Não, não são.
A eficácia do uso de Glucosamia + Condroitina (GC) no tratamento de casos de osteoartrite (OA) há muito é motivo de grandes controvérsias.
O American College of Rheumatology não defende o uso de GC para casos de osteoartrite, e o mesmo ocorre com os protocolos clínicos do American Academy of Orthopaedic Surgeons e do Osteoarthritis Research Society International. Contudo, a despeito destes guidelines, os suplementos de GC têm alcançado recordes de vendas – um absoluto desperdício de dinheiro.
Já em 2005, alguns autores apontavam para a falta de efetividade comprovada de GC em pacientes com OA. Uma metanálise publicada em 2010 concluiu que glucosamina, condroitina ou uma combinação de ambos não era eficaz para aliviar dores articulares, tampouco produziam qualquer impacto na recuperação da cartilagem articular quando comparados a placebos.
Finalmente, em 2017, uma ampla revisão da literatura investigou novamente os dados sobre a eficácia clínica e a segurança da GC em pacientes com OA. Mais uma vez, tanto a glucosamina quanto a condroitina se mostraram seguras, com poucos efeitos colaterais sérios, mas não foram encontradas evidências suficientes que apoiassem cientificamente sua validade em pacientes com osteoartrite.
22 setembro 2017
19 setembro 2017
Doenças Mentais versus Países
Países com a maior
incidência de doença mental e transtornos patológicos de comportamento, segundo
a OMS:
10 setembro 2017
VOCÊ SABE O QUE SIGNIFICA KISS?
Há alguns anos, em um curso de vela oceânica, tive contato pela primeira vez com uma filosofia de marinhagem que achei absolutamente fantástica. Algum tempo depois, envolvido no aprendizado de técnicas de sobrevivência na selva, esbarrei com exatamente o mesmo acrônimo. Pelo visto, era um princípio universal de eficiência para ambientes inóspitos.
Esse lema, desenvolvido na década de 1960 pela marinha americana, recebeu o apelido de KISS:
Keep
It
Simple,
Stupid
TUDO em um barco - e TODAS as sua ações no meio da mata - devem se basear nisso. Para que você otimize suas chances de sobrevivência, cada peça de equipamento, cada movimento e cada decisão devem ser selecionados a partir desta moldura.
O que não te ajuda, te atrapalha.
O que não te faz melhor, te piora.
O que não serve para o seu progresso, bloqueia inutilmente o seu caminho.
Eu recomendaria expandir o conceito KISS para a vida como um todo.
A simplicidade é a derradeira sofisticação. Mantenha tudo simples.
Esse lema, desenvolvido na década de 1960 pela marinha americana, recebeu o apelido de KISS:
Keep
It
Simple,
Stupid
TUDO em um barco - e TODAS as sua ações no meio da mata - devem se basear nisso. Para que você otimize suas chances de sobrevivência, cada peça de equipamento, cada movimento e cada decisão devem ser selecionados a partir desta moldura.
O que não te ajuda, te atrapalha.
O que não te faz melhor, te piora.
O que não serve para o seu progresso, bloqueia inutilmente o seu caminho.
Eu recomendaria expandir o conceito KISS para a vida como um todo.
A simplicidade é a derradeira sofisticação. Mantenha tudo simples.
SOBRE A EPIDEMIA DOS NOVOS TEMPOS
Ao longo do Século XX, a ideia de que a vida indolor é um direito fundamental se impôs como um ideal. O amplo acesso aos analgésicos produziu uma multidão de órfãos da dor como ferramenta de autopurificação e autopromoção.
Mas não demorou muito para que este rebanho adotasse um outro sintoma como forma de se diferenciar das outras manadas: logo eles descobriram o Sofrimento, esta versátil emoção voluntária. Sofrer, lamento informar, NÃO é um fenômeno orgânico compulsório.
Segundo Karnal, "todo sofrimento traz em si um tempero do mais puro narcisismo: ser visto sofrendo dá alimento simbólico a um eu faminto por atenção". E agora, no lugar dos estigmas sangrantes na carne e dos santos anoréticos perambulando pelo deserto, vemos proliferar legiões de ansiosos e depressivos disputando o altar-mor da melancolia redentora, desfilando lúgrubes de um consultório ao outro enquanto arrastam consigo suas lamúrias de comiseração e receitas de uso contínuo.
Ninguém mais quer assumir a responsabilidade pelas consequências de suas próprias escolhas. A Maturidade - aquela dama de sabedoria elegante e serena resiliência - se tornou um conceito tão antigo quanto desconhecido.
Mas não demorou muito para que este rebanho adotasse um outro sintoma como forma de se diferenciar das outras manadas: logo eles descobriram o Sofrimento, esta versátil emoção voluntária. Sofrer, lamento informar, NÃO é um fenômeno orgânico compulsório.
Segundo Karnal, "todo sofrimento traz em si um tempero do mais puro narcisismo: ser visto sofrendo dá alimento simbólico a um eu faminto por atenção". E agora, no lugar dos estigmas sangrantes na carne e dos santos anoréticos perambulando pelo deserto, vemos proliferar legiões de ansiosos e depressivos disputando o altar-mor da melancolia redentora, desfilando lúgrubes de um consultório ao outro enquanto arrastam consigo suas lamúrias de comiseração e receitas de uso contínuo.
Ninguém mais quer assumir a responsabilidade pelas consequências de suas próprias escolhas. A Maturidade - aquela dama de sabedoria elegante e serena resiliência - se tornou um conceito tão antigo quanto desconhecido.
30 agosto 2017
CRIANÇAS E ADOLESCENTES PODEM SER ATENDIDOS SEM ACOMPANHANTE NO POSTO DE SAÚDE?
Sim, podem.
E é impressionante ver como muitos médicos, gestores, gerentes, enfermeiros e outros profissionais envolvidos na assistência à saúde têm um completo e absoluto desconhecimento disso, fazendo exigências sobre a presença de um “de maior” ou recusando atender o menor devido à falta de um responsável com mais de 18 anos idade.
Do ponto de vista legal e ético, os seguintes parâmetros justificam o atendimento de qualquer pessoa – independente da idade – em uma unidade de saúde:
Lei Orgânica da Saúde 8.080/90
As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados contratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS), são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:
- III - preservação da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade física e moral;
- IV - igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie;
- V - direito à informação, às pessoas assistidas, sobre sua saúde;
Constituição Federal - Título VIII - Da Ordem Social - Capítulo VII - Da Família, da Criança, do Adolescente, do Jovem e do Idoso
- Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
- Artigo 3 - A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.
- Art. 11 - É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantindo o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
- Art. 15 - A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
- Art. 16 - O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I – ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; (...) VII – buscar refúgio, auxílio e orientação.
- Art. 17 - O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais Direitos Fundamentais: a privacidade, a preservação do sigilo e o consentimento informado. O “Poder familiar” (antigo Pátrio poder) dos pais ou responsáveis legais não é um direito absoluto.
