17 julho 2016

TRÊS MODOS POUCO CONVENCIONAIS DE PENSAR FORA DA CAIXA



* Especial para Manhood Brasil


As pessoas tendem a se acostumar às ideias quando são expostas a elas com frequência suficiente. Ainda que isso não seja sempre um mau negócio, algumas vezes esse hábito pode nos levar a acreditar em coisas que não são boas para nós.

Para reduzir o risco de ser ludibriado por qualquer meia-verdade, é importante cultivar uma mente inquisidora e questionar o modo como vemos o mundo à nossa volta. Certamente existem muitas coisas a seu respeito que não correspondem à realidade.

Vejamos então 3 maneiras diferentes de interpretar o mundo que podem lhe ajudar a sair da caixa e ver tudo por uma outra perspectiva:

1. CULTIVAR "HÁBITOS MELHORES" NÃO LHE AJUDARÁ A ATINGIR OBJETIVOS.

A primeira vista, esta frase não parece muito lógica. Somos escravos de nossos hábitos. Se optássemos pelos "bons hábitos", então só coisas boas aconteceriam, certo?

Olha... não funciona bem assim. A jogada é que existem duas partes do seu cérebro que controlam o processo de tomada de decisões: o sistema límbico e o córtex pré-frontal.

O sistema límbico opera em piloto-automático e não é muito bom para planejamentos de longo prazo. É aquela parte do cérebro que lhe põe para dormir quando você está cansado, comer quando está com fome, e fazer um monte de outras coisas sem refletir muito no que você está fazendo. 

O sistema límbico controla nossas ações não-conscientes - também conhecidas como hábitos. Estes hábitos não são necessariamente baseados em coisas úteis. Eles apenas produzem satisfação imediata e não muito mais que isso.

Sabe quando você TEM que fazer um trabalho, mas a mente prefere ir assistir TV ou fuçar na Internet? Quem está lhe atazanando para fugir do dever é ele, o sistema límbico. Ele lhe diz que espairecer produz uma sensação agradável e trabalhar, nem tanto. 

A procastinação se enraiza e dá frutos no sistema límbico porque ele é focado nessas recompensas de curto prazo. Quando você tenta construir bons hábitos sem refletir seriamente sobre eles, esta parte indolente do cérebro sabota seus planos.

O córtex pré-frontal é outra história. Ele é empenhado e crítico. Poderíamos até chegar ao exagero de dizer que só somos humanos porque temos um córtex pré-frontal capaz de prever consequências de longo prazo de um modo como nenhum outro animal parece capaz. Analisamos o contexto e podemos predizer o desenrolar da coisa: sem trabalho = sem dinheiro. Sem dinheiro = sem TV ou internet ou um monte de outros confortos.

O córtex pré-frontal atua na escolha das opções que irão produzir os resultados futuros que mais desejamos. Essas opções nem sempre oferecem recompensas instantâneas e costumam exigir alguns sacrifícios da sua parte, por isso costumam ter um sabor menos agradável na primeira mordida. 

A grande sacada é compreender que, através do empenho consciente, o córtex pré-frontal é capaz de mudar seus hábitos, evitando o piloto automático. Ao invés de simplesmente tentar construir bons hábitos, reserve um tempo para questionar os motivos dos maus hábitos que você já tem. Permitindo que essa parte mais sensata do cérebro encoste o sistema límbico na parede, você deleta promessas vazias e abre espaço para mudanças reais.

Listar racionalmente seus maus hábitos é um modo eficaz de ver como eles são indesejáveis e forçar uma melhora. Essa inquisição começa como uma curiosidade e termina como uma consciência sólida e vigorosa. 

Não acredite nas promessas do sistema límbico. Hábitos não podem ser vencidos, remodelados ou construídos sem reflexão e empenho conscientes. Reflita MESMO antes de agir, e então aja. 

2. SUA PERSONALIDADE NÃO É DETERMINADA PELA DOMINÂNCIA DE UM DOS LADOS DO CÉREBRO. 

Existe uma ideia bem popular de que o lado dominante do cérebro determina sua personalidade. Dizem que pessoas mais analíticas e práticas possuem uma dominância do hemisfério esquerdo, e que pessoas mais sensíveis e artísticas possuem uma dominância do hemisfério direito.

