20 novembro 2009

EM BUSCA DA ESTABILIDADE

© Alessandro Loiola




Vem se tornando mais comum a cada dia no consultório: pessoas infelizes e angustiadas porque não conseguem atingir a estabilidade. Querem casar, querem descasar. Querem um emprego, não querem mais o emprego. Querem tudo, não querem coisa alguma. Enveredam em uma cruzada de matéria e anti-matéria e terminam se perdendo em um mundo de ansiedade cega e, porque não dizer, completamente burra.

Desabam em um penhasco de desânimo porque queriam finalmente chegar em um porto de estabilidade, um mar sereno de coisas tranquilas, mas este destino é como o fim do arco-íris: quanto mais você persegue, mais ele se distancia.

- Por que nada parece dar certo, doutor? – e chora.

Fico pensando. Ofereço um lenço ou um daqueles chapéus bicudos dos filmes americanos escrito “donkey”?

Tsc tsc. Nada dá certo? Um brinde a todas as outras oportunidades que podem dar certo! A estabilidade nunca chega? Um brinde enorme ao fato de que tudo muda! Até porque, se você é daqueles que acha que só será feliz quando atingir a estabilidade, deixe-me lhe dizer algumas coisas:

A cada 3 meses, 10% do seu esqueleto se renova. Isso significa que, daqui a uns 3 anos, esses ossos que você tem aí não estarão mais aí. Serão outros ossos. Esses que sustentam seu corpo enquanto você lê este texto, bom, esses ossos serão um esqueleto do passado, urinado pelo seus rins e excretado em outros sais minerais nas suas fezes. Uma instabilidade contínua que se transforma em estabilidade cálcica e voilá!, você está andando. Andando e carregando uma pele que se renova a cada 30 dias, nutrida pelo sangue instável, que é trocado a cada 120 dias, mais ou menos.

Estabilidade?

Você está em um planeta que gira sobre seu próprio eixo mais rápido que a velocidade do som (1.669 km/h versus 1.200 km/h), enquanto brinca de pique correndo em torno do sol a inacreditáveis 100.000 km/h!

A matéria que constitui os planetas e estrelas responde por menos de 5% de toda a matéria no universo. Esta mesma matéria foi configurada para formar você, um aglomerado de moléculas baseadas em carbono que irá durar (estatisticamente) menos de 1 século.

Dentro deste século, você experimentará a tristeza, a fome, o ódio, a inveja e a arrogância, mas também tocará e será tocado pela alegria, pela satisfação, pelo amor, pelo conhecimento e pela generosidade. O animal que nós somos, não durará muito. Dentro de 150 anos, quem ainda recordava de nossa passagem por aqui também terá desaparecido, e a imensa maioria voltará para o limbo de esquecimento onde sempre esteve. Onde está a estabilidade?

Você não gosta de seu emprego desgastante mas prefere continuar nele porque lhe dá estabilidade? Ótimo. Assim você vai poder contar com uma renda fixa quando precisar cuidar daqueles problemas de saúde causados pelo desgaste no serviço estável. O mesmo vale para alguns casamentos.

Afinal de contas, quem disse que você tem que ser apenas uma única coisa a vida inteira? Se um dia não puder exercer sua profissão ou tiver que colocar uma pedra sobre aquele relacionamento, encare como um conselho de que seu papel neste filme acabou e é hora de viver um novo papel em uma nova película, quiçá mais divertida, engrandecedora e construtiva.

Acima de tudo, jamais venda sua consciência e motivação em troca de estabilidade. Não permita que a busca pela felicidade ideal deixe seus olhos cegos para toda a beleza que existe à sua volta.

Viva apenas com o mínimo (saudável) de medo, aproveite cada fração de cada segundo respeitando alguns princípios da Lei, encante-se!, e seja tudo que você puder ser considerando as limitações de sua carne - não adianta querer virar profissional da NBA tendo 1.60m de altura, mas existem bilhões e bilhões de coisas que você pode fazer neste mundo. Faça-as ontem! Faça-as todas.

08 novembro 2009

A PARÁBOLA DO SISTEMA ÚNICO DE STUPIDEZ

Olá,

Houve uma época, há coisa de uns 10 anos, em que eu dedicava domingos inteiros (e muitas vezes outros dias da semana, até de madrugada) para operar completamente de graça pacientes do SUS. De graça mesmo, não recebia produtividade, “por fora”, nadica de nada. Acredite se quiser.

Por amizade de meu pai, pediatra, possuía um acordo de cavalheiros com Dr. Zaganelli, Diretor de um hospital público de Vitória (ES), que muito humanamente permitia que eu levasse para o hospital de sua instituição pacientes atendidos por mim no Centro de Especialidades. Me condoia atender aqueles pacientes com indicação cirúrgica e simplesmente retorná-los com o diagnóstico, porém sem uma saída. Muitos eram do interior do estado, pobres, quase miseráveis, e apenas com muito custo entendiam o que eu lhes explicava acerca da moléstia que os afligia.

A equipe de apoio era espetacular e permanentemente prestativa - que o diga o Cléber, então técnico de enfermagem, sempre um grande filósofo e hoje catedrático de respeito, que inúmeras vezes me honrou com seu auxilio no campo cirúrgico. Assim como eles, muitos, muitos outros.

Bons tempos. Mas hoje, me sinto vencido pelo SUS. Logo eu, fico pensado, que imaginava ter dois tumores no cérebro: um secretor de idéias, outro produtor de otimismo... Prefiro acreditar que os dois ainda estão lá, funcionantes. Apenas não querem mais perder seu tempo com algo tão imenso.

Imenso na burocracia, na estupidez. Inacabável na burrice. O SUS faz muito com tão poucos recursos. Mas poderia fazer mais. E poderia ser o que gostaríamos que fosse, se apenas o tratássemos (nós médicos, os governantes, gestores, cidadãos) com o valor e a inteligência apropriada.

Mas, ao invés disso, queremos financiar o SUS com migalhas e receber em troca manjares e pudins de leite condensado. Manuseamos o sistema com hipocrisia, como colher humanidade e desenvolvimento?

E se canto minha parábola, os que não me conhecem me acusam. Não os culpo. Eu deveria voltar com meus tumores àquela época, coisa de uns 10, 15 anos atrás, onde trabalhava tanto com os braços que os olhos não tinham tempo para enxergar à sua volta.

Envelhecer torna a gente mais consciente ou só mais rabugento? Qualquer que seja o caso, espero que seja uma boa leitura.

Um abraço,

Alessandro.


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A PARÁBOLA DO SISTEMA ÚNICO DE STUPIDEZ

© Dr. Alessandro Loiola


Era uma vez uma moça muito inteligente chamada Verdade. Toda vez que a Verdade chegava perto das pessoas, elas fugiam. Algumas até diziam preferi-la sempre à sua prima biscateira, a Mentira, comentavam como a Verdade era magnífica e necessária, mas ficar por perto? Não, não.

Então, certa noite, a Verdade sentou-se sozinha e desanimada na beira da calçada. E antes que algum passante mais atrevido sugerisse um programa (quem não gosta de apertar, torcer e fornicar com a Verdade?), uma senhora corcundamente idosa aproximou-se.
- Por que você está tão triste? – perguntou Dona Sabedoria.
- Ninguém gosta de mim. – chorou a Verdade.
A velha mediu a Verdade dos pés à cabeça, fez uma pausa e cravou:
- Mas também, olhe para você, veja só o seu estado...! Lastimável!

A bem da verdade, a Verdade não estava lá essas coisas. Talvez por acreditar que apenas sua luz interior fosse suficiente, ela nunca havia se preocupado muito com a parte de fora. O vestido sujo maltrapilho, o penteado dreadlock e aquele perfume estilo Moscas Ardentes do Boticário não eram realmente sedutores.

- Vamos fazer uma coisa: vou lhe apresentar uma amiga – aconselhou Dona Sabedoria. - Tenho certeza de que ela poderá lhe dar umas dicas.

E Dona Sabedoria e a Verdade foram até uma casa de massagem gerenciada por uma cafetina chamada Riqueza. A Riqueza era, por assim dizer, o bicho: por mais que ela se escondesse e esquivasse, os homens sempre estavam atrás dela – e algumas vezes por cima e por baixo também. A Riqueza sem dúvida alguma sabia das coisas.

- Eu não entendo... – questionou a Verdade, olhando com desdém para a Riqueza.- Você é fútil, volátil, passa de mão em mão sem criar laços, não cultiva respeito ou sentimentos. Afinal, o que os homens vêem em você?
- O que eles vêem em mim, querida? – disse a Riqueza, colocando o indicador com 3 cm de unha postiça vermelha no canto da boca. - O que eles não vêem em você, eu lhe digo. Mal acabada desse jeito, nem o inquilino do viaduto vai lhe dar uma cantada. Mas eu já sei o que fazer: vou lhe emprestar um vestido meu que é fatal. Tiro e queda, meu amor. Ele se chama Parábola.

E desde então, a Verdade tem conseguido se aproximar dos homens travestida de Parábola. A parábola não assusta, é engraçadinha e permite que a Verdade dê sua opinião. Entretanto, é só marcar aquela esticada no motel e tudo recomeça: ainda não existe um remédio para evitar o terror na frente da verdade nua e crua. A resposta para isso, nem mesmo a Sabedoria ou a Riqueza parecem ter.

E é com esse espírito altruísta em busca da Verdade que abrimos o champanhe para comemorar os 20 anos do SUS – ou Sistema Único de Stupidez, como costumo chamar, pedindo perdão pela transgressão da língua no último verbete, mas imprescindível para sustentar a sigla. O SUS é fruto daqueles surtos psicóticos que nossos governantes tem quando acham que vivem em um planeta com recursos ilimitados.

No papel, o SUS é belíssimo. Na prática, é de uma patetice sem tamanho. Em teoria, o SUS é um plano de saúde com cobertura em 100% do território nacional, oferecendo resgate e assistência clínico-cirúrgica em todas as especialidades 24h por dia, 7 dias na semana, além de pré-natal, puerilcultura, vacinas, tratamento oncológico e assistência odontológica sem glosas por pré-existência. Um plano assim, particular, se fosse Unimed ou Saúde Bradesco por exemplo, sairia em média a uns R$200 por cabeça, por mês. No mínimo.

Vamos fazer a contabilidade. Duzentos reais por cabeça por mês. Somos 200 milhões de brasileiros. Se o governo fosse de fato oferecer o que reza a Constituição (um plano de saúde top de linha com acesso universal), seria necessário um investimento de cerca de R$40 bilhões/mês (R$200 x 200 milhões de pessoas), ou R$480 bilhões/ano. E de quanto é o orçamento anual do SUS? R$35 bilhões/ano. Isso lá em casa dava até pra fazer uma festa, mas no universo do SUS... tsc tsc...

Se formos temperar a conversa com os desvios, os superfaturamentos, as prefeituras que instalam manilhas, compram lanche de escola e inauguram praças com verba da saúde, então é melhor nem pensar em colocar na ponta do lápis.

E se o governo fala em aumentar impostos para financiar o embuste, ops, perdão, financiar o SUS, a gritaria é geral. Melhor fazer reuniões e encontros e workshops e conferências intermináveis para saber como humanizar o inabitável, como pagar com um sorriso nos lábios e uma explicação estapafúrdia a conta que nunca fecha.

