06 maio 2017

VOCÉ ACREDITA EM MILAGRES?


Utilizando o raciocínio exposto por Michael Shermer em seu excelente livro Cérebro & Crença, va­mos de­fi­nir "mi­la­gre" como um acon­te­ci­men­to com a pro­ba­bi­li­da­de de 1 por 1 mi­lhão de ocor­rer. Va­mos tam­bém cal­cu­lar em bit por se­gun­do de da­dos que flu­em para nos­sos sen­ti­dos ao lon­go de um dia e pre­su­mir que per­ma­ne­ce­mos acor­da­dos doze ho­ras por dia. Isso dá 43.200 bits de da­dos por dia, ou 1.296.000 por mês.

Mes­mo su­pon­do que 99,999% des­ses bits se­jam to­tal­men­te in­sig­ni­fi­can­tes (e por­tan­to va­mos fil­trá-los ou es­que­cê-los in­tei­ra­men­te), ain­da so­bra 1,3 “mi­la­gre” por mês, ou 15,5 mi­la­gres por ano.

Gra­ças à me­mó­ria se­le­ti­va e à ten­dên­cia con­fir­ma­tó­ria, só va­mos nos lem­brar de al­gu­mas pou­cas co­in­ci­dên­ci­as sur­preen­den­tes e es­que­cer o vas­to mar de da­dos sem im­por­tân­cia.

O fato é que, di­an­te de opor­tu­ni­da­des su­fi­ci­en­tes, ano­ma­li­as ine­vi­ta­vel­men­te acon­te­cem porque, matematicamente, a soma de TODAS as probabilidades equivale a 1.

Entretanto, se você anseia desesperadamente por um sopro de divina significância e distinção pela sua fugaz existência nesse pequeno planeta na periferia da Via Láctea, você rapidamente chamará esse 1 de "milagre" e o empregará como prova da existência de sua deidade predileta, ainda que o evento seja apenas uma estatística previsível e esperada.

Não desperdice seu tempo - que é limitado - desvalorizando a importância do mundo real em prol de crenças falaciosas, ameaças de pecados originais e promessas delirantes de paraíso. Não desperdice seu empenho precioso procurando por milagres, pois o milagre é e sempre foi você mesmo(a). Sempre. Acorde. E viva.

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