11 fevereiro 2018

REFUTANDO O TEÍSMO DA EXPERIÊNCIA PESSOAL

“Milhões de pessoas sentem a presença de deus dentro de si”. 

Boa parte dos teístas se diz capaz de “alcançar” deus através da meditação e das preces, mas estas experiências não podem ser substanciadas por eventos fora de sua mente.

O misticismo pode ser explicado psicologicamente, sem necessidade de complicar nosso entendimento do universo criando vertebrados gasosos oniscientes, onipresentes e onipotentes. Sabemos muito bem da capacidade dos humanos em inventar mitos, ouvir vozes, delirar, alucinar e conversar com amigos imaginários.

O fato de existirem bilhões de teístas aponta para uma característica da humanidade, não para uma prova cabal da existência de uma “entidade superior”. A Verdade não é algo que se obtém por meio de votos da maioria.

As religiões nasceram como mecanismos de defesa para lidarmos com nosso medo da morte, nossas fraquezas, nossos sonhos e o temor do desconhecido. Elas são ferramentas poderosas para conferir um sentido extra à vida e um senso de identidade para o indivíduo. Mas as religiões diferem radicalmente, e apelações para “experiências interiores” só pioram essas divergências.

“Os ateus deveriam se abster de criticar a experiência teística de se perceber de deus: é como um cego negar a existência de cores”. 

Em primeiro lugar, pessoas cegas não negam o senso da visão ou a existência de cores: o caminho dos impulsos luminosos entre a retina e a região occipital do cérebro pode ser identificado e demonstrado fisiologicamente, assim como os espectros da luz visível podem ser validados por equipamentos, independentemente da visão humana ou de suas crenças. A existência das cores, portanto, não precisa ser tomada como um ato de fé.

Em segundo lugar, isso tornaria a fé uma espécie de “sexto sentido” que só os teístas – os “escolhidos” – teriam. Todavia, eles não oferecem recursos extras para testar seus insights espirituais: temos simplesmente que “acreditar” na sua palavra de que eles são verdadeiros e de que suas “revelações” são provas suficiente da existência de um “ser superior”.

Os céticos não negam a “realidade” subjetiva das experiências religiosas, mas reconhecem essas experiências apenas como ocorrências psicológicas que não necessitam um reino transcendental para ocorrer. Para explicar o fenômeno da “experiência religiosa pessoal”, o princípio da Navalha de Occam é simples, eficaz, imparcial e contundente.

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