- Art. 243 - Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente:
Recomendações do Ministério da Saúde:
- Qualquer exigência, como a obrigatoriedade da presença de um responsável para acompanhamento no serviço de saúde, que possa afastar ou impedir o exercício pleno do adolescente de seu direito fundamental à saúde e à liberdade, constitui lesão ao direito maior de uma vida saudável. Caso a equipe de saúde entenda que o usuário não possui condições de decidir sozinho sobre alguma intervenção em razão de sua complexidade, deve, primeiramente, realizar as intervenções urgentes que se façam necessárias, e, em seguida, abordar o adolescente de forma clara a necessidade de que um responsável o assista e o auxilie no acompanhamento. Havendo resistência fundada e receio que a comunicação ao responsável legal, implique em afastamento do usuário ou dano à sua saúde, se aceite pessoa maior e capaz indicada pelo adolescente para acompanhá-lo e auxiliar a equipe de saúde na condução do caso (MS, 2005:41).
- Garantir direitos ao adolescente (menores de 18 anos), nos serviços de saúde, independente da anuência de seus responsáveis, vem se revelando como elemento indispensável para a melhoria da qualidade da prevenção, assistência e promoção de sua saúde (MS, 2005).
- Situações em que os exames anti-HIV estão indicados para adolescentes: No caso de adolescente, este pode decidir sozinho pela realização do exame, desde que o profissional de saúde avalie que ele é capaz de entender o seu ato e conduzir-se por seus próprios meios (art. 103 do Código de Ética Médica). Ainda assim, nesse caso, o adolescente deverá ser estimulado a compartilhar o que lhe acontece com os seus responsáveis ou com adulto(s) em quem confie e que possa servir-lhe de suporte. Na prática diária dos serviços ambulatoriais, os profissionais de saúde costumam orientar os adolescentes para virem acompanhados de um adulto de sua confiança no dia do resultado do exame. Caso ele deseje, após receber o seu resultado, o profissional de saúde também poderá conversar com esse adulto. Contudo, em face das diversidades de condições de vida às quais estão submetidos muitos jovens, importa destacar que nem sempre os apoios partem de seus responsáveis Legais (MS, 2004:39).
- Para adolescentes portadores de DST e/ou usuários de drogas injetáveis, ou que tenham práticas de risco para o HIV – com as mesmas recomendações do item anterior. No caso de DST devidas à violência sexual, o registro da violência é obrigatório em alguns estados brasileiros, exigindo uma ação conjunta com o Conselho Tutelar (MS, 2004:39-40). Da mesma forma, o artigo 13 do ECA determina que os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra crianças ou adolescente sejam obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais.
Ofício do Conselho Federal de Medicina (CFM) n° 1.865/96 – Sobre a testagem anti-HIV para menores de 18 anos.
- .... deverá ser voluntária e consentida pelo menor, sem necessidade de autorização de responsável, desde que aquele tenha capacidade de avaliar seu problema e atuar a respeito. CFM 1665/2003 (adicionalmente). É vedada a realização compulsória de sorologia para HIV.
Código de Ética Médica (CEM):
- Art. 103 – (É vedado ao médico) Revelar segredo profissional referente a paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou responsáveis legais, desde que o menor tenha capacidade de avaliar seu problema e de conduzir-se por seus próprios meios para solucioná-los, salvo quando a não revelação possa acarretar danos ao paciente.
- Art. 107 – (É vedado ao médico)Deixar de orientar seus auxiliares e de zelar para que respeitem o segredo profissional a que estão obrigados.
Código de Ética do Profissional de Enfermagem:
- Art. 27 - Respeitar e reconhecer o direito do cliente de decidir sobre sua pessoa, seu tratamento e seu bem-estar.
- Art. 28 - Respeitar o natural pudor, a privacidade e a intimidade do cliente.
- Art. 29 - Manter segredo sobre fato sigiloso de que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em Lei.
Códigos de Ética do Assistente Social
- Art. 18 - A quebra do sigilo só é admissível, quando se tratar de situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato delituoso, trazer prejuízo aos interesses do usuário, de terceiros e da coletividade. Parágrafo Único - A revelação será feita dentro do estritamente necessário, quer em relação ao assunto revelado, quer ao grau e número de pessoas que dele devam tomar conhecimento.
Código de Ética do Psicólogo
- Art. 21 O sigilo protegerá o atendimento em tudo aquilo que o Psicólogo ouve, vê ou de que tem conhecimento como decorrência do exercício da atividade profissional.
Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/mulher/aspectos_legais.pdf
21 agosto 2017
O QUE É LIBERDADE?
“Tempos
estranhos são esses em que vivemos, quando velhos e jovens são ensinados na
escola da falsidade, e o único homem que se atreve a dizer a verdade é chamado
de uma só vez um louco e insensato.”
(Platão)
A Liberdade é uma abstração ambígua e pode
significar quase qualquer coisa. Ela é algo que achamos possuir na mesma
proporção que nos domina, uma substância escravizadora louvada em livros e nos
meios de comunicação, ou um mártir abolicionista impreciso por quem tantos já se
sacrificaram – e continuam sacrificando-se.
De acordo com o Aurélio, Liberdade é “o direito
de proceder conforme nos pareça, contanto que esse direito não vá contra o
direito de outrem”. Os filósofos, entretanto, abordam o tema por um enfoque
mais complexo que o encontrado nos dicionários.
Segundo Kant, enquanto seres humanos, somos
tanto parte do mundo Natural quanto do mundo da Razão. Com relação aos nossos
impulsos e desejos, estes pertencem à nossa natureza animal; são compreendidos
nos termos das necessidades geradas por circunstâncias físicas e nenhum padrão
moral se aplica a eles: pouco importa se alguém aprova o fato de você estar com
sono ou fome. Grandes frases éticas de efeito não são capazes de alterar esses
estados de modo notável. Estamos submetidos às mesmas leis naturais que
governam o mundo e não podemos suprimi-las apenas por que as rejeitamos.
Por outro lado, o homem é uma criatura capaz
de pensamentos morais e, por meios deles, criamos estatutos arbitrários para
nossas vidas. Seja na esfera das leis naturais ou nas leis criadas pelos
homens, a Liberdade aparece sempre ornamentada com cerceamentos.
Considerados alguns limites do razoável, existe
Liberdade de idéias expressão na maioria dos países do mundo – desde que não
sejam expressamente radicais e danosas. Podemos ir aonde queremos – desde que
atentos para algumas restrições. Podemos agir como desejamos – mas não de modo
completamente impune, especialmente quando nos posicionamos fora da lei. Em outras
palavras: a Liberdade é um devaneio fortuito em todos os cantos desse planeta.
POUCO MAIS
QUE UMA NOÇÃO INTANGÍVEL
A noção de Liberdade, como vista e vendida
pela sociedade pós-moderna capitalista atual, é mais uma emoção vaga que um
aspecto real da vida. Por mais que você esperneie dentro de seus conceitos de
autonomia e independência, não existe uma Liberdade geral, mas apenas
liberdades específicas.
