08 julho 2016

As 3 características de um Homem Educado

* Especial para Manhood Brasil


O que define um homem educado? A quantidade de títulos que ele tem? A extensão de seu vocabulário? Quantos livros ele leu? As qualidades que constituem um Homem Educado poderiam ser debatidas e discutidas por uma eternidade...

No livro "How to Live the Good Life", o comandante da marinha inglesa Edward Whitehead ofereceu algumas pistas: "O homem educado pode ser definido como aquele capaz de entreter-se consigo mesmo, com outras pessoas e com novas ideias". Vamos então dar uma olhada em cada uma dessas características citadas pelo comandante:

CAPAZ DE ENTRETER-SE A SI MESMO


Billy Graham, um pregador batista americano de meados do século XX, disse que "apenas aqueles que querem que tudo seja feito para eles mesmos são capazes de se entediar".

"Isso aqui está chato!" é uma das frases mais comum que as crianças costumam dizer. Elas sempre esperam que seus pais surjam com alguma atividade divertida que as livre do tédio. Lamentavelmente, muitos homens nunca crescem para além dessa necessidade de serem entretidos por outras pessoas e não desenvolvem iniciativas próprias. 

Diferente de uma criança que enjoa rapidamente de um brinquedo ou atividade, o Homem Educado é capaz de mergulhar de cabeça em suas tarefas, hobbies, livros ou conversas - ele desenvolveu o poder do foco e da concentração.

Pessoas entediadas em geral estão entediadas consigo mesmas. É óbvio que, com todas as amenidades de hoje (DVDs, TV a cabo, internet, smartphones, redes sociais, whatsapp, etc), entreter-se sozinho não é algo muito difícil. Neste mundo moderno, o VERDADEIRO teste para o Homem Educado consiste na capacidade que ele tem de entreter-se quando NENHUMA tecnologia está ao seu alcance ou quando não é socialmente correto fugir de uma determinada situação.

Você é capaz de produzir entretenimento para você mesmo em um jantar chato? Ou em um acampamento, ou tendo uma conversa em uma balada? O Homem Educado é, e ele faz isso - ironicamente - utilizando uma característica que todos tínhamos na infância: a CURIOSIDADE.

O Homem Educado tem uma curiosidade insaciável sobre o mundo à sua volta. Em qualquer evento, ele vê algo que pode aprender, estudar e observar. Se ele se vê preso em algum lugar - sozinho em um engarrafamento e sem celular à mão, por exemplo -, ele utiliza seu tempo para desembaraçar algum questionamento filosófico em sua cabeça.

A mente do Homem Educado é um imenso depósito de ideias que ele pode sacar e examinar a qualquer hora, em qualquer lugar.

CAPAZ DE ENTRETER SEUS AMIGOS


Sem forçar a barra, o Homem Educado torna-se a alma de qualquer evento. Ele é capaz de iniciar ou participar de conversas de um modo vivo e inteligente. Isso é possível devido à amplitude de suas leituras e vivências. Ele tem um arsenal pronto de histórias interessantes sobre suas viagens e experiências, mantendo-se atualizado sobre notícias e pontos de vista pertinentes.

Não importam as características demográficas do grupo onde está, ele sempre oferece algo do interesse de todos - ainda que seja uma boa e velha piada.

Machado de Assis e Abraham Lincoln são dois bons exemplos de Homens Educados que eram capazes de entreter outras pessoas. A despeito de ambos terem uma formação muito básica - Lincoln tinha fez apenas 1 ano de educação formal e Assis, de família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou uma universidade -, eles eram leitores vorazes e dedicaram suas vidas a um aprendizado constante. Como resultado, tornaram-se capazes de conversar sobre praticamente qualquer coisa com qualquer pessoa.

É óbvio que, por ser um estudioso do comportamento e da psicologia humana, o Homem Educado sabe que uma das coisas que mais encantam as pessoas é quando alguém parece genuinamente interessado nelas. O Homem Educado é, antes de tudo, um excelente ouvinte.

CAPAZ DE ENTRETER-SE COM NOVAS IDEIAS


Essa característica parece ser a mais fácil das 3. Não é muito difícil ter uma mente aberta, certo? Errado.

Incontáveis pesquisas analisando como nossas mentes funcionam mostraram que, longe de sermos os seres racionais que tanto nos orgulhamos de dizer que somos, o inconsciente está constantemente dando forma às nossas ideias, valores, verdades e motivações - de um modo irracional.

Por exemplo: o "comportamento de autodefesa" embutido no seu inconsciente faz com que você, quando apresentado a evidências que contradizem suas crenças, ao invés de mudar de ideia, se entrincheire nelas ainda mais.

Outro exemplo: o "viés de confirmação" nos faz prestar atenção apenas às informações que confirmam nossas convicções pré-existentes, classificando como irrelevantes todas as outras.

Um último exemplo: a "falácia do custo investido". Esta arapuca nos faz empacar em opções ruins ao invés de seguir em frente porque já investimos tanto tempo, dinheiro ou emoções ali que aquilo "tem que dar certo agora!".

Existe uma obra excelente que aponta estas e outras armadilhas do inconsciente, chamada "A Arte de Pensar Claramente", de Rolf Dobelli. Recomendo que você o coloque na sua lista de livros para ler.

O fato é que seu inconsciente vê suas ideias pessoais como um grande tesouro - e rotula todo o resto como ameaça. Quando ideias conflituosas são detectadas pelo Serviço de Segurança do inconsciente, ele solta os cães em cima delas e tranca a porta.

Agora você compreende que a capacidade de entreter-se com novas ideias não é algo que ocorre natural e espontaneamente? Sua mente consciente deve, de modo deliberado, desligar o serviço de segurança inconsciente e dizer: "Ok, eu sei porque estou agindo assim na defensiva. Vou me policiar para não ser hostil. Ainda não sei se essa é uma ideia valiosa ou uma completa imbecilidade - vamos lá ver qual é".