Para fazer o SUS engrenar, não precisamos de mais parábolas. Muito menos desse cordel de faz de contas. Para fazer o SUS engrenar, é preciso algo acima. É preciso muuiiito dinheiro e uma nação de homens (e mulheres) de Verdade, de preferência guiados pelas mãos da Sabedoria. Aí sim, teremos saúde. E qualidade de vida. E um país de Verdade, ao invés de futebol com carnaval para inglês ver.

Apesar dessa ser uma idéia boa e linda, acho que não vai rolar. Todo brasileiro sempre adia o encontro com a velha corcunda para passar antes no bordel da Riqueza, “pra dar aquela saideira, sacumé?”. Sei. Quem sabe depois, né? Quem sabe depois.

Eu vou estar esperando sentado na beira da calçada.

30 agosto 2009

A DOENÇA DO ESPORTE

© Dr. Alessandro Loiola


Se cada povo recebe o governo que merece, cada sociedade (e época) também tem as esquisitices que merece.

Por exemplo: nas cortes européias da Idade Média, camponeses, brutos, miseráveis e escravos trabalhavam ao ar livre. A aristocracia preferia a mordomia reclusa de seus palácios e roupas de muitas rendas. Por isso, naqueles tempos, os nobres possuíam a pele tão branca que era possível ver o desenho azulado das veias sob a cútis. Ter a pele alva e o “sangue azul” era sinal de riqueza. Hoje, brancura excessiva chega a significar doença, e mostrar um certo bronzeado dá status: se você tem tempo para passar à toa sob o Sol, então leva uma vida mansa e, provavelmente, tem mais dinheiro que a maioria...

No Século XVI, na Itália, as mulheres pintavam não apenas os lábios, mas também os dentes. No Século XIX, a última moda eram cílios postiços feitos de pele de rato e espartilhos tão apertados que chegavam a fraturar costelas. Na mesma época, na França, os homens casados usavam mais perucas e cosméticos que suas esposas.

Passa o tempo, algumas bizarrices se vão, mas outras logo assumem o posto. Como disse: se cada época caracteriza-se por certos critérios de excentricidade, por que haveríamos de fazer diferente com a nossa?

O Século XX testemunhou o avanço tecnológico virar prosperidade na mesa. Apesar da fome continuar assolando os países que sempre passaram fome, de um modo geral, onde havia comida, esta passou a estar disponível em um volume maior do que jamais seríamos capazes de ingerir. O resultado? Uma epidemia de obesidade e mortes por doenças cardiovasculares que assolou os 1900.

A resposta dos cientistas não tardaria, e eles logo encontraram uma saída: a prática de esportes. Exercícios físicos regulares melhoram o condicionamento cardiopulmonar e facilitam o controle dos quilos em excesso. Como não seria de surpreender, este conceito foi extrapolado exageradamente para as massas e presenciamos uma explosão de vida nas academias de ginástica e pistas de Cooper como não se via desde o período Cambriano. Todo mundo quer entrar em forma. Se não por vaidade, então por medo.

Mas até que ponto esporte é saúde? Temos tenistas jovens com quadris de senhoras osteoporóticas, jogadores de futebol com infartos fulminantes no início da carreira, triatletas que morrem afogados após colapsos, e um número infinito de lesões musculares, articulares e ligamentares em esportistas amadores e atletas de final de semana. Toda uma manada de gente catequizada sob o lema de que esporte é saúde.

Ver televisão não distende meu ombro. Caminhar pelo parque com minhas crianças não provoca desgaste coxo-femoral. Não tenho bursite por ler um livro ou desloco a coluna ao dormir até um pouco depois do horário.

A atividade física regular, moderada, entendida como uma caminhada de 40 minutos, 4 vezes na semana, é todo esporte que seu corpo precisa como remédio. Não gosta de caminhar? Então saia para dançar, pedalar ou nadar. E adicione um pouco de musculação e alongamento a partir dos 50 anos de idade: isso ajuda a manter ossos e articulações fortes e saudáveis. Para além destes limites, converse com seu médico ou preparador físico e vá pela diversão, pelo entretenimento não-competitivo.

É Um equívoco propagar o esporte como uma ferramenta para saúde. Sua saúde depende de muito mais compromisso que jogar bola duas vezes por semana ou ir na academia de 8 às 9. Aprender a lidar com o estresse, ter um bom padrão de sono e seguir uma alimentação saudável são tão ou mais importantes que uma corrida ensandecida de 10 Km sobre a esteira.

Procurar a atividade física como um modo de manter o corpo dentro da beleza-padrão estampada nas revistas é outro erro comum e, porque não dizer, cômico. As modelos de capa parecem saídas de campos de concentração nazistas de tão caquéticas e não devem pesar mais que a própria revista. A beleza é sentir-se bem aos 30, 40, 50, 60 anos ou mais, e não buscar de modo esquizofrênico a aparência de uma anoréxica de 20 anos de idade quando você já passou da metade da ladeira.

Lembre-se que as grandes descobertas vieram de pessoas com tempo ocioso - vide Aristóteles, Newton e tantos outros citados pelo oceanógrafo Kendall Haven em “As 100 maiores descobertas científicas de todos os tempos” (320 páginas, Ediouro, 1ª Edição). Use seu tempo e energia de modo inteligente e produtivo. Ter um glúteo mais firme não fará seu futuro mais brilhante.

E se quer uma última dica, que tal investir suas energias procurando por uma preciosidade: o extraordinário livro do médico mineiro José Róiz, “Esporte Mata!” (178 páginas, Editora Casa Amarela, 1ª Edição).

Não, não estou ganhando comissão pela venda de livros. Mas uma boa leitura já vale por uma longa caminhada.

26 julho 2009

SUS DOMESTICUS, O TERMINADOR

No começo de maio deste ano, escrevi um texto para o Yahoo!Notícias / BrPress falando sobre a gripe suína. Estávamos ainda no começo dessa histeria burra que vez ou outra ameaça turvar as mentes mais sãs com notícias do Apocalipse.

Depois de muitas idas e vindas, o Ministério da Saúde finalmente fez um movimento em direção a uma condução mais racional do problema. Apenas um movimento tênue, tímido, quase introspectivo, cheio de medo de ser massacrado pela imprensa que vê no novo vírus a velha ameaça de sempre.

Desde Abraão e provavelmente muito antes, gerações e gerações de Homo sapiens vêm pregando o final dos tempos. A cada geração, ameaçamo-nos e aos nossos filhos com um final diferente para o mundo, que teoricamente terminaria antes do fim de nossas vidas. Como você pode comprovar, o mundo ainda não acabou. Mas as ameaças e promessas desvairadas continuam chegando.

Contando a partir dos primeiros alertas, lá se vão uns 90 dias da Pandemia de Gripe Suína. Nesse intervalo, 29 brasileiros morreram vítimas da doença. Neste exato mesmo período, cerca de 8.600 conterrâneos morreram vítimas de acidentes automobilísticos, outros 8.200 foram assassinados por armas de fogo, 2.400 mulheres perderam a vida para o câncer na mama e 1.200 homens foram vitimados pelo câncer na próstata.

Onde está a epidemia mesmo?

Talvez, na (falta de) cabeça dos outros.

Um abraço e boa leitura,

Alessandro.

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SUS DOMESTICUS, O TERMINADOR

© Dr. Alessandro Loiola


Acho que uma das profissões com menor índice de depressão atualmente é a de jornalista. Para quem ganha o pão vendendo manchetes, os dias de hoje são um oásis. Porque, em se falando de notícias, nada tem mais apelo que o apocalipse – e para alegria dos vendedores de planos funerários em suaves parcelas, o mundo vem acabando de modos diferentes a cada semana.

A guerra nuclear iria dizimar a humanidade. A crise do petróleo iria dizimar a humanidade. O HIV, o retorno da tuberculose, o Bill Gates, a gripe da galinha que mora na Tailândia... todos iriam dizimar a humanidade. E nada da humanidade ser varrida.

Então vieram filmes com terremotos, tempestades de cometas aniquiladores, propagandas imperialistas de alterações climáticas catastróficas, e ainda nada. Quem sabe, se o John Doe não pagar a hipoteca de sua casa suburbana no Kentucky, será que dessa vez isso poderia desencadear uma crise econômica capaz de dizimar a humanidade? Hum... difícil saber. Este experimento ainda está em fase de desenvolvimento. Mas, para dar um toque de classe, que tal uma outra promessa de extermínio saída novinha do forno? E chegamos à Gripe do Porco.

Gripe do Porco. Se fosse no Canadá, seria batizada de algo como Wild Kodiak Flu. Nos EUA, Gripe Furious Hawk. Mas o diacho do vírus teve o azar de ressurgir no México. Com a mídia ocidental aos seus pés, os ianques não perderam tempo e lascaram um apelido suíno na moléstia identificada ao sul do Rio Grande. Gripe do Porco. Será que tomando banho dá pra evitar? Na dúvida, melhor colocar na lista do supermercado algumas caixas extras de cotonete e fio dental.

O vírus influenza suíno – concorde comigo: “gripe do porco” é bem mais legal... – causa uma infecção respiratória aguda em nossos amigos da pocilga. Todavia, apesar de bastante contagioso e desconfortável, possui um baixo índice de mortalidade geral (1-4%).

Acredita-se que os responsáveis pela introdução deste vírus entre os descendentes do javali selvagem fomos nós mesmos, os humanos de sempre. O seguinte: os porcos podem se infectar com mais de 1 tipo de influenza de uma só vez, permitindo que estes vírus se misturem à vontade. O resultado é um vírus influenza com genes de várias fontes diferentes. Por isso, apesar do influenza suíno ser normalmente específico para porcos, a combinação bacanalística de genes permitiu que ele cruzasse a barreira das espécies e atingisse também o homem. Ah... nada como o sexo selvagem entre as partículas.

A gripe do porco não é nova. O vírus é considerado endêmico nos EUA. Os sintomas são bastante semelhantes aos da gripe comum, porém, naqueles de menor sorte, a doença pode se manifestar como pneumonia grave ou mesmo morte.

Teoricamente, a gripe do porco é transmitida a partir do porco infectado, mas alguns estudos sugerem que o vírus pode ser passado de um humano para outro, especialmente através do contato íntimo ou em aglomerados de pessoas em ambientes fechados.

Para os vegetarianos, lamento informar que comer a carne do porco não transmite o vírus – desde que a carne tenha sido preparada a pelo menos 70 graus Celsius. Por isso, provavelmente nós carnívoros continuaremos com esse hábito fastidioso.

Os cientistas acreditam que as pessoas que tem contato regular com suínos podem possuir uma resistência natural contra o vírus, dificultando o desenvolvimento da infecção. E você que chegou até a pensar que aquele seu cunhado gordo e de péssimos hábitos higiênicos não tinha qualquer utilidade, hein? Pois é. A vida dá voltas e voltas. Olha ele aí, garantido sua sobrevivência.

Para os alarmistas de plantão, preocupados com o risco de uma nova Peste Negra, deixo outro alerta: nada causa mais mortes que engolir pequenas quantidades de saliva por um longo período de tempo. Todo mundo que pratica este esporte está com os dias contados. A imensa maioria não irá durar mais de 11 décadas fazendo isso, acredite.

Nós não seremos dizimanos pela gripe do porco. Nossa espécie tão soberbamente inteligente continuará por aqui, fazendo todo tipo de asneiras e se entretendo com as pregações do fim do mundo. Eu, pessoalmente, prefiro não me arriscar tanto. Não sei profetizar qual exterminador do futuro irá dizimar a humanidade, mas posso lhe dar a previsão do tempo para esta noite: escuro. Muito escuro.

Hasta la vista, baby.