Por exemplo: se o senhor de escravos tem o
direito de ter escravos, então os escravos não têm direito de ser livres. Se
eles têm o direito de ser livres, então o senhorio não tem o direito de
possuí-los.
Se uma mãe tem direito de fazer um aborto,
então seu bebê não tem direito à vida. Se ele tem direito à vida, então sua mãe
não tem direito de fazer um aborto.
Muito – ou praticamente tudo – que você fala
e faz e sente na verdade são manifestações de hábitos socialmente adquiridos.
Pare e reflita por um segundo: em que parte da sua vida você age realmente de
modo independente e livre?
A atividade humana resulta de impulsos que
emergem espontaneamente de dentro de nós como resposta às mudanças nas
circunstâncias, que então iniciam um processo de atividade física (na forma de
ações) ou mental (na forma de pensamentos).
Se as circunstâncias que encontramos são
familiares o suficiente, os impulsos produzem respostas automáticas. Contudo,
quando as circunstâncias não são familiares, os impulsos levam à atividade
mental; o hábito de pensar tem início, passamos a deliberar sobre qual caminho
seguir e, então, agimos. A pergunta é: em ambos os casos, a ação física
derradeira é fruto de uma escolha livre ou, no final das contas, ocorre como
resultado de condicionamentos prévios?
A emoção da Liberdade jamais é plena, mas uma
noção relativa – e aparentemente sempre pré-condicionada. Por isso, todo aquele
que tenta proteger-se e justificar suas ações apelando em nome da Liberdade
está apoiando-se em um discurso de limites vazios – e é terrivelmente simples
estabelecer uma tirania a partir destes conceitos. Os heróis da independência
de um povo nunca lutaram pela Liberdade desse povo, mas apenas pela troca de
Controladores.
LIBERDADE
INDIVIDUAL E LIBERDADE SOCIAL
Individualmente, a Liberdade possui um
sentido diferente de seu significado social. No nível pessoal, Liberdade tem a
ver com fazer o que você gostaria de fazer. Socialmente, Liberdade tem a
ver com autorizar que as pessoas façam o que gostariam de fazer.
Poderíamos nos referir à Liberdade Individual
como a capacidade de uma pessoa em tomar todas as decisões sobre sua vida,
propriedades e propósitos sem qualquer interferência de terceiros. “Faço o
que eu quero e não obedeço a ninguém”. Este tipo de Liberdade é concebível,
mas inalcançável: você tem Liberdade para viajar, para expressar suas opiniões
e viver sua vida da maneira como preferir, desde que se mantenha dentro da
legislação local. Fora desse cercado, a sociedade irá cobrar o preço.
Também poderíamos conceituar Liberdade Individual
como estar livre dos corolários de suas escolhas. “Faço como eu quero e
não presto contas a ninguém”. Mas suas escolhas produzem consequências, sejam
elas desejáveis ou não, o que torna esta convicção uma falácia ingênua – e,
novamente, passível de sanções pela comunidade.
A maioria dos libertários acredita que a Liberdade
individual requer a ausência completa de restrições, mas todas as sociedades,
por mais livres que sejam, possuem leis, normas e preceitos para assegurar que
a liberdade de um ser humano não implique na coibição da liberdade de outro ser
humano.
Uma sociedade sem qualquer limite resultaria
em nenhuma Liberdade para todos dentro dela. Sem leis e certas expectativas de
adequação social, e sem lideranças firmes (Controladores) para impô-las, a
sociedade não existiria. Seríamos uma massa caótica de predadores carnívoros
devorando-nos uns aos outros. Ou pelo menos assim me disseram.
Mas é fato que sua Liberdade – Individual e
Social - é ditada por aqueles que lhe controlam, sejam “eles” seus pais, o
Governo, o Estado, a bateria do seu celular, sua conta de energia elétrica ou o
banheiro mais próximo. Qualquer pessoa trabalhando em uma empresa ou morando em
um prédio deve ater-se a um conjunto de regras e procedimentos. Pessoas em
relacionamentos – sejam eles românticos ou de amizades, ou apenas interações
familiares – devem se comportar de uma determinada maneira, ou sofrerão
isolamento social.
Os Controladores de sua Liberdade podem ser
questionados, debatidos ou repudiados, mas jamais poderão ser evitados. Lutar
para furtar-se deles é inútil. Quanto mais cedo você compreender e aceitar esta
conjuntura, mais proveitosa será a serventia de seu Tempo.
AUMENTANDO
SUA LIBERDADE
O problema com a Liberdade está no fato dela
não ser algo de evolução natural: ela é uma noção artificial patrocinada pelas
vontades e ações daqueles que controlam o poder. Mesmo nas sociedades e nos
relacionamentos “democráticos”, os mecanismos Controladores encontram uma
maneira para impor suas vontades e seus pontos de vista, em geral sob o
discurso de estarem agindo “em nome de um bem maior”.
Você pode ter crescido em um lar ou nação que
outras pessoas considerariam um ambiente opressor, mas como você nunca conheceu
outro estilo de vida, aquele estilo pode lhe parecer livre o suficiente. Todos
vivemos em “sistemas” que influenciam o que fazemos e o que não fazemos, e
existimos sob a égide de escolhas permitidas.
Ninguém é Livre no conceito puro e irrestrito
de Liberdade: a Liberdade, derradeiramente, deriva de percepções subjetivas. E
justamente por ser um desenvolvimento íntimo no caráter de cada um de nós, a consciência
de Liberdade pode ser ampliada. Como? Com Educação.
Apenas a Educação, por meio do estudo da
Razão e do emprego corajoso da Filosofia, é capaz de aumentar suas
possibilidades de escolhas lúcidas e criar algum sopro de Liberdade verdadeira
fora da prisão de seus condicionamentos precedentes.
Se quiser investir em Liberdade, invista
em seus aprendizados. Estude, leia muito e reflita bastante. Qualquer outro
caminho além desse é puro delírio com grades douradas.
17 agosto 2017
SOBRE SAÚDE E CONTAS QUE JAMAIS IRÃO FECHAR
Temos no Brasil um sistema de saúde com pretensões de oferecer um serviço de nível Canadense ou Australiano, com cobertura universal e amplo acesso.
A OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico -, criada em 1960, possui um banco de dados abrangente, confiável e atualizado reunindo informações de 34 nações. Caso pertencesse à OCDE, o Brasil seria o antepenúltimo nos investimentos públicos em saúde, superando apenas Chile e México. Nos gastos per capita, só ficaria acima da Turquia.
Os investimentos públicos em saúde em nosso país representam 3,6% do PIB, contra 5,9% na Austrália, 7,2% no Canadá, 8,6% da França e incríveis 9,7% na Holanda. Até os EUA, que nem possuem um sistema propriamente público, gastam mais: o Estado americano dedica 7,9% do PIB em investimentos em saúde.