Entreter-se com uma nova ideia não significa que você deve aceitá-la ou combatê-la de imediato, ou mudar todo seu sistema de crenças e verdades toda vez que alguém lhe apresentar um modo novo de ver as coisas. Mantenha sua cabeça aberta, mas não tão aberta que seu cérebro caia dela.

Entretenha-se com a ideia da mesma maneira que você faria com um convidado em sua casa. Inicialmente, converse com ela em público, mantendo uma certa distância. Se ficar intrigado com aquilo, faça um convite mais pessoal para um papo. Invista um pouco do seu tempo matutando a ideia. Se ela for uma idiotice, não a convide mais para sua mente. Mas algumas vezes, aquela pessoa com quem você achava que não tinha qualquer coisa em comum pode terminar se tornando alguém do seu círculo mais próximo de amizades.

O Homem Educado enxerga esse contexto. Suas várias experiências e estudos lhe deram incontáveis oportunidades de ver como a informação que ele acumulou foi capaz de mudar sua opinião sobre algo. O sujeito raso, entrincheirado em seus conceitos, interage apenas com pessoas similares e só lê coisas que confirmam suas convicções. Para esse homem limitado, toda e qualquer ideia diferente é uma ameaça ao seu ego frágil e delicado.


E você, quais características acredita que definem um Homem Educado?

A MATRIZ DECISIONAL DE EISENHOWER

* Especial para Manhood Brasil


Você já se sentiu gastando todas as energias como se a sua vida fosse um caminhão de bombeiro correndo de um incêndio para o seguinte? Daí, ao final do dia, depois de ter resolvido um milhão de coisas, você percebe que não saiu do lugar. Sabe como é isso?

Se positivo, meu amigo, você provavelmente anda confundindo o URGENTE com o IMPORTANTE. Nesse caso, recomendo que compreenda o conceito por trás da Matriz Decisional de Eisenhower.

Dwight Eisenhower foi o 34º Presidente dos Estados Unidos, de 1953 até 1961. Antes de se mudar para a Casa Branca, Eisenhower brilhou como general de cinco estrelas na Segunda Guerra Mundial, tendo sido responsável pelo planejamento e supervisão da invasão do norte da África em 1942 e pela bem-sucedida invasão da França e da Alemanha em 1944-45. Com a vitória dos Aliados, Eisenhower se tornou o primeiro Secretário-Geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Não parecem restar dúvidas quanto à eficiência do Sr. Dwight em lidar com conflitos e vicissitudes - basta observar o currículo do moço. Pois reza a lenda que seu talento para resolver absolutamente qualquer coisa baseava-se em uma máxima pessoal bem simples: "O que é importante raramente é urgente, e o que é urgente raramente é importante".

A DIFERENÇA ENTRE URGENTE E IMPORTANTE


“Urgente” tem a ver com uma tarefa que necessita de sua atenção imediata. É qualquer uma daquelas coisas que gritam com você "faça isso AGORA ou arrependa-se para sempre!". Tarefas urgentes tem o talento de ligar o sistema de luta-ou-fuga, desencadeando reações defensivas, negativas, apressadas e com amplitude limitada de raciocínio.

As tarefas importantes são aquelas que possuem um papel nos seus objetivos de longo prazo. São constituídas por valores e metas. Algumas vezes, coisas importantes podem se tornar urgentes, mas na maioria das vezes isso não ocorre. Quando focamos em atividades importantes, funcionamos de modo planejado e responsável, e isto resulta em calma, lógica aplicada e mente aberta para novas oportunidades.

A distinção entre Urgente e Importante é bastante intuitiva, mas ainda assim a gente cai com uma frequência inimaginável na armadilha de considerar que todas as atividades urgentes também são importantes.

A propensão a este erro de julgamento tem raízes evolucionárias: nossos ancestrais concentravam-se mais em tarefas de curto prazo que em estratégias de longo prazo. Os primeiros humanos anatomicamente modernos surgiram na África há uns 200.000 anos, mas revolução neolítica que resultou na agricultura só ocorreria 190.000 anos mais tarde. Durante este pequeno intervalo de 1900 séculos, ficar planejando o que fazer na frente de um mamute ou um tigre dentes-de-sabre poderia ser diferença entre jantar aquela noite ou SER o jantar daquela noite.

As tecnologias atuais nos bombardeiam com um volume absurdo de informações e dão a todas elas uma roupa de urgência e afobação. Uma gostosa famosa qualquer ajeitando o biquíni no Leblon recebe os mesmos holofotes que o genocídio de 100 crianças em uma escola na Somália.

O escritor americano Douglas Rushkoff chama essa mentalidade de "Choque do Presente", praticamente um transtorno mental coletivo que leva-nos a viver permanentemente em um "Quase Agora", famintos por novidades e sem a menor capacidade (ou interesse) de visualizar o longo prazo. Neste estado, é fácil confundir o que é verdadeiramente importante e daquilo que é meramente urgente, e isto possui graves consequências pessoais e sociais. Individualmente, o sujeito instala-se em uma Síndrome do Esgotamento. Socialmente, a cultura se torna incapaz de resolver as grandes questões de seu tempo.

A MATRIZ DECISIONAL DE EISENHOWER


O modo de pensar de Eisenhower foi popularizado no livro "Os Sete Hábitos das Pessoas Muito Eficazes”, de Stephen Covey. Na obra, o autor criou uma tabela, ou matriz, para ajudar você a diferenciar o joio do trigo. A tabela possui 4 quadrantes, divididos em:

(1) Urgente E Importante
(2) Não-Urgente E Importante
(3) Urgente / Não-importante
(4) Não-Urgente E Não-importante.

O Quadrante 1 (Urgente E Importante) se refere às tarefas que exigem sua atenção imediata, mas que também desempenham um papel no seu planejamento de vida. Neste campo entram o gerenciamento de crises, os prazos a serem respeitados e problemas críticos.