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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

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P A R T I C I P E !
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VIVER É A MAIOR AVENTURA. VIVA COM SAÚDE!

22 abril 2009

A INDÚSTRIA DA PERDA

© Dr. Alessandro Loiola




Aprendi há algum tempo que, depois de um sopro, vem sempre uma mordida. Por isso, quando ela me escreveu dizendo “sou fã dos seus textos, leio todos e sempre encaminho para amigos”, sabia que tinha mais. E tinha mesmo: “Gostaria muito que escrevesse sobre medicamentos para redução de peso, como sibutramina, anfepramona, femproporex, etc. Com admiração, Srta. X”.

Como o pedido de uma leitora em apuros é uma ordem, fiz meu dever de casa, convoquei algumas sinapses e saí fuçando sites e bibliotecas médicas especializados. Minha primeira parada: a NAASO, Associação Norte Americana para Estudo da Obesidade, fonte de incontáveis estatísticas terroristas sobre o assunto.

De cima de um reluzente pedestal científico, a NAASO brande seus números: a obesidade afeta quase 60 milhões de americanos e está relacionada a 80% dos casos de diabetes, 70% das doenças cardiovasculares, 30% das pedras na vesícula, 40% dos cânceres na mama, 42% dos tumores malignos no intestino grosso, e por aí vai.

Durante a pesquisa para a Srta. X, constatei que os quilos a mais definitivamente deixaram de ser uma preocupação com a saúde. Viraram uma indústria. A indústria da perda de peso.

Este riquíssimo ramo empresarial envolve companhias que engordam e outras que emagrecem. Enquanto você decora a casa com adesivos herbalifeanos, ímãs de geladeira para refeições supercalóricas e esteiras de última geração, os espertalhões vão acumulando dezenas de bilhões de dólares a cada ano em suas contas bancárias.

Concordo 100% com os especialistas que abordam o excesso de peso como uma doença crônica. A obesidade é uma doença, sim. Uma verdadeira epidemia. Apenas nos últimos 20 anos, a porcentagem de obesos mórbidos cresceu 400%. Essa gordurada toda resulta em graves complicações e faz pensar: até que ponto a busca pelo controle obsessivo do sobrepeso passou a representar por si só uma doença?

A corrida permanente atrás de uma imagem a ser mantida para os olhos dos outros produz níveis elevados de estresse. Nesta ditadura, todos querem ser magros. Todos devem ser magros. Entretanto, das fotos de top-models em processo de caquexia brotam índices significativos de depressão, transtornos de comportamento, compulsões alimentares, abuso de remédios e drogas ilícitas.

Não quero lhe assustar, mas anote aí: estar vivo e comendo aumenta consideravelmente o seu risco para obesidade (e milhares de outras moléstias). Pelo simples fato de que estar vivo é um pré-requisito absoluto para adoecer.

Uma dieta saudável, rica em frutas e verduras, associada à prática de exercícios físicos regulares, certamente irá lhe colocar no rumo certo. Para entrar na forma ideal, recomenda-se perder cerca de meio quilo por semana. Um ritmo mais acelerado que este pode resultar em diminuição indesejada da massa óssea e muscular. Vá sem pressa.

A Indústria continuará lhe bombardeando dia após dia com imagens de pessoas magras cheias de sorrisos comendo doces maravilhosos, e modelos adolescentes ditando padrões de beleza em revistas de moda para senhoras de meia idade. O segredo está em não permitir que o número da sua calça jeans seja a luz que guiará toda sua existência.

O controle do excesso de peso deve ser feito com o objetivo de promoção do bem-estar, da qualidade de vida e do crescimento pessoal, não para satisfazer demandas da vaidade. Lembre-se da frase célebre do saudoso Tim Maia: “fiz uma dieta rigorosa, cortei tudo. Em duas semanas, consegui perder 14 dias!”.

Longe da apologia ao conformismo ou da vista grossa para o excesso de gordura, fica o alerta: a Indústria da Perda não tem muito mais do que isto para lhe oferecer. Por mais fundo que seu umbigo possa estar, existe um universo infinito para além dele. Feche a boca para as calorias se preciso for, mas não se esqueça de abrir os olhos para enxergar o que realmente vale alguma coisa neste mundo. Os ganhos serão todos seus.

01 abril 2009

NÓS OS ALIENÍGENAS E A FEBRE AMARELA

© Dr. Alessandro Loiola


Segundo as teorias atualmente quase aceitas, há várias centenas de zilhões de anos, em algum ponto dos vastos oceanos que cobriam a Terra, algo aconteceu. Enormes quantidades de monômeros e polímeros começaram a formar agregados colóides cada vez mais cheios de curvas e nuances. Em um processo evolucionário inacreditável, desta sopa da vida primitiva resultariam coisas tão distintas quanto um ácaro, uma esponja marinha e a Cléo Pires.

Infelizmente, a teoria evolucionista não explica exatamente qual o papel destas três entidades no crescimento espiritual da raça humana. Mas tendo a Cléo Pires como uma das conseqüências do processo evolutivo, bem, o restante até que dá para perdoar.

O fato é que antes de aparecermos por aqui, a Terra possuía outros donos. Bem antes dos índios botocudos e dos dinossauros, mas alguns milhões de anos logo após a sopa, vírus e bactérias começaram seu domínio sobre o mundo.

Apenas nas frações de segundo mais recentes da história desta partícula de poeira que chamamos de casa, nós aparecemos. Quando aportamos por essas bandas, os bisavôs bacterianos e tataravôs virais devem ter estranhado um bocado. “Como assim, planeta deles? Planeta nosso!! Chegamos aqui primeiro!”.

Até tentamos pedir desculpas. “Olhaí, a gente deixa uma meia dúzia de meninos catarrentos pra vocês irem se ocupando enquanto isso, tipo comemoração no Dia do Índio, sá’comé?”. Mas não adiantou. Refugiados em matas, micos e mosquitos, microorganismos letais aguardam sua chance de dar o bote. Vez ou outra, fazem um contato imediato do terceiro grau conosco, os alienígenas recém-chegados. As conseqüências costumam ser dramáticas.

Os historiadores creditam o declínio do Império Romano às repetidas epidemias do vírus que fez tombar Beethoven: o mortífero Orthopoxvirus, agente da varíola. No Século XIV, a Yersinia, uma bactéria transmitida pela pulga do rato, ceifou a vida de 75 milhões de pessoas – ou cerca de um terço da população da época. Uma pandemia tão devastadora que passou à história como a Peste Negra. Entre 1918 e 1919, a gripe espanhola dizimou mais 40 milhões de pessoas nos 5 continentes.

Nas últimas décadas, outras velhas doenças vêm mostrando suas garras e fazendo novas vítimas. A tuberculose, uma vez tida como em vias de extinção, vem aumentando sua incidência em cerca de 1,7% a cada ano - no Brasil, são notificados 200 novos casos diariamente. De modo emblemático, há alguns meses vem sendo ensaiada a ressurreição da moribunda Febre Amarela.

Esta doença, causada por um vírus transmitido pelo mesmo mosquito da dengue, infecta principalmente seres humanos e macacos. Os sintomas variam de acordo com a fase da doença:

FASE DE INCUBAÇÀO: corresponde aos 3-6 primeiros dias após a contaminação pelo vírus. A pessoa não sente qualquer sintoma.

FASE AGUDA: inicia-se após a fase de incubação, com febre, dor de cabeça, náuseas, vômitos, fortes dores musculares, perda do apetite, vertigens, e vermelhidão acentuada nos olhos, na face ou na língua. Os sintomas em geral melhoram após 3-4 dias.

FASE TÓXICA: cerca de 15% das pessoas com febre amarela aguda desenvolvem uma fase tóxica da doença, caracterizada por icterícia, dores abdominais, vômitos sanguinolentos, diminuição do volume urinário, sangramentos pelo nariz e pela boca, delírio, convulsões, problemas cardíacos, e disfunção nos rins e no fígado. Até metade daquelas com a forma tóxica falecem em decorrência da doença. O restante se recupera sem maiores problemas.

Não existe tratamento específico. As medidas são apenas sintomáticas, com o emprego de analgésicos, repouso e hidratação adequada. Nas formas graves, o tratamento e a observação devem ser feitos com a pessoa internada, de preferência em uma Unidade de Terapia Intensiva.

O único modo seguro de evitar a febre amarela é através da vacinação: uma única dose da vacina oferece mais de 95% de imunidade contra a doença por 10 anos.
Na infinita escala da sobrevivência, nosso jovem time de alienígenas vai defendendo a duras penas o campeonato contra levas de vírus e bactérias nonagenários. Considerando-se o tamanho da concorrência por parte dos antigos detentores do título, é de se perguntar por quanto ainda tempo seremos capazes de segurar o troféu em casa...

13 fevereiro 2009

ATEROSCLEROSE

© Dr. Alessandro Loiola


Existem vários contos e livros que mostram como o verdadeiro poder não se encontra no trono, mas por trás dele. Desde poderosos imperadores até generais, presidentes e pensadores importantes na história da humanidade, todos sofreram influências de pessoas que terminaram não aparecendo nos livros, mas foram fundamentais para que aquela determinada conquista se tornasse possível.

No caso das notícias de celebridades fulminadas por ataques cardíacos ou derrames, a verdadeira manchete encontra-se escondida por trás dos holofotes e atende pelo nome de Aterosclerose. Apesar de avessa à mídia, a Aterosclerose segue como a causa número 1 de morte em todo mundo. Para compreender do que se trata, é preciso entender como funciona o fluxo sangüíneo dentro das suas artérias.

As artérias são os vasos que levam o sangue do coração para todas as partes do seu corpo. Elas são revestidas por uma fina camada de células, chamada endotélio. A pressão alta, o cigarro ou os altos níveis de colesterol podem danificar o endotélio, desencadeando um processo que leva à formação de placas de colesterol. Estas placas endurecidas (chamadas placas ateromatosas) impedem o fluxo sangüíneo adequado. Nos estágios mais avançados, as placas ateromatosas podem obstruir completamente o fluxo em uma determinada artéria.

Os sintomas da aterosclerose variam de acordo com o local de acúmulo e desenvolvimento das placas ateromatosas. Por exemplo, nas artérias coronárias, a aterosclerose pode se manifestar com dores no peito (angina) e diminuição da tolerância aos exercícios (cansaço fácil). Na circulação cerebral, as manifestações
incluem problemas de raciocínio e de memória, dormências, fraquezas musculares localizadas e até mesmo derrame. Nas pernas, podem ser observados dores nos músculos da panturrilha, cicatrização difícil, diminuição dos pulsos e alteração na coloração do local afetado.

A aterosclerose é sorrateira e quando estes sintomas chegam a ocorrer, significa que a doença pode já se encontrar em estágios avançados.

Se você deu um suspiro de alívio porque não vem apresentando qualquer destes sintomas, pegue o suspiro de volta: metade das pessoas sem problemas cardíacos apresenta algum grau de aterosclerose, e o porcentual de pessoas assintomáticas afetadas sobe para 85% na faixa acima dos 50 anos de idade. Conclusão: nunca é cedo ou tarde demais para mudar seus hábitos de vida e começar a prevenir a aterosclerose !

O primeiro passo deve começar pela boca: seu corpo não merece ser tratado como uma caixa de gordura. Siga uma dieta saudável baseada em frutas e verduras, e pobre em produtos industrializados e açúcar.

