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25 agosto 2014

Obesidade e câncer: cara ou coroa?

© Dr. Alessandro Loiola
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos


Um trabalho publicado dia desses na Lancet (Agosto/2014) jogou mais lenha na fogueira da obesidade.

Há muito se sabe, a partir de pequenos levantamentos estatísticos, que o peso corporal está relacionado ao desenvolvimento de certos tipos de cânceres. Mas os ingleses levaram isso um (graaande) passo adiante: utilizando registros clínicos do Clinical Practice Research Datalink, eles identificaram mais de 5 milhões de pessoas com idade igual ou superior a 16 anos e que não apresentavam diagnóstico de câncer no momento da avaliação. O IMC médio calculado para o grupo foi 25,5 kg/m².

Durante 7 anos e meio, esse coorte foi acompanhado e aproximadamente 170 mil indivíduos desenvolveram pelo menos uma das 22 neoplasias de interesse do estudo. Os 22 tipos escolhidos respondiam por 90% de todos os tipos de tumores malignos diagnosticados na Grã-Bretanha, e o aumento no IMC mostrou estar associado a nada menos que 17 deles.

O aumento no peso foi determinante para aumentar o risco de câncer na mama (em mulheres na pós-menopausa), na vesicular biliar, nos rins, no fígado, no intestino grosso, na tireóide, nos ovários, na região cervical e para leucemia. Por outro lado, algumas evidências sugeriram que o IMC aumentado exercia um certo efeito protetor para câncer de mama na pré-menopausa e para câncer na próstata.

Cada aumento de 5 kg/m² no IMC (equivalente a 15,5 kg) associou-se a um aumento de 62% no risco de câncer no útero, 25% para câncer renal e 10% para câncer no intestino grosso.

A temporada de caça à obesidade está aberta há muito tempo, graças à sua associação com hipertensão arterial e diabetes – e todas as consequências e custos daí decorrentes. Mas agora este estudo confirma, sem a menor sombra de dúvida, que o papel desempenhado pela obesidade representa um fator de risco de verdade, sólido, progressivo e definitivo.

O excesso de peso é certamente uma causa evitável de câncer. Ponto.

Agora resta saber se a moeda vai cair.

Antipsicóticos e problemas renais

© Dr. Alessandro Loiola
Médico – CRMSP 142.346
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos


Um estudo populacional avaliando os registros de mais de 2000 pacientes acima de 64 anos de idade mostrou que aqueles em uso de quetiapina, risperidona ou olanzapina apresentam um risco duas vezes maior de insuficiência renal aguda que pessoas da mesma idade que não tomam esses remédios.

Milhões de pessoas fazem uso de antipsicóticos a cada ano. Estas drogas específicas são bastante utilizadas para controlar sintomas comportamentais em pacientes com demência – ainda que esta recomendação não tenha aprovação da maioria dos especialistas no assunto.

A pesquisa, publicada em agosto/2014 no Annals of Internal Medicine, é válida por lançar mais luz sobre o uso de antipsicóticos. Esses medicamentos não devem ser execrados, mas seu emprego merece cautela, especialmente em idosos, e o ideal é monitorizar a função renal e a pressão arterial periodicamente.