Junte-se a isso o fato de que Austrália,Canadá, França e Holanda possuem todos taxas de analfabetismo iguais ou inferiores a 1%, enquanto que a taxa de brasileiros considerados analfabetos funcionais é de 17,1%, chegando a 26,6% na região Nordeste e alcançando 20% de analfabetismo pleno entre as pessoas com 60 anos de idade ou mais.
Em resumo: em comparação aos países nos quais nos inspiramos para construir nosso sistema de saúde, investimos MENOS dinheiro para um público MAIS incapaz - mais incapaz de ler, mais incapaz de processar criticamente informações, mais incapaz de agregar conhecimento científico e, consequentemente, mais incapaz de compreender suas próprias responsabilidades.
Agora me diz: você acha mesmo que nossas políticas públicas de saúde - confortavelmente assentadas em eternas práticas numéricas de assistencialismo burocrático, populista, contraproducente e ineficaz - algum dia irão produzir avanço, prosperidade, ordem ou progresso nessa república tupiniquim?
A OCDE – Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico -, criada em 1960, possui um banco de dados abrangente, confiável e atualizado reunindo informações de 34 nações. Caso pertencesse à OCDE, o Brasil seria o antepenúltimo nos investimentos públicos em saúde, superando apenas Chile e México. Nos gastos per capita, só ficaria acima da Turquia.
Os investimentos públicos em saúde em nosso país representam 3,6% do PIB, contra 5,9% na Austrália, 7,2% no Canadá, 8,6% da França e incríveis 9,7% na Holanda. Até os EUA, que nem possuem um sistema propriamente público, gastam mais: o Estado americano dedica 7,9% do PIB em investimentos em saúde.
Junte-se a isso o fato de que Austrália,Canadá, França e Holanda possuem todos taxas de analfabetismo iguais ou inferiores a 1%, enquanto que a taxa de brasileiros considerados analfabetos funcionais é de 17,1%, chegando a 26,6% na região Nordeste e alcançando 20% de analfabetismo pleno entre as pessoas com 60 anos de idade ou mais.
Em resumo: em comparação aos países nos quais nos inspiramos para construir nosso sistema de saúde, investimos MENOS dinheiro para um público MAIS incapaz - mais incapaz de ler, mais incapaz de processar criticamente informações, mais incapaz de agregar conhecimento científico e, consequentemente, mais incapaz de compreender suas próprias responsabilidades.
Agora me diz: você acha mesmo que nossas políticas públicas de saúde - confortavelmente assentadas em eternas práticas numéricas de assistencialismo burocrático, populista, contraproducente e ineficaz - algum dia irão produzir avanço, prosperidade, ordem ou progresso nessa república tupiniquim?
13 agosto 2017
LEVE SUA VIDA COMO UM ARTESÃO
No excelente livro The Carpenter, o autor John Gordon escreve: "Enquanto a maioria das pessoas aborda seu trabalho com a intenção de terminá-lo, um Artesão age mais preocupado com O QUÊ está criando do que com a velocidade com que irá finalizar a tarefa".
"Um Artesão", Gordon prossegue, "preenche sua mente com o empenho para mostrar o melhor de si. Quando se tem esse nível de atenção, você se destaca, pois este é um mundo de desatentos. É a Atenção, e não a rapidez, que derradeiramente leva ao sucesso".
Alguém que cuida diligentemente do que vê, diz e faz é alguém destinado a expressar características de qualidade. Pode-se dizer então que Atenção e Qualidade sâo, respectivamente, aspectos internos e externos da mesma "coisa", do mesmo segredo por trás do sucesso de um Artesão.
Mas o que seria esse segredo, essa "coisa"? A resposta é facil: Amor.
O Artesão trabalha com Amor. Existe paixão em sua atividade, um cuidado silencioso e concentrado, um deslumbramento quase místico no modo como ele trabalha. O Artesão encontra-se tão completamente presente quando atua que ele e sua arte tornam-se um só.
O valor de agir em sua vida como um Artesão vai bem além de fazer um bom trabalho. Uma vez que a intenção final de cada um de nós é levar uma vida incrível, a melhor maneira para atingir este objetivo consiste em postar-se plena e intimamente envolvido com cada etapa do processo de Viver.
O que quer que você esteja fazendo agora e vá fazer daqui em diante, certifique-se de fazê-lo como um Artesão. Comprometa-se com a Atenção e a Qualidade. E viva com Amor. Sempre.
11 agosto 2017
RELAÇÕES INTERPESSOAIS E LONGEVIDADE
Você
sabia que o modo como você se relaciona com outras pessoas pode incrementar sua
longevidade?
No
livro Safe People (Relacionamentos
Saudáveis, título brasileiro), os psicólogos Henry Cloud e John Townsend
comentam sobre os resultados da investigação de uma cidade americana que
possuía um dos maiores índices de longevidade dos EUA: nos anos 1960, a cidade
de Roseto (Pensilvânia) apresentava uma incidência de mortes por eventos
cardíacos METADE abaixo a incidência média do restante dos EUA.
Por mais
de cinquenta anos, este fenômeno, conhecido como “Efeito Roseto”, foi
investigado de todas as formas possíveis, com conclusões sempre similares. Excluídas
as variáveis pertinentes e realizadas as análises estatísticas devidas, o motivo
pelo qual a população da cidade de Roseto exibia uma saúde tão incrível mostrou
ser bem simples: elas viviam relacionamentos profundos e duradouros.
Nós
nascemos para nos relacionarmos uns com os outros. Fomos criados para isso.
Quando alguém está em seu leito de morte, raramente pede que coloquem dinheiro
ou prêmios ou títulos à sua volta. Alguém que está morrendo deseja nada disso,
mas apenas seus entes queridos por perto.
Infelizmente,
nos dias atuais, a noção de “entes queridos” está turva. A tecnologia e as
mídias sociais nos enganam com a percepção de que estamos vivendo relacionamentos
interpessoais profundos com dezenas – às vezes centenas ou milhares – de pessoas,
quando na verdade não estamos.
De
repente você chega em casa e navega no seu Facebook ou Whastapp ou Instagram
por 20, 30 ou 40 minutos, e quando coloca o celular de lado (quando coloca...)
fica com aquela sensação de que passou algum tempo com algumas pessoas. Mas não
passou. Talvez, para aquela meia dúzia minguada de pessoas cujos posts você
comentou – e que lhe responderam -, você tenha participado de uma forma de
interação. Para o restante delas, e para o restante esmagador do seu tempo,
tudo que você fez foi abraçar uma frágil e falsa noção de amizade.
Uma vez
que as amizades são tão importantes para o seu bem estar, é essencial saber
como cultivá-las e aprofundá-las.