Alimentos ricos em substâncias chamadas Bioflavonóides exercem um bom efeito protetor contra a Aterosclerose. As principais fontes de bioflavonóides incluem abricó, frutas cítricas, cebola, legumes, chá verde e vinho tinto. Fontes de vitamina C e E (p.ex.: acerola, alface, couve, espinafre, etc) também produzem benefícios, retardando o desenvolvimento das placas ateroscleróticas.

Os níveis sangüíneos elevados de colesterol estão diretamente associados à aterosclerose, mas podem ser reduzidos aumentando-se o consumo de alcachofra, alho, aveia, cebola, linhaça e soja.


  • Pratique uma atividade física regularmente. A meta deve ser exercitar-se por 40 minutos a 1 hora, quatro ou mais vezes por semana.
  • Mantenha-se dentro da faixa de peso considerada ideal para sua altura.
  • Consuma bebidas alcoólicas com moderação. Isso significa 1 drinque por dia para mulheres e no máximo 2 drinques por dia para homens.
  • Não fume e evite ser um fumante passivo.
  • Faça consultas periódicas, dosando os níveis sangüíneos de colesterol pelo menos uma vez ao ano e meça sua pressão arterial regularmente. Veja com seu médico se você pode tomar uma aspirina diariamente.
  • Leve a vida com mais humor e aprenda a controlar melhor o estresse. Por exemplo, se o excesso de trabalho está tirando sua paz de espírito, fique sabendo que quem trabalha muito, erra muito. Quem trabalha pouco, erra pouco. Quem não trabalha, não erra. E quem não erra é promovido. Pense nisso.

18 janeiro 2009

AS LEIS DO COMBATE

© Dr. Alessandro Loiola



Esta semana, atendi uma paciente típica. Jovem, sem filhos, veio queixando palpitações, insônia, dores musculares e um profundo desânimo. A fonte de tudo, segundo a querelante, era o bendito casamento. O namoro e o noivado haviam sido 99% e ela esperava que o 1% restante viesse com a troca de alianças. O que aconteceu foi exatamente o inverso, e ambos entraram em uma rotina de troca de tiros sem fim.

O que ela foi fazer no consultório? Queria alguns remédios para acabar com o estresse. Pensei em dizer “cicuta, para seu marido, um copo cheio à noite”, mas me segurei. Tratar o marido seria manter o foco nos sintomas, não na causa. E a causa não era o casamento. Eram as expectativas que tinha da vida.

Como toda mulher com menos de 30 anos e relativo sucesso no começo de sua carreira profissional, ela trazia um roteiro detalhadamente resolvido do seu futuro. Neste roteiro, o marido constava como um personagem, não como uma pessoa. Poderia-se dizer que a diferença entre ele e o boneco sobre o bolo era de apenas alguns quilos de cera. A instituição do casamento em si tinha menos importância que a geladeira frost free de última geração vazia decorando a cozinha.

Terminei liberando-a com a receita de sedativos e antidepressivos que tanto queria - ela estava a caminho de uma reunião urgente e não podia se atrasar nem mais um minuto. Uma pena. Se tivesse mais tempo, teria apresentado algumas diretrizes que todo jovem cônjuge deveria conhecer, e que eu chamo de As Sete Leis do Combate:

1. “O quartel general só vem em dois tamanhos: grande demais e pequeno demais”. Acostume-se. Ninguém chegará perfeito e acabado para suas necessidades. O príncipe encantando precisará sempre de alguma reforma. Ele deverá ser medido, esticado, cortado, remendado, adubado, podado, etc. Boa parte das pessoas que sofrem com seus relacionamentos – e com a própria vida - sofre porque não querem fazer o que sabem que têm que fazer. Ponha mãos à obra.

2. “Se tudo está bem, atenção! O inimigo invariavelmente ataca em duas situações: quando você está preparado e quando você não está preparado”. Assim também ocorrem as crises. Elas virão quando você estiver em pé de guerra, de TPM ou após uma noite inteira de choro do bebê, mas também e surpreendentemente quando o casamento estiver em um mar de rosas. Manter as antenas ligadas para o menor sinal de crise significa metade da solução do problema.

3. “Se você estiver em dúvida, atire. Se continuar em dúvida, atire até ficar sem balas. Qualquer coisa que você fizer - inclusive nada - poderá tornar você mais uma vítima do fogo inimigo”. Calma, isso não quer dizer que você terá razão absoluta todas as vezes que o bicho estiver pegando. Significa que, se você perceber que o relacionamento não está sendo uma fonte de alegria para ambos, algo deve ser feito ainda hoje. Uma boa conversa costuma ser um bom começo.

4. “Se as ordens puderem ser confundidas, elas serão”. A sensibilidade masculina estagnou logo após o Pleistoceno superior, tornando nosso córtex cerebral pouco especializado para a compreensão de indiretas. Por isso, seja clara e específica ao expor o que está lhe incomodando. Lembre-se: quando existe afeto, lágrimas femininas são a maior força hidromotriz deste mundo. O mesmo vale para algumas lingeries.

5. “O alcance de uma granada é sempre maior que a distância que você é capaz de pular”. Muito cuidado ao jogar ultimatos sobre a mesa. Pessoas são como navios: elas podem até mudar de curso, mas costumam fazer isso bem devagar. Assim, se você estiver sem paciência e pensando em explodir o relacionamento, pense duas vezes: será que você estará longe o suficiente para escapar ilesa dos estilhaços? Algumas cicatrizes emocionais podem durar tempo demais.

6. “Se o inimigo tiver muita dificuldade para entrar, provavelmente você também terá dificuldade para fugir”. Construir seu casamento apenas para sustentar um padrão de comportamento para seus pais ou para a sociedade, é como viver em uma prisão de tijolos de ouro. Faça com que sua felicidade – e a de quem você ama - seja como uma porta aberta para o mundo. Nada de falsas amarras ou grilhões de chantagens.

7. “Existe sempre um caminho, mas lembre-se: o caminho mais fácil quase sempre está minado”. Cuidado extra com as soluções práticas. Em alguns casos, elas podem estar apenas escondendo sua própria imaturidade disfarçada de conveniência, não levando a crescimento pessoal algum. Vocês não nasceram juntos e não precisam morrer juntos, mas não permita que algumas pequenas diferenças no princípio inviabilizem as infinitas possibilidades do futuro.

30 outubro 2008

CORAÇÃO DE MULHER

© Dr. Alessandro Loiola


- O negócio é o seguinte: mulher é um bicho complicado. Um bicho muito complicado!... - estava começando meu almoço e o amigo/conhecido, recentemente moído por uma experiência sentimental mal-sucedida, sentou-se descascando sua laranja:
- ... Pra você ter uma idéia, concluí que mulher não gosta de homem. Mulher gosta de dinheiro, sapatos de salto alto, cartão de crédito sem limite... nem de falar de homem, mulher gosta. Elas gostam mesmo é de falar de outras mulheres.
- Hum... ?
- É isso aí. Vá até uma banca, procure revistas para homens. O que você espera ver? Fotos de mulheres. Mulheres com roupa, mulheres sem roupa, mulheres com carros, mulheres na praia, mulheres em todo canto... e uma ou outra foto de um sujeito com cara de Zé fazendo alguma coisa pouco interessante. Agora, procure por revistas voltadas para mulheres. O que você verá?
- Nem imagino... – respondi lacônico, enquanto tentava decifrar porque o arroz tinha gosto idêntico ao da batata cozida. Esse sabor unânime da comida de hospital sempre foi um mistério para mim.
- Pois eu lhe digo: você verá a mesmíssima coisa ! Algumas vezes a revista traz “dez técnicas para acabar com a celulite”, “20 maneiras para vencer suas rugas”, ou “30 dicas quentes para estar na moda neste inverno”, mas no bojo, é tudo igual. Só tem mulher em revista de mulher.
- Olha, de repente se você trocar de revistas...
- Não adianta. Nós só pensamos em mulheres. Elas, idem. Mulheres... ô bicho complicado !

Realmente, entender as mulheres é tarefa para poucos profissionais. No meu caso, me considero no máximo um amador genuinamente interessado. Ainda assim, fui pesquisar para ver se o amigo de cotovelo quebrado possuía alguma razão. Terminei deparando com um outro fato interessante: a absoluta escassez de textos sobre problemas cardiovasculares nas publicações que se dizem voltadas para o ex-sexo frágil.

Páginas, entrevistas e testemunhos sobre AIDS, câncer, menopausa e infidelidade sobram para todo lado, mas pouco se fala sobre a saúde do coração feminino. Saúde orgânica, entenda-se. Apenas nos EUA, mais de 260.000 mulheres morrem anualmente vítimas de ataques cardíacos, um número 5 vezes maior que as mortes causadas pelo câncer de mama.

As mulheres possuem um risco de complicações mais de duas vezes maior que os homens quando se trata de doenças do coração. O motivo? Os sintomas raramente são típicos, provocando atrasos graves na detecção e tratamento do problema.

Dormências no pescoço, dores no meio das costas ou na região do queixo, fôlego
curto, vertigens, náuseas e vômitos podem sinalizar distúrbios cardíacos nas mulheres. Entretanto, como estas manifestações não costumam ser associadas imediatamente a problemas no coração, o diagnóstico correto demora a ser feito, aumentando a incidência de fatalidades.

Para cuidar melhor do seu coração, toda mulher deveria ter na ponta da língua 3 recomendações simples:

1. CONHEÇA SEUS RISCOS. O uso simultâneo de cigarro e pílulas anticoncepcionais aumenta consideravelmente o risco de ataques cardíacos e derrame. A terapia de reposição hormonal, indicada em alguns casos de menopausa, também pode aumentar suas chances de infarto. Converse com seu médico.

2. ATENÇÃO PARA SINTOMAS POUCO SUSPEITOS. Ao invés da clássica dor tipo aperto no lado esquerdo do peito, mulheres que sofrem de doenças do coração tendem a se queixar de dores nos braços, pescoço, costas ou boca do estômago, associadas a palpitações, suores e vertigens. É lógico que estes sintomas podem ocorrer em inúmeras outras situações, mas não deixe de pensar que eles também podem significar problemas no coração. Aja rápido.

3. FAÇA SEU DEVER DE CASA. pratique regularmente uma atividade física para manter a pressão arterial em 120/70. Trinta minutos de caminhada rápida pelo menos 3-4 vezes por semana, se possível temperados com exercícios de alongamento, meditação e controle da respiração, são uma boa ajuda neste sentido.

Siga uma dieta saudável capaz de elevar o colesterol bom (HDL) acima de 50 mg/dL e segurar os níveis de triglicerídios abaixo de 150 mg/dL.

E, finalmente, se quiser voltar ao seu peso ideal perdendo de uma só vez 80 Kg de gordura inútil, despache seu marido ou namorado para tirar uma foto de um iaque no Tibet. Porque, olha: homem é um bicho complicado. Um bicho muito complicado.

22 setembro 2008

MURPHY, OS METAIS E O ELEFANTE: FAÇA SUA ESCOLHA

© Dr. Alessandro Loiola


Diariamente, entram no consultório mais e mais exemplares de uma raça cuja reprodução parece ir de vento em popa: a dos Reclamadores Crônicos. É o tal sujeito que reclama da falta de chuva no dia ensolarado e da falta de um solzinho no dia chuvoso. Que a comida estava muito quente ou muito fria. Que a esposa ou o marido ou o emprego lhes causa tédio demais ou lhes dá nos nervos demais.

É difícil concordar com o raciocínio destes seres que reclamam sem parar. Vivemos as conseqüências de nossas próprias opções. Alguém está obrigando você a viver nesta cidade, neste país, naquele emprego, com aquela pessoa ou com este exato estado de humor? Não. Tudo é fruto de suas escolhas. Podem não ser escolhas fáceis, mas ainda assim são escolhas. E acredite: é você quem decide.

