela diferença na eficácia.
Tenho muitos pacientes que se deixam levar pelos números, preços, dosagens, cores, tamanhos:
- Mas é só isso aqui? Esse comprimidinho de nada vai melhorar minha memória??
- Sim, é isso aí.
- Mas doutor, sinceramente, não vai fazer efeito... eu tomo diariamente aquele outro bem maior, amarelo, da caixa branca, sabe?
- Amarelo da caixa branca... ?
- É... hum... – estala os dedos - humm... tá na ponta da língua...
- Então cospe.
- Não, não, o nome do remédio... é... bah, esqueci o nome. Mas o fato é que ele, sim, funciona de verdade. Um comprimidão deste tamanho! – e mostra com as mãos espalmadas o que provavelmente corresponderia a uma truta adulta ou uma pequena frigideira.
Como dizem as boas revistas de outro ramo, não é o tamanho da varinha que conta, mas o efeito da mágica que ela proporciona. Afinal de contas, se tamanho fosse documento, sua carteira de identidade deveria ter pelo menos 1 metro de altura e o elefante – não o leão – seria o rei da selva. O mesmo princípio parece valer para os comprimidos.
Quanto ao placebo, ele não precisa nem mesmo ser uma pílula. O placebo pode ser uma dieta especial, um exercício, uma meta, um novo relacionamento ou um modo diferente de enxergar a vida. Qualquer coisa que mexa com seu poder de auto-sugestão, influenciando o estado de ânimo em direção à cura.
Remédios para dormir, perder peso, antibióticos, analgésicos, antiinflamatórios... a consequência não está no preço, na aparência ou nas miligramas, mas no modo como aquela droga irá reagir com seu corpo.
Para ter uma idéia mais precisa de como será essa reação e não ingerir gato por lebre, é preciso ter cuidado e estudar um pouco mais além da bula que acompanha a caixa. Para sua felicidade, existe uma raça de gente biruta que adora folhear revistas científicas nas horas de folga. Esse povo parece realmente entender alguma coisa sobre remédios. Procure sempre conversar com um deles antes de tomar o seu.
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hpv,
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saúde,
sexo,
sucesso
06 agosto 2011
OS 9 TIPOS PRINCIPAIS DE RELACIONAMENTOS
© Dr. Alessandro Loiola
Sou um cara nascido e criado no século passado. Então, quando retornei ao mercado de carnes da Selva de Pedra, levei algum tempo para enteder como os relacionamentos estavam funcionando.
Felizmente, depois de alguns meses revendo os parâmetros mais modernos de psicologia comportamental, percebi um certo padrão que tornou possível elaborar uma lista com os 9 Tipos Principais de Affairs - que lhe passo a seguir:
(ATENÇÃO: as categorias são intercambiáveis e, em algumas rodas, mais de um participante pode ser necessário para q vc avance até o nível seguinte)
1 – TAMO AÍ: vc não está só, nem faz questão de estar com uma companhia. Sacomekieh, Claudia? O que acontecer, tá valendo. Vc tá aí. Na selva.
2 – PEGUETE: pois justamente quando vc tava aí, vcs se encontraram numa árvore qualquer e rolou um clima. Vcs deram um pega e cada um seguiu sua trilha.
3 – FICANTE: vc gostou do pega e marcou de novo. “Onde vc vai com sua manada? Então vou passar lá com a minha e a gente tipo se encontra e tals”. Importante: nesta etapa, a emissão de sinais de fumaça que lembrem compromisso pode dar urticária.
4 – ENROLADOS: não bastou a segunda vez e vcs estão marcando sem os amigos em comum por perto. Apesar do risco de urticária, vcs dois acham q de repente uma coçadinha assim de leve não mata ninguém.
5 – ALGUÉM FIXO: tudo bem, os amigos (certamente) e os pais (talvez) do seu enrolo já sabem que você existe. Vá até a clareira mais próxima, respire sem desespero e veja se saiu alguma bolha pruriginosa nas axilas.
6 – NAMORADOS: os pais não só sabem como te mandam recado ("mamãe pediu pra dizer q mandou um abraço pra vc"). Ainda lembra o caminho até a clareira? Òtimo.
7 – NOIVOS: talvez vc esteja se perdendo na mata e isso pode ser bom – ou não. Poucas plantas irão causar alguma reação alérgica a partir de agora.