A data de entrega do imposto de renda, sua casa pegando fogo, sua esposa dando entrada na sala de emergência de um hospital, o motor do carro que pifou, você tendo um ataque cardíaco, a diretora da escola que lhe chamou para uma reunião para discutir o comportamento do seu filho com tendências psicopatas... todas estas coisas - e outras similares - entram no Quadrante  1.

Com um pouco de organização, as tarefas Urgentes E Importantes podem ser realizadas de modo mais eficiente. A bem da verdade, com o devido planejamento, estas tarefas tendem a diminuir em número ou até mesmo a não ocorrer - liberando você para resolver as coisas do Quadrante 2.

O Quadrante 2 (Não-Urgente E Importante) inclui as tarefas que não possuem um prazo para serem realizadas, mas que podem prejudicar metas importantes. Elas costumam estar relacionadas a vínculos emocionais, planejamentos e aprimoramentos pessoais.

Aqueles objetivos de longo prazo, sua agenda para a semana, a prática regular de atividades físicas, o tempo que você dedica para sua família, um intervalo para ler bons livros ou fazer cursos de aperfeiçoamento, estudos, meditação, manutenção do carro, uma saída para namorar sua fêmea, fazer uma poupança - todas estas são tarefas não-urgentes, porém importantes.

A maior parte do seu tempo e esforço deveria estar centrada nas atividades do Quadrante 2. São elas que lhe garantirão felicidade, plenitude e sucesso. Infelizmente, existem alguns pontos-chave que nos impedem de comportar dessa forma.

Primeiro: você sabe o que REALMENTE é importante para você? Se você não tem uma noção muito bem construída sobre os valores e as metas que importam para sua vida, é óbvio que não será capaz de dedicar-se a elas. E, neste caso, ficará à mercê dos estímulos externos que tornam tudo "urgente".

Segundo: o peso do presente coloca uma pressão enorme para que você resolva o momento. A gente nasce com essa programação genética padrão que fala: "resolva o momento" (lembra o neolítico?). Vencer conscientemente esta demanda exige grande força de vontade e disciplina - duas qualidades que não ocorrem de modo espontâneo e devem ser cultivadas e expressas por meio de atitudes.

Uma vez que as tarefas do Quadrante 2 não ficam ali na sua orelha, roubando sua atenção minuto a minuto, você as coloca no modo de espera. "Eu vou fazer isso logo, logo, assim que resolver outras coisas mais urgentes" e etc. Todo mundo se esconde atrás dessa desculpa, vez ou outra. Algumas vezes, por vezes demais. E tem gente que nunca se dá um tempo para descobrir o que é realmente importante na vida, perpetuando o ciclo onde a única coisa a ser feita é ficar resolvendo as urgências que não param de aparecer.

Contudo, aquele "um dia" nunca chega. Se você estiver esperando que as coisas se acalmem um pouco para finalmente fazer o que considera "importante", permita-me lhe dar uma dica: você NUNCA irá fazer. Você se sentirá sempre tão ocupado quanto agora e a vida apenas se tornará mais cheia de tarefas - ou limitações - à medida que você envelhecer.

Para vencer a programação do "Resolva o Momento!", é preciso conduzir a vida de modo intencional e proativo. Saia do modo padrão. Pare de reagir e comece a agir. Tome uma decisão consciente, reestruture seu tempo e determine um prazo para realizar as tarefas do Quadrante 2. "Vou fazer isso! E se o mundo acabar hoje, amanhã eu venho nem que seja do inferno e faço!". Não procastine.

No Quadrante 3 estão as tarefas que exigem sua atenção imediata (urgentes), mas que não irão lhe ajudar a atingir os objetivos de longo prazo (não-importantes). Em geral, são produzidas por outras pessoas que querem uma ajuda para resolver seus próprios objetivos e prioridades.

Ligações telefônicas, mensagens no celular, emails, colegas de trabalho que precisam resolver um assunto "urgente", o filho que pede para você levar ou buscar numa festa... muita gente investe um bocado de tempo e esforço no Quadrante 3 achando que está no Quadrante 1. Ajudar outra pessoa sem dúvida alguma faz você sentir-se importante e valorizado, lhe dando até uma certa satisfação por ter eliminado uma tarefa da sua lista.

Ainda que as atividades do Quadrante 3 sejam importantes para outras pessoas, elas não são importante para VOCÊ. Elas podem até não ser ruins, mas DEVEM ser equilibradas com as suas atividades do Quadrante 2. De contrário, você apenas passará de um dia para o dia seguinte sem ter progredido coisa alguma nos seus objetivos de longo prazo - e esta é uma receita perfeita para cultivar frustração e ressentimento com outras pessoas. Seja educado, porém assertivo e firme. Aprenda a dizer NÃO para algumas coisas.

As tarefas do Quadrante 4 não são urgentes, nem importantes. Elas não pressionam, mas também não contribuem. São meras distrações, tais como assistir TV, ficar fuçando na Internet ou no Facebook ou no Instagram, jogar videogame, passear no shopping para ver vitrines, etc.

Se você fizer uma auditoria SÉRIA na sua agenda, você descobrirá que anda investindo um tempo descomunal no Quadrante 4. Não se desespere, não chute o balde e não procure um exorcismo para os pecados fúteis deste quadrante. Se o seu dia foi cheio e cansativo, descansar o cérebro dedicando meia hora no Quadrante 4 é bastante recomendável. Uma saída prática: determine uma fração de 5% do seu tempo para "fazer nada".

Na rotina deste Século XXI, a capacidade de filtrar os sinais relevantes da existência misturados aos barulhos inúteis que o mundo faz é uma habilidade essencial. A partir do momento em que seus esforços se concentrarem principalmente nas tarefas do Quadrante 2, o quadrante das coisas Não-Urgentes porém Importantes, você começará a experimentar um progresso visível em termos de controle, calma e compostura.