Se você
deseja fazer amigos ou levar suas amizades atuais para um próximo nível, sugiro
que analise os passos a seguir:
1. VÁ EM BUSCA. Quanto mais você buscar amigos, mais encontrará. Porque a
imensa maioria das pessoas está querendo o mesmo que você. Nascemos para
fazermos amizades, lembra-se? A procura por relacionamentos interpessoais significativos
está embutida no seu código genético após dezenas de milhares de anos de
seleção natural. Então comente posts, envie mensagens de
texto ou voz, faça uma ligação pelo celular. Isso não substitui a interação ao
vivo e em cores, mas é um primeiro passo. Seja a pessoa que toma a iniciativa
de fazer o contato e agende um encontro, um programa, um cinema, um chope, uma
caminhada, um por do sol na praia. Se a sua atitude for rejeitada, tudo bem.
Você não pode forçar quem não quer a deixar o casulo. Sacuda a poeira e vá em
busca da próxima amizade.
2. SEJA UM ESPECIALISTA EM CONVERSAÇÃO. Os americanos, que
amam um protocolo, desenvolveram um método para iniciar um bate papo amigável
com qualquer pessoa. O método, que atende pelo acrônimo FORD, recomenda que
você comece a conversa abordando qualquer um destes tópicos: Família, Ocupação,
Recreação ou Desejos. Por exemplo:
·
Família: você tem filhos? Eles moram com você? Você
tem familiares na cidade?
·
Ocupação: com que você trabalha?
Se você não gosta do seu trabalho, o que gostaria de fazer para ganhar a vida?
·
Recreação: o que gosta de fazer
nas suas horas vagas? Você tem algum hobbie?
·
Desejos: qual a sua viagem
dos sonhos? O que você espera da sua vida?
À
medida que for obtendo as respostas, repita a informação que recebeu para
certificar-se de que entendeu direito, e então aprofunde-se no tema, adicionando
perguntas pertinentes ao contexto que está sendo conversado. Esse jogo de “toma
lá / dá cá”, rápido e fácil, mostrará que você está realmente ouvindo e se
interessa pelo que está sendo dito.
3. APAREÇA. Quando algum amigo lhe
convidar para algum evento, festa, reunião, chope, pizza, café ou bate papo, não
responda “talvez” ou “quem sabe” ou “vou ver”. Apenas vá. Apareça.
Não seja a pessoa que os outros sempre convidam e que nunca aparece – porque assim,
mais cedo do que tarde, você terminará sendo a pessoa que quer aparecer, mas
que ninguém nunca convida. Obviamente, você não precisa dizer “sim” para todo e
qualquer convite: se não puder ir por falta de interesse, simplesmente diga que
não pode, desde o princípio. Se não puder ir por algum aperto na sua agenda,
diga que não poderá comparecer, mas ofereça na mesma hora uma contrapartida – “nessa
quinta feira não vou poder ir, já estou preso em um compromisso, mas que tal
então um chope no bar XYZ na sexta, às 20h?”.
4. EXPONHA-SE. Expor suas
vulnerabilidades pode levar a amizades bastante profundas, mas também pode
assustar caso seja algo feito cedo ou rápido demais. Quando o momento for
oportuno, e se você decidir dar um passo além na construção daquele vínculo,
compartilhe um perrengue seu. Comente sobre suas feridas, seus medos, suas lágrimas
e seus risos. Compartilhe conversando sobre algo que lhe fez profundamente feliz,
ou um sonho ou uma conquista importante para você. Se a amizade estiver no
ponto, e se a pessoa for de valor, ela também irá expor-se para você. Se isto
não acontecer, então aquele laço de confiança não estava pronto como você
julgou – ou talvez seja hora de ir buscar novas amizades.
5. DIGA A VERDADE. Na maioria das vezes,
as pessoas preferem ser educadas a ser verdadeiras. Se a sua intenção é fazer
amizades de qualidade, você precisa largar suas máscaras e agir e falar de modo
honesto. As máscaras (ou “personas”) são ferramentas eficientes e produtivas na
sociedade; são elas que permitem que freqüentemos ambientes públicos, áreas de
trabalho e instituições de ensino. Sem máscaras, a vida em sociedade seria
impossível. Todavia, você pode ser você mesmo, falar a verdade e ser educado ao
mesmo tempo. Ser educado não significa agradar a todos ao seu redor, mas ser respeitoso
ao manifestar suas verdades. É melhor ter alguns poucos amigos verdadeiros que
aceitam quem você é do que viver cercado de uma multidão interessada em
interagir apenas com uma máscara de alguém que você nunca foi.
30 julho 2017
SOBRE CIÊNCIA E PSEUDOCIÊNCIA
Não raramente, deparo com afirmações espantosas sobre alguma descoberta “científica” que irá mudar minha vida: os poderes da água ionizada, os benefícios do sal do Himalaia, palmilhas magnetizadas, dimensões ocultas, graviolas anti-cancerígenas, fluxos mentais capazes de alterar a matéria e por aí vai.
A maldição que acompanha a Ciência atende pelo nome de Ignorância, e a ignorância pode assumir várias formas, sendo a Pseudociência sua versão mais moderna e danosa.
Diferentemente da fé religiosa – que admite seu viés sobrenatural -, a pseudociência se traveste de ciência para tentar convencer que suas afirmações não são falácias e charlatanices, mas grandes sacadas genuínas da Realidade.
Mas a pseudociência é exatamente o que o nome diz: FALSA ciência. É apenas um modo sofisticado e bacana para justificar as velhas crenças absurdas de sempre.
Para se salvar dessa confusão, é preciso manter uma mente crítica. Quando se deparar com algo que pode ser pseudociência, aplique 5 raciocínios rápidos:
1) A afirmação se qualifica como uma teoria? Uma teoria se origina de e é apoiada por um conjunto evidências específicas que podem ser testadas por diferentes instituições em diferentes locais do mundo.
2) A afirmação baseia-se em conhecimentos ancestrais? Esse tipo de conhecimento por si só não se qualifica como evidência científica. Sem testes que validem sua eficácia, consistência e reproducibilidade, um “conhecimento ancestral” é apenas um mito, não Ciência.
3) A afirmação baseia-se na existência de um tipo desconhecido de “energia” ou algum outro fenômeno paranormal? O emprego descontextualizado de termos como “campos de energia”, “forças eletromagnéticas”, “orgânico”, “mecânica quântica” e “múltiplas dimensões” são ferramentas típicas da pseudociência. Utilizar amplamente conceitos popularizados pela ciência é uma artimanha bastante comum – e desonesta - através da qual a pseudociência tentar jogar um véu de confiança sobre si mesma.
4) Os defensores de afirmações pseudocientíficas amam dizer que suas descobertas estão sendo mantidas ocultas pelas autoridades, pelo governo, pela grande mídia, pelas universidades, pelos médicos, pela indústria farmacêutica, pelos templários, pelos iluminati, pelos alienígenas de Júpiter e tal. Deveriam procurar atendimento psiquiátrico e tratar suas paranoias alarmistas de conspiração – ou publicar seus achados extraordinários em periódicos científicos sérios.