Apesar dos dissabores, os Reclamadores Crônicos parecem seguir uma marcha inexorável em direção ao domínio do mundo. Como estão conseguindo esta proeza? Três teorias do comportamento podem ajudar a responder este mistério:


TEORIA UM: A LEI DE MURPHY

“Se alguma coisa pode dar errado, dará”. Quase sempre, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível. Este raciocínio típico possui muitos adeptos e é como um batismo para os novos candidatos a Reclamadores Crônicos.

Alguns exemplos práticos da Lei de Murphy: as peças que exigem maior manutenção quase sempre estão no local mais inacessível do aparelho. Ao vasculhar uma gaveta, você só encontra aquilo que não está procurando. Quando o telefone toca, se você tem caneta, não tem papel. Se tem papel, não tem caneta. Quando finalmente pega ambos, o telefone se cala. E se você jogar fora alguma coisa que tem guardada há muito, muito tempo, vai precisar dela logo, logo.
Um Reclamador Crônico que se preze traz em seus genes uma mensagem clara da Lei de Murphy: a Natureza opera a favor da falha. E ele mesmo, o Reclamador Crônico, sente-se uma prova viva disso.


TEORIA DOIS: O CÓDIGO DOS METAIS

Este nobre código de comportamento é constituído por 4 regras consecutivas, encabeçadas pela Regra de Ouro: “faz aos outros o mesmo que desejas que te façam”.

O risco de falências judiciais associadas à prática da Regra de Ouro resultou em uma adaptação do código mais fácil de ser seguida, chamada Regra de Prata: “não faça aos outros o que não desejas que te façam”.

Como tudo que foi mudado pode ser melhorado para pior, à Regra de Prata seguiu-se a Regra de Bronze: “faz aos outros o que te fazem”.

Porém, a versão mais atual do Código de Conduta dos Metais, editada pelos Reclamadores Crônicos, recebeu nome de Regra de Ferro. Este exemplo de puro altruísmo humano prega o seguinte: “faz aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo!”. Simplesmente magnânimo.


TEORIA TRÊS: O PRINCÍPIO DOS CEGOS E O ELEFANTE

A Lei de Murphy explica como os Reclamadores Crônicos nascem (negativismo), e o Código dos Metais elucida como eles se multiplicam (por vingança). Mas por que eles não melhoram com o tempo? A explicação pode estar no Princípio dos Cegos e o Elefante, derivado da fábula indiana de mesmo nome.

Na fábula, alguns cegos decidiram aprender o que era um elefante tocando partes diferentes do animal. Um tocou o lado do corpo do elefante e o descreveu como uma parede. Outro tocou a tromba, e ficou convencido de que o animal era como uma serpente. O que tocou o joelho disse tratar-se de uma árvore. O que tocou as nádegas disse que aquilo tudo não passava de uma grande mmm... bem, você captou a idéia.

Mais tarde, ao se reunirem, os cegos se envolveram em uma discussão acalorada. Cada um tinha sua própria versão do bicho, mas nenhuma delas parecia se encaixar com a do outro. Embora estivessem individualmente certos, a intolerância em compreender a verdade do próximo impedia a todos de entender o que era realmente o paquiderme.

Assim como os cegos e o elefante, os Reclamadores Crônicos palpam um fio do cabelo do nariz da vida e aquilo lhes basta para conceber uma seqüência infinita de dificuldades e tristezas. Apegados às suas meias-verdades, eles não entendem que nossas opiniões mais fervorosas são apenas construções frágeis que criam a ilusão de que sabemos alguma coisa – quando não sabemos de coisa alguma.

Juntamente com a existência, você recebeu de presente duas possibilidades: desperdiçar primaveras reclamando de qualquer novo detalhe que a vida lhe oferecer, ou maravilhar-se continuamente com a imprevisibilidade de cada minuto. A escolha é simples – e sua apenas. Faça-a da melhor maneira possível. Só não venha reclamar depois no meu ouvido.


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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

25 agosto 2008

MULHERES PESO PESADO

© Dr. Alessandro Loiola


Com toda a movimentação em torno das Olimpíadas, é praticamente impossível escapar das manchetes. Acredito que vai ser assim mesmo até o dia 24 de agosto, quando a festa termina. Não sou grande fã de esportes, mas um outro flash termina atraindo a atenção da gente.

Por exemplo: não tem como não parar na frente da TV durante um nado sincronizado ou uma partida feminina de vôlei de praia. Fala sério. Duplas femininas de vôlei de praia. Aquilo é que é boa forma, meu camarada. Paro até para ver enquanto estão enxugando a quadra. Não me chame de machista: culpe o par Y do meu cromossomo X. Eu sou apenas um fenótipo. Ele é que manda.

E os esportes de hoje em dia? É um tal de mountain bike cross-country, vela yngling, skiff duplo peso leve, fossa olímpica dublê, badminton, softbol, misto finn... Nesses, eu nem me arrisco. Espero um pouco mais e volto no canal da praia para ver se terminaram de arrumar a areia. Melhor não forçar tanto as coronárias.

Dias atrás, levei um susto com uma moça chinesa, Chen Yanging, medalha de ouro em levantamento de pesos: a criança levantou 244 Kg ! Cá entre nós: no total, são quase 6 Sandy, da ex-dupla Sandy e Júnior! Tem que respeitar.

Com a conquista da Srta. Yanging, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Nós, médicos, sempre recomendamos aos nossos pacientes que pratiquem esportes aeróbicos, como correr ou caminhar. Mas será que mulheres deveriam levantar pesos?

A resposta é sim, por vários motivos:

- A musculação aumentará sua força física, lhe deixando menos dependente dos outros no dia a dia. Desde dar um puxão de orelha no seu filho adolescente, que agora tem 1.90 m de altura e pesa mais que a mesa de granito da sala, até fazer compras e levar seu notebook para o trabalho, aumentar sua força é sempre uma boa idéia. Estudos recentes mostram que rotinas moderadas de musculação podem aumentar sua força física em 30-50% em poucas semanas.

- Você irá perder peso! Fazer musculação duas a três vezes por semana por 2 meses fará você ganhar pelo menos 1 Kg de músculos puros e perder 2 Kg de gordura. À medida que sua massa muscular aumenta, o mesmo ocorre com sua taxa de metabolismo basal, facilitando o emagrecimento e a manutenção do peso ideal. Para cada 500 gramas de músculos, você queimará 35-50 calorias a mais diariamente.

- Você ganhará forma sem parecer disforme. A musculação habitual não irá lhe deixar parecendo uma versão feminina do Arnold Schwarzenegger. Em comparação aos homens, as mulheres têm 10 a 30 vezes menos hormônios que causam hipertrofia muscular. O levantamento de pesos lhe dará tônus e definição muscular.

- A musculação é capaz de aumentar a densidade mineral óssea em 13% em apenas 6 meses, reduzindo a possibilidade de osteoporose.

- A musculação reduz o risco de dores nas costas, estiramentos, entorses e atrite. Os exercícios de musculação direcionados para o fortalecimento da região lombar são capazes de aliviar 80% dos casos de crises dolorosas neste local.

- Levantar pesos diminui o risco de doenças cardíacas. O efeito ocorre através da redução do colesterol LDL (“colesterol ruim”), aumento do colesterol HDL (“colesterol bom”) e redução da pressão arterial.

- A musculação diminui o risco de diabetes. Os estudos mostram que exercícios regulares envolvendo levantamento de pesos são capazes de melhorar o metabolismo da glicose em 23% em apenas 4 meses.

- Levantar pesos ajuda a combater o desânimo e a depressão. Pesquisas realizadas em Harvard descobriram que 10 semanas de musculação possuem quase o mesmo efeito que a psicoterapia no tratamento dos sintomas da depressão leve a moderada. Mulheres que malham regularmente em geral se sentem mais auto-confiantes e capazes – ambos fatores essenciais para combater a depressão.

O ganho de massa muscular e o aumento da força física são possíveis em qualquer idade, até mesmo em mulheres com mais de 70 ou 80 anos. Sua independência está intimamente associada à saúde da sua mente e à força dos seus músculos. Quanto mais tempo você mantiver ambos, mais poderá curtir e fazer as coisas que gosta.

Para extrair o melhor dos exercícios, lembre-se sempre de começar passando pela avaliação de um profissional de Educação Física capacitado e, de preferência, obtenha uma liberação do seu médico de confiança para a prática do esporte que você escolheu.

Daí em diante, nem o céu – tampouco a China - é o limite!

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

19 agosto 2008

A 180 CAVALOS PARA A ETERNIDADE

Curiosamente, ainda tem gente reclamando da Lei Seca, que vem provocando uma revolução silenciosa em nossas estradas. Dada minha profunda admiração pela inteligência (inteligência?) humana, só posso concluir que os reclamantes são:

(1) Vendedores de bebidas alcoólicas preocupados que a Lei possa atingir o Nervo Bolsoriano, ramo do Plexo Carteiral e um dos mais dolorosos do corpo; ou

(2) Alcoólatras convictos, ofendidos pela idéia preconceituosa de que pessoas embriagadas podem não saber dirigir direito; ou

(3) Completos ignorantes de carteira assinada. Iria dizer burros mesmo, mas talvez essa palavra seja um tanto forte e provoque indignação entre nossos parentes ungulados. Vamos ficar apenas com “ignorantes”. Assim eles ganham tempo para se informar sobre o que estão defendendo.

Minha contribuição para o terceiro grupo segue na crônica de hoje. Se não for suficiente, saia da teoria para a prática: procure um pronto-socorro e passe um fim de semana inteiro por lá, se deliciando com a construtiva mistura entre álcool e veículos motorizados – e depois a gente conversa.

Boa leitura,

Dr. Alessandro Loiola.

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A 180 CAVALOS PARA A ETERNIDADE

© Dr. Alessandro Loiola


Tendo uma ótima xícara de capuccino por testemunha, abro uma revista local e sou avisado de que a montadora X está disputando com a montadora Y o título de “carro mais veloz fabricado do Brasil”. Ambas estão produzindo máquinas com mais de 180 cavalos de potência capazes de acelerar a 220 Km/h e além.

Na página ao lado, uma imensa propaganda de festa de axé e abadás patrocinados por uma cervejaria. Palmas para o diagramador: carros lado a lado com bebidas alcoólicas. Excelente associação.

Na época das primeiras locomotivas, algumas pessoas temiam embarcar nos trens e morrer por falta de oxigênio: um punhado dos cientistas de então chegou a afirmar categoricamente que a velocidade do trem seria suficiente para sugar todo o ar de dentro dos vagões quando alcançasse os espantosos 90 Km/h de velocidade! Os bólidos atuais de fórmula 1 alcançam velocidade mais de 3 vezes superiores a esta, e não tenho notícia de mortes de pilotos por sufocação a vácuo.

O desejo por automóveis cada vez mais rápidos é um paradoxo quando observamos as ruas das cidades cada vez mais cheias de gente e as estradas, de buracos. Não por acaso, os pretensos ases do volante e seus motores de última geração respondem por cerca de 100 mortes no trânsito por dia na nação tupiniquim.

Apenas como comparação, em cinco anos de guerra no Iraque morreram algo como 4.000 soldados americanos em combate. Nossa guerra de automóveis é 50 vezes mais letal que vestir um uniforme do Tio Sam e enfrentar terroristas nos desertos do Oriente Médio.