Então aceite o desafio: construa sua própria versão da Matriz Decisional de Eisenhower e aplique-a aos mais diversos cenários da sua vida. E quando confrontar-se com a necessidade de tomar uma decisão, pergunte-se: "Eu estou fazendo isso porque é importante ou apenas porque parece urgente?".

A Ilusão do Amor Feminino

* Especial para Manhood Brasil


Pode parecer rude, desconfortável, insensível e triste, mas esta é uma verdade perpétua: nenhuma mulher ama um homem. Sim. Engula isso sem choro, vai ser menos doloroso.

O que toda mulher ama é a imagem que ela tem de você, o que você é capaz de prover e quantas fantasias você pode ajudá-la a realizar a partir de uma lista interna construída bem antes dela conhecer você.

Basta olhar o rol de amores da vida de uma mulher: o namoradinho romântico da escola, o professor da faculdade, o bad-boy motociclista, o cantor descolado da banda de rock, o malandro safado, o mauricinho cheio da nota, o maridão ponta-firme cuidador de filhos... levante o histórico dela e você verá o quanto isto é verdadeiro.

Todos os caras que ela namorou são apenas uma sequência de homens-fantasia que ela trazia na mente desde a adolescência. Quando ela encontra um partido conveniente que se encaixa em uma dessas fantasias, ela o adquire, experimenta e marca um "X" em mais um da lista mental.

Se você conversar com suas amigas mulheres sobre o último relacionamento delas e perguntar-lhes COMO O CARA ERA de verdade, o que ele pensava, quais ideias ele tinha, qual a filosofia de vida dele, com o quê ele se importava, etc, é provável que uma parte considerável delas tenha dificuldade de enunciar isso. Porque elas nunca pararam para perceber.

O que o sujeito tinha dentro da cabeça era irrelevante. Afora as características e sonhos dele que tangenciavam as fantasias dela mesma, os desejos e necessidades daquele homem jamais foram algo que ela tomou a mínima consciência. Ele nunca foi um ser humano propriamente dito do ponto de vista dela. Ele sempre foi como um cavalo e ela, uma amazona.

Ainda que você seja um alazão puro-sangue, magnífico e reluzente, no fundo você será apenas mais um animal a ajudá-la a atingir os objetivos e realizar fantasias dela mesma. Mas ter consciência desse papel lhe dá poder. Use-o a seu favor - ou vá chorar ouvindo sertanejo porque você sonha com o amor verdadeiro...


30 Regras de conversação para Cavalheiros

* Especial para Manhood Brasil


Este texto foi extraído de um livro publicado em 1875 chamado "Guia de Etiquetas de um Cavalheiro", escrito por  Cecil B. Hartley, também conhecido pelo livro "Life and Times of Col. Daniel Boone".

As regras de Hartley podem ter mais de 100 anos, todavia elas seguem mais verdadeiras hoje que nunca. Existem coisas óbvias, sim, mas vou confessar: algumas dessas dicas mexeram comigo. Confira abaixo e deixe sua opinião:

1. Ainda que você esteja convencido de que seu oponente está completamente errado, evite debater ardorosamente ou tentar colonizá-lo com suas próprias ideias de modo obstinado. Muitas pessoas dão sua opinião não como quem sugere algo, mas como se estivessem defendendo uma lei divina. Não perca a calma.

2. Tenha para si uma posição política firme e clara, mas não fique desfilando com ela em toda e qualquer ocasião. Acima de tudo, não procure convencer outras pessoas a concordarem com você. Ouça todas as ideias com parcimônia. Se não estiver de acordo, seja educado. Deixe seu oponente pensar que você é um mau político, mas obrigue-o a admitir que você é, antes de tudo, um cavalheiro.

3. Nunca interrompa a fala de outros, mesmo que a pessoa esteja hesitante em busca de uma palavra mais adequada, uma data ou um nome. Forneça a informação apenas se você for solicitado a fazê-lo. Também é absolutamente grosseiro antecipar a história do outro, ou tomar a narrativa de terceiros para você e finalizá-la ao seu modo.

4. Enquanto alguém estiver falando, não confira o relógio, ou olhe ao redor, ou folheie uma revista, ou tome qualquer atitude que demonstre que você está cansado do interlocutor ou de sua história.

5. Durante um diálogo, nunca fale simultaneamente enquanto outra pessoa estiver falando, tampouco eleve sua voz para calar o outro e tomar as rédeas da conversa. Não pose de arrogante ou fale de modo ditatorial.

6. Nunca, a menos que você seja solicitado a isso, fale de seu negócio ou profissão. Limitar sua conversa inteiramente ao seu campo de atuação é pedantismo. Assegure-se que o teor da conversa esteja alinhado ao lugar onde você se encontra.

7. Em uma disputa, se você não é capaz de reconciliar as partes, retire-se. Ao tomar partido em uma discussão onde os participantes perderam o controle, você poderá estar fazendo um ou mesmo dois inimigos.

8. Nunca, durante uma conversa, esforce-se para concentrar a atenção inteiramente em você. Fale de si mesmo, mas bem pouco. Seus amigos irão identificar suas virtudes sem que você tenha que enumerá-las. E o mesmo vale para seus defeitos.

9. Um homem verdadeiramente inteligente e culto em geral é modesto. Ele não se esforça para mostrar que seus interlocutores são inferiores a ele, nem conta vantagens devido ao seu intelecto superior. O homem culto debate com franqueza e simplicidade os tópicos iniciados por outro e estimula a participação de todos no assunto. Suas palavras são marcadas por polidez e respeito aos sentimentos e opiniões dos demais.

10. Um dos maiores elogios que você pode oferecer a alguém e ser um ouvinte interessado e atencioso.

11. Não fique ouvindo a conversa de duas pessoas que se retiraram do grupo para um diálogo mais pessoal.

12. Torne sua participação na conversa tão breve quanto pertinente com relação ao assunto sendo debatido. Evite sermões e histórias tediosas.