5) Existe alguma explicação mais simples e razoável para aquela afirmação? Por exemplo: a afirmação poderia ser melhor explicada apenas considerando-se a possibilidade de um efeito placebo, a capacidade de cura do próprio organismo, um truque de ilusionismo, má fé ou uma ocorrência estatisticamente possível?
A Pseudociência falha miseravelmente ao tentar passar pelos crivos descritos acima, pois suas afirmações em geral fazem parte de algum contexto político, ideológico ou cultural. Elas não são Ciência.
A Ciência verdadeira é feita com método, pesquisa e evidências, e não com marchas de protesto, blogs, reuniões de chá, seitas, templos ou igrejas.
Não encorajo você a abrir mão de suas convicções, mas sim a fazer uma análise bem honesta delas. Seja honesto CONSIGO mesmo. Tenha coragem para tanto. Questione-se com lucidez.
Ou continue a viver em seu mundo de relativismos místicos, tudo bem. Todavia, neste caso, não denomine suas fantasias de fé de “ciência”. Chame-as pelo apelido correto: chame-as de Crenças Populares. Tenha pelo menos essa dignidade.
05 junho 2017
VITAMINA C FUNCIONA PARA TRATAR RESFRIADOS?
Sim, funciona. Mas com ressalvas.
O Resfriado Comum pode ser causado por mais de 200 vírus diferentes. A Gripe, por outro lado, é causada por apenas 1 vírus – o Influenza -, e produz um quadro BEM mais severo que o do resfriado. Infelizmente, as pessoas com frequência confundem um episódio de Resfriado com Gripe. Seria como confundir um cisco no olho com ser atropelado por um trator. Em pleno século XXI, ainda não sei como isso ocorre. Enfim...
Uma vez que o Resfriado Comum é causado por um VÍRUS, antibióticos são ineficazes no seu tratamento. A Vitamina C vem sendo utilizada desde 1930 com o propósito de aliviar os sintomas do resfriado e diminuir o tempo de evolução da doença, e se tornou particularmente popular na década de 1970 a partir dos estudos de Linus Pauling.
Em 2013, após avaliar 29 estudos clínicos placebo-controlados envolvendo um total de 11.306 pacientes, os pesquisadores da Colaboração Cochrane concluíram que a ingestão regular de vitamina C (200 mg ou mais por dia) não afeta a incidência de resfriado na população em geral.
Entretanto, a suplementação regular exerceu um efeito modesto – porém consistente – na redução da duração dos sintomas (31 estudos clínicos avaliados). Em 5 estudos, um total de 598 pacientes foram expostos a períodos curtos de exercícios físicos extenuantes e a vitamina C mostrou-se capaz de reduzir a incidência de episódios de resfriados comuns entre eles, sem efeitos colaterais adversos.
Conclusão:
1. Do ponto de vista da revisão da Colaboração Cochrane, a incapacidade da suplementação com vitamina C em reduzir a incidência de resfriados na população em geral indica que o USO ROTINEIRO dessa vitamina por toda e qualquer pessoa, apesar de seguro, não se justifica.
2. A suplementação com vitamina C pode ser útil para reduzir a incidência de resfriado em pessoas expostas a curtos períodos de atividade física intensa e, neste cenário, ela é bem indicada como profilático.
3. O uso de vitamina C é capaz de reduzir os sintomas e a duração da doença em pacientes com quadros agudos e resfriado, com poucos efeitos colaterais, e é recomendado.
23 maio 2017
QUAL A VERACIDADE DA REALIDADE?
Seu
padrão habitual de crenças forma um ciclo que derradeiramente
formata toda sua experiência de vida. Entenda: suas convicções
se tornam pensamentos e emoções, que então influenciam o comportamento, que por
sua vez define o caráter – e seu caráter determinará seu destino.
O que
você admite sobre o mundo e sobre si mesmo, as coisas positivas e negativas que
sua família e seus amigos lhe contaram sobre você, todo seu condicionamento
ativo e passivo frente à realidade, essas ideias não são abstratas: elas tangem
a realidade por meio de suas ações. E tudo começa lá no fundo, nos dogmas que
você carrega.
REAL, MAS NÃO VERDADEIRO
Você dá
uma topada no pé da mesa e seu pé dói; você martela seu polegar sem querer, e ele
dói; você toma uma canelada na pelada do final de semana, e sua perna dói. A dor
é um fenômeno orgânico e objetivo.
O sofrimento,
por outro lado, baseia-se numa crença. O sofrimento não é real, ele existe apenas
dentro da sua convicção. Sentir dor é compulsório; sofrer é opcional.
O
sofrimento atua como uma lente turva, separando você da realidade. Comece a
observar suas crenças – e o sofrimento derivado delas - como pré-julgamentos
que limitam sua capacidade de experimentar o mundo.
Apesar
dos seus pensamentos serem resultado de uma bioquímica real que está
acontecendo neste exato momento no seu cérebro, todas essas ideias são apenas
representações na sua mente. Elas não são a experiência do aqui, agora – assim
como um mapa não é o território que ele representa. Os pensamentos, por mais reais
que sejam, não são verdadeiros.
Em O
Mundo como Vontade e Representação, o filósofo ateu & pessimista Arthur
Schopenhauer (1788-1860) abordou este assunto com amplitude, introduzindo
alguns conceitos indianos e budistas na metafísica ocidental. Schopenhauer
basicamente afirmava que “não conhecemos a realidade como ela é, pois toda a
realidade que percebemos traz em si as marcas indeléveis das garras de nossa
subjetividade”.
Nossa convicção
na certeza da interpretação da realidade que vivemos é exatamente o que nos
separa da realidade em si. Quando estes territórios não são investigados, eles
nos impedem de alcançar a verdade. Contudo, quando aprofundamos nossa atenção e
ultrapassamos o limite das crenças, somos presenteados com as luzes de bilhões
de estrelas do que é Real.
Existem
duas maneiras de prestar atenção e eliminar do seu horizonte a poluição das
ilusões e das crenças. O primeiro método consiste em perguntar: pergunte a si mesmo, pergunte aos seus amigos, pergunte
às palavras, aos livros, atravesse todas as camadas de suas certezas,
questionando uma a uma. Pergunte, pergunte. E não se ofenda - tampouco se assuste - com as
respostas.
O
segundo método consiste em uma técnica de meditação de exercícios afins que
atende pelo nome de Atenção Plena.
EM QUE VOCÊ ESTÁ ACREDITANDO AGORA?
Que tal
começar a perceber a realidade por meio de uma atividade bem simples?
Pergunte-se: “Em quê eu estou acreditando
agora?”.
Responda
a isso. Na sequência, pergunte-se: “Isto
é real? Será possível que isso é real, mas não verdadeiro?”.
Ainda
que sua resposta seja “sim”, apenas o
fato de questionar expande o espaço que você e sua mente ocupam, e abre a
possibilidade para que você entenda que aquilo que está acreditando é somente uma
representação – e não a realidade em
si. Suas convicções são reais, mas não são verdadeiras.
