01 setembro 2007

CONDILOMATOSE

© Dr. Alessandro Loiola


Eu já estava queimando os últimos neurônios tentando entender porque aquele sujeito havia marcado uma consulta - afinal, ele negava tudo quanto era sintoma e parecia desfrutar do mais perfeito estado de saúde. Passaram-se vários e vários minutos até que ele criasse coragem, soltando o verbo: estava com “verrugas genitais”. Ah, agora a enrolação fazia sentido.

Um exame rápido e percebi que ele não estava com uma verruga qualquer, mas com uma condilomatose tipo figura de livro, pra estudante de medicina nenhum deixar de fazer o diagnóstico.

A condilomatose é uma doença causada pelo Papiloma Vírus Humano, ou HPV, e se caracteriza por pequenas verrugas indolores na região genital e perianal. Coceira ou irritação local raramente ocorrem, mas em pessoas com alterações no sistema de defesa, a condilomatose pode crescer rapidamente e envolver áreas extensas.

O HPV é altamente contagioso. Aproximadamente 2/3 das pessoas com relato de contato íntimo com alguém infectado pelo HPV desenvolvem condilomatose nos 3 meses seguintes, resultando em milhões de novos casos a cada ano.

As mulheres sexualmente ativas com idade inferior a 25 anos apresentam os maiores índices de infecção pelo HPV, mas o problema também pode acometer crianças e até bebês, devido à exposição durante o parto. Entretanto, a presença de verrugas genitais em uma criança deve levantar sempre a possibilidade de abuso sexual infantil.

Existem vários tratamentos para a Condilomatose e nenhum é considerado superior ao outro. A estratégia é eliminar o máximo de lesões visíveis, até que o sistema imune seja capaz de eliminar definitivamente o vírus (a maioria dos casos de Condilomatose regride espontaneamente após um certo tempo).

A escolha por um ou outro tratamento dependerá da experiência pessoal do médico, do estágio da doença, do comportamento sexual da pessoa e do estado do seu sistema de defesa, entre outros fatores. Em todos os casos, é recomendável fazer uma reavaliação após 3 e 6 meses de tratamento para detectar e tratar precocemente possíveis recidivas.

A principal medida para evitar o HPV continua sendo a prática sexual segura, utilizando corretamente preservativos e evitando a promiscuidade. Em 2006, foi disponibilizada uma vacina que protege contra os principais tipos de HPV, mas o esquema não oferece proteção para quem já se encontra infectado pelo vírus.

Felizmente, apesar de extensa, a doença do nosso amigo do começo da crônica respondeu bem ao tratamento e ele escapou por pouco de repetir a história de um outro que, também acometido por uma baita condilomatose, recebeu a sentença do velho médico generalista em sua cidade natal:

- Infelizmente, nesse estágio não tem mais cura. Vamos ter que cortar!
Sem acreditar, o homem foi em busca de um profissional mais jovem na cidade vizinha, mas o diagnóstico foi o mesmo. Deprimido, decidiu consultar um renomado (e caríssimo) especialista na cidade grande. Depois da consulta paga e algumas horas na sala de espera, o figurão recebe o paciente e olha bem pro rapaz, e olha pro equipamento, e diz tirando as luvas:
- A boa notícia é que você não vai precisar cortar coisa alguma fora.
O sujeito nem acredita: seu pesadelo acabou!- Então existe um tratamento para isso, doutor?
- Não, não. Mas não precisa cortar. Vai cair sozinho.

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Dr. Alessandro Loiola é médico, palestrante e escritor, autor de PARA ALÉM DA JUVENTUDE – GUIA PARA UMA MATURIDADE SAUDÁVEL (Ed. Leitura) e VIDA E SAÚDE DA CRIANÇA (Ed. Natureza). Atualmente reside e clinica em Belo Horizonte, Minas Gerais.

8 comentários:

Anônimo disse...

meu carissimo a sua reportagem foi para mim muito proveitosa,mas que pena que o meu esposo, é Alemão tiemoso mas muito teimoso não quer fazer o tratamento, eu sou portadora do hpv e ele não quer de forma alguma fazer o tratamento, ele não tem verrugas na area genital mas tem muitas nas mãos e pés.Eu não sei o que fazer.

Anônimo disse...

Olha Doutor eu agradeço muito por essa explicação que o senhor nos deu mais ainda não fui ao médico, mais vou a uma ginicologista o mais rápido possivel por que agora estou conseguindo perceber que essa doença é muito grave sim principalmente para nós mulheres.

Obrigado.

Cantinho de Momentos disse...