13. Se não estiver conversando entre profissionais, o uso de termos técnicos pode ser considerado de mau gosto.

14. Se você se dispõe a fazer piadas com outros, você está automaticamente autorizando os outros a fazerem piada de você.

15. Quando estiver conversando com seus amigos, não os compare entre si. Fale dos méritos de cada um, mas não eleve as virtudes de um contrastando-as com os defeitos de outro.

16. Desvie de qualquer tópico que possa ser prejudicial a um ausente. Um cavalheiro nunca calunia ou se permite ouvir calúnias.

17. Evite frases feitas e faça citações apenas raramente.

18. Fale corretamente seu idioma,  mas evite firulas e palavras rebuscadas que fujam do contexto social. E jamais corrija erros de pronúncia dos outros.

19. Tome cuidado para não ser excessivamente divertido e animado ou logo você será conhecido como "o palhaço", ou "o cara engraçado", e nenhum outro papel pode ser mais nocivo para sua dignidade de cavalheiro.

20. Não ostente. Não fique exibindo seu dinheiro, sua riqueza, suas conexões ou seus luxos. Não é educado propagandear sua intimidade com pessoas distintas ou famosas.

21. Fazer citações em língua estrangeira é algo extremamente deselegante. Evite isso.

22. Frases de duplo sentido não cabem na conversa de um cavalheiro.

23. Caso esteja se irritando em uma conversa, mude o tópico ou mantenha-se em silêncio.

24. Não futuque feridas.

25. Se você fez uma viagem, não fique falando constantemente sobre ela. Nada é mais entediante que alguém que começa cada frase com "Quando eu estive em Paris" ou "Eu na Itália que...".

26. Quando fizer perguntas sobre alguém que você não conhece, não utilize adjetivos. Caso contrário, você corre o risco de dizer a uma mulher "Quem é aquela criança ridícula?" e ouvir como resposta "Minha filha".

27. Não xingue. Em uma mulher, é uma atitude detestável. Em um homem, um hábito desprezível.

28. Não adule. Um elogio delicado é permitido e desejável, mas a adulação é nojenta.

29. Uma dama se sentirá mais valorizada se você conversar com ela sobre assuntos interessantes, instrutivos e de bom gosto - bem mais do que se você se perder em infinitos elogios à sua beleza.


30. Procure tornar sua conversa amável, franca, educada, pertinente e livre de afetações, e você será visto e tratado sempre como um verdadeiro Cavalheiro.

10 Dicas de como causar uma boa impressão no primeiro encontro

* Especial para Manhood Brasil

  
#1 - Apresente-se bem. Boas roupas, bons perfumes. Limpe os sapatos, corte as unhas e evite cutucar o ouvido com a tampa da caneta bic.

#2 – Seja assertivo. Confie em suas escolhas, tenha um comportamento decidido.

#3 - Cuide de sua personalidade. Leia bons livros para ter bons assuntos, fomente bons princípios e seja cavalheiro.

#4 - Malhe. Bíceps e deltoides são obrigatórios. Eliminar aquela barriga obstétrica de chope também é recomendável. Malhar aumenta sua autoconfiança e, cá entre nós, em um primeiro encontro, a aparência conta tanto quanto seu cartão de crédito. Ou até mais.

#5 - Tenha senso de humor. Mas nada daquelas piadas que você costuma contar na roda de amigos. Guarde-as para a roda de amigos.

#6 - Não force a barra. Cara, isso é péssimo. Vá com calma. Ela não é a melhor nem a última o planeta, mas vai que ela é aquela perfeita para você? Não estrague tudo deixando a cabeça de baixo assumir o controle.

#7 - Arrume um emprego e um bom salário. Não reclame dessa dica: se você acha que "dinheiro não interessa", então doe suas roupas e entre para um mosteiro budista. É LÓGICO que dinheiro conta. Vai dizer que o Ronaldo Fenômeno é lindo?
 
#8 - Cultive o respeito dos outros. Quem não gosta de estar com alguém que respeita e é respeitado? Demonstrar interesse genuíno pelo assunto de quem está à sua frente já é um bom começo.

#9 - Seja autoconfiante. Isso não significa ser arrogante ou grosso. Só um pouco. Basicamente, confie em suas habilidades e não recue se souber que você está certo, mas tome cuidado para não deixá-la desconfortável com demonstrações de testosterona em excesso.

#10 - Tenha postura. De que adianta a calça jeans de 1.000 reais se suas cuecas estão de fora e coroadas por um cofrinho cabeludo? Melhore sua linguagem corporal, mantenha uma postura relaxada porém ereta, fale devagar e sorria.


6 Coisas que você deve SEMPRE exigir de seu relacionamento

Especial para Manhood Brasil



Por mais altruísta que você tente ser, todo relacionamento é um "toma lá, dá cá". Você oferece ideias, apoio, afeto, e espera receber algo em troca. Mas as pessoas são diferentes: alguns oferecem muito, outros retornam com pouco. Alguns esperam receber mais, outros contentam-se com o mínimo que obtém.

Às vezes, o que você está disposto a oferecer e receber encontra-se desalinhado com as cartas que ela coloca na mesa. Quando isso acontece, o relacionamento torna-se cheio de atritos, discussões e emoções frustradas. É um pé no saco.

A solução para afinar a sintonia é a comunicação. É preciso manter um diálogo bem aberto com sua fêmea. Querer e aprender a lê-la. Só assim os ajustes necessários serão possíveis para prosperar na vida a dois que você tanto quer. Eu sei, essa pode ser uma tarefa exaustiva - nós homens não somos exatamente os seres mais pacientes e conversadores do mundo -, mas se você acha que ela vale à pena, o esforço trará recompensas.