No fundo, como a própria página de revista sugeriu, o que torna um carro brasileiro mais mortífero que um muçulmano injustiçado é a dobradinha volante x bebida alcoólicas. Mais de 60% dos acidentes automobilísticos com mortes foram antecedidos por goles “inofensivos” de louríssimas geladas e outros compostos etílicos.

Este corpo que você carregará consigo para a balada à noite ou para o churrasco no final de semana é composto basicamente por água, algumas pitadas de sais minerais e uns outros temperos exóticos. O álcool tumultua o equilíbrio dessas substâncias. Após a ingestão de pequenas quantidades, ele se distribui rapidamente por todos os tecidos, com uma preferência especial pelo cérebro.

Os sintomas iniciais de embriaguez incluem excesso de autoconfiança (“deixa que eu dirijo, não tô tão ruim assim não, pô, coalé... !”), redução do campo de visão (“... fala sério: só me diz cadê a praga da chave do carro?“, “aqui, na sua frente, ó..”), alteração da audição (“Heeiin?!?”) e do senso de equilíbrio (“péra que agora eu acerto o buraquinho da *ic* ignição...”).

A animação inicial não é nada mais do que a anestesia dos centros cerebrais responsáveis pelo controle do comportamento. Esta anestesia leva um certo tempo para passar. A eliminação do álcool não pode ser acelerada por exercícios físicos, banhos gelados ou remédios. Um bom café forte irá apenas transformar um bêbado sonolento em um bêbado acordado. A mudança dos fatores não irá alterar o produto.

Tudo que você pode fazer para se livrar da intoxicação alcoólica é esperar o tempo necessário para que o fígado metabolize e neutralize o álcool. Na maioria das pessoas, este processo leva 6 a 8 horas. Tenha paciência.

Se você consumiu duas latas de cerveja ou dois copos de vinho, você provavelmente conseguiu ultrapassar o limite considerado seguro e, de acordo com a Lei (não ria: dizem que ela, a Lei, existe mesmo), já pode ser considerado embriagado. Meus parabéns. Agora mire no pedestre mais próximo e ganhe bônus para a fase seguinte do jogo: enquanto você diz se arrepender, o infeliz inocente desencarnado pela sua ignorância apodrece debaixo da terra.

É uma troca justa ou engraçada? Antes de rir, feche os olhos e responda: se o tal inocente fosse seu pai, mãe, filho ou filha, qual a cor da coroa de flores que ficaria mais bonita no velório?

Para os alcoólatras motorizados deixo duas perguntas finais: todo mundo morre um dia, mas para que a pressa? E por que tanta questão de levar outros com você?

Diabos, não parece uma mensagem difícil de entender: se dirigir, não beba! Se beber, não dirija - ou certifique-se de ter um bom plano funerário. Assim você poderá pegar seu carro-arma-de-destruição-em-massa e passar tranqüilamente a mais de 180 cavalos por hora para a eternidade. Tenha uma boa viagem.

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

11 agosto 2008

A DESCONSTRUÇÃO DA CIÊNCIA

© Dr. Alessandro Loiola


Um saudoso professor costumava nos dizer, enquanto fazia sua corrida matinal de leitos:

- Vocês um dia estarão lá fora, clinicando e tratando seus pacientes, e devem saber o quanto antes que a medicina não é, nem nunca pretendeu ser, uma ciência exata, isenta de falhas. Assim que receberem seus carimbos, vocês verão que nossa vida profissional é uma eterna alternância entre 3 grandes categorias de médicos.

Ele fazia uma pausa, segurando um prontuário qualquer como o bom ator que espera sua deixa, e então alguém perguntava:

- Quais categorias, professor?

Levantando as sobrancelhas e olhando por cima dos óculos, sem largar o prontuário, ele concluía solenemente:

- Os que erram muito, os que erram pouco e os que só erram.

Essa história me veio à cabeça quando, durante um intervalo no hospital, uma auxiliar de enfermagem veio me perguntar assim, na surdina, como quem conta um segredo terrível ou uma infidelidade digna da Santa Inquisição:

- Doutor, o que o senhor acha da auto-hemoterapia?

E eu que achei que este assunto estava morto e enterrado. Mas não está. Graças a um posicionamento absolutamente precipitado das sociedades de especialistas, a auto-hemoterapia foi banida da prática médica.

Sob o pretexto de que “não existem evidências científicas favoráveis comprovando sua eficácia”, a auto-hemoterapia foi execrada ao limbo da charlatanice. De quebra, ao fazer propaganda da técnica, o médico carioca Dr. Luiz Moura terminou tendo seu registro cassado no Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 2007. Mas isso não fez a auto-hemoterapia desaparecer – ela ainda acontece, na penumbra.

Não sou defensor da auto-hemoterapia. Concordo com seus acusadores: realmente faltam evidências sólidas. Mas, pensando cá com meus botões, então não seria o caso de ir atrás destas evidências, sejam elas boas ou desfavoráveis? Bastaria seguir os mesmos protocolos de pesquisas clínicas utilizados há décadas para avaliar novos antiinflamatórios, novos antibióticos, novas próteses, novas tecnologias - vide desde a cirurgia videolaparoscópica até os recentes avanços nas pesquisas com células-tronco.

Mas não, não houve racionalidade ao lidar com a auto-hemoterapia. Houve, sim, uma deterioração da ciência em prol de uma agenda obscura de intolerância com o novo. Curiosamente, uma agenda brandida com ares de indignação pelos mesmos bispos que deveriam defender o pensamento científico livre, leve e solto.

Como seremos capazes de enxergar o novo se continuamos saindo de casa doutrinados para ver somente as mesmas coisas de sempre?

Se você já estudou termodinâmica, certamente conhece a escala de Kelvin de temperaturas absolutas, batizada em nome do gênio William Thomson, brilhante matemático e físico irlandês também conhecido como Lorde Kelvin. Dentre as inegáveis contribuições deste homem à ciência, constam algumas bem embaraçosas.

Apesar de ser um profundo conhecedor da engenharia e da eletricidade, em 1895 Lord Kelvin profetizou: “máquinas voadoras mais pesadas que o ar não são possíveis”. Em 1897, outra pérola: “o rádio não tem futuro e os raios-X são um embuste!”. E, na aurora do Século XX, encenou sua derradeira e mais célebre escorregadela ao dizer que “a física já descobriu praticamente tudo que havia para descobrir no Universo”. Um certo Albert Einstein mostraria alguns anos depois que o buraco era um pouco mais embaixo.

A ciência biomédica está repleta de equívocos semelhantes, opiniões jogadas ao ar antes de serem submetidas ao escrutínio do método científico. Frases de efeito que mais parecem frases de defeito.

"A teoria dos germes de Louis Pasteur é uma ficção ridícula", escreveu Pierre Pachet, Professor de Fisiologia em Toulouse, 1872.”O abdome, o tórax e o cérebro permanecerão para sempre além do alcance de qualquer cirurgião humano”, disse, em 1873, Sir John Eric Ericksen, cirurgião da coroa britânica. "Não teremos artrite no ano 2000”, vaticinou o famoso reumatologista Dr. William S. Clark, em 1966.

Ah, nada como o tempo para mostrar que o futuro não é mais aquilo que costumava ser...

Enquanto a orgulhosa ciência médica torna-se ela própria uma forma religião, escravizada no apego irrestrito às normas e preceitos em detrimento da lógica, me pergunto: estamos construindo faculdades de medicina ou igrejas, templos e seitas que pregam não o amor à ciência e à curiosidade altruísta, mas uma louvação cega a dogmas empoeirados?

Nesta fogueira tão antiga, onde o preconceito ainda reina como cultura, a auto-hemoterapia e o ex-Dr. Luiz Moura foram apenas os gravetos mais recentes. Outros virão. É preciso alimentar a chama. Valha-me Santo Prometeu, filho de Jápeto! Amém.

05 agosto 2008

BURSITE NA IDADE DAS MARAVILHAS TECNOLÓGICAS

© Dr. Alessandro Loiola


As Bursas são “almofadas” achatadas que atuam como amortecedores, facilitado a movimentação dos músculos durante a fase de contração. Nós, mamíferos quase desenvolvidos, possuímos aproximadamente 160 bursas espalhadas pelo corpo. A inflamação das bursas, ou bursite, é um distúrbio comum, podendo ser causada por esforços repetitivos, alterações inflamatórias e processos infecciosos

Os sintomas da bursite variam de acordo com o local afetado. Na maioria dos casos, a dor costuma ser bem localizada, dificultando a realização de movimentos específicos. Por exemplo, no ombro, a bursite pode dificultar atividades repetitivas com o braço elevado, como erguer cargas acima do nível da cabeça. No cotovelo, a bursite pode se manifestar como dor e dificuldade para esticar o braço.

A maior bursa do corpo está localizada nos quadris. É a bursa do Iliopsoas. Ela pode ser inflamada em doenças como artrite reumatóide, osteoartrite e em lesões por esforço repetitivo – por exemplo, em pessoas que praticam corrida. As principais manifestações da bursite do Iliopsoas incluem dor na movimentação da perna e na região da virilha do lado afetado.

Existe uma bursa na raiz da coxa chamada Bursa Trocantérica. Sua inflamação manifesta-se com dores nos quadris e na coxa, sendo relativamente comum em mulheres entre 40-60 anos de idade. Caminhar ou deitar sobre o lado afetado piora a sensação de desconforto.

Por serem articulações bastante exigidas, os joelhos também são protegidos por bursas, principalmente na altura da rótula. As bursites nesta região podem ocorrer após quedas ou por ficar muito tempo ajoelhado. Outras causas comuns incluem artrite reumatóide e gota. As principais manifestações incluem dor para flexionar o joelho e dificuldade para andar e subir escadas.

Finalmente, a região do calcanhar é outro local comum de bursite. A bursite do calcâneo é mais observada em pessoas que possuem esporões no osso do calcanhar ou fazem uso contínuo de sapatos de salto alto. A dor pode ser intensa o suficiente a ponto de impedir que a pessoa caminhe direito.

O diagnóstico de uma bursite é relativamente simples, desde que se levante a suspeita correta. Havendo dúvidas, o médico poderá solicitar ultra-sonografias ou uma ressonância nuclear magnética. Exames de laboratório e radiografias não são úteis para detectar a maioria das bursites.

Em boa parte dos casos, o tratamento consiste em repouso, compressas quentes e geladas, elevação do membro afetado e antiinflamatórios. Se o local for acessível e a dor, muito intensa, podem ser realizadas infiltrações com anestésicos e corticóides no local. Bursites recorrentes podem necessitar remoção cirúrgica da bursa afetada, mas este procedimento deve ser reservado como último recurso.

Felizmente, com o tratamento adequado, praticamente todas as pessoas se recuperam bem e sem seqüelas.

Todo esse papo serviu só de pano de fundo para contar a história de um colega médico que acabara de receber um moderníssimo aparelho para detectar casos de bursite. Curioso e sabidamente sofredor de uma dor crônica no ombro, colocou um pouco de sua própria saliva no frasco de exame. Em 2 segundos o computador cuspiu o diagnóstico: “bursite no braço direito”.

Impressionado, chamou a esposa para fazer um teste. Misturou a saliva de ambos no frasco, colocou no analisador e o computador sentenciou: “bursite no braço direito e esposa estourou limite do cartão de crédito”. Incrível !, exclamou, mais por causa da precisão da máquina que do limite do cartão estourado.

