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27 setembro 2014

Deficiência de Vitamina D está associada a Esquizofrenia

© Dr. Alessandro Loiola


Uma pesquisa publicada online em julho de 2014 no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism mostrou que a deficiência de vitamina D está ligada ao aumento do risco para esquizofrenia.

A revisão de 19 estudos científicos, totalizando mais de 2800 participantes, mostrou que aqueles com deficiência de vitamina D apresentavam uma chance duas vezes maior de serem diagnosticados com esquizofrenia em comparação às pessoas sem deficiência. Além disso, 65% dos pacientes sabidamente portadores de esquizofrenia também apresentavam baixos níveis de vitamina D no organismo.

A deficiência de vitamina D é um problema relativamente prevalente no mundo todo, e está associada a várias consequências deletérias. Por exemplo: pesquisas mostram que esta hipovitaminose está intimamente associada à depressão e outros transtornos psiquiátricos. E é assustador quando pensamos nesse dado associado às estatísticas que apontam que 30% das pessoas (adultos e crianças) apresentam deficiência – e outros 30% apresentam níveis insuficientes da vitamina no organismo.

A Sociedade Americana de Endocrinologia recomenda a suplementação de vitamina D nas seguintes doses:
- crianças com mais de 1 ano de idade: 600 a 1000 unidades por dia.
- adultos dentro do peso ideal: 800 a 2000 unidades por dia.
- obesos e pessoas com sobrepeso: 2 a 3 vezes a dose recomendada para adultos dentro do peso.

Ainda não existem especificações desse tipo para gestantes e crianças com idade inferior a 1 ano. Contudo, muitos especialistas concordam que, no caso das gestantes, seria prudente recomendar a suplementação com 2000 a 4000 unidades de vitamina D diariamente, além de estimular o consumo de outras fontes dietéticas ricas em vitamina D, como leite, e o uso das vitaminas habituais do pré-natal.

05 setembro 2014

SEM TOALHA E DE PONTA CABEÇA

© Dr. Alessandro Loiola
dralessandroloiola.blogspot.com/
https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/saudeparatodos



A leitora escreve: “Dr. Loiola, o que leva um ser humano sem problemas mentais a tê-lo? Minha mãe nasceu uma pessoa normal, cresceu, casou, mas no primeiro filho digamos que jogou a toalha e virou de ponta cabeça. Já fez vários tratamentos psiquiátricos, tomou diversos medicamentos ao mesmo tempo e agora, justamente o remédio que estava dando certo, foi retirado do mercado. Não sei como ela irá ficar. Talvez tenha novas crises. Queria uma explicação. Porque uma mente sã fica ruim como um computador cheio de vírus precisando ser formatado? Desde já agradecida, Fulana de Tal”.

Lamentavelmente, ela não forneceu outras pistas sobre o mal que estava afetando a mãe, mas após mais de uma década perdendo os fios de cabelo no consultório, é possível compreender a natureza por trás da moléstia.

Com a melhora na qualidade de vida (não ria: ela melhorou sim, até mesmo em países do Quinto Mundo como o Brasil), conseguimos um controle paliativo razoável para boa parte das ameaças oferecidas por vírus, bactérias, diabetes, hipertensão arterial, tumores, etc.

Entretanto, para manter a máquina tecnológica avançando, precisamos de uma sociedade extremamente produtiva e trabalhadora, capaz de suportar pressões inimagináveis em outros tempos. Esse ciclo de pressão-produção-pressão não poderia levar a outro lugar, e atingimos o nível em que a mesma tecnologia que protege a saúde de seu corpo, ameaça agora a saúde de sua mente.

A cada ano, cerca de 40% das pessoas experimentam sentimentos intensos de tristeza, infelicidade e desapontamento. Destas, 20% desenvolverão depressão propriamente dita. Em números tupiniquins, significa o mesmo que 10 milhões de brasileiros deprimidos anualmente.

Os transtornos psiquiátricos possuem várias causas. Por exemplo: gêmeos idênticos possuem uma concordância de 60% para depressão. Alterações bioquímicas no cérebro e problemas hormonais (como redução na produção de cortisol ou melatonina) também possuem sua parcela de culpa. Mas são os eventos estressantes os responsáveis por cerca de 60% dos casos de depressão e distúrbios da ansiedade. A gota d’água de estresse pode ser representada pelo nascimento de novos filhos, por uma demissão esperada ou não, pelo término de um relacionamento ou pelo choque de uma doença crônica.

O diagnóstico clássico de depressão depende da presença de certos sinais e sintomas por um determinado período de tempo. Além da perda de interesse na vida diária, é preciso que 4 das seguintes manifestações estejam presentes de modo contínuo por pelo menos duas semanas:

- Perda do apetite com perda de peso;
- Insônia e/ou sonolência durante o dia;
- Agitação ou lentidão excessiva;
- Diminuição do apetite sexual;
- Evidência de problemas de concentração;
- Sentimento de culpa ou auto-crítica exagerada;
- Pensamentos (ou tentativas) recorrentes de suicídio.

Nem toda pessoa deprimida ou ansiosa necessita de remédios. O acompanhamento psicológico, sem drogas, é capaz de resolver os casos mais simples e certamente deve fazer parte do tratamento dos episódios mais graves de depressão.

Caso os anti-depressivos sejam necessários, existem características e dicas que podem facilitar a escolha entre as dezenas de marcas disponíveis. Por exemplo: muitos antidepressivos causam sono. Pessoas que necessitam manter o nível de atenção para dirigir ou operar máquinas podem se beneficiar do uso de antidepressivos que não causam tanta sonolência, como a Paroxetina.

Na depressão relacionada à menopausa, a terapia de reposição hormonal pode resolver os sintomas, mas este recurso não deve ser empregado em mulheres com alto risco para câncer de mama. Muitos antidepressivos tradicionais não funcionam muito bem em adolescentes. E por aí vai.