8 – CONJUGE: vc voluntariamente queimou a bússola e comeu o mapa. Nem as estrelas vão ajudar. Clareira, q clareira? Urticária? Vc precisaria de pele pra ter isso, mas ela já foi arrancada na etapa anterior.
9 – SEPARADO(A): após algum (ou muito tempo) sem se coçar e comendo apenas a farinha da tribo, vc decidiu que era hora de voltar a seguir qualquer caminho no meio da selva. Afinal, quem quer saber de mapas ou clareiras? Mas então, enquanto vc confortavelmente tava por aí depois de ter completado seu script ecológico, alguém apareceu e rolou um pega.
E segue o ciclo.
Sou um cara nascido e criado no século passado. Então, quando retornei ao mercado de carnes da Selva de Pedra, levei algum tempo para enteder como os relacionamentos estavam funcionando.
Felizmente, depois de alguns meses revendo os parâmetros mais modernos de psicologia comportamental, percebi um certo padrão que tornou possível elaborar uma lista com os 9 Tipos Principais de Affairs - que lhe passo a seguir:
(ATENÇÃO: as categorias são intercambiáveis e, em algumas rodas, mais de um participante pode ser necessário para q vc avance até o nível seguinte)
1 – TAMO AÍ: vc não está só, nem faz questão de estar com uma companhia. Sacomekieh, Claudia? O que acontecer, tá valendo. Vc tá aí. Na selva.
2 – PEGUETE: pois justamente quando vc tava aí, vcs se encontraram numa árvore qualquer e rolou um clima. Vcs deram um pega e cada um seguiu sua trilha.
3 – FICANTE: vc gostou do pega e marcou de novo. “Onde vc vai com sua manada? Então vou passar lá com a minha e a gente tipo se encontra e tals”. Importante: nesta etapa, a emissão de sinais de fumaça que lembrem compromisso pode dar urticária.
4 – ENROLADOS: não bastou a segunda vez e vcs estão marcando sem os amigos em comum por perto. Apesar do risco de urticária, vcs dois acham q de repente uma coçadinha assim de leve não mata ninguém.
5 – ALGUÉM FIXO: tudo bem, os amigos (certamente) e os pais (talvez) do seu enrolo já sabem que você existe. Vá até a clareira mais próxima, respire sem desespero e veja se saiu alguma bolha pruriginosa nas axilas.
6 – NAMORADOS: os pais não só sabem como te mandam recado ("mamãe pediu pra dizer q mandou um abraço pra vc"). Ainda lembra o caminho até a clareira? Òtimo.
7 – NOIVOS: talvez vc esteja se perdendo na mata e isso pode ser bom – ou não. Poucas plantas irão causar alguma reação alérgica a partir de agora.
8 – CONJUGE: vc voluntariamente queimou a bússola e comeu o mapa. Nem as estrelas vão ajudar. Clareira, q clareira? Urticária? Vc precisaria de pele pra ter isso, mas ela já foi arrancada na etapa anterior.
9 – SEPARADO(A): após algum (ou muito tempo) sem se coçar e comendo apenas a farinha da tribo, vc decidiu que era hora de voltar a seguir qualquer caminho no meio da selva. Afinal, quem quer saber de mapas ou clareiras? Mas então, enquanto vc confortavelmente tava por aí depois de ter completado seu script ecológico, alguém apareceu e rolou um pega.
E segue o ciclo.
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03 agosto 2011
OS HOMENS E OS FANTASMAS DOS MITOS SEXUAIS
© Alessandro Loiola
Nada de Marilyn Monroe, Cléo Pires ou Angelina Jolie. Não é sobre esses mitos sexuais que nós vamos falar. Vamos conversar um pouco sobre aquelas coisas que você sempre quis perguntar mas tinha vergonha de ouvir alguém respondendo: os famosos mitos sobre o sexo.
Como isso aqui hoje é uma crônica de machos, que venha o primeiro mito: afinal, tamanho é documento? Porque se fosse assim, o elefante seria o rei da selva e sua carteira de identidade mediria pelo menos um metro e meio de altura, certo? Nem tanto, e esta pode ser uma verdade dura para alguns de nós.
Os homens costumam fazer uma tabela de equivalência entre sua masculinidade e o tamanho do órgão copulador. Nessa tabela, o macho top de linha é aquele sujeito com uma tromba capaz de fazer qualquer mamute corar de vergonha no meio da manada.