Eu percebi uma verruga na virilha, mas isso durou uns 6 meses, quanto tive depressão fiquei muito vulnerável pois tinha parado de me alimentar, axo q isso contribuiu para q o vírus se espalhar, acabei passando o mesmo para o meu namorado, ele começo o tratamento primeiro q eu, pois eu tinha vergonha de admitir q tinha tal vírus, e o mesmo continuava crascendo e se espalhando mais e mais, até q marquei uma consulta com uma g.o e começei o tratamento quimico (usando um remádio que queimava os codiloma), nossa esse tratamento é muito doloroso, pois eu não conseguia ficar parada na maca a medida q a médica passava o produto, ela teve q interromper a 1ª seção pos eu ñ aguentei, e remarcou para uma semana depois. Fiquei surpreendida com o resultado, pois em 4 dias aqueles codilomas que ela havia queimado ñ estavam mais presentes, voltei ao consultório para uma 2ª seção, aguentei a dor sem chorar, pois sabia q se ñ tivesse tomado essa atitude poderia ser pior depois, repeti o tratamento mais 2 seções, a dor valheu a pena pois hoje me encontro sem nenhum codiloma :) .
o meu namorado tambem se tratou, o dele foi menos dolorido pq ele procurou um especialista logo quando surgiram as primeiras verrugas, o meu foi mais dolorido pq eu demorei para me tratar.
Meu conselho é q se aparecerem verrugas, procure logo um especialista, pois quanto mais vc demora, maior vai ser a dor do tratamento.
OBS: Digo isso pro experiencia própria.

Leandro disse...

Uma matéria velha (em publicação aqui), mas sempre atual.
Seu texto é bastante informativo, e muito esclarecedor para a população.
Meu caso: Descobri recentemente que as pequenas verrugas que passei a apresentar próximo à glande tratavam-se de condilomas. Ao pesquisar descobri que se tratava de um vírus o responsável por tais, o que me deixou muito preocupado. Sou doador de sangue e assim faço no sentidor de ajudar a quem precisa. Mas queria saber se de agora em diante não poderei mais doar sangue e se não posso pensar mais na possibilidade de transar sem preservativo sem contaminar minha parceira (me refiro ao caso de uma relação estável ou casamento, parceiro único). O virus pode ser eliminado de nosso organismo? Irei ser portador do HPV o resto de minha vida? O risco de contaminação é apenas pelo contado de áreas condilomatosas?
O que devo (se posso) fazer para reduzir ao máximo ou eliminar a possibilidade de transmissão do virus sem o uso de preservativo?

Desde já agradeço.

Ps.: estou me tratando com a cauterização dos condilomas com ácido tricloroacético (ATA 70%).

Anônimo disse...

é muito bom ter uma pessoa q esclareça essa doença párabens doutor

tety disse...

agradeço pelo esclarecimento, mais nao sei se o meu caso vai ser o mesmo
por que rescntemente questao de 25 dias nasceram umas pequenas verugas na minha virilha sao poucas mais estou preocupado. o que devo fazer?

Anônimo disse...

- eu tive essas tais verruguinhas demorei uns 2 meses para perceber q era algo tao serio. Quando comecei a me preocupar marquei g.o. e ele me encaminhou pra um medico com mais entendimento nesse caso,daí ele me examinou e constatou q era o condiloma. Me internei na manha do dia 2 e sai a noite do msmo dia, fiz a cauterizaçao das tais,hj estou em tratamento cm antibioticos mas estou beem e fooi a melhor escolha q fiz. Ah o meu namorado tbm esta infectado e ja procurou um urologista. Boa sorte a todoos.

OBS:qualquer coisa qm estiver preocupado me mande um e-mail
tamira.guedes@hotmail.com

Leyli San disse...

Interessante tua postagem e cômico o parágrafo final, parabéns! Hoje pra mim está s ser difícil pois a dúvida em que me encontro de estar ou não contaminada está me preocupando. Me casei com 17 anos e vivi casada (totalmente fiel ao marido e ele a mim) por 6 anos e há 5 meses me divorciei. Me uni a um português por 2 meses (mas sempre precavi) e atualmente moro com um médico que em seu histórico já possuiu muitas mulheres e estamos juntos há 2 meses mas aparentemente ele é limpo. Como médico, ele me disse que estou com certa textura áspera na parede vaginal (interna) do lado direito, esquerdo se encontra liso, ele disse que poderia ser candilomatose já um pouco avançado já que as ondinhas são grandes. Embora ele seja plantonista mas a função dele é neurologista. Eu disse a ele que vou de 6 em 6 meses na ginecologista e ela nunca me falou nada sobre eu estar contaminada. Não tenho dores, não tenho coceira, não tenho cheiro desagradável.Marquei consulta para a próxima sexta mas o que eu gostaria de saber se existe uma predisposição genética para essa doença em algumas pessoas ou se de fato fui contaminada. Obrigada!