Ainda querendo explorar o potencial daquela maravilha tecnológica, decidiu levar um tubo de coleta para casa. Pegou amostras da filha, do cachorro, do motor do carro, e misturou, misturou, misturou e misturou mais um pouco. No dia seguinte, voltou à máquina. Dessa vez, foram necessários quase 10 segundos de análise até que o computador respondesse em alto e bom som:

“Esposa estourou o limite do cartão, filha grávida, carro precisa de alinhamento urgente, o vira-lata está com sarna e da próxima vez que for sacudir o bendito frasco de exame, utilize o braço esquerdo, PORQUE O BRAÇO DIREITO ESTÁ COM BURSITE SEU ZÉ ORELHA...!”.

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

08 julho 2008

FALANDO SÉRIO: VISTA ESTA CAMISA !

© Dr. Alessandro Loiola


Há cerca de 50 anos, gonorréia, sífilis e gravidez eram as doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns. Foram tempos afrodisíacos, em que a maioria dos problemas sexuais podia ser resolvida com uma dose de penicilina ou um ótimo bolo de casamento. Mas as décadas voaram e surgiram novos vilões, como hepatite B, HPV, HIV, clamídia, vaginite, uretrite e pensões alimentícias com execução judicial.

Estas e outras DST afetam milhões de pessoas a cada ano, e vários milhares ficam gravemente enfermos ou morrem. No meio do tiroteio entre fungos, vírus, bactérias, homens mulherengos (perdão pela redundância....) e ex-esposas furiosas, como se proteger ?

Abster-se de sexo é a única proteção absoluta contra as DST e qualquer um que mantenha relações sexuais está sob risco de adquirir uma dessas moléstias. Talvez a abstinência não esteja no topo da sua lista de opções viáveis. Neste caso, para alívio seu e dos demais seres humanos sexualmente ativos na Via Láctea, existe uma saída: a camisinha. A camisinha é um meio barato e eficaz de reduzir as possibilidades de contágio e gestações indesejadas.

Pesquisas mostraram que se a camisinha for utilizada corretamente a cada ato sexual durante um ano, é esperado que apenas 3 em cada 100 mulheres fiquem grávidas. O uso incorreto – e não a má-qualidade da camisinha – é o que leva à maioria dos insucessos.

Os preservativos de látex, ao evitar contato com secreções corporais, agem como uma barreira contra uma grande variedade de agentes infecciosos. O espermicida nonoxinol-9, utilizado em alguns preservativos, é eficaz como contraceptivo e pode reduzir o risco de transmissão de algumas DST (com exceção do HIV).

E anote aí outras dicas valiosas para tirar o máximo proveito dos preservativos:

Para Eles

· Alguns homens possuem alergia ao látex, mas nem por isso não podem usar camisinhas: existem preservativos de poliuretano, que não produzem alergia.
· Guarde as camisinhas em um lugar fresco e seco, longe da luz do sol. Não cometa o erro comum de guardá-las desprotegidas no porta-luva, na carteira ou na bolsa. Isso pode danificar o látex e inutilizar o preservativo.
· Uma camisinha é várias vezes mais barata que uma caixa de antibióticos ou um pacote de fraldas descartáveis. Por isso, verifique a embalagem e a qualidade do látex. Se algum dos dois não lhe parecer seguro, jogue o preservativo fora e compre um novo.
· Observe sempre o prazo de validade e não utilize camisinhas com mais de 5 anos de fabricação. E nunca, nunca mesmo, reutilize uma camisinha. Principalmente se não for a sua!
· Na empolgação, cuidado para não danificar o preservativo com unhas, dentes ou outros objetos pontiagudos ou cortantes, como chicotes de couro, chaves de fenda e furadeiras de impacto Black & Decker.
· Uma boa lubrificação durante a relação torna tudo mais fácil. Apenas evite lubrificantes à base de óleos (p.ex.: vaselina e óleo de cozinha) pois eles podem enfraquecer o látex.

Para Elas

· Pílulas protegem contra gravidez mas não evitam DST. Você pode contrair HIV, HPV, gonorréia ou hepatite B mesmo tomando a pílula anticoncepcional. O mesmo vale para os diafragmas.
· A camisinha feminina existe, é confiável e oferece um bom nível de proteção contra gravidez e DST. Mas não a utilize junto com o preservativo masculino. Elas simplesmente não permanecerão no lugar.
· No período de um ano, espera-se que 5% a 21% das mulheres que utilizam a camisinha feminina fiquem grávidas. Da mesma forma como ocorre entre os homens, boa parte dos insucessos se deve ao uso incorreto do preservativo.

Para Eles e Elas

Tenha consciência de que camisinhas não são métodos 100% confiáveis e que o comportamento sexual de baixo risco é um dos meios mais seguros para manter-se longe das DST. Contenha seu entusiasmo, permita que seu cérebro faça a parte dele e visite regularmente seu médico.


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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

23 junho 2008

URGÊNCIA EM CASA

© Dr. Alessandro Loiola


Entre uma manchete e outra de bombeiros que fazem partos e salvam pessoas pelo telefone, vou me perguntando porque tanta gente jamais se preocupou em ter noções básicas sobre como proceder em situações de urgência e emergência em casa.

Em países mais desenvolvidos, as crianças treinam periodicamente para sair da escola em caso de incêndio, e os requisitos de primeiros socorros realmente são levados a sério. Não se trata apenas de marcar um “x” na questão certa para tirar a carteira de motorista: estamos falando de salvar vidas humanas, sabe? Alguém como eu, você ou nossos filhos.

A saúde não é um jogo de azar. Arriscar contra a própria sorte é uma aposta perigosa ou, no mínimo, pouco sensata. Por isso, todo mundo deveria aprender a reconhecer uma emergência médica em potencial. Saber como agir corretamente nestes casos é uma das coisas mais importantes que você pode fazer pela saúde de sua família.

Tudo bem, algumas vezes é difícil diferenciar uma emergência de verdade de um problema corriqueiro, e apenas um médico estaria capacitado para estabelecer o diagnóstico preciso. Estaria, porque do jeito que a educação médica vai por esses dias, em breve os diagnósticos serão dados por cartomantes ou biscoitinhos de restaurantes chineses.

Ainda assim, existem algumas situações que sugerem urgência e justificam uma ida mais rápida ao pronto socorro mais próximo, tais como: dificuldade para respirar, dor ou sensação de pressão no abdome, desmaios, tonteiras súbitas, alterações do estado mental (p.ex.: confusão, comportamento bizarro, etc), sangramentos que não cessam após 10 minutos de pressão contínua, vômitos intensos ou persistentes, tosse ou vômitos com sangue e uma pessoa apresentando tendências suicidas ou homicidas.

Tenha sempre à mão o endereço do local de pronto-socorro mais próximo – chegar rapidamente ao serviço de atendimento de urgência pode ser decisivo em muitas situações. Guarde este número em seu celular.

Quando chamar uma ambulância ao invés de levar a pessoa doente até o serviço de pronto-atendimento? Algumas dicas podem ajudar a identificar situações de maior perigo:
- Existe risco de vida iminente ou possibilidade de complicações sérias até o caminho para o local do atendimento?
- Mover a pessoa pode piorar a situação?
- A vítima necessita de equipamentos ou assistência médica especializada para remoção do local?
- Você acredita que o tráfego ou a distância podem retardar a chegada da vítima ao hospital?

Se a resposta for “sim” para qualquer uma dessas perguntas, então chame uma ambulância. Quando telefonar pedindo ajuda em uma situação de emergência, fale pausadamente e com clareza, dando seu nome, endereço, número de telefone e localização da vítima (p.ex.: no quarto de dormir ou no quintal). Não desligue até que o(a) atendente lhe peça para fazê-lo.

Em outras situações, existem medidas simples que você pode tomar para auxiliar a recuperação da vítima e o trabalho das equipes de pronto-atendimento. Por exemplo:

CORTES E MORDIDAS: lave o local com água corrente e sabão de coco. Não tempere o ferimento com pó de café, açúcar, maizena, vinagre, azeite, molho inglês ou qualquer outra substância esquisita. Após lavar, apenas comprima o local por 10 minutos utilizando um pano limpo. Cortes muito profundos ou com bordas muito separadas devem ser avaliados pelo médico. Feridas causadas por pregos e outros objetos pontiagudos também devem ser avaliadas no pronto-socorro devido ao risco de infecção. Pergunte sempre quanto à necessidade de vacinação contra tétano.

SANGRAMENTOS PELO NARIZ: pressione as asas do nariz formando uma pinça com o indicador e o polegar. Não repouse a cabeça para trás – mantenha o corpo ligeiramente inclinado para frente, procurando não deglutir o sangue. Se após um período de compressão de 10 minutos o sangramento ainda persistir, procure auxílio médico.

TRAUMATISMOS NA CABEÇA: são uma urgência quando associados a perda da consciência, vômitos, sonolência, turvamento da visão, dificuldade em acordar a pessoa após o acidente, alterações do estado mental (comportamento estranho, confusão mental, etc) ou dor de cabeça persistente. Nestes casos, avance 3 casinhas até o pronto socorro mais próximo.

CONVULSÕES: afaste da pessoa de quaisquer objetos que possam oferecer algum risco (p.ex.: móveis com pontas, mesas de vidro, objetos cortantes, escada, etc) e permaneça por perto. Não coloque colheres, garfos, dedos ou outros objetos na boca da vítima. Se a pessoa está tendo convulsão e vomitando, simplesmente deite-a sobre o braço esquerdo, mantendo-a de lado. Certifique-se de que o sujeito esteja respirando adequadamente e peça alguém para chamar auxílio médico.


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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

16 junho 2008

HULK RUGA

© Dr. Alessandro Loiola
http://br.groups.yahoo.com/group/saudeparatodos/



Família toda no cinema. Fomos reencontrar o Incrível Hulk e uma boa desculpa para aquela rodada de pipocas no domingo à tarde. Passados uns poucos minutos de filme, comecei a deixar o roteiro em segundo plano e passei a ficar entretido com a Computação Gráfica (CG). É absurdo o que a CG pode fazer atualmente!

Se colocarmos lado a lado a capacidade de expressão do novo Hulk-digital e os 60 Kg de botox do Sr. Al “Histrionismo Absoluto” Pacino, o Sr. Pacino corre o risco de ganhar o Oscar por uma margem estreita, muito estreita.

Na guerra cinematográfica da digitalização versus sindicato dos artistas, as marcas de expressão (popularmente conhecidas como rugas) são como um denominador comum, um verdadeiro termômetro: em busca de realismo, os especialistas em informática lutam para colocar rugas em seus personagens de bits. Os artistas do mundo real, lutam para tirá-las de si próprios.

O Hulk franze a testa e a cara enfurecida, e fico imaginando porque temos tanto medo das rugas. Elas sempre foram uma parte natural do processo de envelhecimento. Ou alguém lhe prometeu chegar aos 90 anos com um rosto de pêssego?

O tempo torna a pele menos elástica e mais frágil. A diminuição na produção de óleos faz com a pele torna mais ressecada e pregueada. A gordura presente nas camadas mais profundas, e que conferem uma aparência mais macia, também diminui com o tempo, acentuando os sulcos na superfície.

Os anos de cigarro e exposição desprotegida à radiação ultravioleta do Sol resultarão em danos às fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela força e flexibilidade da pele, acelerando o processo de envelhecimento.

Entretanto, se as rugas estão lhe causando constrangimento, existem opções para diminuir ou mesmo eliminar o problema. Retinóides tópicos, cremes, enchimentos com gordura, silicone e cirurgias a Laser estão entre os recursos mais utilizados para restaurar a aparência da pele.