Pura bobagem. Pesquisas revelaram que o tamanho médio do pênis varia de 6-8 cm (em repouso) a 12-16 cm (pronto para o ataque). Além disso, a vasta maioria dos casais envolvidos em relacionamentos maduros, longos e estáveis, concorda que o tamanho do pênis não importa tanto assim. É o tamanho do contra-cheque que faz a diferença.
Outro mito, bastante freqüente, também diz respeito ao pênis. Mais especificamente, à sua performance. É quase como se houvesse uma tirania do órgão sobre seu possuidor: na cama, o sujeito só vale por aquilo que traz entre as pernas. Errado novamente.
Vários livros, incluindo o best-seller “She Comes First”, de Ian Kerner, mostram que menos de 1/3 das mulheres atinge o orgasmo durante o intercurso sexual. Em comparação, mais de 80% delas é capaz de chegar ao clímax através do sexo oral. Vale o alerta: seja mais carinhoso e criativo, e tome cuidado com cafezinhos muito quentes.
Falando em mulheres, devemos um dos mitos sexuais femininos mais famosos ao médico alemão Dr. Ernst Grafenberg. Na década de 1970, os estudos do Dr. Grafenberg levaram a descoberta de um ponto erótico batizado de Ponto G. Reza o mito que este ponto, localizado logo atrás da pube, seria capaz de catalisar orgasmos femininos espetaculares. Imagino que a popularização desta teoria tenha resultado em tardes bem animadas no consultório de Ernst, mas a real existência do ponto G ainda é motivo de controvérsias.
O fato é que o sexo deve ser encarado como o processo dinâmico de encaixe de várias partes em uma unidade e vice-versa, com intenções mútuas de prazer, e não como a busca por um único ponto específico, seja ele G, H, I ou o raio que o parta. Se você tem tara por pontos, poupe o tempo dela, pegue uma folha de papel e uma caneta e vá divertir-se desenhando reticências em um canto da sala. Na manhã seguinte, marque um psicólogo.
A infinidade de zonas erógenas a serem exploradas no corpo de uma mulher poderia dar origem a vários volumes de uma enciclopédia. Ou a um novo período de grandes navegações ao redor do globo. Exatamente por isso, os homens se preocupam sobre a duração do sexo. O rala e rola tem que durar tempo suficiente para pelo menos uma voltinha no Mediterrâneo ou uma rápida incursão na Polinésia. E aí, como um tsunami desgraçando a nau, surge o fantasma da ejaculação precoce.
A ejaculação precoce afeta 20-30% dos homens em todas as faixas etárias. Todavia, é difícil determinar o que é a ejaculação precoce. Pesquisas em laboratório mostram que até mesmo indivíduos capazes de fazer o intercurso durar mais de 20 minutos acham que sofrem do problema. No final das contas, o pulo do gato está na percepção que cada um tem do próprio desempenho.
Segundo dados publicados no Journal of Sexual Medicine, em 2005, o tempo médio de uma relação sexual é de 5-7 minutos, sendo 2 minutos o parâmetro científico para diagnosticar a ejaculação precoce. Ou seja: se após 2 minutos de aquecimento dos motores o sujeito já está acenando com a bandeirada final, então ele pode estar sofrendo do distúrbio.
Felizmente, a ejaculação precoce é um problema tratável e tem uma interpretação darwinista construtiva: se cada homem deste planeta levasse mais de 1 hora para atingir o orgasmo, seríamos uma raça bem, bem menos numerosa.
As dúvidas e os mitos sobre sexo não caberiam todos em uma crônica apenas, você sabe disso. A lição que deve ficar aqui é a seguinte: o sexo não é algo que ocorre suave e naturalmente como um passeio de mãos dadas durante o entardecer em um filme da Disney. Sexo é uma viagem ao desconhecido, um curso vitalício de educação continuada. Vez ou outra você levará bomba em uma matéria. Mas desde que mantenha o interesse e a dedicação, os créditos estarão a seu favor.
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13 julho 2011
O CALENDÁRIO E A PEDRA BRANCA
© Alessandro Loiola
- Ei, você já embarcou? – diz a voz feminina do outro lado da ligação. Apesar do barulho no saguão e do zumbido da máquina de café expresso na minha frente, a voz é familiar.
- Não, nem entrei no avião. Tô aqui esperando um capuccino.
- Onde?
- Na lanchonete do aeroporto.
- Então espera, tô chegando aí.