Um dos erros mais comuns é esperar que ela seja capaz de adivinhar o que você pensa. Esse papo de alma gêmea é muito bonito, mas a realidade é fria e crua. Assim como você, sua mulher não faz parte da mobília e também tem vontades e preocupações pessoais que cabem a ela decidir. Não é racional esperar que ela esteja permanentemente em sintonia com seus desejos e necessidades. Apesar de ser muitas vezes chato pra carai, conversar torna as coisas mais fáceis para ambos.

Se todos nós aprendêssemos a usar as palavras para manifestar objetivamente o que desejamos da vida, nossa existência nesse mundo seria muito mais suave. Incontáveis situações e relacionamentos terminam com os burros n´água simplesmente porque as pessoas envolvidas são incompetentes na hora de expor o que querem.

Para que as coisas funcionem em um relacionamento, existem 6 pontos que devem ser absolutos em suas exigências de troca. Deixe claro desde o princípio que você OFERECE E ESPERA RECEBER:

1. Consideração. Ok, você pode dividir algumas decisões com ela para deixar o jogo mais justo e eficiente. Entretanto, você DEVE participar ativamente de todas as decisões importantes. Sua opinião deve ser manifestada nessas decisões com uma combinação de bom senso e atitudes firmes.

2. Tempo. Todo mundo tem ganâncias e objetivos. Estamos sempre perseguindo algo. Encontrar o exato equilíbrio entre suas batalhas profissionais e o espaço que você oferece a ela em sua vida é a única maneira de obter paz e felicidade. Se você não enxerga uma possibilidade para criar este espaço para ela, então você não deveria estar em um relacionamento: siga sua vida sozinho e resolva suas necessidades sexuais sem oferecer promessas de vínculos emocionais.

3. Presença. Pior do que estar em um relacionamento onde a pessoa está sempre fisicamente ausente é estar ao lado de alguém que mentalmente nunca está presente. Mas atenção: para exigir presença, você deve oferecer presença.

4. Empatia. No frigir dos ovos, somos todos seres absolutamente egocêntricos. Enxergamos a vida a partir de nossos próprios olhos e de ninguém mais. Todavia, encarar um relacionamento significa que você deve estar disposto a enxergar o mundo também a partir do ponto de vista dela. A empatia é uma manifestação profunda de ternura e consideração. Bem trabalhada, ela utiliza as trivialidades do dia a dia para aprofundar vínculos e tornar a vida a dois uma experiência extraordinária.

5. Novidades. As coisas começam a dar errado a partir do momento em que você passa a se satisfazer com as coisas como estão. Isso não significa estar sempre puto com a situação, mas que uma de suas obrigações é criar novas experiências para ambos. Não se acomode sob a justificativa de que você está mirando nos "grandes objetivos". Crie também pequenos objetivos que podem ser alcançados no curto prazo. Passeios, vinhos, velas, uma decoração nova na casa, um detalhe atencioso no almoço, uma massagem e um filme picante à noite... a paixão que ela sente por você é nutrida também por essas novidades.

6. Esforço. Você é tão cheio de imperfeições quanto ela. Pode ser mais alto, mais forte e mais resiliente e basear suas decisões em lógica e razão, mas isso não lhe torna perfeito. Você comete erros e às vezes perde-se de si mesmo, reencontrando-se mais tarde apenas para perder-se de novo. Nessa montanha russa de reconstruções permanentes, não causa espanto a possibilidade de perder a noção dos elos que uniram você a ela. É necessário um empenho consciente para vencer a neblina do cotidiano e manter o foco nesses laços. Faça isso com sensatez e boa vontade. Ajude-a a compreender que, sem um compromisso maduro com o esforço de permanecer juntos, não existe motivo para que vocês continuem fazendo parte da vida um do outro.



10 junho 2016

Resiliência: como desenvolver em 5 passos?

© Dr. Alessandro Loiola



Toda vez que duas áreas da ciência conversam, nasce algo de novo e interessante. Foi assim quando a Engenharia encontrou a Medicina, e ambas produziram ferramentas diagnósticas de enorme utilidade como a ultra-sonografia e a tomografia computadorizada. Recentemente, a Psicologia dialogou com a Física e descobriu um conceito muito versátil: Resiliência.

Para entender o que é Resiliência, é preciso antes compreender os tempos em que vivemos. Segundo Woody Allen, “nunca antes na história da humanidade as pessoas se viram frente a tantas encruzilhadas: alguns caminhos levam ao desespero, outros à desesperança, e outros à extinção completa da raça humana. Vamos rezar para que a sabedoria nos permita fazer a escolha certa”.

Esta sabedoria se chama Resiliência. Na Física, Resiliência é a quantidade de energia que um material é capaz de receber antes de se deformar de maneira irreversível. Na Psicologia, Resiliência virou a capacidade de ter coragem para mudar o que pode ser mudado, serenidade para aceitar o que não podemos resolver, e inteligência para diferenciar uma situação da outra.

Os cientistas calculam que o desenvolvimento da Resiliência é capaz de reduzir em até 75% o risco de problemas cardíacos. Contudo, o maior obstáculo está na resposta instintiva de “luta ou fuga”: pessoas acostumadas a viverem no limite podem achar a idéia de Resiliência um sinal de fraqueza, resistindo (mesmo que inconscientemente) às medidas de controle do estresse.

Se você quiser vencer seu instinto e tornar-se um mestre na arte da Resiliência, basta seguir 5 passos simples. Anote aí:

1. IDENTIFIQUE A FONTE DE ESTRESSE. Anote em um diário tanto as experiências negativas quanto as positivas. Após uma ou duas semanas, você será capaz de identificar as 3 principais situações estressantes de sua vida. Veja o que pode ser feito para eliminá-las de sua agenda.

2. REESTRUTURE AS PRIORIDADES. Nem sempre é possível ou prático eliminar todas as situações estressantes. Nestes casos, a saída é aumentar o peso do lado positivo, priorizando as atividades que lhe dão prazer.