Tudo bem, também existem pessoas que acreditam em horóscopo, então por que não acreditar em manifestações de pseudo-ciência? Voila.

O problema é que esta afirmação sobre hemisférios dominantes está longe de ser verdade. Você utiliza seu cérebro INTEIRO. Ou, pelo menos, deveria utilizá-lo dessa forma. 

A associação entre sua personalidade e essa massa esponjosa de pouco mais de 1 kg escondida entre suas orelhas é um mistério, mas ela certamente tem pouco a ver com qual lado da esponja é o manda-chuva.

O fato é que VOCÊ é quem determina sua personalidade. É VOCÊ quem está no controle dos seus pensamento, das suas virtudes e do seu caráter. Tarde demais para tentar se eximir dessa responsabilidade agora, parceiro. Mas nada tema: nem tudo está perdido.

Se você conscientemente decidir mudar o modo como enxerga o mundo, eventualmente você irá mudar como pessoa também. Isso não irá acontecer da noite para o dia, mas a mudança É POSSÍVEL - e sem necessidade de uma cirurgia transferindo o lado esquerdo do cérebro para a direita ou vice-versa.

Isso já foi dito acima e você sabe, mas não custa lembrar: seres humanos são criaturas de hábitos. Você pode não perceber, porém esses hábitos se infiltram até mesmo no modo como você raciocina. Quem sabe, pessoas criativas e com inclinações artísticas são assim porque tiveram um péssimo professor de matemática e terminaram acreditando que não eram boas com números e contas. Encontraram a arte como saída e cultivaram esse modo de pensar por muito tempo, e agora não conseguem pensar de outra forma. 

O mesmo raciocínio vale para pessoas que acham ter o hemisfério esquerdo dominante. Talvez ela tenham se restringindo a este estereótipo por se acharem boas em ciências e péssimas em desenho, e então optaram por tomar este caminho.

O mais certo é que ter um comportamento determinista sobre sua personalidade ("É assim que eu sou e pronto!") é uma péssima maneira de podar suas habilidades e esmagar a amplitude extraordinária do mundo.

3. NÃO É POSSÍVEL SER FELIZ SEM APRENDER ALGO NOVO.

Somos programados para aprender. Cada gene no seu corpo traz uma memória de como as coisas eram e um algoritmo para você tirar o melhor possível de como as coisas são agora. Como o aprendizado está intimamente alojado no nosso software de sobrevivência, aprender nos traz felicidade. Até seu sistema límbico sabe disso.

Aprender algo novo é uma ferramenta maravilhosa para deixar a vida interessante e escapar do massacre da rotina. Vamos ser sinceros: você resolve 99% do seu trabalho sem se dar ao trabalho de pensar muito sobre ele. A coisa flui, simples assim. Um dia depois do outro. E então uma bela manhã você acorda se perguntando: por que não estou feliz, leve e alegre? Onde se escondeu a mágica?

A mágica está onde sempre esteve: no aprendizado. Quando você alimenta sua mente com novas ideias, o cérebro as reproduz em outras guloseimas. Novas ideias se transmutam em mais oportunidades, mais criatividade, mais crescimento, maior qualidade do seu tempo e uma experiência de vida mais profunda.

Fomentar a criatividade é uma das melhores coisas que você pode fazer por você mesmo. É uma estratégia super competente para sair da caixa e descobrir novas maneiras para resolver velhas questões. A criatividade faz a mente focar-se em si, enxergando-se como uma fonte intrínseca de satisfação ao invés de vagar pelo mundo procurando satisfação em outros lugares. 

Ao invés de abordar apenas a parte externa dos problemas, aprenda a internalizá-los e transformar a construção da solução um tipo de brincadeira. Tudo - problemas E soluções -, sempre estiveram DENTRO de você. 

O aprendizado é a diferença entre fazer as coisas no automático e pensar de modo crítico. Quando você se compromete em ser um aprendiz para a vida inteira, nesta decisão vem embutida a premissa de pensar em coisas novas o tempo todo. O córtex pré-frontal se fortalece, você se torna mais proativo, molda sua personalidade dentro dos ajustes que lhe dão maior satisfação e se torna uma pessoa profundamente mais sábia e feliz.

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