E ela chegou. Linda como sempre, o nervosismo discretamente preso na coleira de um sorriso bastante honesto.
- Quanto tempo, hein?
- Pois é, menina. Anos. Passaram voando. Mais um pouco e pousavam aqui.
- Vim porque precisava te pagar uma dívida: ficamos devendo um abraço um ao outro da última vez.
- Não foi por culpa minha.
- É, eu sei. Aprendi isso com você.
- O que? Que nunca é culpa minha?
- Não, bobo. A aproveitar meus abraços quando eles aparecem. Pode demorar tempo demais até conseguir colher a próxima oportunidade. Ah, e isso nos leva ao segundo motivo de estar aqui hoje. Precisava te entregar isso também. – e retirou da bolsa uma pequena pedra branca.
- Mas o quê... ?
- É uma pedra branca, ora. Lembra? Você ficou de me contar essa história...
Pois terminamos trocando mais uma meia dúzia de duas palavras, a moça do alto-falante anunciou meu vôo, paguei a dívida do abraço e embarquei de volta para São Paulo com a pedra branca no bolso. E não contei a história. Puxa vida, esqueci e terminei não contando a história. Por isso, aqui vai o conto do Calendário e a Pedra Branca. Assim, quem sabe, pago minha dívida com ela e você ganha um mimo por tabela:
Tudo começa com as duas explicações possíveis para a origem da palavra Calendário. A primeira versão, mais oficial, afirma que nos tempos antigos os meses romanos se iniciavam em cada lua nova. No primeiro dia da lua nova, chamado dia das calendas (“calendae”), um alto representante da religião vigente informava as celebrações daquele mês. Nessa época, termo “calendarium” surgiu para designar o livro de contas onde eram marcados os dias entre uma calendas e a próxima.
A segunda explicação traz uma boa dose de mito, mas é infinitamente mais poética. Diz a lenda que os romanos possuíam o hábito de marcar o intervalo entre as calendas utilizando carreiras de pedras ou pequenos seixos. Após um determinado número de seixos, era hora de pagar os impostos e executar os ritos religiosos.
Acontece que, eventualmente, no meio daquela carreira de seixos, havia uma data especial a ser celebrada. O nascimento de um filho ou o amor e a união de um casal. Datas especiais como essas deveriam ser diferenciadas dos demais seixos que marcavam a mera sucessão de dias. Essas datas mereciam uma pedra diferente. Uma pedra branca – que, por um detalhe geológico (facilidade de acesso às jazidas na região), costumavam ser de cal.
E por isso, por volta desta mesma época, Plínio, militar e historiador romano, cunhou a célebre frase “Albo lapillo notare diem”. Traduzindo: Marcar cada dia com uma pedra branca. Cada dia. Excelente, não?
Não se deve marcar um dia ou outro com uma pedra branca, mas sim TODOS os dias. Todos os dias são especiais, valiosos e insubstituíveis de uma forma ou de outra. E se você marcar todos os dias com uma pedra branca, em breve formará uma longa sequência de pedras de CAL. Um CALendário.
A verdade por trás dessa pequena parábola é profundamente modificadora. Vivemos assombrados pelo passado e demasiadamente preocupados com planos para o futuro – e nos esquecemos de colher o dia. Não temos tempo para procurar e espalhar nossas pedras brancas pelo presente. E o presente nada mais é que isto mesmo que o nome diz: um presente. Que deve ser colhido e cuidadosamente marcado como uma lembrança especial, um dia após o outro.
Quem ou o que será sua pedra branca hoje?
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31 janeiro 2011
SAÚDE NO MERCADO
© Dr. Alessandro Loiola
Existe um ditado, oriental eu acredito, que diz que o ser humano é uma espécie estranha: passa metade da vida gastando a saúde para ganhar dinheiro, e então a outra metade gastando o dinheiro para ver se recupera a saúde. Por experiência própria nos ambulatórios da vida, posso lhe dizer que a primeira metade costuma funcionar. Agora, quanto à segunda...
O segredo do sucesso nesta vida não está no que você possui, mas por quanto tempo vai ter aquilo. Afinal de contas, o que todo mundo gostaria mesmo de fazer antes de partir dessa para outra é ficar beeeem velhinho - alguma coisa por volta dos 140 anos, segundo meus modestos cálculos. Mais do que 140 poderia ser interpretado como ganância. Cento e quarenta está de bom tamanho.