Pequenas decisões ao seu favor podem ser o bastante para construir uma existência menos estressante e muito mais produtiva: não abra mão dos seus finais de semana ou férias. Utilize suas horas de folga para planejar passeios (e faça-os !). Guarde alguns minutos todo dia para fazer absolutamente nada. Uma vez por semana, saia do cardápio e coma uma guloseima, etc.

3. AJUSTE SUA RESPOSTA. As pesquisas mostram que todos podem aprender a dosar o padrão de reação emocional ao estresse.

Por exemplo, no bar beira de praia, ao receber sua porção, não se exalte. Comente para o cozinheiro enquanto cospe para o lado: “rapaz, os caranguejos estão tão frescos que ainda dá pra sentir o gosto da areia neles!”.

4. UTILIZE TÉCNICAS DE RELAXAMENTO. Tudo bem, você ameaçou perder as estribeiras quando o cozinheiro lhe trouxe uma colher e disse sorrindo, apontando para a casquinha de siri: “é pro senhor comer os grãos mais sossegado”. Não quebre o quiosque todo ainda: tente algumas técnicas de relaxamento antes.

Respirar fundo aumenta a oxigenação do cérebro e reduz os batimentos cardíacos. Inspire e expire lenta e profundamente pelo nariz, enquanto conta até dez. Repita o exercício até que a imagem do cozinheiro sendo estrangulado desapareça de sua mente.

5. ACEITE AJUDA. Ter uma boa rede de amigos é essencial. Por exemplo: vai que o cozinheiro dá dois de você? Impossível estrangular o cabra sozinho, sob o risco de ser preparado por ele feito um Peroá bem na frente das crianças.

As pesquisas mostram que a maioria das pessoas Resilientes possui muitos amigos. Afinal de contas, se fosse para você resolver todos os problemas do mundo sozinho, para que haveria tanta gente espalhada por aí? Não tenha medo de pedir ajuda – a surpresa conta a seu favor.

07 junho 2016

Da Série “Péssimas ideias, bons Negócios”: A Invenção da Adolescência

© Alessandro Loiola


Quando eu era uma criança, 
eu falava como uma criança, 
pensava como uma criança 
e agia como uma criança. 
Quando me tornei Homem, 
deixei de lado meus jeitos infantis. 

(1 Coríntios, 13:11)





A ideia de que crianças levam décadas para tornarem-se adultas, passando por um intervalo de “adolescência” e de “adultos jovens”, é uma concepção caprichosa e relativamente recente na evolução de nossa espécie. 

Antes dessa maluquice ser inventada, esperava-se que as crianças assumissem o papel de adultas assim que fossem capazes de tanto, aprendendo as habilidades necessárias com seus parentes e alcançando a idade adulta assim que chegassem à puberdade. As mudanças nos conceitos sobre “estágios da vida” é um exemplo incrível de como a sociedade e os governos constroem nossas noções de Idade.

A adolescência como a conhecemos era mencionada mal e porcamente antes do final do Século XIX. A análise de materiais escritos entre 1800 e 1875 mostram praticamente nenhuma utilização deste termo e uma preocupação muitíssimo discreta com este estágio da vida (e seus comportamentos característicos). 

A invenção da adolescência decorreu de 3 fatores principais: a aplicação da tecnologia para aumento da produtividade; a afluência de pessoas que este processo gerou, e a transição demográfica que o acompanhou. Graças ao ganho em tecnologia em produção, as famílias puderam se tornar sistemas menores e biologicamente mais estáveis. A população adulta urbana cresceu e os “adolescentes” saíram da força de trabalho, sendo deslocados para as escolas. 

O aumento da dependência dos pais e do tempo livre fez-se acompanhar da criação de um mercado novo para produtos bem direcionados para ele e pronto!, temos essa bizarrice agora aí.

Puberdade precoce

Paradoxalmente, no passado, a puberdade chegava mais tarde, mas a ausência de supervisão dos pais chegava mais cedo. Romeu e Julieta carregavam o peso do mundo em seus ombros – ainda que fosse um mundo bem menor que aquele que os adolescentes habitam hoje. 

Ao longo de todos os séculos que se passaram, uma pessoa sexualmente madura nunca era tratada como “uma criança em crescimento”. Hoje, indivíduos sexualmente maduros passam 6 ou mais anos (digamos, dos 12 aos 18, muitas vezes bem mais que isso) vivendo sob a autoridade de seus pais. Baseado em quê sistema na natureza poderíamos esperar que isso funcionasse?

Desde meados do Século XIX, a puberdade – definida como advento da maturação sexual e início da “adolescência” - tem retrocedido 1 ano a cada intervalo de 25 anos. Hoje, ela ocorre cerca de 6 anos mais cedo que em 1850: por volta dos 11-12 anos entre as meninas, e 12-13 anos para os meninos. 

Ainda não se sabe direito o que desencadeia a puberdade. É possível que o momento em que a puberdade se inicia tenha retrocedido devido à melhora da nutrição durante o período pré-natal e a infância. 

Entre os demais primatas, os indivíduos fisicamente maduros não são bem vindos na família: a competição sexual torna essa convivência impossível. Mas, entre estes e outros animais, a maturidade física coincide com a maturidade mental, então a separação do indivíduo de seu núcleo familiar não constitui exatamente uma rejeição.

O jovem cérebro jovem

Se hoje em dia nossas crianças se parecem com adultos mais cedo do que nunca, isso não significa que elas sejam adultas de fato: na nossa espécie, o cérebro não cresce no mesmo ritmo dos demais órgãos e sistemas. 

A colisão entre a maturidade física e a imaturidade mental do Homo sapiens não apenas confunde os pais, mas também lança o adolescente em situações ridículas. Por exemplo: eles se tornam intensamente interessados em romance, mas suas ideais de romance são absurdamente simples, culminando em bilhetes que são trocados na sala de aula ou posts no Facebook dizendo coisas como “Você gosta de mim? Marque sim ou não”. 