Indo
mais fundo na toca do coelho, pergunte-se: “Como
é viver com essa crença? Como esta crença afeta minha vida?”. Sustentar um
sistema de crenças que lhe causa sofrimento e nenhuma evolução ou excelência em
termos de sabedoria é um investimento tolo.
Questione-se:
“Como seria minha vida se eu não
estivesse vivendo dentro desse sistema de convicções?”.
À medida que praticar a atenção plena e retirar o poder de suas percepções distorcidas, os pensamentos
e as emoções continuarão vindo, mas você se sentirá menos inclinado a acreditar
piamente neles.
Confortavelmente estabelecido em um lugar bem maior que suas ideias e suas doutrinas, você perceberá como o mundo é vasto e como a realidade é extraordinária – e nunca mais desejará retornar ao sono de ingenuidade onde as ilusões haviam lhe convencido de que elas eram tudo que existia.
Confortavelmente estabelecido em um lugar bem maior que suas ideias e suas doutrinas, você perceberá como o mundo é vasto e como a realidade é extraordinária – e nunca mais desejará retornar ao sono de ingenuidade onde as ilusões haviam lhe convencido de que elas eram tudo que existia.
17 maio 2017
DIÁLOGOS - PARTE II
- Oi, linda!
- Ei, lindo :)
- Comecei a leitura de Chesterton (O Que Há de Errado) e esbarrei nisso: “O sufragismo foi a Primeira Onda do feminismo – para citar a classificação utilizada por alguns estudiosos contemporâneos –, início de um movimento maior, provocador da Segunda Onda, anti-família e anti-maternidade, cuja tarefa foi levar as primeiras reivindicações, de igualdade perante a lei, para o âmbito da vida íntima, chegando, então, à Terceira Onda, experimentada hoje, com a ideologia de gênero e a tentativa de ignorar a ordem biológica, de maneira a transformar masculinidade e feminilidade em meras construções culturais”.
- Assemelha-se a um reducionismo.
- Em parte, sim. Mas o parágrafo segue dizendo: “nas palavras de Francisco José Contreras, as mulheres são as grandes vítimas da revolução sexual. Na sociedade hipersexualizada, a mulher se converte com frequência em objeto de usar e jogar fora. As feministas conseguiram impor à mulher o modelo sexual masculino - e envileceram todas". Gostei demais dessa visão.
- A questão é que isto parece levar em conta apenas um ponto de vista.
- Hum.
- Como mulher, penso que definições assim tendem a diminuir as dimensões da pessoa feminina. Concordo que houve excesso no pêndulo do feminismo e é preciso trazê-lo para o centro. Mas será possível?
- O pêndulo voltará ao centro por si só.
- Será? O movimento todo se tornou um excesso de ideologias e inocências. Se continuar nesse balanço, pode representar a extinção de nossa espécie, com homens e mulheres se recusando a reproduzir... :)
- Ideologias? Eu diria Deslumbramento. A onda feminista do século passado produziu uma multidão de crianças que nunca comeram mel, e que agora estão fazendo uma lambança enorme na liberdade que conquistaram. Quanto à extinção da espécie... Eu não chegaria a este extremo. Não menospreze a pressão dos genes. :)
- Crianças... rsrsrs... Sim, parece um mundo de crianças revoltadas, pessoas que querem cachorros como filhinhos.
- Por isso tenho achado o mundo das pessoas tedioso. Queria adultos para trocar ideias, mas onde encontrá-los? Um brinde aos livros! Livros e Natureza. Foi o que nos sobrou.
- Até nessa questão as pessoas estão cegas. Percebe como elas querem subverter a Natureza?
- Sim - e estão quebrando a cara, o que é bem fácil de perceber. É só contabilizar a enormidade de consumo de antidepressivos e benzodiazepínicos.
- Apoiado. Mas não culpo as mulheres pelo cenário completo.
- Hum.
- Esse problema é do Ser Humano. O Desequilíbrio vem de todos os lados.
- Argumento aceito. Mas não há de se aliviar o papel do feminismo no cenário das últimas décadas. Isso seria uma condescendência excessivamente benevolente e ingênua.
- Você nega que o exagero do patriarcado provocou esse movimento?
- De modo algum. Ação e reação. O patriarcado belicista e controlador povoou o Século XX com guerras, consumindo a mão de obra masculina em conflitos inúteis. A saída para preservação da máquina civilizatória foi a aceitação da força produtora feminina que, uma vez organizada, se voltou contra quem lhe abriu espaço. A modernidade se tornou uma Era Frankenstein Social-Sexista. Mary Shelley adoraria ver isso...
- rsrsrs
- Mas concordo que culpar um não exime o outro. As responsabilidades devem ser divididas.
- Perfeito, e isso nos leva de volta à questão: como recuperar o equilíbrio? É possível? Quem sabe com tempo, estudos e discussões...
- Eu resumiria em Tempo. É um ciclo repetitivo este, mas que funciona sempre: as gerações futuras se ressentem daquilo que as gerações passadas demoliram, e então constroem uma versão mais ponderada do passado - não necessariamente melhor, mas certamente mais adaptada à satisfação dos desejos. Foi assim com a escravatura e a liberdade sexual. Será assim com a balança patriarcado-feminismo.
- Que venha o Tempo então.
- :)
DIÁLOGOS - PARTE I
- As pessoas se preocupam com o que não precisam e esquecem de se preocupar com o que deveriam.
- E com o que elas deveriam se preocupar?
- Você também não sabe?
- Hum... família? Saúde? Dinheiro? Sucesso?
- Não exatamente... Não é um monte de coisas, mas uma coisa só.
- Então "o quê" exatamente?
- As pessoas deveriam ter uma única preocupação: colocar a cabeça no travesseiro à noite com um PUTA orgulho do dia que viveram. Deveriam deitar a cabeça no travesseiro e pensar: "hoje ajudei, aprendi, amei, senti, ri, refleti, demonstrei força, honra e coragem, e pratiquei disciplina, sabedoria e gentileza... hoje eu arrebentei!". E o resto seria consequência. Só consequência.
- E com o que elas deveriam se preocupar?
- Você também não sabe?
- Hum... família? Saúde? Dinheiro? Sucesso?
- Não exatamente... Não é um monte de coisas, mas uma coisa só.
- Então "o quê" exatamente?
- As pessoas deveriam ter uma única preocupação: colocar a cabeça no travesseiro à noite com um PUTA orgulho do dia que viveram. Deveriam deitar a cabeça no travesseiro e pensar: "hoje ajudei, aprendi, amei, senti, ri, refleti, demonstrei força, honra e coragem, e pratiquei disciplina, sabedoria e gentileza... hoje eu arrebentei!". E o resto seria consequência. Só consequência.
16 maio 2017
O TRANSTORNO DOS ADORADORES DE ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO
Em uma
pesquisa conduzida pelo Pew Research Center, 85% dos
donos de cães e 78% dos donos de gatos diziam considerar seus animais de
estimação parte da família. Como se
isso não fosse suficiente, a tendência mais recente vem sendo dar
um passo além e tratar o animal como se ele fosse uma criança. Uma
criança humana.