Um dos pontos básicos para ter uma caminhada tão longa está na alimentação. E uma alimentação saudável tem início com a escolha de ingredientes saudáveis: se a sua geladeira está recheada de frutas e vegetais frescos, sem dúvida alguma será mais fácil manter aquela dieta em dia e evitar as tentações hipercalóricas.
Para melhorar sua performance na seção de horti-fruti e garantir uma vida longa e produtiva, tente fazer o seguinte:
- As seções de guloseimas são planejadas para sedução. Desde as embalagens até a disposição dos produtos nas prateleiras, todas as iscas estão lá para fisgar sua gula. Se você não tem a força de vontade mais ferrenha deste mundo, um modo de não forrar a sacola de compras com barras de 5 kg de chocolate é simplesmente não aventurar-se fora da seção de frutas, verduras e legumes. Se isso for possível.
- Alimente-se antes de sair para as compras e leve sempre sua lista: corte o estímulo de compras que vem do estômago fazendo um lanche rápido antes mesmo de entrar no supermercado. E ter uma lista previamente elaborada no conforto de casa, de preferência após encher a pança com aquele café da manhã ou almoço, é o complemento ideal para evitar tropeços.
- Sempre lhe disseram que aparência não conta, o que vale é o interior. Mas não leve essa regra ao pé da letra ao escolher vegetais e frutas: prefira aqueles com aparência mais fresca, firme e jovem. Cachos de uvas e caixas de morango podem estar recheados com mofo. Escolha com calma, examine, observe, leve os legumes para tomar um capuccino e converse com eles. E compre apenas a quantidade suficiente para alguns dias ou uma semana.
- Se o supermercado possui uma padaria, aproveite para comprar pães integrais ao invés daqueles feitos apenas com farinhas refinadas.
- As frutas merecem destaque: produzidas pela natureza após milhões de anos de testes, com embalagens biodegradáveis e nutrientes cuidadosamente selecionados, as frutas devem estar no topo da sua lista. Elas possuem a quantidade ideal de calorias em um pacote que inclui vitaminas, sais minerais, antioxidantes e fitoquímicos extremamente benéficos para o seu organismo. Veja a seguir 5 bons exemplos de como as frutas podem ajudar a prolongar seus anos por aqui:
1) MANGA: originária do Sudeste da Ásia, a manga é rica em beta-caroteno, uma fonte indireta de vitamina A, capaz de melhorar a defesa e a saúde da pele, olhos, mucosas, dentes, unhas e cabelos, além de aumentar a resistência para doenças respiratórias (especialmente em crianças). As mangas também são uma excelente fonte de vitamina C, fibras, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e empregos para a indústria de fio dental.
2) MELANCIA: pobre em caloria, constituída por 90% de água e rica em licopeno (uma substância capaz de promover a saúde do coração e reduzir o risco de tumores), a melancia também é uma boa fonte de beta-caroteno, vitamina A, B e C, ferro, cálcio e fósforo. Possui propriedades digestivas e auxilia na eliminação de substâncias tóxicas pelos rins.
3) TANGERINA: também conhecida por aí como mexerica, esta fruta cítrica de origem asiática é uma ótima fonte de vitamina A e beta-criptoxantina, capaz de ajudar a reduzir a inflamação da artrite. A tangerina também possui grandes quantidades de luteína (importante para a boa visão) e fibras (que auxiliam o processo digestivo).
4) MAMÃO: originário do sul do México, o mamão é rico em antioxidantes, folato, sais minerais, vitaminas A, B e C. A papaína, uma enzima presente em grandes quantidades no mamão, atua auxiliando na absorção de nutrientes de outros alimentos.
5) UVA: introduzida no Brasil na época da colonização portuguesa, a uva é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo. Rica em sais minerais, vitamina B e C, a uva também possui uma elevada concentração de resveratrol, um potente antioxidante natural. Pesquisas mostram que o extrato obtido das sementes possui propriedades antialérgicas e antiinflamatórias.
Existe um ditado, oriental eu acredito, que diz que o ser humano é uma espécie estranha: passa metade da vida gastando a saúde para ganhar dinheiro, e então a outra metade gastando o dinheiro para ver se recupera a saúde. Por experiência própria nos ambulatórios da vida, posso lhe dizer que a primeira metade costuma funcionar. Agora, quanto à segunda...