Por exemplo: o dermoabrasão, uma técnica bastante popular de “lixamento cirúrgico da pele”, costumava ser empregada para melhorar cicatrizes decorrentes de acne, catapora e acidentes. Atualmente, ela pode ser usada para tratar lesões pré-cancerosas, tatuagens, manchas da idade e rugas mais profundas.

O peeling químico consiste na aplicação de uma solução capaz de provocar a descamação e surgimento de uma nova pele, mais lisa e menos enrugada que a pele antiga. A vermelhidão resultante do peeling químico pode durar um bom tempo, deixando você com aquele perfil super natural de tomate San Marzano. Uma beleza. Evite aparecer na frente das visitas neste meio tempo.

A Toxina Botulínica tipo A, ou Botox, atua eliminando a contratura muscular e reduzindo certas rugas. Os resultados costumam durar pouco, coisa de 3-4 meses, mas recomendo que você fuja de batizados e festas infantis durante o período: seu sorriso botulínico pode traumatizar algumas crianças pelo resto de suas vidas.

Finalmente, temos o lift facial, um procedimento cirúrgico anti-rugas um pouco mais agressivo que os demais, onde o excesso de pele no rosto e o excesso de gordura na região do pescoço são removidos, e a musculatura da região é reforçada, dando ao rosto uma aparência mais firme e jovem. Quer dizer, isso quando dá certo. Porque quando o lifting não é feito com critério, o sujeito pode terminar com aquela expressão de motoqueiro sem capacete, os olhos e a boca esticados pelo vento até a altura das orelhas, quase engasgando com os brincos.

A parte boa da historia: os resultados do lift duram cerca de 10 anos, mais ou menos o tempo necessário para você pagar o lifting anterior e juntar aquela grana para o próximo.

Neste mundo moderno de valores invertidos, onde o exterior é ricamente decorado com plásticas e roupas da moda, enquanto o interior é abandonado como um latifúndio de futilidades em câmeras em tempo real, prefiro ficar com o escritor Mark Twain que certa vez disse que “as rugas devem indicar apenas o lugar onde os sorrisos estiveram”. Por que alguém em sã consciência cismaria em perseguir e apagar cada uma destas lembranças?

Talvez o Hulk Ruga traga a resposta no final do filme. Veremos.


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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

11 junho 2008

NÃO DORMINDO COM O INIMIGO

© Dr. Alessandro Loiola
http://br.groups.yahoo.com/group/saudeparatodos/


Um sujeito vai ao médico para se queixar de um grave transtorno do sono:

- Doutor, toda vez que me deito na cama, acho que tem alguma coisa me ameaçando embaixo. Aí me deito embaixo da cama e acho que a coisa está em cima. Pra baixo, pra cima, pra baixo, pra cima, a noite inteira. Não consigo dormir... será que isso tem cura?
O médico rascunha uma meia dúzia de trinta remédios diferentes e sentencia:
- Tem, tem cura. Mas vai demorar uns 2 anos e serão necessárias sessões semanais de 150 reais cada uma, aqui no consultório.

Sem todo aquele dinheiro e ainda mais deprimido do que quando chegou para a consulta, o sujeito desaparece. O médico o reencontra por acaso na rua, vários meses depois.

- Rapaz, olha você aí! Não voltou mais...
- Ah, doutor, terminei encontrando a solução definitiva para meu problema num bar. E por apenas 10 reais!
- Como é que é !?
- Por 10 reais, o sujeito foi lá em casa e cortou os pés da cama...
Não recomendo que você vá procurar a cura de todos os seus males em cada barzinho da sua cidade – até porque, corre o risco de não existirem barzinhos suficientes. Mas também não recomendo que confie o sucesso de sua existência a um punhado de comprimidos escondidos em caixinhas coloridas de papelão. A insônia é um bom exemplo disso.

Apesar de extremamente comum, a insônia não é uma doença. Muitas vezes, é um alarme de outros distúrbios, tais como alergias, artrite, obesidade, doenças cardíacas, hipertensão arterial, asma, doenças reumáticas, Parkinson, Alzheimer e hipertireoidismo – para citar os mais comuns. Alterações psicológicas também são uma causa importante: estudos mostram que mais de 70% das pessoas deprimidas e 25% das pessoas excessivamente ansiosas sofrem com insônia.

Cerca de 5% dos insones apresenta um tipo especial de transtorno, chamado Insônia Psico-Fisiológica. Esta forma consiste em um ciclo vicioso onde uma primeira noite mal-dormida produz irritabilidade e ansiedade durante o dia, afetando o padrão de sono da noite seguinte, reiniciando então todo o processo. O consumo exagerado de álcool e cafeína responde por 10-15% dos episódios de insônia psico-fisiológica.

Independente da causa, a insônia pode resultar em dificuldade de concentração, dores de cabeça persistentes, problemas da memória e dificuldade em resolver problemas do dia a dia. Pesquisas recentes mostram que o sono profundo é importante para o aprendizado de habilidades repetitivas que exigem boa percepção visual (p.ex.: digitar, dirigir, manusear máquinas pesadas, etc). Diminuir uma ou duas horas de sono por noite já é o suficiente para comprometer sua performance no trabalho e aumentar o risco de acidentes no trânsito.

O tratamento da insônia deve ser iniciado pela pesquisa e correção das causas diretas. Por exemplo: normalizar a pressão arterial, combater a obesidade, tratar o hipertireoidismo, a crise de asma, as dores artríticas, a depressão, etc.

Se você não sofre de nenhuma doença grave e mesmo assim anda se queixando de insônia, o problema provavelmente está nos seus maus hábitos na hora de dormir. Neste caso, o primeiro passo é procurar a farmácia mais próxima e comprar um grande e suculento frasco de vergonha. Tome-o quase todo e ofereça o restinho àquelas visitas que teimam em ficar até mais tarde no domingo. Explico porquê.

A qualidade do sono depende de atitudes simples, como criar no quarto um ambiente escuro, silencioso e relaxante. Um banho morno seguido de um lanche leve (uma ou duas porções de fruta ao invés de 80 Kg de antílope assado com pimenta) ou tomar chás com ervas relaxantes (p.ex.: melissa, valeriana, bupleuro, camomila, erva cidreira) são medidas úteis para chamar o sono.

Nos quadros mais severos e crônicos, pode ser necessário utilizar sedativos. Entretanto, o organismo ganha resistência com o tempo, tornando necessárias doses cada vez maiores do remédio para obter os mesmos efeitos, aumentando a possibilidade de reações colaterais perigosas. Como essas drogas não curam o problema, a insônia tende a retornar tão logo os medicamentos são suspensos.

No final das contas, o segredo para aquele ronco serrado não está em remédios mirabolantes. A verdadeira solução para a insônia – e tantos outros problemas que lhe afligem - costuma se esconder no velho lugar insuspeito de sempre: dentro da sua cabeça.

Ou embaixo da cama.

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

05 junho 2008

MENOPAUSA MASCULINA

© Dr. Alessandro Loiola


As mulheres, estas felizardas, possuem vários trunfos em suas mangas: sempre que querem ser elas mesmas, podem apelar para a velha tática de culpar a TPM. Quando a TPM há muito se foi, têm a opção da menopausa.

Por muitos anos, nós, homens, estivemos à mercê da sorte e do humor feminino. Não mais: pesquisas recentes mostram que talvez exista uma saída, afinal.

Todos vocês, caros colegas de gênero, lembram bem da época em que éramos como urubus planando alto e faturando qualquer carniça. Desde pacas, tatus, cotia-não até o radiador do velho jipe Willis, era só apontar e estávamos dentro. Décadas e mais décadas depois, alguns começam a se sentir como uma sombra dentro da sombra. “Eu já fui notícia, meu filho, hoje não passo de um boato” entristece-se o velho guerreiro, representante típico desta nova legião, a dos Andropausados.

A Andropausa, ou Menopausa Masculina, pode ser definida como aquela época da vida em que o trabalho não dá prazer, e o prazer começa a dar um trabalho danado.

O motivo para a decadência é simples. Os níveis de testosterona, o principal hormônio masculino, começam a cair até 1% a cada ano a partir dos 30 anos de idade. A redução é gradual, mas permanente. Por volta dos 50 anos, cerca de 10% dos homens apresentam níveis baixos de testosterona. Aos 70 anos, mais da metade sofre com deficiência franca do hormônio. Aos 80 anos, a maioria dos homens tem níveis de testosterona (e comportamentos) semelhantes ao de meninos antes da puberdade.

Muitos médicos ainda relutam em reconhecer a Andropausa e seu verdadeiro significado do dia a dia masculino, mas a Andropausa é um fenômeno real. Ela não tem coisa alguma a ver com a famosa crise da meia idade. Trata-se de uma alteração orgânica mensurável - e absolutamente tratável.

Os sintomas da Andropausa são bastante semelhantes às manifestações da menopausa em mulheres. Um estudo realizado nos EUA envolvendo mais de 2.000 homens entre os 40 e 60 anos de idade, mostrou que 80% deles se queixavam de fadiga intensa, 70% sofriam de algum nível de depressão, e mais de 60% se queixavam de irritabilidade e distúrbios da ansiedade.

Outras manifestações relacionadas a Andropausa incluem alterações inexplicáveis de humor, insônia, diminuição da libido, fraqueza, perda de massa muscular, dificuldade para obter ereções e uma certa tendência para lágrimas na parte dramática dos filmes da Disney.

Uma vez reconhecidos os sintomas, o passo seguinte consiste na realização de alguns exames para eliminar a presença de doenças com manifestações semelhantes a Andropausa, como certas doenças do fígado e da tireóide, anemia, alcoolismo, diabetes, depressão essencial, etc.

A dosagem de Testosterona Livre no plasma é o principal teste, devendo ser feita em uma amostra de sangue colhida pela manhã, em jejum. Se os níveis estiverem abaixo de 200 nanogramas/dL e você não possuir fatores de risco significativos, a Terapia de Reposição de Testosterona (ou TRT) pode ser iniciada.

A TRT só deve ser realizada sob supervisão médica criteriosa, estando contra-indicada em homens com problemas na próstata, doenças no fígado, altos níveis de gordura no sangue ou passado recente de tromboses. A TRT não é um tônico capaz de resolver todos o problemas da sua vida, mas uma terapia específica com vários efeitos colaterais importantes. Para utilizá-la, é necessário realizar exames de acompanhamento a cada 3-6 meses. Entretanto, desde que indicada e realizada de modo responsável, a TRT produz resultados quase milagrosos.

A testosterona pode ser administrada de várias formas: oral, injetável, transdérmica (adesivos) ou por implantes. As formas orais não são mais recomendadas devido ao risco de efeitos tóxicos sobre o fígado. As formas injetáveis não oferecem níveis estáveis e podem terminar piorando os sintomas da Andropausa. As apresentações transdérmicas têm sido as mais utilizadas nos últimos tempos.

Além de buscar tratamento especializado, existem algumas medidas simples que você pode adotar a partir de agora para lidar melhor com os sintomas da Andropausa:

- Aprenda técnicas eficazes para lidar melhor com o estresse.
- Siga uma alimentação nutritiva, com pouca gordura e rica em fibras vegetais.
- Tome pelo menos 8 copos de água por dia.
- Diminua o consumo de bebidas alcoólicas e cafeína.
- Mantenha um padrão de sono saudável.
- Pratique alguma forma de atividade física regularmente.

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura, 496 pág.) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza, 430 pág.). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.