Ora essa, mas quem
é capaz de dizer qual o real valor de um animal de estimação? As pessoas
deveriam ser livres para gastar seu dinheiro com o que bem entenderem, até mesmo com mimos para as traças de suas casas. Que mal há em tratar
um gato ou um cão como uma “criança que nunca irá crescer”, certo?
Não. Não está certo. Nada está certo neste discurso.
As implicações desses hábitos são mais grotescas e
possuem consequências mais vastas do que pode parecer à primeira vista. O antropomorfismo vem ultrapassando
os limites da admissibilidade, assemelhando-se ao que poderia ser
facilmente considerado um distúrbio mental pleno.
QUALIDADES APOTEÓTICAS
Os
caninos, com seus instintos de matilha, alta capacidade de treino, amor
incondicional e lealdade sem julgamento, são de longe os animais de estimação
que mais sofrem antropomorfização. Eles se tornam membros da família, melhores
amigos ou bebês de pelo, e são tratados com refeições gourmets, salões de beleza, colchões ortopédicos e festas de aniversário personalizadas,
entre outros disparates.
A
multidão que diz que “meus cães são meus filhos” age movida por essa crença
animista. Essas pessoas compram presentes de natal, compartilham fotos, pagam cirurgias
cosméticas e fazem o que for necessário para garantir tudo do bom e do melhor
para seus bichinhos. Muitas mulheres conversam SERIAMENTE com seus pets e os chamam de “filhos”, referindo-se a si mesmas como “mamães” deles. Há uns 30 anos, isso equivaleria a marcar
uma consulta com um psiquiatra, mas hoje esta prática é recebida com tolerância e normalidade.
Avançamos?
Louvar
cachorros, gatos, periquitos ou papagaios por serem incapazes de agir como
pessoas más não é somente estapafúrdio, mas também torna o animal uma versão
idealizada e endeusada de nós mesmos – que deve então ser tratada com prendas e
afagos sem fim.
Como um
ser humano, comparativamente mais complexo que um cão ou um gato ou um filhote
de ovelha ou uma cacatua, pode competir com criaturas que personificam todas as expectativas mais singelas de fidelidade, perdão, confiança, amor e inocência?
Na visão de seus donos, quando emparelhados às pessoas, os animais de estimação
são considerados sempre mais puros, mais afáveis, mais lícitos e mais
devotados. São reputados como “espiritualmente superiores”, pois não roubam dinheiro,
não começam guerras e tampouco julgam os outros pelas aparências.
Alguns
podem se defender, por exemplo, dizendo que “cães são filhos para pessoas que
não tem filhos”. Casais e pessoas sozinhas (hetero ou homossexuais, não
importa) que não podem ou não desejam ter filhos em geral migram para animais
de estimação como substitutos da prole humana, engendrando uma família
diferente, mas ainda assim uma família. Estas famílias pet-baseadas podem parecer benignas - afinal de contas, pessoas com
uma mentalidade familiar tendem a ser bons vizinhos, estáveis e voltados aos
interesses da comunidade -, mas não são.
É
verdade que pessoas que não desejam filhos podem se beneficiar ao atuarem como
nutridores e protetores de outra criatura viva. Esse comportamento reduz o
egocentrismo e é louvável. Entretanto, do ponto de vista evolucionário, não
faria mais sentido se estivessem cuidando de uma criatura viva de sua própria
espécie em lugar de um schnauzer?
Independente
do motivo da ausência de filhos – crescimento natural, escolha voluntária ou limitação anatomofisiológica -, essas pessoas
sem filhos ou que não desejam mais tê-los poderiam muito bem optar por atuar
como mentores na vida de crianças humanas reais, ao invés de canalizar todas
suas benquerenças para um angorá. Mas eu entendo a covardia implícita neste desequilíbrio.
Os
níveis de planejamento, investimento, responsabilidade e culpabilidade que
envolvem uma criança humana são infinitamente maiores. Se você machucar
seriamente uma criança - de forma intencional ou não -, é quase indubitável que enfrentará um processo junto ao Ministério Público ou Conselho Tutelar de
sua cidade.
Por
outro lado, você estará agindo dentro da lei se oferecer seu cão para adoção ou
entregá-lo para algum desconhecido via OLX porque está indo trabalhar em outra
cidade e seu apartamento não permite cachorros – ou não quer ter o
trabalho adicional de cuidar de um animal de estimação nesta nova etapa de sua
vida. E, quando ele apresentar alguma doença grave, pode levá-lo para ser
sacrificado em uma clínica veterinária, garantindo uma morte “digna e sem
sofrimento” – isso é ser “humano”.
OPÇÃO PELA SENSATEZ
De uma
perspectiva ambiental, podemos considerar que animais-crianças de estimação
fazem sentido: uma vez que a população humana alcançou números alarmantes,
substituir filhotes humanos por filhotes de outras espécies pode ser uma saída
para controlar o surto de Homo sapiens
no planeta. Não obstante, estaríamos trocando uma epidemia por
outra.
Saem as
crianças, entram os animais de estimação – que não possuem qualquer papel no
ecossistema, além de alimentar as misérias afetivas dos humanos. Se todos nós
fizermos essa opção, você consegue quantificar o impacto disso na economia e na
civilização como um todo? Ou acha mesmo que Rex e Totó irão substituir a
mão de obra, os consumidores, os eleitores, os contribuintes e os inovadores do
futuro?
Eu
prefiro surfe a futebol, carne ao invés de legumes, Pearl Jam ao invés de sertanejo, uísque ao invés de cerveja e isso está ok - são apenas predileções. Todavia,
no momento em que decido me empenhar ativa e exclusivamente no zelo e na defesa de bichos ao invés
de crianças humanas, alguma coisa está errada. Alguma coisa está muito errada e extrapolou as fronteiras da coerência.
Pessoas
que colocam cães ou gatos ou qualquer outro bicho em níveis de relevância acima
de sua própria espécie deveriam rever suas carências emocionais. Elas deveriam
crescer, sair dessa infância cheia de fugas egocêntricas e projeções dramáticas, e
procurar tratamento psicológico.
A verdade pode ser amarga, mas ela merece e deve ser evocada. É hora de repensar o culto aos animais de estimação e o fervor que muitos adultos dedicam ao altar desse fanatismo.
E devemos ter um mínimo de honradez para batizar essa doença como a doença que ela se tornou: o Transtorno dos Adoradores de Animais de Estimação. O bom senso, a razoabilidade e o discernimento que permeiam nossa rala inteligência certamente irão agradecer.
E devemos ter um mínimo de honradez para batizar essa doença como a doença que ela se tornou: o Transtorno dos Adoradores de Animais de Estimação. O bom senso, a razoabilidade e o discernimento que permeiam nossa rala inteligência certamente irão agradecer.
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