A puberdade não é o único marcador da adolescência. Também observa-se um lento aumento da capacidade de pensamento abstrato e raciocínio relativo. Os adolescentes tornam-se capazes de refletir sobre grandes tópicos – Morte, Destruição, Sentido da Vida -, mas essas reflexões tendem a gerar angústia e depressão. Eles estão sexualmente maduros mas ainda vivem sob a tutela dos pais, como diabos irão mudar o mundo desse jeito?

A descoberta pelo adolescente de que tudo é relativo leva a um debate cansativo de todas as regras que lhe são apresentadas. Eles levarão um tempo se lambuzando com o doce da Contestação Infinita até compreenderem QUAIS brigas valem à pena e quais não valem.

Os adolescentes também procuram a autonomia que lhes falta. Eles querem ficar sozinhos porque têm “coisas demais na cabeça”. Curiosamente, esse desejo de solitude deriva justamente da importância dos relacionamentos sociais. Avaliar as vantagens e desvantagens das diversas situações a que eles são expostos requer um certo tempo sem fazer nada. 

Apesar de não parecer, nesta fase os laços familiares têm mais importância do que você supõe e oferecem valores e parâmetros sólidos de interação sobre os quais os adolescentes construirão suas próprias verdades de adultos.

Não culpe os hormônios

A despeito do que quer que cause o humor tipicamente chato do adolescente, os hormônios têm ganhado um crédito exagerado por isso. 

A produção hormonal que dá forma aos nossos corpos se inicia por volta dos 7-8 anos de idade, e as crises que enchem o saco tipicamente ocorrem entre os 11 e 14 anos – nessa época, os hormônios já andam pela vizinhança há alguns anos, isso elimina deles uma boa carga da culpa. 

O mais provável é que os surtos da adolescência estejam mais relacionados à intensificação dos estados emocionais, ao aumento das cobranças sociais e escolares, e ao fluxo de eventos que são apresentados ao jovem e suas novas responsabilidades frente a este mesmo fluxo. 

Como todo mundo adora um bode expiatório, então descemos a lenha nos hormônios. É mais fácil culpá-los que assumir 100% da responsabilidade pela própria imbecilidade.

Pingos nos is

Nas palavras de Schoen-Ferreira et al: “A sociedade contemporânea ocidental estendeu o período da adolescência, que não é mais encarada apenas como uma preparação para a vida adulta, mas passou a adquirir sentido em si mesma, como um estágio do ciclo vital”. Este é o grande erro. Valorizamos o jovem em grande parte por ser jovem, pelas suas características físicas de jovem, pelas suas ideias libertárias e descompromissadas de jovem, e não pela sua demonstração de vontade, compromisso e domínio das habilidades  necessárias para tornar o mundo um lugar melhor para todos.

Se você não é mais criança, então trate de colocar-se rapidamente à altura das competências do mundo adulto. ESSA deveria ser a mensagem passada em cada ensinamento durante a “adolescência”. E as competências do mundo adulto não dizem respeito apenas à capacitação profissional. Elas vão além. 

Tais competências incluem o imprint de fortes noções de decência, moral, disciplina, generosidade, empatia, estoicismo e altruísmo, e não o deslumbramento ou - pior - a celebração consumista e paternalista com essa invenção inútil que batizaram de “adolescência”.

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Referências Bibliográficas: 
1. Esman AH. G. Stanley Hall and the invention of adolescence. Adolesc Psychiatry. 1993;19:6-20. 
2. Demos J, Demos V. Adolescence in Historical Perspective. Journal of Marriage and Family 1969; 31(4): 632-638.
3. Schoen-Ferreira TH, Aznar-Farias M; Silvares EFM. Adolescência através dos séculos. Psic.: Teor. e Pesq. vol.26 no.2 Brasília Apr./June 2010.

03 junho 2016

A Sociedade Emasculadora

© Alessandro Loiola


Vivemos uma cultura "moderna" que sistematicamente degrada a virilidade. Nossos valores involuíram a um tal ponto em que a sociedade espera que o homem aceite de bom grado o papel de serviçal infantilizado, assistente sensível, subserviente e emasculado. Do outro lado, a mesma sociedade há décadas vem ensinando à mulher que ser "esperta e descolada" significa ser "rude e debochada" em relação à masculinidade. 

Não muito tempo atrás, eu estava na fila do cinema e ouvi duas mulheres conversando:
- Puxa, amiga, tempo que não te vejo!
- Tem mesmo. Terminei ficando mais em casa no final da gravidez. Mas graças a deus correu tudo bem e ela nasceu com saúde.
- Quer dizer que você tinha um filho e agora teve uma filhinha?
- Sim.
- Puxa, que sorte, você ficou com um casal! Apesar de quê, criar uma menina é bem mais difícil que criar um menino, né?

Fiquei pensando com meus botões: em que Século essas mulheres vivem? Porque, de onde eu enxergo, criar um menino é tarefa das mais difíceis nos dias de hoje: tudo que um menino faz e diz e pensa e sente é considerado completamente errado do ponto de vista de nossa sociedade metrossexual. 

Veja: os Homens tem essa inclinação surpreendente para serem e se comportarem como Homens, mas este traço de personalidade vem sendo tratado como uma espécie de maldição pelos padrões de aceitação social atuais. 

O resultado dessa distorção da Masculinidade está produzindo uma geração de homens jovens que serão inuteis como Homens, pois foram ensinados desde a tenra infância a negar e repelir cada um de seus instintos biológicos. Então, depois que tivermos destruído a virilidade desses meninos, nós, como sociedade, nos queixaremos que os homens não têm mais ímpeto, bravura, ambição, resiliência, estoicismo, instinto protetor ou "pegada".

Não há nada engraçado nisso. É, sim, preocupante.