O segredo do sucesso nesta vida não está no que você possui, mas por quanto tempo vai ter aquilo. Afinal de contas, o que todo mundo gostaria mesmo de fazer antes de partir dessa para outra é ficar beeeem velhinho - alguma coisa por volta dos 140 anos, segundo meus modestos cálculos. Mais do que 140 poderia ser interpretado como ganância. Cento e quarenta está de bom tamanho.
Um dos pontos básicos para ter uma caminhada tão longa está na alimentação. E uma alimentação saudável tem início com a escolha de ingredientes saudáveis: se a sua geladeira está recheada de frutas e vegetais frescos, sem dúvida alguma será mais fácil manter aquela dieta em dia e evitar as tentações hipercalóricas.
Para melhorar sua performance na seção de horti-fruti e garantir uma vida longa e produtiva, tente fazer o seguinte:
- As seções de guloseimas são planejadas para sedução. Desde as embalagens até a disposição dos produtos nas prateleiras, todas as iscas estão lá para fisgar sua gula. Se você não tem a força de vontade mais ferrenha deste mundo, um modo de não forrar a sacola de compras com barras de 5 kg de chocolate é simplesmente não aventurar-se fora da seção de frutas, verduras e legumes. Se isso for possível.
- Alimente-se antes de sair para as compras e leve sempre sua lista: corte o estímulo de compras que vem do estômago fazendo um lanche rápido antes mesmo de entrar no supermercado. E ter uma lista previamente elaborada no conforto de casa, de preferência após encher a pança com aquele café da manhã ou almoço, é o complemento ideal para evitar tropeços.
- Sempre lhe disseram que aparência não conta, o que vale é o interior. Mas não leve essa regra ao pé da letra ao escolher vegetais e frutas: prefira aqueles com aparência mais fresca, firme e jovem. Cachos de uvas e caixas de morango podem estar recheados com mofo. Escolha com calma, examine, observe, leve os legumes para tomar um capuccino e converse com eles. E compre apenas a quantidade suficiente para alguns dias ou uma semana.
- Se o supermercado possui uma padaria, aproveite para comprar pães integrais ao invés daqueles feitos apenas com farinhas refinadas.
- As frutas merecem destaque: produzidas pela natureza após milhões de anos de testes, com embalagens biodegradáveis e nutrientes cuidadosamente selecionados, as frutas devem estar no topo da sua lista. Elas possuem a quantidade ideal de calorias em um pacote que inclui vitaminas, sais minerais, antioxidantes e fitoquímicos extremamente benéficos para o seu organismo. Veja a seguir 5 bons exemplos de como as frutas podem ajudar a prolongar seus anos por aqui:
1) MANGA: originária do Sudeste da Ásia, a manga é rica em beta-caroteno, uma fonte indireta de vitamina A, capaz de melhorar a defesa e a saúde da pele, olhos, mucosas, dentes, unhas e cabelos, além de aumentar a resistência para doenças respiratórias (especialmente em crianças). As mangas também são uma excelente fonte de vitamina C, fibras, cálcio, magnésio, fósforo, potássio e empregos para a indústria de fio dental.
2) MELANCIA: pobre em caloria, constituída por 90% de água e rica em licopeno (uma substância capaz de promover a saúde do coração e reduzir o risco de tumores), a melancia também é uma boa fonte de beta-caroteno, vitamina A, B e C, ferro, cálcio e fósforo. Possui propriedades digestivas e auxilia na eliminação de substâncias tóxicas pelos rins.
3) TANGERINA: também conhecida por aí como mexerica, esta fruta cítrica de origem asiática é uma ótima fonte de vitamina A e beta-criptoxantina, capaz de ajudar a reduzir a inflamação da artrite. A tangerina também possui grandes quantidades de luteína (importante para a boa visão) e fibras (que auxiliam o processo digestivo).
4) MAMÃO: originário do sul do México, o mamão é rico em antioxidantes, folato, sais minerais, vitaminas A, B e C. A papaína, uma enzima presente em grandes quantidades no mamão, atua auxiliando na absorção de nutrientes de outros alimentos.
5) UVA: introduzida no Brasil na época da colonização portuguesa, a uva é uma das frutas mais consumidas em todo o mundo. Rica em sais minerais, vitamina B e C, a uva também possui uma elevada concentração de resveratrol, um potente antioxidante natural. Pesquisas mostram que o extrato obtido das sementes possui propriedades antialérgicas e antiinflamatórias.
Marcadores:
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